«HÁ TRADIÇÕES QUE MERECEM SER EXTINTAS…»

Excelente artigo de opinião de Rui Pereira (Professor Universitário e ex-ministro da Administração Interna) sobre a “queima do gato” e os maus tratos aos animais em Portugal

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«Apresento uma declaração de interesses: gosto de animais em geral e de gatos em especial. Tal como Borges, creio que o gato é um sinal de indulgência dos deuses: a réplica de um tigre, cujo dorso “condescende à morosa carícia da minha mão”.

Por isso, fiquei chocado com a notícia de que em Vila Flor, no “nosso” Trás-os-Montes, há quem se divirta queimando um gato vivo. Se é tradição, comprova-se mais uma vez que há tradições que merecem ser extintas.

Conheço bem o vasto arsenal de argumentos contra o reconhecimento dos direitos dos animais: não têm personalidade jurídica e não podem estar vinculados a deveres; fazem parte da nossa cadeia alimentar (pelo menos, da maioria); só alguns suscitam sentimentos de compaixão – sim, os cães, os gatos e os cavalos, mas não tanto os répteis, os insetos ou os peixes; e são um pretexto para nos esquecermos da solidariedade que devemos aos nossos semelhantes.

Porém, estes argumentos são falaciosos: um recém-nascido também não está sujeito a deveres, mas tem direitos; não ser vegetariano não impede ninguém de discordar de que se inflija sofrimento desnecessário aos animais (quanto ao resto, a carne é fraca, como mostrou Torga, ao descrever o sofrimento moral de um cão enquanto rilhava os ossos do falecido amigo galo); nem todos os animais são iguais – a melga não tem projeto de vida nem sente prazer ou dor.

Mas o argumento mais irracional é o que postula que gostar de animais nos impede de amar os seres humanos. Tal como a memória, o amor não se gasta, tem uma natureza expansiva. O que é necessário é saber graduar a importância dos objectos da nossa afeição.

Não seria aceitável que o recém-criado crime de maus-tratos contra animais (prisão até um ou dois anos) merecesse pena idêntica à cominada quando a vítima é uma pessoa (prisão até cinco ou oito anos).

Justifica-se, pois, a criminalização. Mas é necessário melhorar uma lei com flagrantes erros técnicos, a começar pela vaga definição de “animal de companhia”.

As normas devem ter em conta o valor vital dos animais e o significado desvalioso do seu sofrimento inútil – e não, numa perspectiva antropocêntrica, a companhia que nos fazem.

Afinal, um gato sem dono pode ser torturado? E, já agora, poderá haver legítima defesa em nome do animal ou só do dono?»

Fonte:

http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/rui_pereira/detalhe/a_queima_do_gato.html?printpreview=1

Via Basta de Touradas

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«Os animais selvagens nunca matam por divertimento. O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte dos seus semelhantes são divertidas por si.» James Froude

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Repare-se na expressão da CRIANÇA que assiste a esta violência e crueldade apoiadas por uma lei que não a protege dos danos psicológicos que a acompanhará para o resto da vida, ao interpretar esta cena como algo absolutamente normal…

Fonte: Arco de Almedina

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A palavra tradição assusta-me.

Caça à baleia nos Açores

A tauromaquia em Portugal

Todas as vezes que ouço ou leio a palavra Tradição, assusto-me. Este argumento arrepia-me.

Estamos em pleno Seculo 21. E em pleno Seculo 21, ainda existem diversas práticas, com a justificação de que são tradições. Vou deixar alguns exemplos:

Matança de baleias no Alasca.
Matança de baleias pelo Japão.
Matança de baleias e de golfinhos em Taiji, no Japão.
Matança de baleias e de golfinhos nas Ilhas Faroé, na Dinamarca.
Matança de cães e gatos para comida, em alguns países Asiáticos.
Tauromaquia em Portugal; Espanha; sul de França, e alguns países da América Latina.

Todas estas práticas e muitas outras, ainda existem, em pleno Seculo 21, sobre a justificação de que são tradições. E que como são tradições, têm de continuar.

A barbaridade, o assassinato de seres sensíveis, não tem justificação, muito menos a justificação de que por ser tradição tem de continuar.

No passado, há muitos séculos atrás, era tradição cortar cabeças; queimar pessoas vivas; chicotear pessoas em publico. Todas estas tradições morreram. Mas o homem não aprendeu com estas práticas do passado. O homem não aprendeu que não pode fazer a outros seres sensíveis, o que não gostava que fosse feito a si próprio.

Todas as práticas bárbaras para com outros seres sensíveis, que ainda existem, com o pretexto de que são tradições têm de acabar totalmente. E não poderá haver qualquer rasto delas.

No que diz respeito a Portugal. No passado, mataram-se baleias nos Açores. Era tradição matar-se baleias nos Açores. Mas esta tradição morreu.
No entanto, ainda se mantem em Portugal, uma prática brutal. Uma prática bárbara. Uma vil prática, chamada Tauromaquia. Mas a esta prática, vai acontecer o mesmo que aconteceu com a matança de baleias nos Açores, o fim. Vai desaparecer totalmente, em Portugal.

As verdadeiras tradições, são aquelas que não prejudicam o bem-estar, a vida de seres sensíveis, humanos e não-humanos. Essas sim, são nobres tradições, e a sua continuação, só enriquecem.

Todas as outras práticas, que sobre o pretexto que são tradições, prejudicam o bem-estar, a vida de seres sensíveis, humanos e não-humanos, a sua continuação não tem qualquer justificação. O caminho, para todas essas práticas, é o desaparecimento total!

Mário Amorim