Número de ursos-pardos mortos bate recorde e revolta conservacionistas

Grupos de conservação pedem que a Subcomissão do Ecossistema Yellowstone desenvolva medidas adicionais e impactantes para evitar conflitos entre ursos, humanos e gados.

Há poucos dias, o Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos, foi o palco de uma descoberta incrível e animadora: uma proteína vegana foi encontrada em uma fonte termal vulcânica do complexo. Mas as notícias sobre vida selvagem são tristes e alarmantes: o número de morte de ursos-pardos bateu um novo recorde.

Grupos de conservação pediram na última terça-feira (5) ao Interagency Grizzly Bear Committee’s Yellowstone Ecosystem Subcommittee para atualizar em 10 o relatório sobre o  urso pardo e a prevenção de conflitos. A iniciativa acorre após um número recorde de ursos que foram mortos no ano passado.

Na carta enviada ao comitê, os seis grupos explicaram que o relatório de 2009 está desatualizado e em grande parte não implementado. As organizações pediram que a comissão desenvolva recomendações adicionais para evitar conflitos entre ursos, humanos e gados.

O Sierra Club, o Centro para a Diversidade Biológica, a Humane Society dos Estados Unidos, WildEarth Guardians , Conselho de Defesa dos Recursos Naturais e Wyoming Wildlife Advocates citaram as 65 mortes de ursos pardos em 2018 e a falta de implementação de medidas de prevenção não letais.

“Centenas de urso-pardos da região de Yellowstone morreram desnecessariamente apenas nos últimos anos”, disse Bonnie Rice, representante Sênior da campanha Our Wild America, do Sierra Club, em um comunicado.

“Existem muitas maneiras eficazes de evitar conflitos e nossas agências estaduais e federais precisam fazer mais. A população de ursos isolados de Yellowstone ainda é vulnerável, e medidas de prevenção de conflitos mais fortes devem ser implementadas em toda a região para promover a coexistência e manter os ursos, pessoas e propriedades seguras”. As informações são do World Animal News.

A carta enfatizava a urgência de o comitê agir antes da temporada de caça deste ano, quando a maioria dos conflitos acontecem. Segundo relatos do Serviço Geológico dos EUA , cerca de 250 ursos-pardos morreram em Yellowstone desde 2015. Quase todas as mortes foram relacionadas a seres humanos.

Especificamente, os grupos pediram ao subcomitê para atualizar o relatório de mortalidade e conflitos de 2009 e preparar um relatório detalhado sobre o progresso da equipe de revisão com as recomendações de prevenção de conflitos.

“Este relatório de conflito antiquado é ineficaz e não faz quase nada para impedir a morte dos amados ursos de Yellowstone”, disse Andrea Santarsiere, advogada do Centro de Diversidade Biológica.

“Se medidas não letais não forem implementadas imediatamente, mais animais morrerão desnecessariamente.”

“É crucial que acabemos com as mortes desses icônicos ursos”, disse Taylor Jones, defensor de espécies ameaçadas de extinção do WildEarth Guardians.

“Atualizar a ciência e estabelecer melhores práticas para a coexistência não-letal é fundamental para a sobrevivência da população de ursos-pardos dos parques de Yellowstone.”

“As taxas de mortalidade de ursos pardos nos últimos anos revelaram uma tendência profundamente perturbadora. Muitos ursos estão morrendo e chegou a hora de os administradores e as comunidades se comprometerem seriamente com os métodos mais eficazes de prevenção de conflitos”, disse Kristin Combs, do Wyoming Wildlife Advocates.

“O primeiro passo nesse caminho é que as agências atualizem este relatório. A prevenção de conflitos é o caminho a seguir”.

Fonte: ANDA

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Extermínio Milhares de bisões estão sendo mortos em seu habitat pelo governo americano

Foto: Care2

Yellowstone foi designado como o primeiro parque nacional dos Estados Unidos, em 1872, mas os seus ricos vales eram lar de bisões desde muito tempo antes disso. No entanto, no final do século 19, esses icônicos animais que outrora vagaram livres pelas Grandes Planícies às dezenas de milhões de indivíduos encolheram para apenas poucos milhares. As informações são da Care2. Os bisões, que podem pesar uma tonelada ou mais, foram quase completamente dizimados quando homens com armas invadiram o seu território, possivelmente sob a orientação do governo federal, em um esforço para tomar terras de tribos nativas.No começo do século 20, menos de 50 desses legendários animais encontravam-se vivos em Yellowstone.

Desde então, a espécie teve uma recuperação incrível, crescendo de 23 indivíduos, há cem anos atrás, para cerca de 4.900 hoje. Mas essa situação não permaneceu imune às mãos humanas.

Novamente em perigo

Agora a população de bisões de Yellowstone está em risco de novo, desta vez graças a um plano mal concebido pelo governo e que resultou na emboscada e subsequente matança de mais de 500 bisões do parque desde janeiro deste ano.

A porta-voz da ONG Buffalo Field, Stephany Seay, chamou a prática de “abuso brutal e assassinato da única população selvagem de búfalos remanescente no país”.

O que explica a incrível história de recuperação de um rebanho de bisões ter tido esta horrível continuidade dentro de um plano de gerenciamento desastroso?

No inverno, uma porção da população de Yellowstone migra através das fronteiras do parque em direção a Montana e Idaho, que é uma faixa tradicional que contorna o vale do rio Yellowstone.

Hoje, sob determinação de um plano de manejo de bisões que já dura 15 anos, inspetores do Departamento de Pecuária de Montana e guardas do Serviço de  Parques Nacionais perseguem búfalos selvagens que estão fora da faixa que lhes foi designada como habitat, para capturá-los em um programa de extermínio que já matou mais de 3.200 desses animais na última década.

A alegação do estado de Montana e do Parque Nacional de Yellowstone é que o gado que pasta na faixa em que caminharam búfalos está em risco de contrair uma doença chamada “brucelose”. Entretanto, investigações recentes de transmissão desta doença em gado no ecossistema de Yellowstone indicam que os alces poderiam ser a fonte suspeita de infecções em Montana, Wyoming e Idaho, e não os bisões.

Confronto com humanos

Em 2015, houve problemas em interações entre humanos e bisões no Parque Nacional de Yellowstone. Desde o início de Maio, cinco turistas foram feridos por bisões, em incidentes que poderiam ter sido evitados se houvesse cautela por parte das pessoas.

Guardas do parque orientam os visitantes a permanecer pelo menos a 23 metros de distância dos bisões, mas isso não impediu uma estudante de 16 anos de idade a posar para foto com um grupo a 3 metros de um deles. O bisão atacou-a e ela foi levada de helicóptero para um hospital com graves ferimentos, mas sobreviveu.

Outro caso foi o de uma mulher do Mississippi, que também decidiu tirar uma foto com um bisão que estava a menos de 2 metros dela, próximo à trilha de Fairy Falls. Quando ela e sua filha voltaram as costas para o animal, preparando-se para a foto, elas ouviram-no se mover em direção a elas, e tentaram correr. Porém o bisão, que pode correr a 48 quilômetros por hora, obviamente conseguiu alcançá-las.

Esta mulher teve sorte; embora tenha sido derrubada pelo bisão, ela sofreu apenas ferimentos leves.

Rancheiros x conservacionistas

Há um confronto tradicional entre rancheiros e ambientalistas, sobretudo nos Estados Unidos.

“Não se trata de um embate entre proteger a vida selvagem ou a indústria da pecuária, e sim de controle de doenças e proteção dos nossos rebanhos da terrível e contagiosa brucelose”, declarou Bob Hanson, presidente da Federação Montana Farm Bureau, em um comitê que discutia as ações tomadas pelo estado com relação aos bisões selvagens.

Por outro lado, os conservacionistas dizem que os temores são infundados – cientistas apontam que nunca houve casos confirmados de bovinos que contraíram brucelose a partir de bisões que vagavam fora do parque.

Uma petição sugere que o governo transfira esses animais do Parque Nacional de Yellowstone para outras terras públicas e tribais do Oeste americano. No entanto, essa não parece ser uma saída adequada para animais que estão em seu habitat há séculos, e apenas confirma um jogo de interesses por parte dos pecuaristas da região.

Fonte: ANDA