MUDANÇAS CLIMÁTICAS Aquecimento no Polo Sul está acontecendo três vezes mais rápido do que no resto do mundo, mostra pesquisa

Mudança dramática no interior da Antárctica nas últimas três décadas é resultado dos efeitos da variabilidade tropical e do aumento dos gases do efeito estufa

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Há muito tempo, os cientistas climáticos pensavam que o interior da Antárctida poderia não ser tão sensível ao aquecimento. Porém, uma pesquisa publicada recentemente mostra uma mudança dramática.

Ao longo dos últimos 30 anos, o Polo Sul tem sido um dos lugares que mudou de forma mais rápida no planeta, ocorrendo um aquecimento três vezes mais rápido do que no restante do mundo.

“Os meus colegas e eu debatemos que estas tendências de aquecimento são improváveis apenas como resultado da variabilidade natural do clima. Os efeitos das alterações climáticas provocadas pelo homem parecem ter trabalhado conjuntamente com a influência significativa que a variabilidade natural nos trópicos tem sobre o clima da Antártida. Juntos, fazem com que o aquecimento do Polo Sul seja uma das tendências de aquecimento mais fortes do planeta”, disse o autor.

O Polo Sul não está imune ao aquecimento

O Polo Sul está localizado na região mais fria da Terra: o platô antárctico. As temperaturas médias variam de -60ºC durante o inverno para apenas -20ºC durante o verão.

O clima da Antártica geralmente sofre uma grande variação de temperatura ao longo do ano, com fortes contrastes regionais. A maior parte do oeste da Antárctica e da Península Antártica estavam aquecendo durante o final do século 20. Porém, no interior continental do Polo Sul, remoto e de grande altitude _esfriou até a década de 1980.

Os cientistas têm monitorado a temperatura na estação Amundsen-Scott no Polo Sul, o observatório meteorológico mais austral do planeta, desde 1957. É um dos mais longos registros completos de temperatura no continente antárctico.

A análise dos dados das estações meteorológicas do Polo Sul mostra que ocorreu aquecimento de 1,8ºC entre 1989 e 2018, mudando mais rapidamente desde o início dos anos 2000. Durante o mesmo período, o aquecimento no oeste da Antártida parou de repente e a Península Antárctica começou a esfriar.

Um dos motivos do aquecimento do Polo Sul foram os sistemas mais fortes  de baixa pressão e o clima mais tempestuoso ao leste da Península Antártica no Mar de Weddell. Com fluxo no sentido horário em torno dos sistemas de baixa pressão, tem transportado ar quente e húmido ao platô antárctico.

Aquecimento do Polo Sul está ligado aos trópicos

O estudo também mostra que o oceano no oeste do Pacífico tropical começou a aquecer rapidamente no mesmo tempo que o Polo Sul.

Descobriram que quase 20% das variações de temperatura ao ano no Polo Sul estavam ligadas às temperaturas do oceano no Pacífico tropical, e vários dos anos mais quentes no Polo Sul nas últimas duas décadas aconteceram quando o oeste do Oceano Pacífico tropical também estava incomumente aquecido.

Para investigar esse possível mecanismo, foi realizado um experimento de modelo climático e foi descoberto que esse aquecimento oceânico produz um padrão de onda atmosférica que se estende através do Pacífico Sul até a Antárctida. Isso resulta em um sistema mais forte de baixa pressão no Mar de Weddell.

Sabe-se de estudos anteriores que as fortes variações regionais nas tendências de temperatura são em parte devido ao formato da Antárctida.

O manto de gelo do leste da Antárctica, limitado pelos oceanos Atlântico Sul e Índico, se estende mais ao norte do que o manto de gelo do oeste da Antártica, no Pacífico Sul. Isso causa dois padrões climáticos distintos com diferentes impactos climáticos. Ventos mais constantes do oeste em volta do Leste da Antárctica mantêm o clima local relativamente estável, enquanto tempestades intensas frequentes no Pacífico Sul transportam ar quente e úmido para partes do oeste da Antártica.

Os cientistas sugeriram que estes dois padrões meteorológicos diferentes, e os mecanismos que conduzem a sua variabilidade, são a razão provável para uma forte variabilidade regional nas tendências de temperatura da Antárctida.

O que isso significa para o Polo Sul

A análise revela que variações extremas nas temperaturas do Polo Sul podem ser explicadas em parte pela variabilidade tropical natural.

Para estimar a influência das mudanças climáticas induzidas pelo ser humano, foram analisadas mais de 200 simulações de modelos climáticos com concentrações de gases de efeito estufa observadas no período entre 1989 e 2018. Estes modelos climáticos mostram que aumentos recentes de gases de efeito estufa possivelmente contribuíram com cerca de 1ºC do total de 1,8 ºC do aquecimento no Polo Sul.

Também foram usados modelos para comparar a recente taxa de aquecimento com todas as possíveis tendências de temperatura do Polo Sul de 30 anos que ocorreriam naturalmente sem a influência humana. O aquecimento observado excede 99,9% de todas as tendências possíveis sem influência humana – e isso significa que o aquecimento recente é extremamente improvável em condições naturais, embora não seja impossível.

Parece que os efeitos da variabilidade tropical funcionaram em conjunto com o aumento dos gases de efeito estufa, e o resultado final é uma das tendências de aquecimento mais fortes do planeta.

Estas simulações de modelos climáticos revelam a natureza notável das variações de temperatura do Polo Sul. A temperatura observada no Polo Sul, com medições que datam desde 1957, mostra as variações de temperatura de 30 anos que variam entre mais de 1ºC de resfriamento durante o século 20 para mais de 1,8 ºC de aquecimento nos últimos 30
anos. Isso significa que as oscilações multidecadais de temperatura são três vezes mais fortes do que o aquecimento estimado da mudança climática causada pelo homem, que é de aproximadamente 1ºC.

A variabilidade de temperatura no Polo Sul é tão extrema que atualmente mascara os efeitos causados pelo homem. O interior da Antárctida é um dos poucos lugares da Terra onde o aquecimento causado pelo homem não pode ser determinado com precisão, o que significa que é um desafio dizer se, ou por quanto tempo, o aquecimento continuará.

O estudo revela que mudanças climáticas extremas e abruptas fazem parte do clima do interior da Antárctida. Estas provavelmente continuarão no futuro, trabalhando para esconder o aquecimento provocado pelo homem ou para intensificá-lo quando os processos de aquecimento natural e o efeito estufa trabalhem em conjunto.

*Kyle Clem é pesquisador da ciência climática da Universidade Victoria de Wellington.

Fonte: ANDA

TORTURA Animais são submetidos à crueldade em vaquejada realizada em meio à pandemia

Além de maltratar animais, o evento desobedeceu decisão judicial que proíbe aglomeração de pessoas por conta do coronavírus

Após a Justiça do Piauí estabelecer multa para quem promover aglomerações, desrespeitando a quarentena de combate ao coronavírus, uma vaquejada foi realizada no bairro Esplanada, na Zona Sul da cidade de Teresina.

O evento foi flagrado pela Guarda Civil Municipal na manhã do último domingo (12) e deixou o coronel John Feitosa perplexo. O local estava lotado de pessoas, que foram embora após a chegada das autoridades.

“Esse foi o maior ato de irresponsabilidade que eu vi em todos esses dias trabalhando na pandemia”, afirmou o coronel ao G1. Não se sabe ainda quem são os organizadores do evento.

A vaquejada, evento que submete os animais à extrema crueldade, estava sendo iniciada quando a Guarda Civil chegou ao local. A Polícia Militar também participou da acção e, ao flagrar o evento, encontrou os animais sendo preparados para a cruel competição.

O coronel informou que a vaquejada seria realizada em um campo de futebol nas proximidades de uma Unidade Básica de Saúde. Carros de luxo e cavalos de raça explorados para o evento foram encontrados no local pela equipe de reportagem da TV Clube.


Local onde a vaquejada era realizada em Teresina

Crueldade intrínseca

Na vaquejada, dois vaqueiros, montados em cavalos, perseguem um boi. O objetivo é derrubar o animal, puxando-o pelo rabo. Os extremos maus-tratos inerentes à prática levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a declarar, em 2016, a inconstitucionalidade da Lei 15.299/2013, do estado do Ceará, que regulamenta a vaquejada como prática desportiva e cultural no estado.

Ao votar pela inconstitucionalidade da legislação, o relator da acção, ministro Marco Aurélio, considerou haver “crueldade intrínseca” na vaquejada. Segundo ele, o dever de protecção ao meio ambiente (artigo 225 da Constituição Federal) sobrepõe-se aos valores culturais.

O ministro disse ainda que laudos técnicos contidos no processo demonstram consequências nocivas à saúde dos animais: fraturas nas patas e rabo, ruptura de ligamentos e vasos sanguíneos, eventual arrancamento do rabo e comprometimento da medula óssea. Também os cavalos, de acordo com os laudos, sofrem lesões.

O julgamento foi iniciado em Agosto de 2015. Na época, o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o STF deveria se posicionar de maneira a vencer situações consolidadas pelo tempo e citou a proibição da farra do boi e das rinhas de galos como casos de “evolução da jurisprudência”. Para o jurista, proibir tais práticas que, assim como a vaquejada, submetem animais à crueldade, é optar pela “evolução do nosso processo civilizatório”. Janot citou ainda estudos técnicos que provam que a vaquejada provoca danos aos animais.

Fonte: De Coração a Coração

CONSCIÊNCIA Activista Greta Thunberg elogia protestos anti-racistas

Quem é racista é um muito mau ser-humano no coração.
Uma das coisas mais lindas que existe em Gaia, é a diversidade. Diversidade de raças, diversidade de credos.
Quem é racista, recusa-se a perceber que somos todos seres-humanos. Somos Todos UM, independentemente das raças, da cor da pele!

Mário Amorim


“As pessoas estão percebendo que não podemos continuar olhando as coisas da mesma maneira”, diz a activista

Imagem tirada do protesto Vidas Negras Importam

Greta Thunberg disse que os protestos do movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) mostram para a sociedade que atingimos um ponto onde a injustiça não pode ser simplesmente ignorada, mas ela acredita que um “plano de recuperação verde” da pandemia do novo coronavírus não será o suficiente para resolver a crise climática.

Reflectindo sobre os protestos que aconteceram ao redor do mundo nas últimas semanas, a activista sueca contou à “BBC”: “Parece que passamos por um ponto crítico em que as pessoas estão percebendo que não podemos continuar olhando as coisas da mesma forma. Não podemos continuar varrendo essas injustiças para debaixo do tapete”.

“As pessoas estão começando a encontrar suas vozes, realmente entendendo que elas têm impacto.”

“A pandemia do coronavírus lhes deu esperança, mostrando que os que estão no poder precisam agir com emergência, mas a crise climática deveria ser tratada com a mesma importância, disse ela. “Isso mostra que, em uma crise, você age com a força necessária”, completou Greta. “De repente as pessoas que estão no poder estão dizendo que vão fazer o preciso, já que a vida humana não tem preço.”

“A principal mensagem nas entrelinhas de tudo o que nós (activistas climáticos) fazemos é: ‘Ouça a ciência, ouça os especialistas’, e, de um dia para o outro, você ouve todos dizendo isso. É como se a crise do Coronavírus tivesse mudado o papel da ciência na nossa sociedade.”

A jovem de 17 anos está usando o seu tempo durante o “lockdown” para se dedicar aos estudos, mesmo tendo tirado um ano sabático da escola para viajar e fazer campanhas sobre as mudanças climáticas. Thunberg atravessou o Atlântico no ano passado para participar da Cúpula de Acção Climática das Nações Unidas, terminando em Madri para discutir as negociações originalmente realizadas no Chile.

“Eu pensei que estava em casa de qualquer maneira, então eu poderia participar das aulas no meu tempo livre, como um bónus. Isso não conta, mas eu amo muito estudar”, completou Greta. “Sou realmente a última a reclamar, porque não fui afetada por isso.”

Ela também tem usado o seu tempo para produzir um programa de rádio chamado “Humanity has not yet failed” (A humanidade ainda não falhou), em que aborda reflexões de algumas de suas experiências no último ano e analisa alguns desafios que o mundo enfrenta com a crise climática. “A crise climática e ecológica não poderá ser resolvida com o sistema político e económico actual”, diz. “Isso não é uma opinião. É um facto”.

Fonte: ANDA

CRIME Motorista flagra cachorro perseguindo carro após ser abandonado em MG

O caso foi denunciado nas redes sociais pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais – MMDA

Um motorista flagrou, na última quinta-feira (9), o momento em que uma mulher abandonou um cachorro nas proximidades do trevo de Barão de Cocais, em Minas Gerais. Um vídeo mostra o animal correndo atrás do carro dirigido por quem cometeu o crime.

“Não deu pra sair a placa. Quando ela me viu filmando, ela correu. O cachorro desceu a estrada latindo atrás dela. Que coisa triste. Ah, eu amo o meu cachorro, e a gente ver isso é difícil”, disse o motorista que filmou o abandono.

O caso foi denunciado nas redes sociais pelo Movimento Mineiro pelos Direitos Animais – MMDA. “Precisamos de ajuda para saber onde há câmeras perto do trevo de Barão de Cocais-MG para achar a placa do carro de quem cometeu esse crime!”, escreveu o MMDA.

“Quinta, 09/07/20, por volta de 12h15, um homem viu uma mulher descer do carro no trevo de Barão de Cocais na BR 381, sentido Santa Bárbara, perto do posto de gasolina e do restaurante Mexidão. Ela pôs um cachorro preto grande pra fora do carro e, neste momento, o homem percebeu que se tratava de abandono, começou a filmar e fez o vídeo que mostra ela saindo em disparada, com o cão em desespero, correndo e latindo atrás do carro. Uma cena revoltante e covarde! Um crime!”, completou.

A grupo pediu aos internautas que sempre anotem a placa ao flagrarem casos semelhantes. “Abandono é crime de maus tratos pelas Lei federal 9605/1998 e Lei MG 22.231/2016”, reforçou.

“Imaginem o desespero desse cão ao se ver sozinho, abandonado, sem sua casa e seus tutores??! Onde ele está agora? Onde dormiu? Achou água e comida? Ou foi novamente vítima de maus-tratos de pessoas que o chutaram ou negaram água e alimento?”, lamentou o MMDA. “Pedimos a todos que compartilhem e informem se sabem onde há câmaras que podemos acessar para achar a placa. Infelizmente no vídeo que ele fez não dá para ver a placa”, finalizou.

Tocador de vídeo

Fonte: ANDA

MASSACRE Dezenas de gazelas ameaçadas são mortas por caçadores na Nigéria

Cerca de 40 gazelas-dorcas (Gazella dorcas), espécie criticamente ameaçada de extinção, foram cruelmente mortas por caçadores na Reserva Nacional Termit e Tin-Toumma, no Níger, uma das maiores reservas naturais da África. O local possui mais de 100 mil quilómetros quadrados de habitats desérticos.

O episódio está sendo considerado, junto ao massacre de elefantes em Botsuana, uma das maiores tragédias conservacionistas de toda a história de todo o continente africano. Quatro homens estão sendo apontados como responsáveis pelas mortes das gazelas e são acusados de preparar a carne dos animais para exportação.

Mamane Hamidou, directora ambiental da região de Zinder, segunda maior cidade de Níger, aponta que a morte em massa das gazelas é um desastre conservacionista. “É o pior massacre cometido na reserva. Antes, era em pequena escala, uma gazela aqui, uma gazela ali”, disse a especialista.

Fonte: ANDA

FINAL FELIZ Cão e tutora vivem reencontro emocionante após animal desaparecer por dois anos

Enquanto a tutora chorava de felicidade, o cachorro abanava o rabo e pulava em seu colo, demonstrando que também sentiu saudades

Lágrimas no rosto da tutora e um rabinho abanando freneticamente. Esse é o resumo do momento em que Linda Harmon reencontrou Twixx, o amado cão de sua família que havia desaparecido há dois anos.

O labrador escapou de casa após cavar um buraco embaixo da cerca do quintal. Na época, a tutora fez buscas pelo bairro, colocou posteres em vários locais e iniciou uma campanha nas redes sociais. Nada surtiu efeito.

A única notícia que Linda recebeu foi a de que o cachorro havia morrido em decorrência de um atropelamento. A informação chegou até ela através de uma mulher que acompanhava a história do cão no Facebook.

A tutora, então, informou à empresa de microchips, que forneceu o chip de identificação do cão, que o animal tinha morrido. Ela, no entanto, não aceitava a notícia. “Nunca acreditei verdadeiramente em meu coração. Meu marido disse: ‘Você precisa deixar isso para lá. Você está sofrendo por ele’. Mas eu disse que nunca conseguiria outro cachorro e não o fiz por dois anos”, contou.

Uma ligação inesperada, recebida por Linda no início de Julho, provou que ela estava certa. O labrador não tinha morrido e um abrigo para animais a contactou dizendo que o havia resgatado.

“Eu apenas comecei a chorar. Eu estava chorando sem parar, e eu estava com alguns membros da igreja e eles correram para mim, pensando que eu tinha más notícias. Mas quando eles me olharam eu estava sorrindo”, relatou.

Com medo de que o cachorro não lembrasse dela, Linda bolou um plano junto ao abrigo: decidiu que chegaria ao local e chamaria por ele enquanto o labrador ainda estivesse dentro de sua baia, para não correr o risco de assustá-lo.

Mas Twixx não só reconheceu sua tutora, como ficou muito feliz ao vê-la. Quando Linda chegou ao local, o chamou por seu apelido – “Tootaroota”. O cão, então, passou a farejar o cheiro dela.

“Finalmente, quando eu berrei ‘Twixx’, ele correu para o portão e ficou atento”, disse. “E ouvi uma senhora dizer: ‘Deixe-o sair porque ele está tentando encontrá-la’”, acrescentou.

Ao ser solto, o cachorro correu para os braços de sua tutora, que chorou de emoção. “Ele não parava de se mexer – oh meu Deus – e simplesmente pulou em cima de mim”, contou Linda. “Então ele colocou a cabeça nos meus braços e me olhou directo nos olhos, como se estivesse dizendo: ‘Tenho que ver que essa é realmente você’”, concluiu.

O reencontro emocionou os voluntários do abrigo, que ficaram felizes com o retorno do cachorro ao seu lar, de onde ele jamais deveria ter saído.

Veja o momento em que o cão revê sua tutora:

Fonte: ANDA

Emmanuel Macron promete €15 biliões para combater a crise climática

Presidente francês anuncia medidas de “onda verde” em eleições locais

Imagem da Torre Eiffel, em Paris, na França

Emmanuel Macron prometeu um orçamento extra de €15 biliões (cerca de R$90,3 biliões) para combater as mudanças climáticas nos próximos dois anos e estuda a possibilidade de criar um referendo para incluir o crime de “ecocídio” na constituição francesa.

As medidas foram anunciadas algumas horas depois que outros candidatos provocaram uma onda verde em toda a França, conquistando os eleitores locais que o presidente não havia cativado.

Na reunião com os membros da Comissão de Cidadãos pelo Clima – um comitê com 150 franceses – Macron prometeu um fundo extra e medidas urgentes. Ele aceitou 146 das 149 recomendações propostas pela comissão.

Macron disse que espera implementar as medidas imediatamente e que a nova lei estaria em vigor antes do final do verão. Além disso, ele deu os parabéns à comissão por “fazer a escolha de colocar o meio ambiente no centro do nosso modelo económico”, mas rejeitou a
sugestão de um imposto sobre investimento e adiou o debate sobre o limite de velocidade em estradas francesas.

A Comissão de Cidadãos pelo Clima é a parte de um experimento democrático na França onde um grupo de cidadãos variados foi convidado para definir a política ambiental dos últimos dois anos do governo de Macron – e especificamente como diminuir em 40% a
emissão de carbono no país até 2030.

As propostas do grupo foram elaboradas em cima de cinco temas: transporte, habitação, trabalho e produção, alimentação e consumo de recursos naturais.

Os resultados das eleições municipais na França, nas quais o partido ambientalista Europe Écologie Les Verts obteve ganhos significativos em uma votação marcada pela nova crise do Coronavírus e pela abstenção histórica, tornou a resposta de Macron crucial para o seu partido centrista La République en Marche (La REM).

A votação foi um golpe previsível para o partido La REM, que se fracturou no cenário nacional político francês mas fez pouco sucesso nas eleições locais fora de Paris.

Os ecologistas dominaram as maiores cidades incluindo Lyon, Bordeaux, Strasbourg, Marseille and Besançon e outras grandes cidades na votação. Em Paris, onde a prefeita de esquerda, Anne Hidalgo, em aliança com EELV, foi reeleita com um número grande de votos que priorizava combater a poluição, a crise climática e o maior uso de energia limpa.

O ambientalista Yannick Jadot disse que os resultados significam um “novo desenho de uma paisagem política” em torno de problemas ecológicos.

“As pessoas estão tentando fazer sentido as coisas, nosso modo de viver, nossa casa, a densidade da cidade, comida, viagem, solidariedade, novos métodos de democracia… Parte dessa população tem um desejo, uma vontade, por mudanças reais na nossa sociedade, que seja social e económica”, disse Jadot para o jornal “Ouest-France”. “Obviamente, haverá uma antes e depois das eleições locais de 2020. É uma verdadeira virada política no nosso país”, completou ele.

O Greenpace acusou Macron de diluir as propostas da comissão usando piadas para evitar medidas importantes. “A mensagem enviada para as eleições municipais são claras: meio
ambiente e a crise climática não são as únicas preocupações do povo francês, mas uma prioridade política que deve resultar em atos, medidas concretas e um objectivo geral seguindo o acordo climático de Paris. A Comissão de Cidadãos disse a mesma coisa e precisará de mais do que um adorável discurso para satisfazer as expectativas”, diz Jean-François Julliard, diretor da Greenpeace France.

Clément Sénéchal, responsável pela campanha climática do Greenpeace France, disse que o governo poderia fazer as suas acções corresponderem às palavras ditas pelo presidente, fazendo auxílios estatais a empresas atingidas pelo Coronavírus, incluindo montadoras e companhias aéreas, dependendo da sua disposição de introduzir medidas sociais e ambientais. “Isso forçaria as empresas poluidoras a mudarem o seu modelo e
ficar para trás do acordo de Paris”, diz Sénéchal.

É fato que o presidente está considerando uma mudança em seu governo, incluindo a demissão do seu primeiro-ministro Édouard Philippe, que foi eleito prefeito de Le Havre.

Fonte: ANDA

 

CONSCIÊNCIA AMBIENTAL França quer introduzir ecocídio na constituição

Os cidadãos franceses encarregados de fazer propostas em favor do clima votaram a favor da organização de um plebiscito para introduzir a luta contra a mudança climática na Constituição francesa e criar o delito de ecocídio (sobre-exploração de recursos não-renováveis)

ANDA

A Convenção do Cidadão pelo Clima (CCC), encarregada de propor medidas destinadas a reduzir em 40% das emissões de gases de efeito estufa, adotou pela maioria pedir em plebiscito à introdução no prefácio e artigo 1 da constituição as noções de proteção do meio ambiente, a biodiversidade e a “luta contra a desordem climática”. Entre as propostas, também pensam em criar o delito de ecocídio.

Os participantes, escolhidos por sorteio, rejeitaram a mudança. A ideia de utilizar o plebiscito para interrogar os franceses sobre outras medidas específicas, o que parece contrariar ao presidente Emmanuel Macron, que mostrou esta semana que deseja organizar na medida do possível uma consulta sobre diferentes assuntos.

A CCC rejeitou assim a ideia de submeter o plebiscito 10 series de medidas sobre assuntos que vão desde a renovação térmica obrigatória aos edifícios à limitação da publicidade ou medidas para reduzir o espaço dos veículos.

“Constituição, ecocídio, ok para um plebiscito. Para o resto, o poder que assuma suas responsabilidades”, disse um dos participantes, antecipando resumidamente os argumentos pela maioria dos participantes.

Macron havia decidido organizar este exercício de democracia participativa inédita na França à raiz da crise dos “coletes amarelos”, activada precisamente pela introdução de uma taxa de carbono aos combustíveis. O dia 29 de Junho foi a previsão de receber os participantes para dar a eles as “primeiras respostas”.

A CCC não voltou a introduzir imposto aos combustíveis, mas propôs outras 150 medidas. Uma das mais polémicas é a redução do tempo de trabalho a 28 horas por semana, que foi descartada com 65% dos votos.

Uma medida que sem dúvida dividirá a opinião pública é a redução da velocidade na auto-estrada de 130 a 110 km/h, que recebeu 60% dos votos. A proposta irritou as associações de automobilistas, que ainda não havia se recomposto da redução de 90 a 80 km/h nas estradas nacionais.

Fonte: ANDA

ESTUDO Destruição de ecossistemas naturais aumenta o risco de pandemias

As pandemias podem se tornar cada vez mais prováveis à medida que a destruição de ecossistemas naturais remove as barreiras entre humanos e animais silvestres, mostrou um estudo.

Mais de seis em cada dez doenças infecciosas vêm de animais, por exemplo a tuberculose que veio de vacas, a influenza que veio de suínos e galinhas, e o HIV vindo dos chimpanzés.

Os cientistas têm argumentado que o desmatamento, a mudança do uso da terra e a intensificação agrícola, entre outros factores, estão aumentando os riscos de que doenças ainda mais letais acabem chegando até os seres humanos.

A Covid-19, que causou um confinamento quase global e mudou o modo de vida em todo o planeta, chegou em humanos depois que foi transferido de morcegos por meio de um animal intermediário.

Estudos anteriores identificaram morcegos como a origem do Ebola, do vírus Nipah, de alguns tipos de raiva além de várias outras doenças.

Acima está um modelo que mostra que os serviços ecossistêmicos diminuem à medida que cresce a degradação, com isso, o risco de uma pandemia emergir entre os seres humanos é drasticamente aumentado

“Os ecossistemas naturalmente restringem a transferência de doenças de animais para humanos, mas esse serviço diminui à medida que os ecossistemas se degradam”, disse o principal autor do estudo, Dr. Mark Everard, da University of West England (Inglaterra).

“Ao mesmo tempo, a degradação do ecossistema prejudica a segurança hídrica, limitando a disponibilidade de água adequada para uma boa higiene, saneamento e tratamento de doenças”.

“O risco de doenças não pode ser dissociado da conservação do ecossistema e da protecção dos recursos naturais.”

O estudo, publicado na revista Environmental Science and Policy, também argumenta que a destruição ambiental “mina” a disponibilidade de recursos naturais, o que significa que pode não haver água suficiente disponível para actividades que protegem contra doenças, como lavar as mãos, por exemplo.
“Os riscos de doenças zoonóticas estão, em última análise, interligados com crises de biodiversidade e insegurança hídrica”, escrevem no estudo.

O estudo estabeleceu a importância da preservação dos ecossistemas para prevenir uma pandemia utilizando uma estrutura complexa, defendida pelas Nações Unidas e pela Agência de Protecção Ambiental dos EUA, para analisar o risco de doenças “zoonóticas” – ou de origem animal.

A estrutura levou em conta as actividades humanas que tensionam o meio ambiente; as mudanças nas condições dos habitats naturais; e os efeitos da degradação ambiental sobre ecossistemas e seus serviços.

Eles usaram a estrutura para analisar as ligações entre humanos e o meio ambiente, revelando a elevação no risco de degradação ambiental, além de respostas que poderiam ajudar os seres humanos a evitar outra pandemia.

O grupo de cientistas, que inclui uma equipe do Greenpeace, também previu que, à medida que as medidas de isolamento sejam suspensas, a destruição dos ecossistemas acelerará devido às forças de mercado de curto prazo, aumentando os riscos de uma nova pandemia.

O Dr. David Santillo, dos laboratórios de pesquisa do Greenpeace em Exeter (Inglaterra), um dos autores do estudo, pediu que atitudes sejam tomadas para impedir a destruição do ecossistema.

“A velocidade e a dimensão das acções radicais que foram tomadas em tantos países para limitar os riscos à saúde e financeiros provocados pela Covid-19 demonstram que também seria possível realizar mudanças sistémicas radicais para lidar com outras ameaças existenciais de escala global, como a emergência climática e o colapso da biodiversidade”, disse ele.

Estudos anteriores descobriram que risco de transmissão de vírus é maior em espécies animais que aumentaram suas populações e/ou expandiram sua área de abrangência por se adaptarem melhor às regiões dominadas pelo homem.

Animais domesticados, primatas e morcegos, foram identificados como os que carregam o maior risco de transferir uma nova doença para humanos, potencialmente desencadeando uma nova pandemia.

Evidências genéticas confirmaram que o Coronavírus, ou SARS-CoV-2, foi transmitido para humanos a partir de morcegos.

Na foto acima está um mapa da estrutura que os cientistas usaram para identificar ligações entre os humanos e o ambiente, e analisar o risco de outra pandemia

Uma pesquisa publicada no The Lancet revelou que os morcegos são o hospedeiro original “mais provável” do vírus, depois de analisar amostras retiradas dos pulmões de nove pacientes em Wuhan.

E cientistas da Academia Chinesa de Ciências, do Exército Popular de Libertação e do Institut Pasteur de Xangai, também apontaram para morcegos como a provável origem.

No entanto, o ponto onde o vírus foi passado para humanos ainda não foi descoberto.

Relatórios iniciais sugerem que isso aconteceu em uma “feira de alimentos frescos” em Wuhan, China, onde os humanos são expostos a carne animal, sangue e excrementos.

No entanto, as autoridades chinesas têm procurado “colocar panos quentes” sobre isso e rotular o mercado como uma vítima em vez de um “super-difusor” de doenças.

Eles disseram que exames realizados nos animais do mercado mostraram que “nenhum” tinha Covid-19.

Isso desafiou pesquisas de cientistas de Harvard, MIT e da University of British Colúmbia (Canadá), que examinaram quatro amostras do mercado e encontraram traços do vírus ‘99,9% ‘ idênticos aos retirados de um paciente em Wuhan, China.

O primeiro caso de coronavírus foi relatado em Wuhan em Dezembro de 2019.

Fonte: ANDA

CRUELDADE Fim da indústria de pele de vison custa a vida de milhares de animais na Holanda

A pandemia de coronavírus adiantou o fechamento das indústrias de pele nos Países Baixos

Activistas pelos direitos animais acreditam que até o final deste ano a indústria de pele de vison chegue ao fim na Holanda. O fim dessa prática cruel, no entanto, custará a vida de milhares de animais.

Os Países Baixos planeavam encerrar essa indústria em 2024. O fechamento das fábricas, porém, foi adiantado pela pandemia de coronavírus. Isso porque as taxas de infecção entre visons são crescentes e os animais podem ter transmitido o vírus para dois funcionários. Diante da situação, o Parlamento votou pelo banimento da criação de visons o mais rápido possível e pela indemnização dos proprietários de fazendas que exploram e matam esses animais para extracção de sua pele.

A decisão – que não estabeleceu prazo para fechamento, nem valor das indemnizações – só levou em consideração aqueles que exploram esses animais, sem levar em conta o direito à vida dos visons. Até o momento, quase 600 mil dos 800 mil visons dos Países Baixos foram mortos asfixiados. De maneira cruel, eles foram expostos ao gás monóxido de carbono. A matança foi confirmada pela Fur Europe, grupo com sede em Bruxelas que representa fabricantes de peles e criadores de visons.

A exploração de animais para fabricação de pele foi proibida por oito países europeus desde 2000. Criados em condições deploráveis, os visons são mantidos em minúsculas gaiolas, nas quais vários animais são amontoados. ONGs de protecção animal criticam essa indústria e pedem seu banimento. As informações são de Dina Fire Maron, da National Geographic.

A votação do Parlamento foi elogiada pela parlamentar holandesa Esther Ouwehand. “É um grande avanço. A matança de animais para uso de peles nos Países Baixos está finalmente chegando ao fim”, disse Ouwehand, em comunicado. “Além de moralmente questionável, a criação de visons agora é simplesmente insustentável porque representa uma ameaça à saúde pública”, completou.

No entanto, para que se torne lei, a aprovação parlamentar precisa ser promulgada pelo rei e pelo ministro ou secretário de estado revelante. A previsão de encerramento deve ser elaborada pelas autoridades apenas se a medida se tornar lei – o que a Humane Society International acredita ser provável.

Há discordâncias, porém, sobre a questão das indemnizações. Parlamentares que consideram a exploração de animais para fabricação de pele uma prática anti-ética discordam. Isso porque a decisão de encerrar a indústria em 2024 não incluía indemnizações e destinar o dinheiro da população para isso gerou polémica.

Países como Áustria, Bélgica, Luxemburgo, Eslovénia, Croácia, República Tcheca, Eslováquia e Reino Unido já proibiram as indústrias de peles. Irlanda está em processo de proibição. Propostas legislativas nesse sentido foram apresentadas também na Bulgária e Lituânia.

Na Alemanha, as indústrias não foram proibidas, mas acabaram fechando após o país exigir o cumprimento de normas rigorosas de bem-estar animal, que, segundo o diretor de política de moda da Humane Society International, PJ Smith, tornaram a atividade inviável.

Smith lembra, porém, que essa prática cruel não foi proibida apenas na União Europeia. “Próximo às fronteiras da União Europeia, a Noruega, Sérvia, República da Macedônia e Bósnia e Herzegovina também proibiram a produção de peles.”

Com o fechamento das fábricas de visons nos Países Baixos, quatro milhões de peles a menos serão comercializadas. Lamentavelmente, isso será feito sob o custo do sofrimento de milhares de visons, que após viverem vidas miseráveis não terão a oportunidade de ter um recomeço digno.

Fonte: ANDA