Touradas regressam quando “estiverem aprovadas regras” pela DGS, diz Governo

“A tauromaquia faz parte da cultura” e “da tutela do Ministério da Cultura”, pelo que ”só pedimos igualdade de critério e respeito”, argumentou.”

“Estamos aqui para dar a nossa cara, para dar a cara da cultura em Portugal e a cara da tauromaquia”.

Mas este bando de psicopatas, não sabe o que é cultura?! -Cultura é aquela actividade que celebra a alegria, a felicidade, a partilha, o amor.
A cultura não celebra o sofrimento, a agonia de outro ser senciente. Não celebra a dor, o sofrimento, o sangue, a morte.

A violência. Qualquer forma de violência, exercida sobre qualquer ser senciente, não é cultura. É barbárie. E é isso mesmo que a tauromaquia é. É uma barbárie. É uma selvajaria. É uma actividade criminosa!

Este tipo de declarações, mostram bem como estes parasitas são!

Mário Amorim


Touradas regressam quando

Numa visita a Évora, que começou pela deslocação ao Teatro Garcia de Resende, que se encontra em obras de reabilitação e requalificação, a ministra tinha à sua espera uma manifestação de cerca de 30 elementos dos grupos de forçados de Évora e de São Manços, no mesmo concelho.

Os manifestantes, que se concentraram para reclamar a retoma da actividade tauromáquica, ainda tentaram falar com Graça Fonseca e entregar-lhe um barrete de forcado, mas a governante não aceitou a oferta, nem conversou com os integrantes do protesto.

Já dentro do teatro, questionada pelos jornalistas, a ministra da Cultura, explicou que, no que respeita a esta área, “o que foi acertado” em Conselho de Ministros “foi que deveriam ser definidas as regras entre as associações do sector e a Direcção Geral da Saúde (DGS), com o apoio da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC)”.

“A informação que tenho é que as regras estão definidas, foi feito o trabalho com a DGS e, portanto, assim que as regras estiverem aprovadas pela DGS as touradas podem reiniciar as suas actividades”, esclareceu.

Antes da chegada da ministra, o cabo do Grupo de Forcados de Évora, João Oliveira, justificou que o protesto pretendeu “dar voz à tauromaquia”.

“A tauromaquia faz parte da cultura” e “da tutela do Ministério da Cultura”, pelo que ”só pedimos igualdade de critério e respeito”, argumentou.

A retoma da actividade “já era para ter sido feita há algum tempo”, mas esse início, “que estava previsto para início” deste mês, “foi negado”.

Agora, “está apalavrado que o mais rápido possível” vão existir “as medidas necessárias para a retoma da actividade”, mas, como tal “já nos foi negado uma vez, estamos aqui hoje para termos a certeza de que” o reinício é feito “tal e qual como foi feito para as outras actividades culturais”, assinalou.

No seguimento “dos protestos feitos no Campo Pequeno”, em Lisboa, “na semana passada”, os dois grupos de forçados, quiseram vincar a sua posição em Évora, disse João Oliveira: “Estamos aqui para dar a nossa cara, para dar a cara da cultura em Portugal e a cara da tauromaquia”.

A ministra da Cultura dedica, este fim de semana, ao Alentejo, numa visita que arrancou em Montemor-o-Novo, com visitas ao Convento da Saudação, que está em obras, e à associação Oficinas do Convento, rumando depois a Évora, onde foi recebida, no Teatro Garcia de Resende, além dos forcados, por uma manifestação de dezenas de profissionais do sector das artes.

Visitas a uma livraria, ao Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo e ao Laboratório HÉRCULES da Universidade de Évora e a inauguração de uma exposição do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida também estão incluídas no programa de hoje, que prossegue no domingo, no distrito de Portalegre.

Fonte: SAPO24

Nota minha: Não fica bem ao Sapo24, alinhar num acordo ortográfico que é altamente lesivo da língua portuguesa. Que vergonha Sapo24. Já tiveram mais do que tempo para se porem ao lado da verdadeira língua portuguesa…!

TRADIÇÃO CRUEL ANDA se junta a mais de 800 entidades internacionais para exigir o fim das touradas

A ANDA (Agência de Notícias de Direitos Animais) em conjunto com mais de 800 entidades que lutam para a construção de um mundo melhor, incluindo diversas organizações em defesa dos direitos animais, do meio ambiente, de mulheres e grupos de veterinários e aposentados assinaram uma carta endereçada às autoridades espanholas pedindo o fim da tortura e exploração de animais em espectáculos tauromáquicos. Entre as centenas de signatários, estão protectores de animais e representantes de santuários de toda a Espanha que abriram suas portas para acolher cidadãos sem tecto, vítimas de violência e animais de pessoas infectadas pela Covid-19 durante a pandemia.

O documento expõe a crise social e económica causada pelo coronavírus e o quanto isso evidenciou a importância dos valores éticos. A carta aponta que “as dificuldades podem servir para nos tornar pessoas melhores” e advogar “valores que unem uma sociedade, como solidariedade e empatia; também para aqueles que não têm voz para se defender”. A coalizão disponibiliza dois anexos preparados pela Associação de Veterinários Abolicionistas Contra Touradas e Abuso de Animais (AVATMA). O primeiro contradiz o argumento da indústria tauromáquica que afirma que a prática é responsável pelo emprego de milhares de pessoas e que sua abolição deixaria uma horda de desempregados.

A AVATMA salienta que o emprego gerado por este sector “é escasso, temporário e inato, deixando claro que o sector de touradas deve ter actualmente outras fontes de renda, além disso, é importante buscar actividades alternativas para se adaptar ao evidente declínio que sofrem”. Uma matéria recente publicada pela ANDA aponta que muito fazendeiros e criadores de touros já estão encerrando contratos com a empresas que promovem touradas e estão investindo em outras fontes de renda por sentirem que a actividade pode estar próxima ao seu fim.

José Enrique Zaldívar, Presidente da AVATMA, destaca que há defasagem no ramo. “Queremos chamar a atenção para o que está incluído no contrato de trabalho do setor e dar ênfase especial às várias categorias em que os ‘líderes de gangues’, ou seja, toureiros, cavalheiros e novilheiros. Dependendo de sua categoria ou grupo, A, B ou C, esses profissionais têm certas obrigações em relação à contratação de suas equipes (picadores, banderilleros, uma espécie de animador de torcida, e garçons). São eles que têm a obrigação de cobrir todas as despesas de seus subordinados e pagar suas folhas de pagamento”, esclarece.

E completa elencando dados probatórios que evidenciam as disparidades desse mercado: “Em 2020, apenas seis toureiros, dois cavalheiros e nenhum novilheiro, seriam obrigados a contratar uma equipe completa (seis pessoas) durante toda a temporada. O número total desses profissionais, ‘líderes de gangues’, que trabalharam em 2019, foi de 385, no entanto, com uma disparidade significativa de ocupação, porque a maioria deles mal estava presente em uma ou duas celebrações. Esses números indicam a volatilidade da mão-de-obra gerada pelo setor de touradas”, afirma.

Na carta, as entidades mencionam ainda que a proibição de touradas se constitui um marco para a evolução da sociedade espanhola. Actualmente, 84% dos jovens declaram não terem orgulho de morar em um país onde as touradas são uma tradição cultural. Dados oficiais sinalizam que o número de celebrações de touradas na praça caiu 58,4% na última década e pesquisas de opinião mostram que 78% dos cidadãos espanhóis se opõem a subsidiar as touradas com dinheiro público. Os signatários do documento querem esclarecimento do porquê a vontade popular é ignorada.

Marta Esteban, do Animal Guardians, destaca que há falta de reflexão e logística. “Por que investir recursos públicos tão preciosos e necessários neste momento em uma actividade que está fadada ao desaparecimento? Não seria mais sábio investi-los em projectos para converter actividades de touradas em outras que não desaparecerão em um futuro não muito distante? Se você realmente quer ajudar as pessoas desse sector, essa seria a melhor ajuda. Investir em touradas é como investir em máquinas de escrever”, sublinha.

O documento alerta ainda para as indicações do Comitê dos Direitos da Criança das Nações Unidas, em 2018, quando instou a Espanha “a proibir a participação de crianças menores de 18 anos como toureiros ou espectadores de eventos de touradas, a fim de evitar os efeitos negativos que a violência dessas práticas cruéis tem sobre a mente e a sensibilidade do desenvolvimento da infância e adolescência”. O caso foi noticiado pela ANDA e levantou questões sobre a banalização da violência e a forma como as crianças são educadas a ignorar o sofrimento de animais indefesos.

A carta traça ainda o interesse social por actividades culturais, onde música (87,2%), leitura (65,8%) e cinema (57,8%) são as mais demandadas, seguidas de visitas a monumentos ou locais (50,8%), participação em exposições ou galerias de arte (46,7%), bibliotecas (26,8%) etc., enquanto as touradas são demandadas apenas em 5,9% da população (Mº. Cultura, 2019). Em 2019, a cidade de Quito, no Equador, transformou uma de suas últimas praças de touros em um centro para a manifestações artísticas e culturais após a pressão de activistas e cidadãos.

A ajuda indireta à indústria de touradas também é mencionada no documento, como o dinheiro proveniente da União Européia através do PAC (Política Agrícola Comum). Em 2014, o eurodeputado holandês Bas Eickhout propôs a suspensão de subsídios concedidos pela União Europeia no âmbito do PAC para a criação de touros para a tauromaquia. O resultado foi de 323 votos a favor, 309 contra e 58 abstenções, o que, infelizmente, não foi suficiente para a aprovação da medida.

Agora, essa forte e consciente coalização espera que a carta sirva como referência para a actualização da legislação e finalmente por fim às touradas, uma prática retrógrada que causa intenso sofrimento físico e psicológico aos animais. Para acessar o documento clique aqui.

Fonte: ANDA

TRADIÇÃO RETÓRICA Falta de público devido à pandemia reacende debate sobre proibição de touradas

Quem fomenta, quem pratica e quem vai a touradas, pare por uns minutos e pergunte para o seu intimo: eu gostaria de estar no lugar do touro?

Mário Amorim


Novas gerações estão liderando uma verdadeira luta contras as touradas organizando protestos e usando as redes sociais para conscientizar a população e pressionar governos para a proibição da prática.

A pandemia do coronavírus casou o cancelamento de mais de 50 espectáculos tauromáquicos na Espanha e poupou temporariamente a vida de mais de 300 touros. O grupo em defesa dos direitos animais AnimaNaturalis, aponta que a quarentena e o distanciamento social imposto pelo surto viral oportuniza o debate sobre a real necessidade de torturar e matar touros apenas para o deleite humano como uma forma de “expressão cultural”.

O grupo activista sugere que esta quarentena seja um período de reflexão sobre a verdadeira solidariedade, compreensão e empatia para todas as espécies. Enquanto a AnimaNaturalis fala sobre amor, José Manuel Rodríguez Uribe, ministro da Cultura da Espanha, fala sobre repassar recursos públicos para que o sector de touradas não vá à total falência e seja definitivamente abolido devido à crise económica. O anúncio teve repercussão negativa.

Uma pesquisa realizada pela World Animal Protection apontou que 84% dos espanhóis com idades entre 16 e 24 ano não são a favor da realização de touradas e não sentem orgulho de viver em um país que permite este tipo de prática extremamente medieval e cruel. A maioria do povo espanhol se opõe às touradas e ao uso desproporcional de fundos públicos para financiá-las. Apenas oito por cento da população espanhola ainda participa de torneios de touradas.

Segundo o estudante de doutorado Guillem Rubio, a insistência na realização de touradas é contra a vontade da população. “A tourada é considerada pela maioria dos jovens como uma tradição ou espectáculo desactualizado que não tem lugar em nossa sociedade. Existe uma opinião ‘senso comum’ cada vez mais generalizada, que afirma que os animais podem ser comidos, mas nunca devem ser torturados por diversão”, afirma.

Novas gerações estão liderando uma verdadeira luta contras as touradas organizando protestos e usando as redes sociais para conscientizar a população e pressionar governos para a proibição da prática. Em maio de 2018, mais de 40 mil pessoas tomaram as ruas de Madrid pedindo o fim de touradas. Mais de 17 grupos em defesa dos direitos animais se posicionaram contra o espectáculo cruel. As Ilhas Canárias e a Catalunha já proibiriam e abriram precedentes para que mais cidades decretem o fim dessa prática bárbara.

Fonte: ANDA

Debate sobre touradas na TVI: José Pacheco Pereira (em nome da civilização) vs. Miguel Sousa Tavares (em nome da barbárie)

Pacheco Pereira 100. Miguel Sousa Tavares ZERO.

Não sei como Pacheco Pereira aguentou tanta ignorância, sem se alterar. A pobreza “argumentativa” de Miguel Sousa Tavares assentou, toda ela, na gigantesca ignorância que caracteriza a tauromaquia.

Isto não foi bem um debate. Foi uma confrontação entre a inteligência, a modernidade civilizacional e a humanidade, vs. a palurdice, o obscurantismo, a crueldade…

Eis a verdade científica para a falácia do Touro dito “bravo”, que na realidade NÃO existe na Natureza:

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/98835.html?thread=1885459#t1885459

Do que gostei mais foi quando o Miguel disse que um Touro “bravo” já investiu contra ele, e Pacheco Pereira disse que (o Touro) fez muito bem. Brilhante. E fez bem porquê? Porque todos os animais não-humanos, incluindo os Bovinos, família à qual os Touros pertencem, farejam, à distância, um troglodita-predador, e, instintivamente, investem para se defenderem.

Fonte: Arco de Almedina

«A TAUROMAQUIA É UMA ESPÉCIE DE “DESPORTO” DOS “SENHORES FEUDAIS” DOS BURGOS QUE EXPLORAM A POBREZA DE ESPÍRITO DA PLEBE…»

… com a ajudinha dos outros senhores feudais, sentados no hemiciclo da Assembleia de uma República que, no que respeita à tauromaquia, tem um pé fincado na Monarquia.

Destaco este comentário, que recebi do Filipe Garcia, que faz uma análise lúcida e realista do que se passa neste submundinho da tauromaquia.

Aprendam com quem tem todos os neurónios a funcionar, senhores deputados do PS, do PSD, do PCP e do CDS/PP!

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A Praça de Touros do Norte, a que se refere o Filipe Garcia é a da Póvoa de Varzim, que está a cair de podre, e vai ser demolida, apesar do estrebuchar dos da prótoiro, que mandam no quintal deles, mas não, no quintal dos poveiros que já evoluíram.

Filipe Garcia comentou o comentário ANTÓNIO PEÇAS, O EX-FORCADO DE ESTREMOZ QUE INCITOU À VIOLÊNCIA CONTRA OS ANTI-TOURADAS, DIZ QUE «A AMI É UMA CAMBADA DE BANDALHOS» às 08:16, 24/06/2019 :

Estimada Isabel Nunca a expressão “Há bons médicos e há maus médicos” fez tanto sentido”… O exercício da medicina requer, desde logo, uma componente empática que é absolutamente essencial á boa e nobre prática da medicina, isto é, para ser bom médico, não basta ter os conhecimentos “técnicos” e de análise para definir diagnósticos correctos e respectivas terapêuticas, vai muito para além disso… É necessário a capacidade de perceber o sofrimento do outro, de ser solidário, de ser empático, isto é, de “entrar” no nosso interlocutor e perceber as suas angustias e anseios, ora, pelo que li até aqui, parece por demais evidente que este cavalheiro Peças, não tem essa capacidade. As touradas são uma prática aberrante, que nada têm que ver com “cultura”, mas que subsistem meramente por razões de natureza económica e financeira, atento a importância que assumem na economia regional (nas localidades onde se pratica), que é ainda subdesenvolvida. Este é o factor central que importa combater. Enquanto os governos sucessivos não apostarem verdadeiramente no interior, dotando de infra-estruturas que permitam instalar e fixar pessoas, desenvolver o tecido empresarial criando empregos e apostar na formação não apenas académica (está bom de ver porquê) mas também cívica e humana, este degradante e hediondo espectáculo irá manter-se. Mais, isto é uma espécie de “desporto” dos “senhores feudais” lá do burgo, que exploram a pobreza de espirito da plebe, numa espécie de feira de vaidades, de pseudo-afirmação, de poder, de protagonismo bacoco, para manter o “culto do Endeusamento” perante a plebe. Depois chamam-lhe “cultura”…um autêntico embuste. Recentemente, houve uma Câmara Municipal no Norte que resolveu a questão, de forma radical mas certamente eficaz. Perante a persistência destes energúmenos das touradas, tomou a corajosa decisão de “arrasar” a praça de touros, ou seja, vão demolir. Acabou-se o recreio! Cumprimentos para si.

Fonte: Arco de Almedina

 

***

Obrigada, pelo seu lúcido testemunho, Filipe Garcia. Receba o meu apreço.

Isabel A. Ferreira

«O ÚNICO ANIMAL QUE SE EXTINGUE COM O FIM DAS TOURADAS É O TOUREIRO»…

… e toda a outra fauna humana que vive à custa do sofrimento atroz dos Bovinos.

Já será tempo de esta barbárie ser extinta.

Os partidos políticos que apoiam a selvajaria tauromáquica que se cuidem! Cada vez há mais eleitores que os penalizarão, por este pormenor

A ver vamos, nas próximas eleições legislativas!

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Fonte da imagem:

Fonte: Arco de Almedina

MAU KARMA!

Quando causamos dor, quando causamos sofrimento a um outro ser sensível, estamos a criar mau karma, a nós próprios. E a não ser que imediatamente procedamos à sua correcção, esse mau karma, vai virar-se contra nós próprios.
E é isto que acontece nas touradas.
Aqueles que causam dor, que causam sofrimento ao touro, criam mau Karma contra eles próprios. E esse mau karma, irá virar-se contra eles, mais tarde ou mais cedo.
Eu não quero que nenhum ser senciente sofra. Seja ele humano, ou não humano. Só estou a dizer algo que quem tortura, quem é cruel para com o touro, não leva a sério.
Mas isto é uma realidade.
É uma realidade, à qual não podemos fugir.
É uma realidade que aqueles que são cruéis para com o touro e para com o cavalo, nas praças de touros, não podem fugir!

Mário Amorim

GOSTAR DE TAUROMAQUIA SIGNIFICA SER DOENTE

Gostar de tauromaquia significa ser doente.
Para quem gosta de tauromaquia isto é duro dizer, mas é a verdade.
Por exemplo; quem gosta de ver baleias a serem mortas nas ilhas Faroe, é doente.
Então; quem gosta de ver torturar. Quem gosta de ver crueldade para com outros seres sensíveis, e aplaude o que está a ver, é uma pessoa, com problemas psiquiátricos evidentes. É uma pessoa, que não tem empatia e compaixão no coração.
Gostaria de poder sentir compaixão por quem gosta de touradas. Mas não consigo sentir compaixão, por quem não sente compaixão, para com o touro e para com o cavalo.
Não consigo sentir compaixão, por quem não se coloca no lugar do touro.
Só consigo sentir desprezo por quem gosta de ver e aplaudir o sofrimento, a tortura, física e psicológica de dois belos seres sensíveis.
O direito de quem gosta de tourada termina, quando começa o direito que o touro e o cavalo têm, de nascer, viver e morrer, em paz e sossego, no campo, na Natureza!

Mário Amorim

Qual a tua opinião sobre touradas?

Palavras para quê?
Vídeo do ano passado, que tem de ser, não só ouvido, mas reflectido, por quem defende a “arte” psicopata, chamada tourada!

“Neste vídeo vais ver algumas opiniões sobre touradas. Mais uma vez as respostas foram feitas sem oportunidade de grande tempo para reflexão mas no fundo a resposta é unânime, a abolição total de tais práticas seria o comportamento adequado a uma civilização que quer ser vista como mais evoluída. Se ainda apoias touradas peço-te que repenses os teus valores morais e repenses essa decisão. Nenhum ser capaz de sentir deve ser submetido a sofrimento desnecessário. Tourada é tortura, é morte. “

Dr. António Maria Pereira

Um texto magnífico, de 2006, infelizmente ainda actual (pois em Portugal não se progride, porquanto a maioria dos governantes não é evoluída), da autoria do Dr. António Maria Pereira, considerado o Pai dos Direitos dos Animais, que põe a nú a extrema crueldade das touradas.

Dedico-o aos actuais governantes que, tal como todos os anteriores, continuam a rejeitar a evolução, colocando-se do lado errado da História, para ver se acordam para a realidade do século XXI D.C.

Esta é também a minha homenagem a este Ilustre Cidadão Português, na passagem dos 10 anos sobre a sua morte, ocorrida a 28 de Janeiro de 2009.

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(…) e tudo isto para gáudio de uma multidão que a cada novo ferro cravado e a cada nova e mais profunda perfuração da vara, vibra com um gozo em que a componente sádica é óbvia.

Texto de António Maria Pereira

O Boletim da Ordem dos Advogados, dando largas a uma surpreendente “afición”, publicou no seu último número quatro artigos sobre tauromaquia em que, com excepção do primeiro, da autoria de Silvério Rocha Cunha, que é imparcial, os três restantes, escritos por óbvios aficionados, procuram esforçadamente justificar a festa brava. Mas o entusiasmo do Boletim pelo espectáculo de touros é tal que foi ao ponto de acolher nas suas páginas um panegírico da tourada da autoria de um conhecido aficionado cuja profissão é de médico veterinário (!).

O elogio da festa brava num boletim da Ordem dos Advogados parece-me totalmente deslocado e desqualifica a revista. O Boletim fez-se para debater assuntos que possam interessar os advogados mas nunca para apoiar o lobby dos touros num debate que divide a sociedade portuguesa mas que não interessa particularmente aos advogados (com excepção de alguns aspectos jurídicos que praticamente não foram abordados).

De qualquer modo, para que não fiquem sem resposta os principais argumentos dos aficionados, vou tentar comentá-los nas linhas que se seguem.

O movimento universal de protecção dos animais corresponde a uma exigência ética e cultural universal, consagrada na Declaração Universal dos Direitos do Animal (1978), em numerosas convenções internacionais e em centenas de leis, incluindo leis constitucionais, dos países mais adiantados.

Nas suas diversas formulações todos esses diplomas têm um denominador comum: a preocupação com o bem-estar dos animais envolvendo antes de mais, a condenação de todos os actos de crueldade; mas além dessa preocupação, um número cada vez maior de correntes zoófilas defende o reconhecimento aos animais de autênticos direitos subjectivos.

O debate sobre esses temas, iniciado aquando do arranque da era industrial, na segunda metade do séc. XIX, ampliou-se a partir da criação, após a última grande guerra, das grandes instituições europeias e mundiais (Conselho da Europa, União Europeia e UNESCO) e actualmente trava-se em várias universidades onde se ministram cursos sobre os direitos dos animais (é o caso das Universidade de Harvard, Duke e Georgetown nos Estados Unidos e de Cambridge, na Inglaterra). Numerosos e qualificados autores têm intervindo nesse debate, iniciado com as obras pioneiras dos já clássicos Tom Reagan e Peter Singer.

Em Portugal a discussão tem decorrido sobretudo na Faculdade de Direito de Lisboa graças designadamente aos contributos de António Menezes Cordeiro e Fernando Araújo e ainda nas Faculdades de Direito da Universidade Nova de Lisboa e da Universidade de Coimbra. Como nota Fernando Araújo em A Hora dos Direitos dos Animais, a bibliografia sobre este tema compreende actualmente cerca de 600 títulos (!).

Não se trata, portanto, de um assunto esotérico cultivado por uns tantos iluminados vegetarianos mas sim — tal como os direitos do homem — de uma componente muito importante da cultura ocidental; a tal ponto que a obrigação para os Estados da União Europeia, de garantirem o bem-estar animal está hoje formalmente consagrado em protocolo vinculativo anexo ao Tratado de Amesterdão.

Não há tempo, neste artigo, que tem como tema as touradas, para entrar no debate sobre os direitos dos animais. Partamos, por isso, de uma conclusão em que todos esses autores — mesmo os que não aceitam a atribuição de direitos aos animais — convergem: a de que são absolutamente contrários à ética os actos de crueldade gratuita para com os animais.

Esta é sem dúvida uma conclusão pacífica não só para os zoófilos mas também para o homem comum em geral e até para os próprios aficionados. Com efeito, se se perguntar a qualquer pessoa (incluindo aficionados de touradas, organizadores de combates de cães e de tiro aos pombos, etc.) se concordam que se torturem animais, é praticamente certo que responderão pela negativa. E no entanto, contraditoriamente, torturam ou organizam a tortura de touros, de cães e de pombos.

O óbvio sofrimento dos touros

É óbvio que os touros sofrem quer antes, quer durante, quer após as touradas. A deslocação do animal do seu habitat, a sua introdução num caixote minúsculo em que ele se não pode mover e onde fica 24 horas ou mais, o corte dos chifres e as agressões de que é vitima para o enfurecer; ao que se segue a perfuração do seu corpo pelas bandarilhas que são arpões que lhe dilaceram as entranhas e lhe provocam profundas e dolorosas hemorragias; e finalmente, na tourada à portuguesa, o arranque brutal dos ferros; e tudo isto já sem se referir a tortura das varas e do estoque na tourada à espanhola — representam sem quaisquer dúvidas sofrimento intenso e insuportável para um animal tão sensível que não tolera as picadas das moscas e as enxota constantemente com a cauda quando pasta em liberdade.

A SIC exibiu há tempos um documentário sobre o que se passa na retaguarda das touradas. Quando chegou à fase final do arranque das farpas o funcionário da praça não permitiu a filmagem por a considerar demasiado impressionante. Mas pudemos ouvir os horrendos uivos de dor que o animal emitia do seu caixote exíguo e que eram de fazer gelar o sangue dos telespectadores.

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António Maria Pereira, ilustríssimo advogado português (1924 — 2009)

Na tourada à espanhola com picadores o quadro ainda é mais cruel: o touro é perfurado ainda mais profundamente pela comprida e afiada ponta da “puya” que lhe rasga a pele, os músculos e os vasos sanguíneos, provocando-lhe intencionalmente uma dor intolerável e uma abundante hemorragia, enquanto um cavalo, de olhos vendados, é corneado pelo touro enraivecido e com frequência derrubado e ferido — e tudo isto para gáudio de uma multidão que a cada novo ferro cravado e a cada nova e mais profunda perfuração da vara, vibra com um gozo em que a componente sádica é óbvia.

Perante a evidência de que o touro sofre — e sofre intensamente — ao ser toureado, os aficionados desdobram-se em atabalhoadas tentativas de justificação que não obedecem a um mínimo de razoabilidade, atingindo algumas vezes as raias do surrealismo.

Tal como os autos de fé, os suplícios e as execuções públicas e outros barbarismos próprios de séculos de obscurantismo — também, a médio prazo, as touradas estão condenadas a desaparecer dos raros países onde ainda são toleradas.»

É o que faz Joaquim Grave no artigo publicado no Boletim ao afirmar que “só se pode pronunciar sobre os aspectos éticos da tourada quem conhece o espectáculo”. Conclusão esta que, salvo o devido respeito, é completamente absurda, certo como é que os aspectos cruéis acima referidos são óbvios para quem quer que os presencie não sendo necessário estudar tauromaquia para chegar à conclusão de que o touro é objecto de grande sofrimento ao ser farpeado e estoqueado.

Ética e tortura dos touros

Afirma ainda Joaquim Grave que “na corrida existe uma certa ética na relação homem/animal, ou, por outras palavras, e contrariamente ao que afirmam os que a não conhecem, na corrida o touro não é tratado como uma coisa, já que não se lhe pode fazer qualquer coisa indiscriminadamente”.

Falar em ética para justificar a cruel agressão, com perfuração por ferros, a um animal abruptamente arrancado ao seu habitat é um absurdo, um “nonsense”. Absurdo esse que atinge os limites do surrealismo ao sustentar-se que, no domínio do tratamento cruel, haveria crueldades que a ética permite (as farpas, a puya, o estoque) e outras que a tal ética não autorizaria. Como não se exemplifica de que crueldades se trata suponho que o autor se queria referir, por exemplo, às bandarilhas de fogo ou a cravar farpas nos olhos do touro.

Tudo isto é absurdo. A ética exige que não se inflija qualquer sofrimento cruel ao touro, ponto final. Se esse sofrimento resulta dos ferros cravados ou de qualquer outra coisa “que não é costume executar nas touradas”, é um aspecto completamente irrelevante à luz da ética e insustentável em face da razão e do bom senso.

Tentando de novo invocar a ética para justificar a barbárie da tourada, Joaquim Grave mais adiante afirma que “a ética tauromáquica é pois a seguinte: respeita-se a natureza do touro, combatendo-o, pois é um animal de combate”.

Uma vez mais estamos perante um falso argumento em que a má-fé é evidente: o touro é um animal inofensivo quando no seu habitat; mas é evidente que tem, como todos os animais, o instinto de defesa que o leva a atacar quando agredido. Ele é vítima de uma maquinação cruel de quem o retira do seu habitat, o encerra numa praça e depois o agride cravando-lhe ferros.

A conclusão do artigo está à altura da argumentação: “sendo o touro um ser por natureza bravo, ele realiza o seu grande bem lutando, ele realiza a sua natureza de lutador na luta e ele realiza-se plenamente a ele próprio na corrida e pela corrida”.

Lê-se e não se acredita: o infeliz touro, que é levado à força de seu habitat e depois perfurado com farpas, com a “puya”, ou estoqueado, que quando não é morto acaba a tourada com feridas profundas e pastas de sangue a escorrer pelo lombo, esse sacrificado animal seria afinal uma espécie de bombista suicida, que se realizaria plenamente pelo seu próprio sofrimento e morte em combate…

Estamos aqui uma vez mais no reino do absurdo. Como é óbvio, ao contrário do bombista suicida, que procura alegremente a morte, o pobre touro, se pudesse falar, diria com certeza que o seu único desejo era nunca sair da lezíria e continuar a pastar pacificamente.

O toureiro — grande defensor dos touros!

Também o Dr. João Vaz Rodrigues, num artigo com pérolas de poesia surrealista, como aquela em que “repudia a hipocrisia de quem sacrifica de bom grado a vida de uma singela flor para preencher emocionalmente um desígnio de vaidade e verbera veementemente o sangue de um animal cujo destino é exactamente o de morrer na arena”, acrescentando “bem sei que a flor não se manifesta da mesma maneira mas morre igualmente sacrificada à emoção”, remata com esta frase lapidar: “quem defende o touro é o próprio toureiro e os demais que respeitam a festa. Sem este aquele sofre sérios riscos de extinção”.

Ao longo de todo este artigo, além da nostalgia do autor “por já não conseguir assistir à caça à baleia ou aos banhos de espuma sanguinolenta da “copejada” do atum de Tavira” (Freud poderia dar aqui um contributo importante para a explicação de tal “nostalgia”) o único argumento que sobressai é o do receio da extinção da espécie taurina caso as touradas acabassem.

Tal como os outros, este argumento não procede, certo como é que, se necessário, se poderia facilmente criar reservas de touros, tal como existem reservas de búfalos.

Resta a pasmosa afirmação de que “quem defende o touro é o próprio toureiro”. Na mesma linha de argumentação pode afirmar-se que quem defende a vítima da tortura é o torcionário. Ora aqui está um bom argumento para uso dos advogados defensores dos réus que no Tribunal Internacional de Haia e noutros tribunais são acusados de crimes contra a humanidade: ao torturarem e executarem barbaramente milhares de muçulmanos na Bósnia os torcionários estavam afinal a defender as suas vítimas! É claro que não vale a pena discutir nestes termos de irracionalidade.

Em conclusão, o certo é que nenhum dos aficionados autores dos textos publicados no Boletim da Ordem dos Advogados — como nenhum aficionado em qualquer parte do mundo — conseguiu ou conseguirá jamais demonstrar, de boa-fé, que os touros não sofrem ao serem lidados. Sofrimento, esse, que não tem qualquer justificação a não ser o prazer sádico e emotivo de quem a ele assiste.

E a confirmação desse sadismo está nesta atitude: quando se propõe a um aficionado que as farpas em vez de terem arpões de ferro tivessem ventosas — como já aconteceu nos Estados Unidos — a sugestão é logo afastada com indignação. O que o aficionado sobretudo quer é ver o sangue, é deliciar-se com o sofrimento do touro.

As touradas ofendem por isso um princípio fundamental da ética que impende sobre qualquer pessoa que se preocupe em pautar os seus actos pelos ditames da moral e da ética.

As touradas foram proibidas em Portugal por Decreto de 1836, da iniciativa do então primeiro-ministro Passos Manuel, por já então, conforme se lê no Decreto, “serem consideradas um divertimento bárbaro e impróprio das nações civilizadas, que serve unicamente para habituar os homens ao crime e à ferocidade”.

De então para cá, e apesar do retorno das touradas, o certo é que cada vez mais se acentua a repulsa dos países civilizados por esse barbarismo medieval. Em Portugal, segundo sondagem recente, a percentagem de portugueses que não gosta de touradas é de 74,5 % contra 24,7 que ainda gosta (cf. Público, 26.08.2002).

2006

António Maria Pereira

(Lisboa, 12 de Fevereiro de 1924 — Lisboa, 28 de Janeiro de 2009)

“Pai dos direitos dos animais em Portugal”

O Dr. António Maria Pereira, não foi apenas “pai dos direitos dos animais em Portugal”, foi indefectível promotor e defensor do processo desencadeado na UNESCO que consagrou a proclamação da Declaração Universal dos Direitos do Animal! Para grande orgulho nosso, um ilustre Cidadão Português!

Fonte:

http://abolicionistastauromaquiaportugal.blogspot.pt/p/etica-e-touradas.html

Fonte. Arco de Almedina