AVANTE PELA TRADIÇÃO

Magnifico texto.
Vale muito a pena ser lido e partilhado!


O «respeito pela diversidade cultural e pela tradição» foi o principal argumento esgrimido no parlamento para chumbar a proposta de abolição das touradas apresentada pelo PAN. Que se discuta a proibição e as suas envolventes sociais, ainda posso entender. Agora, chamar àquilo «cultura», desculpem, mas há limites para a parvoíce.

Não estou seguro de que proibir as touradas seja a melhor opção para acabar com elas, mas por algum lado tem de se começar. Porque, disso tenho a certeza, quando esse entretenimento perverso for abolido (seja pela lei, seja pela grei) Portugal terá dado mais um importante passo civilizacional. Concretizando, afinal, o que já foi tentado, há quase 200 anos, por Passos Manuel – e, antes dele ainda, pelo Papa Pio V que, no século XVI, emitiu uma bula contra «esses espectáculos sangrentos e vergonhosos dignos de demónios e não dos homens». A luta contra as touradas, como se vê, já vem de longe.

A proposta de lei do PAN tinha fragilidades, mas era um ponto de partida. Que podia, e devia, ser melhorado e acrescentado, mas é para isso mesmo que existe a Assembleia da República. A aprovação da lei traria problemas e não seria consensual? Com certeza. Mas não foi sempre assim que se deram os grandes avanços da história e da civilização?
Resistir à mudança é próprio de todos os sistemas: por mais modernos que julguem ser, são sempre estruturalmente conservadores. E quando essa mudança atinge um potencial eleitorado, os partidos são os primeiros a temê-la e preferem «atirar a areia para debaixo do tapete». Já não em nome de princípios, como aconteceu noutros tempos, mas de meros fins eleitorais de curto prazo e efeito duvidoso.

O invocado «respeito pela tradição» não é um argumento sério: a ser assim, ainda a escravatura seria legal e socialmente aceite, as mulheres continuariam a ser propriedade dos maridos, os «crimes-de-honra» ainda seriam tolerados, uma jornada de trabalho duraria de sol-a-sol, e por aí adiante.

Quanto à «diversidade cultural», só se for em homenagem à ex-ministra Canavilhas, a quem a indústria tauromáquica tanto deve – afinal, foi ela quem incluiu o divertimento taurino na lista dos produtos culturais. Sim, aconteceu, e foi já no século XXI. Admiro pessoas com sentido de humor, mas este parece-me excessivamente negro.

Ora se este enredo de algum modo se compreende quando executado por políticos de direita, já começa a ser mais difícil de entender quando é usado por arguentes de esquerda. Ângela Moreira, a parlamentar escalada pelo PCP para o debate, conseguiu superar-se na justificação, quando explicou, sem se rir, que «o caminho que há a fazer é o do respeito pela diversidade cultural e o da efectiva responsabilização do Estado na promoção de uma relação mais saudável entre os animais e os seres humanos, acompanhada de uma acção pedagógica com o objectivo de sensibilizar os cidadãos, em particular as crianças e os jovens, para a importância do bem-estar animal e a sua efectiva protecção». Só faltaram os violinos.

Para a deputada comunista, ao propor o fim das touradas, «o PAN não admite que haja outras culturas, identidades, tradições, sensibilidades que não as suas, só admite os seus próprios padrões culturais e morais e quer impô-los, se possível pela lei e pela força».

Acontece que foi precisamente uma «visão cultural uniformizada e uniformizadora do mundo» o que o PCP demonstrou, por exemplo, nos debates recentes sobre a canábis ou a eutanásia, alijando-se numa visão conservadora e temerosa que contradiz a própria história, muito honrada, da luta travada por várias gerações de comunistas portugueses em prol de um mundo novo e livre.

Mas acontece também que, seja por convicção ou por oportunismo, nos dias de hoje o Partido Comunista surge com demasiada frequência ao lado dos que, por duvidosos princípios morais ou obscuros interesses materiais, procuram controlar os nossos hábitos, os nossos comportamentos, os nossos vícios e as nossas virtudes – as nossas vidas, em suma.

A legalização da canábis pode levar à tolerância legal do consumo recreativo? E então?

A descriminalização da eutanásia pode levar à prática de crimes? Provavelmente sim. E vice-versa também.

O fim das touradas cria um problema económico e social? Talvez. O fim do império também criou, e bem maior, mas nem por isso deixou de acontecer. Porque era o que tinha de ser feito, é assim a normal evolução da história e da vida. Porque «todo o mundo é composto de mudança / tomando sempre novas qualidades», lembram-se?

Acabado o sonho de mudar o mundo como queria Marx, valeria a pena pensar em mudar a vida como propunha Rimbaud. Ou fazer por isso. Tradicionalmente, é esta a função de um partido revolucionário, ou pelo menos de esquerda.

Mas, definitivamente, a tradição já não é o que era. Nem o PCP.
Viriato Teles
Fonte: RTP
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Assembleia Municipal de Lisboa rejeita recomendação para acabar touradas no Campo Pequeno

Simplesmente vergonhoso.
Lisboa continuará a fazer parte do rol das cidades coniventes com a psicopatia, assassinato, crime e com a máfia!

Mário Amorim


A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) rejeitou hoje uma recomendação do Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) que pedia o fim das touradas na Praça de Touros do Campo Pequeno, numa votação que gerou agitação entre os deputados.

Assembleia Municipal de Lisboa rejeita recomendação para acabar touradas no Campo Pequeno

O documento do PAN recomendava que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) esclarecesse “a Casa Pia e a sociedade no seu geral que não há qualquer imposição” para que ali “decorram obrigatoriamente touradas, devendo as mesmas ser abolidas dos usos afetos àquele espaço”.

A recomendação previa, também, que Lisboa se declarasse “cidade livre de espetáculos com sofrimento animal” e que o município assegurasse “não existir qualquer tipo de apoio institucional, nomeadamente de cariz financeiro ou cedência de quaisquer outros benefícios ou isenções, a atividades” deste foro.

O documento foi rejeitado na totalidade, com os votos contra do PCP, PS, CDS-PP e PSD, e os votos a favor da totalidade dos deputados independentes (oito), BE, MPT, PEV, PAN e oito deputados do PS. Ou seja, “49 deputados votaram contra e 26 a favor”, anunciou a mesa da AML. A deputada do PPM não participou na deliberação, alegando estar impedida de votar esta questão.

Na altura das votações, criou-se uma agitação na sala porque a bancada do PS, a maior da AML, teve liberdade de voto e algumas bancadas não concordaram em que o voto dos deputados ausentes fosse considerado contra, uma vez que foi esse o sentido de voto da maioria dos socialistas. Após esta discussão, foi posta à consideração dos deputados uma votação nominal, o que acabou por não acontecer.

Intervindo na sessão, o deputado Rui Costa, do BE, aplaudiu o facto de o PAN querer “que o município de Lisboa deixe, diretamente ou indiretamente, através do fundo de turismo e, já agora, do financiamento dos turistas que cá vêm, de financiar este tipo de atividades tauromáquicas”.

No mesmo sentido, o deputado José Inácio, do MPT, questionou se fará sentido a CML (…) manter o apoio a esta atividade, “na qual claramente a vasta maioria dos lisboetas não se revê”.

Relativamente a esta questão, o presidente do executivo municipal lisboeta, Fernando Medina, garantiu que “não há nenhum apoio direto ou indireto à realização de touradas” na capital.

Para a deputada do PAN Inês Sousa Real, “em pleno século XXI torturar animais não é mais aceitável”.

“As tradições formam-se, perdem-se, recuperam-se, banem-se, como fenómenos culturais e temporários que são”, vincou, acrescentando que “todos os dados apontam para o declínio da atividade tauromáquica”.

Por seu turno, o deputado do PSD António Prôa advogou que “o que está aqui em causa é a imposição de uma ideologia”, reforçando que isso é “incompatível com a democracia”.

O eleito do CDS-PP Diogo Moura, referindo-se a um estudo da Universidade Católica que dá conta que 89% dos lisboetas nunca assistiu a uma tourada no Campo Pequeno e que é citado na recomendação do PAN, disse que “nenhum desses números serve para concluir que os lisboetas querem proibir a tourada”.

“Os intolerantes têm o direito de não gostar, mas não podem proibir” a realização de touradas, “uma atividade económica que dá emprego a muitas pessoas”, concluiu.

Já o deputado independente Paulo Muacho salientou que “a tourada é hoje uma prática anacrónica e em declínio”, defendendo que a capital lisboeta devia “declarar-se livre de espetáculos de sofrimento animal”.

Fonte: SAPO24

AÇÃO HUMANA Cientistas australianos acreditam que vivemos uma sexta onda de extinções no planeta

Mais de 26 mil espécies do mundo estão agora ameaçadas, de acordo com a mais recente avaliação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN)

Pesquisas recentes, feitas particularmente por cientistas da Austrália, revelaram uma série de riscos à flora e à fauna, ampliando o escopo de um inventário anual, compilado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

De acordo com os resultados, mais de 26 mil espécies do mundo estão agora ameaçadas. Acredita-se que o planeta esteja entrando em uma sexta onda de extinções em massa.

Dezenove das espécies que já estavam na lista estão em uma situação ainda mais grave – correm ainda maior risco de extinção. Entre elas está o Bufo torrenticola – Ansonia smeagol – (em homenagem a Gollum em O Senhor dos Anéis), que está sendo dizimado pela poluição proveniente do turismo na Malásia.

Dois tipos de minhocas japonesas também estão na lista, ameaçadas principalmente pela perda de habitat, pelo uso de agroquímicos e pela precipitação radioativa do desastre nuclear de Fukushima. O “Bartle Frere cool-skink”, um réptil australiano, teve o seu habitat reduzido de tamanho – como resultado do aquecimento global. Agora, ele se resume a uma faixa de 200 metros no pico da montanha mais alta de Queensland.

Mas é importante saber que as ameaças não se limitam apenas a animais de terras distantes, ou com nomes exóticos. Os cientistas afirmam que a perda da biodiversidade é ainda mais preocupante do que a mudança climática – é a capacidade da Terra de fornecer ar limpo, água potável, comida e um sistema climático estável para todos os seres que a habitam.

“Isso reforça a teoria de que estamos seguindo em direção a um período em que as extinções ocorrem em um ritmo muito mais alto do que a taxa de fundo natural. Estamos colocando em risco os sistemas de suporte à vida de nosso planeta e o futuro de nossa própria espécie ”, disse Craig Hilton-Taylor, chefe da unidade da lista vermelha da IUCN em Cambridge, no Reino Unido, em entrevista ao jornal The Guardian.

“Esta é a nossa janela de oportunidade para agir – temos o conhecimento e as ferramentas sobre o que precisa ser feito, mas agora precisamos de todos: governos, setor privado e sociedade civil, para escalar ações para prevenir o declínio e a perda de espécies”, ele completa.

A lista vermelha da IUCN é compilada com a colaboração de milhares de especialistas em todo o mundo. Agora inclui 93.577 espécies, das quais 26.197 são classificadas como vulneráveis, críticas ou ameaçadas de extinção. Desde o ano passado, seis espécies foram declaradas extintas, elevando o total para 872. Outras 1.700 espécies estão listadas como criticamente ameaçadas, possivelmente extintas.

Entre os declínios mais evitáveis ​​estava o da raposa-voadora Maior Mascarene, que passou de vulnerável a ameaçada de extinção depois que o governo de Maurício realizou um abate a pedido de produtores de frutas que argumentavam que os morcegos estavam comendo suas colheitas. A IUCN está agora trabalhando com os dois lados para encontrar um compromisso que permita que a espécie se recupere sem ferir os meios de subsistência.

No Caribe, a pequena população do roedor hutia jamaicana foi dividiva com a expansão dos assentamentos. Isso tornou o acasalamento mais difícil para o pequeno mamífero, além de aumentar o risco de que ele seja predado por cães e gatos. Isso é um exemplo de como a ação humana pode lentamente dizimar outras espécies.

Uma pesquisa recente mostrou que dos 7,6 bilhões de pessoas do mundo representam apenas 0,01% de todos os seres vivos, mas causaram a perda de 83% de todos os mamíferos selvagens e cerca de metade das vegetações naturais, enquanto a população de animais domésticos e gado está em constante crescimento.

Um dos focos do relatório deste ano foram os répteis australianos, dos quais 7% estão ameaçados de extinção. Isso se deve principalmente à mudança climática e às espécies invasoras, particularmente o sapo venenoso e os gatos selvagens, que matam cerca de 600 milhões de répteis por ano. Entre os que sofrem declínios preocupantes na população estão o dragão sem orelhas da pastagem e o monitor de água de Mitchell.

Mas nem todas são más notícias: em uma nota mais positiva, o sapo quito de Quito estava entre as quatro espécies de anfíbios redescobertas na América do Sul, quando acreditavam que já estavam extintas. Infelizmente, de uma maneira geral, rãs e sapos foram os animais que tiveram um maior declínio nas populações, junto com corais e orquídeas.

Para que os rumos sejam modificados, a secretária executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, Cristiana Pașca Palmer, diz que o mundo precisa de um pacto global de biodiversidade equivalente em escala e estatura ao acordo climático de Paris. “Precisamos que reservas naturais, áreas protegidas oceânicas, projetos de restauração e regiões de uso sustentável da terra sejam expandidas em 10% a cada década para que a natureza esteja em harmonia até 2050″, ela acrescenta.

O problema principal é que a maioria das nações está em descompasso para atender até mesmo as metas de Aichi para 2020. Em uma reunião entre formuladores de políticas de conservação em Montreal, Jane Smart, diretora global do grupo de conservação da biodiversidade da IUCN, solicitou aos países a acelerar a ação.

“A atualização atual da lista vermelha da IUCN de espécies ameaçadas mostra que é necessária uma ação urgente para conservar espécies ameaçadas”, afirma.

Fonte: ANDA

 

 

 

Resgate Mulher salva elefante do trabalho escravo e é ‘adotada’ pela manada

Lek trabalha no resgate de animais e oferece aos gigantes uma nova vida dentro do santuário que criou.

A beleza da floresta ao Norte da Tailândia esconde alguns perigos. Por lá circulam elefantes selvagens, animais que podem pesar até cinco toneladas. Ninguém gostaria de cruzar com um gigante destes na mata fechada. Porém a relação de Lek, uma mulher local, com os animais é diferente.

Ela se aproxima se aproxima sem medo de um dos maiores animais do mundo.

Ela toca o animal que emite um som assustador. Porém, o encontro entre os dois é de puro carinho.

Ela não é uma domadora, muito pelo contrário. Eles são velhos conhecidos. Lek o resgatou de uma vida de muito sofrimento e exploração.

A derrubada de florestas de madeira nobre já foi uma coisa natural na Tailândia. E os elefantes eram usados como tratores.

Hoje, Lek trabalha no resgate de animais usados em acampamentos ilegais de extração de madeira ou em circos.

Ela criou um santuário onde eles podem circular sem correntes e criar novos laços, e ofereceu aos gigantes uma nova vida. Elefantes asiáticos vivem em grupos familiares, mas esses adotaram Lek como parte de sua manada.

Fonte: ANDA

SEGUNDA CHANCE Elephant Haven, o primeiro santuário europeu para elefantes deve ficar pronto em agosto

A cada ano aumenta o número de países europeus contra o uso de animais em circos. Com isso, surge um dilema. Como garantir um lugar seguro para esses animais que…

A cada ano aumenta o número de países europeus contra o uso de animais em circos. Com isso, surge um dilema. Como garantir um lugar seguro para esses animais que não podem mais ser reintroduzidos na natureza depois de anos de abuso na indústria do entretenimento? Pensando nisso, organizações em defesa dos animais estão financiando a construção do Elephant Haven, o primeiro santuário europeu para elefantes.

Situado em uma área de 30 hectares na Nova Aquitânia, na França, o santuário deve ficar pronto em agosto. De acordo com o cofundador do Elephant Haven, Tony Verhulst, além de oferecer qualidade de vida aos elefantes, a segurança deles também é fundamental. Por isso, câmeras serão instaladas dentro e fora dos celeiros para garantir que os animais estejam recebendo todos os cuidados necessários.

“Os elefantes merecem um lugar feliz para viver o resto de suas vidas”, enfatiza Verhulst. Recentemente, a organização Proteção Animal Mundial fez uma doação de R$ 653 mil para o santuário. Após a inauguração, o local vai oferecer um horário específico para visitas, mas os visitantes só poderão observar os animais à distância.

O primeiro país europeu a banir o uso de animais em circos foi a Dinamarca após uma campanha endossada por mais de 50 mil defensores dos animais. O exemplo estimulou mais 14 países a trilharem o mesmo caminho. Atualmente a Proteção Animal Mundial estima que há mais de 100 elefantes sendo usados como entretenimento em países europeus que ainda não baniram a prática.

O Elephant Haven e seus parceiros têm dialogado em favor da libertação desses animais, principalmente considerando que há espaço para eles no santuário. “Esses elefantes tiveram uma vida inteira de sofrimento, sendo mantidos em cativeiro e forçados a enfrentar um treinamento cruel e intensivo”, lamenta o CEO da PAM, Steve McIvor.

Fonte: ANDA