IMPACTO HUMANO Métodos de pesca modernos estão levando baleias menores e golfinhos à extinção

Diferente das redes de algodão usadas antigamente em que os mamíferos marinhos podiam morder e se libertar, as mais baratas e modernas “redes de emalhar” são sintéticas e estão quase levando algumas espécies de cetáceos à extinção

Pescador lança uma rede de um barco no Golfo da Guiné | Foto: NATALIJA GORMALOVA/AFP via GETTY IMAGES
Pescador lança uma rede de um barco no Golfo da Guiné

Mais de uma dúzia de espécies de pequenas baleias e golfinhos estão sendo levados para o abismo da extinção, segundo um novo estudo. O principal motivo são as redes de pesca modernas, que capturam e matam centenas de milhares de animais todos os anos.

As recentes descobertas são “um bom resumo das ameaças insidiosas que enfrentam populações criticamente ameaçadas de golfinhos e botos em todo o mundo”, diz C. Scott Baker, geneticista da conservação e especialista em cetáceos da Universidade Estadual do Oregon em Newport (EUA), que não participou do estudo.

Pequenos cetáceos como a vaquita e vários golfinhos de rio sobreviveram com sucesso até aqui ao lado de pescadores humanos por milhares de anos em águas costeiras, estuários e rios. Então, após a Segunda Guerra Mundial, os pescadores começaram a substituir suas redes de algodão e cânhamo por redes sintéticas menos caras e mais duráveis.

Essas redes de emalhar não requerem equipamentos caros ou grandes embarcações, tornando-as especialmente atraentes para os pescadores de pequena escala em todo o mundo. Mas os cetáceos (assim como outros mamíferos marinhos e tartarugas marinhas) não podem morder as redes se forem pegos nelas, como poderiam com as redes de algodão.

Os conservacionistas tentam há pelo menos 30 anos desenvolver redes que os animais possam evitar ou escapar facilmente, mas ainda precisam encontrar uma boa solução. Eles também pressionam os governos a aprovar regulamentos estritos e proibições definitivas sobre o uso de redes de emalhar, mas essas leis são tipicamente difíceis de aplicar.

Agora, 13 espécies pequenas de cetáceos estão quase em extinção principalmente por causa dessas redes, relatam biólogos marinhos este mês na pesquisa sobre espécies ameaçadas de extinção. Usando dados coletados pelas autoridades de pesca que regista os tamanhos das populações de cetáceos, tendências e as taxas em que esses animais são capturados em redes destinadas a peixes, a equipe descobriu que o Golfinho do Rio Baiji na China está “quase certamente extinto”, a Vaquita do México, que chega a menos de 19 indivíduos da espécie, está “à beira da extinção”; e as perspectivas de longo prazo para o Golfinho Jubarte da África Ocidental são “sombrias”.

As perspectivas também são ruins para uma subespécie do Golfinho Mui encontrada apenas na costa sudoeste da Ilha Norte da Nova Zelândia, bem como para o Golfinho Jubarte de Taiwan, o Boto de Yangtze, três espécies de golfinhos asiáticos e o Boto do Mar Báltico. Em cada caso, as redes de emalhar eram a maior ameaça.

Muitas dessas espécies estão a ponto de desaparecer completamente a menos que as redes de emalhar sejam eliminadas, diz Robin Baird, biólogo marinho e especialista em cetáceos do Instituto de Pesquisas Cascadia Research Collective, localizado em Olympia, nos EUA, que não participou do estudo.

Mas isso exigirá “coragem política”, enfatiza o biólogo, porque os governos terão que tomar decisões impopulares, como aprovar zonas de conservação onde a pesca seja proibida e impor medidas estritas. Infelizmente, ele diz, neste momento esta é a única maneira de “impedir que essas espécies e populações sejam extintas”.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA Bióloga marinha critica devastação provocada nos oceanos pela pesca

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Em uma postagem recente na revista eletrônica The Walrus. a bióloga marinha canadense, Laura MacDonnell, explicou porque se recusa a consumir peixes. Ela apontou que sua experiência estudando o oceano, os cardumes e a indústria da pesca fizeram ela se abster do consumo de animais marinhos.

Um estudo recente quantificou a quantidade de plástico que as pessoas absorvem ao ingerirem peixes – um atordoante número de 11 mil resíduos de micro plástico per capita anualmente, segundo informações da VegNews.

“Passei uma parte significativa do meu tempo trabalhando sobre e embaixo d’água e eu não consigo me lembrar a última vez em que não vi qualquer tipo de detrito plástico flutuando na superfície ou preso entre corais ou rochas”, disse MacDonnell.

Em adição à poluição plástica, MacDonnell citou um estudo recente conduzido pelo grupo de proteção dos oceanos “Oceana”, que revelou a toxicidade dos peixes.

A indústria da pesca tem destruído os oceanos da Terra. Em 2016, a organização World Wildlife Fund revelou que a população de peixes será extinta em, aproximadamente, 2048 caso as pessoas não mudem seus hábitos.

Uma empresa vegana que tem desenvolvido alternativas à ingestão de animais marinhos é a New Wave Foods, que criou um camarão vegano, que deve chegar nas prateleiras dos supermercados neste mês.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA Ex-pescador reconhece brutalidade da prática e revoluciona sua relação com animais

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Eu usava anzóis bem afiados para fisgar animais. Às vezes usava dois ou três para ter certeza de que eles não iriam escapar.

Os anzóis cortavam a boca deles e, mais frequente do que você imagina, furava-os em alguma parte do rosto e até dos olhos. Eu não pescava para comer. Como milhões de outras pessoas, pescava por “diversão”.

Se eu fizesse o mesmo com cães e gatos, iriam querer me prender. Mas, estou aqui falando sobre peixes. “Peixes não sentem dor. Não se preocupe, eles não tem inteligência para entender”, dizem.

Eu acreditava em tudo isso, principalmente porque era dito por amigos e familiares.

Os peixes do outro lado da vara tentavam inutilmente lutar por suas vidas enquanto eu os puxava. Agonizando e sem ar, se debatiam enquanto, sem pressa, eu tirava os anzóis, arrumando a vara e pegando a câmera para a foto tão importante.

Eu sabia que o animal que eu tinha em mãos só conseguia respirar debaixo d’água, mas queria mostrar aos meus amigos o que estava fazendo. Anzóis nem sempre saem como a gente costuma dizer – às vezes passam pela boca e vão parar na traqueia. Mas sem problemas: assim que terminava, eu jogava o peixe de volta na água – vivo ou morto. Isso é “pescar e soltar”… não?

O “soltar” é o que te faz se achar uma boa pessoa. Você diz, “vai lá, amigão”, como se estivesse fazendo um favor aos peixes. Às vezes, eu os via baterem em alguma pedra depois que os soltava. Mas então só colocava outra isca no anzol ensanguentado, lançava na água e dizia, “quero um maior da próxima vez”.

Fiz isso por 10 anos até que um dia, em Perth, tinha em mãos um dos peixes mais bonitos que já vi. Ele estava assustado, sem oxigênio e eu tinha rasgado quase a parte de baixo inteira de sua boca. Peixes não possuem braços e pernas para ajudá-los. Tudo que eles têm são suas bocas para apanhar comida, construir ninhos e proteger seus filhotes. Causar danos a essa parte de seus corpos pode ser fatal, independente de serem rapidamente colocados de volta à água.

Percebi que acabei com a vida desse peixe. Eu era um babaca. E, me desculpe por dizer isso, mas ao mesmo tempo me sinto eternamente grato por esse peixe ter me ajudado a acordar.

Devia ser óbvio pra mim depois de tudo que vi várias vezes, que peixes sentem dor, assim como todos os animais. Aprendi que na verdade eles são bem inteligentes. Reconhecem uns aos outros, se comunicam e sentem a perda de outros. Alguns conseguem até mesmo usar objetos como ferramentas e outros fazem arte na areia no intuito de acasalar.

E todos nós sabemos como a vida marinha tem sido prejudicada. Eu vi de perto. Cientistas dizem que se continuarmos matando animais marinhos nessa proporção, vamos ter um mar árido e desabitado em 2050, sem qualquer tipo de vida. Fico feliz em não participar dessa destruição.

Sempre fui apaixonado pelo mar e meu amor e fascínio pelos seres que vivem nele cresceu mais ainda desde que parei de tratá-los como brinquedos descartáveis.

Agora me vejo nessa situação confusa de ter todo esse conhecimento sobre a pesca, mas não querer compartilhar e ter todo esse equipamento mas sem intenção de vender. Ao meu ver, seria como vender uma faca para uma criança.

Então antes de você lançar a linha nesse verão, pense sobre as vidas e os lares que podem acabar por sua culpa.

Fonte: ANDA