DADOS ALARMANTES Amazónia registra em novembro maior desmatamento para o mês dos últimos 10 anos

De acordo com o Imazon, 61% do desmatamento foi registrados em áreas particulares e nas ”florestas públicas sem destinação”

A Amazónia registrou um aumento de 23% no desmatamento em novembro em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com 484 km² de vegetação desmatados, a floresta bateu o recorde mensal dos últimos 10 anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

De acordo com o Imazon, 61% do desmatamento foi registrados em áreas particulares e nas ”florestas públicas sem destinação”, como são denominadas as áreas que ainda não tiveram a finalidade de suas terras determinadas pelo governo.

Unidades de conservação também foram alvo de desmatadores. Em novembro, a Terra Indígena (TI) Apyterewa, no Pará, foi a mais desmatada. Há um mês, invasores que estavam nessa TI tentaram impedir que fiscais do Ibama fizessem no local uma operação contra crimes ambientais. As informações são do G1.

O monitoramento realizado pelo Imazon é utilizado para emitir alertas para as equipes de fiscalização ambiental, assim como o Sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que registrou queda de 45% no desmatamento da Amazônia em novembro.

De acordo com o Imazon, os dois sistemas têm metodologias distintas e, por isso, podem divergir, especialmente quando os dados são comparados entre períodos curtos. No entanto, geralmente os sistemas convergem nas tendências de alta – o que significa que se nos próximos meses o desmatamento continuar em alta, a tendências de alta vão convergir.

Fonte: ANDA

Necroestado

Incêndios na floresta Amazónica são os piores em uma década

Os incêndios na Amazónia brasileira aumentaram 13% nos primeiros nove meses do ano em comparação com um ano atrás, quando a região da floresta tropical experimentou o pior aumento de queimadas em uma década, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe.

Imagens por satélite registraram em setembro 32.017 pontos de incêndio na maior floresta tropical do mundo, um aumento de 61% em relação ao mesmo mês de 2019.

Em agosto do ano passado, o aumento dos incêndios florestais na Amazónia ganhou as manchetes no mundo todo e gerou críticas de líderes mundiais, como o francês Emmanuel Macron, de que o Brasil não estava fazendo o suficiente para proteger a floresta tropical.

Na última terça-feira (29), o candidato a presidência do partido democrata dos EUA, Joe Biden, pediu um esforço mundial para oferecer US$ 20 biliões para acabar com o desmatamento na Amazónia e ameaçou o Brasil com “consequências económicas” que não foram especificadas se não “parasse de derrubar a floresta”.

Jair Bolsonaro criticou o comentário de Biden como uma “ameaça covarde” à soberania do Brasil e um “claro sinal de desprezo”.

De acordo com dados divulgados pelo Inpe, na quinta-feira (01) mostraram que, em 2019, os incêndios aumentaram em agosto e diminuíram consideravelmente no mês seguinte, mas o pico deste ano foi mais sustentado. Agosto e setembro de 2020 igualaram e até mesmo ultrapassaram o recorde do mês anterior.

“Tivemos dois meses com muito fogo. Já está pior do que no ano passado ”, salienta Ane Alencar, directora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia – Ipam .

“Pode piorar se a seca continuar. Estamos à mercê da chuva. ”

A Amazónia está passando por uma estação de seca mais severa do que no ano passado, o que os cientistas atribuem em parte ao aquecimento no Oceano Atlântico Norte tropical puxando a umidade da América do Sul.

Toda a Amazónia, que se estende por nove países, tem atualmente 28.892 incêndios ativos, de acordo com uma ferramenta de monitoramento de incêndios financiada em parte pela agência espacial norte-americana Nasa.

Aproximadamente 62% dos principais incêndios na Amazónia ocorreram nas florestas em setembro, em comparação com apenas 15% em agosto, de acordo com uma análise de imagens de satélite da organização sem fins lucrativos Amazon Conservation, dos Estados Unidos.

Além da floresta Amazónica, o aquecimento do Atlântico Norte também está ajudando a impulsionar a seca no Pantanal brasileiro, a maior área úmida do mundo, que sofreu mais incêndios neste ano do que o registrado em anos anteriores, segundo dados do Inpe.

Segundo análise da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 23% das áreas úmidas, que abrigam a maior população de onças-pintadas do mundo, foram queimadas.

Conforme fala da ativista florestal do grupo de defesa Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, o cenário é preocupante “o Brasil está em chamas”.

Fonte: ANDA

Indígenas exigem a líderes mundiais proteção concreta para a Amazónia

Os líderes indígenas da Amazónia estão cansados de ouvir discursos e promessas e exigem agora aos líderes mundiais, reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas, ações concretas na bacia amazónica, atingida pela pandemia, incêndios, violência e seca.

Indígenas exigem a líderes mundiais proteção concreta para a Amazónia

“Esta pandemia é um sintoma de que o planeta está doente. Não queremos mais discursos, estamos diante de uma Amazónia num ponto sem volta”, disse hoje o coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazónica (Coica), José Gregorio Díaz, numa conferência de imprensa virtual.

“Esta situação é responsabilidade de todos, mas, principalmente, de vocês que estão reunidos em Nova Iorque”, acrescentou, referindo-se aos Presidentes e líderes mundiais que participam na celebração dos 75 anos da criação das Nações Unidas.

Díaz pediu aos chefes de Estado que sejam “honestos pela primeira vez”.

“Precisamos reviver o Acordo de Paris (que visa dar uma resposta global às alterações climáticas) e travar os acordos de comércio extrativista, como o da União Europeia e do Mercosul (bloco económico composto pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai)”, acrescentou o coordenador, ao pedir aos grandes bancos para “pararem de dar dinheiro para destruir a Amazónia”.

“Saibam que hoje, tal como ontem, o nosso presente e futuro viram cinzas devido aos incêndios na Amazónia, contaminados com minerais e mercúrio, manchados com o sangue dos nossos irmãos pela luta em defesa do nosso território”, declarou Díaz.

O coordenador da COICA pediu numa carta aberta, dirigida aos líderes mundiais, que “pelo menos se comprometam a respeitar e incorporar as práticas indígenas “de uso sustentável dos recursos naturais”.

“Se eles nos ignorarem novamente e continuarem com os seus discursos de mentiras, não haverá forma de recuperar a economia em lugar nenhum”, avisou José Gregorio Díaz.

A líder da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sónia Guajajara, também participou na conferência de imprensa, tendo denunciado que o Presidente, Jair Bolsonaro, “mente ao dizer que os povos indígenas são responsáveis” pela destruição da Amazónia.

“O Brasil tornou-se num dos lugares mais perigosos do mundo, o mundo inteiro ficou horrorizado com os incêndios, que puderam ser vistos do espaço”, disse a responsável da APIB, organização que coordena a luta dos povos originários pelos seus direitos.

A brasileira destacou que “por de trás de cada incêndio está a ganância corporativa de empresas como do agronegócio e da mineração, assim como os maiores bancos e corporações do mundo”.

Guajajara também se referiu à pandemia de covid-19, que já matou mais de 800 indígenas no Brasil, país mais afetado pela doença na América do Sul, e onde mais de 30 mil índios foram infetados pelo vírus, segundo dados da APIB.

“Os nossos líderes mais importantes estão a morrer precocemente. Aldeias inteiras em confinamento voluntário correm o risco de desaparecer”, alertou a coordenadora da APIB.

Por sua vez, o diretor de campanhas do movimento cívico Avaaz, Oscar Soria, recordou que o “Brasil e o Peru são os casos mais críticos devido à covid-19″ na bacia amazónica, mas que “também existem problemas preexistentes, como a posse da terra, conflitos e violência”.

Soria chamou ainda a atenção que “a iminência de uma seca dificultará a resistência dos povos indígenas até março” do próximo ano.

Organizações indígenas, civis e religiosas que apoiam as reivindicações da Amazónia estão reunidas esta semana, de forma virtual, na cimeira “O grito da selva”, para alertar o mundo sobre as consequências da pandemia e dos incêndios na segurança climática e na alimentação global.

Fonte: SAPO24

POLÍTICA ANTI-NATUREZA Brasil vivência pior início de temporada de incêndios na Amazónia em 10 anos

A Amazónia teve o pior início de temporada de incêndios em uma década, com 10 136 incêndios detectados nos primeiros 10 dias de Agosto, um aumento de 17% em relação ao ano passado.

A análise dos dados do governo brasileiro pelo Greenpeace mostrou que os incêndios aumentaram 81% nas reservas federais em comparação com o mesmo período do ano passado. Vindo um ano depois que os crescentes incêndios na Amazónia causaram uma crise internacional, os novos números levantaram temores de que a temporada de incêndios deste ano possa ser ainda pior do que a do ano passado.

“Este é o resultado directo da falta de uma política ambiental deste governo”, disse Romulo Batista, activista florestal sénior do Greenpeace Brasil. “Tivemos mais incêndios do que no ano passado.”

Os números devem aumentar o sentimento de alarme crescente, entre líderes empresariais e investidores, sobre o impacto negativo causado pela destruição contínua da floresta amazónica do Brasil.

“É uma situação muito preocupante. Claramente, a política ambiental do governo para a questão da Amazónia não está funcionando”, disse na quarta-feira Candido Bacher, presidente do maior banco do Brasil, o Itaú Unibanco.

Em Julho, o governo proibiu incêndios por 120 dias nas regiões da Amazónia e do Pantanal, onde as queimadas também estão intensas. Na terça-feira, o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, alegou falsamente que os relatórios sobre o aumento do número de incêndios na Amazónia eram “mentira”.

Seu governo não conseguiu controlar o aumento dos incêndios e do desmatamento, apesar de uma cara operação do exército lançada em maio. Chamada Operação Green Brasil 2 e chefiada pelo vice-presidente general Hamilton Mourão, envolve milhares de soldados e, de acordo com o Ministério da Defesa, já apreendeu 28,1 mil metros cúbicos de madeira e distribuiu £575 mil (cerca de 4 milhões de reais) em multas.

Os incêndios em Julho aumentaram 28% em relação ao ano anterior, segundo o Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento por satélite. O desmatamento de Agosto de 2019 a Julho de 2020 aumentou 34%. E ninguém foi acusado pelo coordenado “Dia do Fogo” do ano passado, quando os incêndios triplicaram apenas no estado do Pará entre 10 e 11 de Agosto, especialmente no entorno da área de Novo Progresso, onde 638 incêndios foram detectados nos primeiros 10 dias de Agosto.

“É muita propaganda”, disse Batista sobre a operação. “Você não combate o desmatamento com uma operação do exército, você o faz trabalhando o ano todo com inteligência e coordenação.”

Há um ano, Bolsonaro tentou culpar Leonardo DiCaprio e ONGs pelos incêndios, apesar de não ter fornecido provas — e demitiu o chefe do INPE. Na terça-feira, durante uma reunião de países amazónicos, ele fez mais afirmações incorrectas.

“Essa história de que a Amazónia está pegando fogo é mentira e devemos combatê-la com números verdadeiros”, disse Bolsonaro, segundo a Reuters, que publicou fotos da floresta devastada por um incêndio no município de Apuí, no Amazonas.

Os incêndios na estação seca da Amazónia são causados ​​principalmente por pessoas desmatando ou queimando árvores derrubadas, ou florestas, das quais madeiras valiosas já foram removidas, disse Batista.

Grande parte dessa terra vira pasto para gado, responsável por 80% do desmatamento em todos os países amazónicos. A análise do Greenpeace mostrou que entre os municípios amazónicos mais atingidos pelos incêndios nos primeiros 10 dias de Agosto, estavam algumas das áreas de produção de gado mais importantes da região. No ano passado, o Guardian e o Bureau of Investigative Journalism relataram que os incêndios na Amazónia eram 30% mais prováveis em zonas de criação de animais para consumo.

A indústria de carne do Brasil está sob pressão crescente para impedir que o gado de áreas desmatadas ilegalmente na Amazónia contamine as cadeias de abastecimento. Suas maiores empresas disseram que fizeram um grande progresso no monitoramento dos últimos anos e estão desenvolvendo novas estratégias para melhorá-lo.

Na quarta-feira, Candido Bracher, do Itaú Unibanco, disse que o banco não financiará carnes vinculadas ao desmatamento. “Queremos garantir que o sector não seja abastecido com carne de rebanhos criados em áreas desmatadas”, disse ao jornal Estado de S.Paulo. “Faremos isso rastreando.”

O Itaú Unibanco faz parte do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que tem se reunido com Mourão, juízes da Suprema Corte e líderes do Congresso para exigir acções que protejam a Amazónica, evitando enfrentar a postura anti-ambientalista de importantes governantes que têm contestado a ciência das mudanças climáticas.

“Esta não é uma questão ideológica”, disse sua presidente, Marina Grossi. “Quando você não tem uma política clara sobre isso, você compromete essas empresas. Você perde valor e o país perde.”

Fonte: Anda

Há dez anos que a Amazónia não ardia tanto no mês de Agosto

incêndios e desflorestação Amazónia

A Amazónia assiste à pior época de incêndios da última década, com mais de 10.000 fogos registados apenas nos primeiros dez dias de Agosto – um aumento de 17% em relação ao ano passado.

A análise dos números do governo brasileiro pela organização não-governamental Greenpeace mostrou que os incêndios aumentaram 81% nas reservas federais, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O aumento é preocupante, já que a época de incêndios este ano pode ser ainda pior do que a do ano anterior.

“É o resultado directo da falta de uma política ambiental por parte deste governo”, disse Romulo Batista, activista florestal da Greenpeace Brasil, em declarações ao ‘The Guardian’. “Tivemos mais fogos do que no ano passado”, acrescentou.

Em Julho, o governo brasileiro proibiu os incêndios durante 120 dias nas regiões da Amazónia e do Pantanal, onde também se registam fogos.

Esta terça-feira, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, alegou que os relatos do aumento do número de incêndios na Amazónia eram “uma mentira”.

Os incêndios em Julho aumentaram 28% em relação ao ano passado, de acordo com o Instituto de Investigação Espacial do Brasil (INPE), responsável pela monitorização por satélite.

Os incêndios durante a estação seca da Amazónia são principalmente causados por pessoas que limpam terras ou queimam árvores abatidas ou florestas das quais já foram removidas madeiras valiosas, de acordo com o activista da Greenpeace Brasil.

A análise da Greenpeace mostrou ainda que as regiões mais atingidas pelos incêndios nos primeiros dez dias de Agosto foram algumas das mais importantes áreas de produção pecuária da zona.

Além disso, a desflorestação entre Agosto de 2019 e Julho de 2020 aumentou cerca de 30%. Grande parte da terra torna-se pasto para gado, que é responsável por 80% da desflorestação da Amazónia.

Fonte: executivedigest

DADOS ALARMANTES Alerta de desmatamento na Amazónia é o maior dos últimos cinco anos

Foram 9.205 km² desmatados de Agosto de 2019 a Julho de 2020, ante 6.844 km² nos 12 meses anteriores

Dados recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais revelaram um aumento de 34,5% nos alertas de desmatamento na Amazónia em um ano. Foram 9.205 km² desmatados de Agosto de 2019 a julgo de 2020, ante 6.844 km² nos 12 meses anteriores. É o maior alerta de desmatamento registado nos últimos cinco anos.

O Deter é um sistema dinâmico e, por isso, apresenta apenas uma tendência do desmatamento monitorado por satélite. A taxa oficial de desmatamento é registada pelo Prodes, outro sistema do Inpe que consegue medir o desmate de maneira mais ampla.

Entre Agosto de 2018 e Julho de 2019, o Prodes registou o desmatamento de 10.129 km² na Amazónia – 34,41% a mais do que o registado no período anterior, quando 7.536 km² foram destruídos. A taxa foi a maior desde 2008.

Por conta dos números expostos pelo Deter, a expectativa é ruim. Espera-se que um novo aumento no desmatamento, que vem crescendo de maneira alarmante desde 2019, seja registado.

O Observatório do Clima informou ao Metro Jornal que “se a variação entre os dados do Deter e os do Prodes ficar na média histórica, poderemos ter cerca de 13.000 quilómetros quadrados de desmatamento, a maior taxa desde 2006”.

Fonte: ANDA

CRIME AMBIENTAL Amazónia é o epicentro do tráfico mundial de animais, denuncia relatório

Tartarugas, toneladas de carne de caça, peixes ornamentais e para consumo foram os mais traficados entre 2012 e 2019

Um novo relatório divulgado na última segunda-feira (27) revela que a Amazónia abastece o tráfico internacional de animais. O levantamento foi realizado pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em parceria com as ONGs Traffic e União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

O documento foi elaborado após 18 meses de trabalho que tiveram como base arquivos públicos, pedidos legais de informações e entrevistas com fontes dentro e fora do governo federal e dos estados.

Animais, inclusive sob ameaça de extinção, são retirados da floresta para abastecer o mercado ilegal do próprio Brasil e também para serem levados ao exterior pelas fronteiras entre Suriname, Guiana, Colômbia e Peru, por meio das quais também são trazidos animais de outros países.

Para piorar, Ibama e Polícia Federal não têm informações integradas e padronizadas, o que dificulta o combate ao tráfico. O número de agentes em campo também é pequeno.

Nos últimos cinco anos, foram realizadas pelo menos 30 apreensões de partes de corpos de onças-pintadas, principalmente peles. Em 2016, o Ibama encontrou pedaços de 19 onças-pintadas armazenados em uma geladeira dentro de uma casa de um caçador em Curianópolis, no Pará. Em 2019, indícios foram descobertos a respeito de um grupo de caçadores que age no Acre há 30 anos e que pode ter tirado a vida de mais de 1 mil onças-pintadas – que também são mortas por caçadores em outros países, como Suriname, Bolívia e Peru.

Em entrevista ao portal InfoAmazónia, a directora-executiva da Freeland Brasil, Juliana Ferreira, afirmou que é preciso haver um planeamento para combater o tráfico.

“O tráfico está fora de controle. Juntando dados de diferentes agências e fontes vemos que o crime é extremamente relevante no Brasil e na América do Sul. Um planeamento estratégico precisa ser feito em cima de dados, mas há questões sérias quanto à forma de sua colecta e consolidação dentro e entre diferentes agências. Sem isso não sabemos bem o que combater e como direccionar melhor nossos escassos recursos”, ressaltou Juliana, que é uma das autoras do relatório.

Retirados da Amazônia, tartarugas, toneladas de carne de caça, peixes ornamentais e para consumo foram os mais traficados entre 2012 e 2019. A maior parte foi enviada aos Estados Unidos e a países asiáticos, após passarem pelo Peru e pela Colômbia.

Não bastasse o cenário que era preocupante, a situação foi agravada pelo presidente Jair Bolsonaro. Somado à pandemia de coronavírus, o governo federal pode ter facilitado o tráfico de animais na Amazónia por conta da redução no número de agentes em campo e no orçamento de fiscalização. Os cortes foram feitos pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Além disso, um decreto de Bolsonaro criou um órgão para perdoar multas ambientais. A Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, denunciou ainda que o governo de Jair Bolsonaro está adoptando medidas que, na prática, suspenderam as multas aplicadas por desmatamento ilegal na Amazónia.

“Durante a quarentena parece que os traficantes estão com maior sensação de impunidade. Eles querem mais é vender, suprir a demanda e lucrar. Por outro lado, a pandemia abriu os olhos do mundo sobre riscos das zoonoses e do tratamento que damos à fauna silvestre”, avaliou Juliana Ferreira, da Freeland Brasil.

O tráfico, no entanto, não abastece apenas o mercado internacional, mas também o nacional. O Sudeste do Brasil é o principal destino dos animais retirados da Amazónia. Levados em caminhões, ónibus e carros, eles sofrem no transporte. Entre 2001 e 2012, mais de 250 mil animais traficados foram resgatados pela Polícia Militar de São Paulo.

Presidente da ONG SOS Fauna, Marcelo Pavlenco Rocha actua contra o tráfico, auxiliando a polícia e cuidando de animais traficados desde 1989. Em 2003, ele participou do resgate de 4,3 mil aves e outros animais que eram transportados em um ónibus da Bahia para São Paulo. No ano seguinte, soube de um filhote de onça-preta sendo vendido por R$ 1,5 mil em Belém (PA).

Na opinião de Marcelo, o caminho para o combate ao tráfico está na educação, na geração de empregos e na fiscalização nos locais de captura e venda de animais. É necessário também capacitar fiscais rodoviários. Nada disso, no entanto, funcionaria sem melhorar o transporte e a infraestrutura para animais resgatados.

“O combate a esse tipo de crime precisa de mais agentes capacitados e operações de inteligência dedicadas e contínuas para aumentar e qualificar os resgates. Ao mesmo tempo, é preciso ter protocolos para evitar a morte dos animais resgatados durante o transporte, melhorar a infraestrutura para alojá-los durante o tratamento até a soltura, dos que ainda podem viver em ambientes naturais”, ressaltou.

A directora-executiva da Freeland Brasil defende punição mais rigorosa para crimes ambientais e prioridade dos governos, judiciário e órgãos de fiscalização no combate a essas práticas como formas de conter os caçadores.

Há 15 anos, um projecto de lei que prevê penas mais duras para esses crimes tramita no Congresso Nacional. Desde 1967, traficar animais silvestres é considerado uma prática criminosa no Brasil.

“Falta priorização por parte do governo e dentro das instituições. É preciso adaptar a legislação e trabalhar com actores do judiciário sobre a relevância do crime e a importância de que as penas sejam condizentes com a conduta. O tráfico tem graves consequências para a biodiversidade e para a economia, pois pode levar espécies à extinção e não paga impostos como actividades legalizadas”, concluiu Juliana.

Fonte: Anda

BRASIL Desmatamento aumenta enquanto a Amazónia entra em época de seca e queimadas

O desmatamento na Amazónia brasileira subiu pelo décimo quinto mês, atingindo níveis não registados desde meados do ano 2000, de acordo com o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Imagem do Rio Guaporé, na Amazônia

O sistema de alerta de desmatamento do INPE detectou 1.034 km quadrados de novas clareiras em Junho de 2020, totalizando 9.564 km quadrados de redução de matas nos últimos 12 meses, o que representa um aumento de 89% desde 2019.

A extensão do desmatamento no último ano é o maior registado desde que o INPE começou a liberar números mensais em 2007.

A taxa de desmatamento anual aumentou 96% desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em Janeiro de 2019.

Sob pressão das grandes empresas e da União Europeia o governo decretou, na última semana, uma proibição de 120 dias das queimadas na Amazônia. Tropas do exército foram enviadas à região com o objectivo de conter o fogo. No entanto, os incêndios já estão em andamento – mesmo sendo o início da temporada de seca -, de acordo com a análise das informações de satélite do projecto de Monitoramento da Amazónia Andina (MAAP).

O MAAP descobriu que houve 14 incêndios de grandes proporções na Amazónia desde o início desse ano até o dia 2 de Julho. A análise dos dados exclui áreas de pastagens e matagais, o que nos fornece somente informações sobre queimadas em áreas de floresta.

O desmatamento vem aumentando no Brasil desde 2012, mas os índices aceleraram dramaticamente nos últimos 18 meses, enquanto o governo Bolsonaro relaxou leis de protecção, desmembrou áreas de conservação ambiental e de protecção à terras indígenas, promoveu a mineração e a conversão de áreas de floresta em áreas para indústria e tentou promulgar políticas de enfraquecimento às leis de protecção ambiental na região.

Cientistas alertaram que a floresta amazónica pode estar se aproximando de um ponto crucial de transição para um clima seco, muito similar ao ecossistema da savana africana. Tal transição poderá gerar impactos significativos e permanentes nos padrões de chuvas locais e regionais, desencadeando a liberação de uma quantidade incrível de carbono na atmosfera.

Fonte: ANDA

PRIMEIRO SEMESTRE Queimadas no AM crescem 51,7% e batem recorde dos últimos quatro anos

Foram 496 focos de incêndio florestal nos primeiros seis meses de 2020, ante 327 no mesmo período de 2019

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelaram um aumento de 51,7% no número de focos de queimada no Amazonas no primeiro semestre de 2020, em comparação ao mesmo período do ano anterior. As estatísticas alarmantes indicam um recorde em relação aos últimos quatro anos.

Foram 496 focos de incêndio florestal nos primeiros seis meses de 2020, ante 327 no mesmo período de 2019. Em 2018, foram 475 e 250 em 2017.

Predominante no Amazonas, o bioma Amazônia não incendeia de maneira natural, sendo os incêndios sempre provocados por humanos. Em Junho, as queimadas na floresta amazónica superaram o registado nos últimos 13 anos.

Em entrevista ao G1, o professor titular da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Henrique dos Santos Pereira afirmou que a situação das queimadas no Amazonas é grave.

“Se esses focos de queimadas estiverem em sua maioria associados à desmatamentos recentes, ilegais, então deveria ser considerado um sinal gravíssimo pois estariam associados a outros crimes ambientais e à expansão da fronteira agropecuária sobre áreas de floresta primária”, disse.

O professor explicou que o aumento nas queimadas corresponde, em parte, a uma tentativa de burlar a fiscalização, por conta da antecipação das acções de desmatamento e incêndios florestais para períodos considerados menos críticos e que, por isso, não dispõem de grandes operações.

Fonte: ANDA

Devastação da Amazónia brasileira aumentou 24% no primeiro semestre do ano

A Amazónia brasileira perdeu 2.544 quilómetros quadrados de floresta no primeiro semestre do ano, mais 24% do que os números registados entre janeiro e junho de 2019.

A informação foi divulgada ontem num estudo publicado pela organização não-governamental Instituto Amazónico do Homem e do Meio Ambiente (Imazon).

Segundo o instituto, foi a segunda maior taxa de devastação da Amazónia brasileira registada num semestre desde 2010.

Só no último mês de Junho, a Amazónia brasileira perdeu 822 quilómetros quadrados de floresta.

O estudo também realçou o avanço contínuo da desflorestação dentro das reservas ambientais da Amazónia.

A Florex Rio-Preto Jacundá, localizada no estado brasileiro de Rondónia, foi a mais desmatada no mês de Junho com 47 quilómetros de área destruída. Em seguida, vem a área de proteção Triunfo do Xingu, no Pará, com 27 quilómetros quadrados devastados.

As terras indígenas que mais foram alvo do desmatamento ilegal são Apyterewa, Mundurucu e Kayapó, todas no Pará.

Segundo o Imazon, o estado brasileiro do Pará registou 43% do total de desflorestação da Amazónia, seguido pelo estado do Amazonas (21%), Mato Grosso (14%), Rondónia (14%), Acre (7%) e Roraima (1%).

O estudo também revelou que dos mais de 800 quilómetros quadrados devastados em Junho, 213 ocorreram em áreas degradadas, ou seja, onde são realizadas queimadas e extracção selectiva de árvores com o objectivo de comercializar madeira.

Desde que Jair Bolsonaro chegou à Presidência do Brasil em 01 de Janeiro de 2019, a desflorestação na maior floresta tropical do mundo explodiu.

Em 2019, a devastação da Amazónia brasileira saltou 85%, somando 9.165 quilómetros quadrados de mata destruída, seu nível mais alto desde 2016, segundo dados oficiais.

A organização Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) já apontou que o Brasil está a caminhar para o segundo ano consecutivo de aumento da desflorestação das florestas do país.

Nas últimas semanas, Bolsonaro foi pressionado por organizações ambientais, grandes empresas brasileiras e investidores estrangeiros que manifestaram preocupação pela preservação da maior floresta tropical do mundo.

Bolsonaro, defensor da exploração de recursos naturais em busca de “progresso” na Amazónia, é apontado como um dos responsáveis pelo aumento da exploração madeireira, de minadores e invasões de pessoas que se auto-declaram fazendeiros para obter a titulação de terras públicas na Amazónia.

Na quinta-feira, durante uma transmissão ao vivo na sua conta na rede social Facebook, Jair Bolsonaro defendeu a política ambiental do seu Governo e declarou que há uma seita ambiental na Europa, que tem tentado prejudicar o agronegócio local acusando o país de não preservar as suas florestas.

“Essa guerra da informação não é fácil. Nós temos problemas porque o Brasil é uma potência no agronegócio. A Europa é uma seita ambiental. Eles [europeus] não preservaram nada do seu meio ambiente, praticamente nada, quase não se ouve falar em reflorestamento na região, mas o tempo todo atiram em cima de nós [do Brasil] de forma injusta porque é uma briga comercial”, afirmou Bolsonaro.

No mesmo dia teve repercussão internacionalmente um estudo que apontou que cerca de um quinto das exportações anuais de soja do Brasil para a União Europeia está potencialmente ligada à desflorestação ilegal no país.

A investigação foi feita por pesquisadores Universidade Federal de Minas Gerais e publicado na revista científica Science.