«AS BANDARILHAS DA VERGONHA I 2018»

Um excelente texto de André Filipe Marques, Membro de Açores Global e Respeito pelos Animais, para se reflectir sobre a iniquidade das touradas.

(Os excertos a negrito são da minha responsabilidade (IAF)

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Origem da imagem: Internet

Texto de

André Filipe Marques

«A tourada que decorre numa espécie de santuário público, no qual toureiros e cavaleiros estimulam um touro bravo a lutar até à morte, forma parte de um espectáculo bárbaro, próprio de quem não é polido, cortês, por todo o mundo, em todo o mundo.

Numa época em que habitamos um país que apela à civilização, ao respeito recíproco, à merda de um simples cumprimentar, a tudo o que é relativo a mutualismos, o planeta continua a acreditar – inocente ou não – que a tourada é um meio exequível, que pode ser um espectáculo feito de forma transparente, um meio de transporte de segurança para a cultura de um povo, ou de novas gerações.

Agasta-me a farsa abundante e patenteada no rosto dos que produzem movimentos de desconsideração perante um animal que está irremediável perdido, os cornos presos por um fio, a falta de escrúpulos ligada a uma violência desmedida que mais não é um acto presunçoso de enaltecimento, elevado às nuvens.

Assusta-me verdadeiramente o capítulo principal da tourada. Custa-me, de morte, assistir à preparação de um final inglório; de um animal privado de comida, de água, de vida. Da simples vida, o tal direito pertencente. O suportar de uma cessação produzida, devidamente caracterizada, com roupas finas e sapatos caros. Efectivamente, um ser humano que está preparado para matar, e vê no acto a fórmula sem erros de viver, é capaz de cometer outras mais atrocidades contra a vida existente, com olhos vermelhos de raiva e boca a salivar, desejosa.

Infelizmente somos um povo de estrangeirismos, um povo de injecções, um povo de pouca ou nenhuma originalidade, competência. A Espanha o que é devido, por favor. A Portugal o que é de Portugal, por favor.

O deputado André Silva afirma à Agência Lusa que “O nível de rejeição é enorme por este espectáculo que vive da tortura. Estamos prontos, enquanto sociedade e país evoluído e progressista, para rejeitar que mutilar e rasgar a carne de um animal, fazê-lo cuspir sangue, seja uma tradição cultural.”

Reforço, uma e outra vez, que um ser humano que está preparado para matar, e vê no acto a fórmula sem erros de viver, é capaz de cometer outras mais atrocidades contra a vida existente, com olhos vermelhos de raiva e boca a salivar, desejosa.»

Fonte: Arco de Almedina

 

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«O FIM DAS TOURADAS: UMA SEMENTE PARA A REVOLUÇÃO»

Um excelente texto, da autoria de Granado da Silva, onde se põe completamente a nu todas as manigâncias que sustentam o negócio do divertimento à custa do sofrimento de Touros, Cavalos, Cães e Seres Humanos para que uma pequena parcela dos maiores parasitas da sociedade portuguesa, incluindo membros da classe política, possam circular por aí nos seus Ferraris e Porches.

Neste texto, fica bem claro nas entrelinhas, o que motiva os parlamentares portugueses a votarem contra a Abolição das Touradas em Portugal.

Vivemos a ilusão de uma Democracia. Uma Revolução, precisa-se!

(Isabel A. Ferreira)

ABOLIÇÃO da tauromaquia em Portugal e no Mundo


O fim das touradas: uma semente para a revolução

O que representa realmente a Tauromaquia?

“A ligação entre violência sobre pessoas e violência sobre animais está bem documentada na comunidade científica internacional. Na sua forma mais simples: A violência contra animais é um indicador de que o agressor se pode tornar violento contra pessoas, e vive versa. O abuso é abuso não interessa de que forma ou de quem é a vitima.” 1

 Quando pensamos em touradas, a imagem mais comum é a violência na arena sofrida pelo touro. É sem dúvida o touro que acaba a sofrer mais, mas não é de forma alguma este o único animal a ser humilhado e torturado em prol dos aficionados. Se são os touros que todos os anos sofrem e morrem às centenas em nome da tradição, são também os cavalos a ser violentados, usados como autênticos “tanques” na arena. Aqui no entanto, vamos falar também de mais um animal vítima da tradição… Nós. Vamos falar de como a tradição das touradas nos afecta, como indivíduos numa sociedade entendida como livre e igualitária. Vamos falar das ramificações da tourada, do que representa e vive a Tradição Tauromáquica cujos aficionados defendem com declarado amor, esmero e violência.
Na Europa, Espanha, Inglaterra, Portugal e França são focos de um gradual ressurgimento da tauromaquia e, por arrasto, da classe que dela vive. Este ressurgimento não é fruto de um crescente interesse das populações na prática, mas sim resultado da cumplicidade e interesses partilhados por uma minoria que permeia as elites destes países e que crescentemente se imiscui nos processos de decisão política. Um cúmplice destacado neste processo é hoje tão-somente o Comissário do Ambiente e Energia na Comissão Europeia. Miguel Arias Cañete foi nomeado para o cargo em 2014, apesar de ser accionista em duas empresas de petróleo, meros meses após ter sido o cabeça-de-lista do PP espanhol ao Parlamento Europeu. No contexto da candidatura surgiu relacionado no caso “sobresueldos”, uma cabala para esconder dinheiros (300 mil euros) do seu partido. Cañete não chegou a este posto por acaso. Com um longo percurso no aparelho partidário do PP, entre 2011 e 2014 foi Ministro da Agricultura, Alimentação e Ambiente no governo de Mariano Rajoy, tendo antes, entre 2000 e 2004, sido Ministro da Agricultura e Pescas no último governo Aznar.

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Cañete é cunhado por casamento do ganadeiro Juan Pedro Domecp (Ganadeiro de touro bravo para Lide e Cavalos). A sua ligação à tauromaquia manifesta-se ao longo da sua carreira política e governativa de forma clara. Em 2001, em defesa do interesse da nação (e seu e de sua mulher, filha dos marqueses de Valência e restante família tauromáquica), Cañete escusa-se do Conselho de Ministros que aprovava um decreto-lei preparado pelo seu ministério sobre apoios à raça bovina de lide (touros de arena). Nesse mesmo ano Rajoy delega-lhe a pasta de apoio ao sector taurino. Foi Cañete a forçar em Espanha a PAC (Política Agrícola Comum), que entre 2014 e 2020 pretende subsidiar com 47 mil milhões de euros o sector agro-pecuário, que em muito beneficiará a ganadaria. Sem surpresa, o seu nome apareceu relacionado com o branqueamento de capitais no mesmo sector (entre outras coisas, no fabrico de pensos para animais e criação de galinhas), estimado em 2 mil milhões de pesetas (cerca de 12 milhões de euros). É este o curriculum imaculado do actual Comissário do Ambiente e Energia da Comissão Europeia. Isto sim é uma tourada.

Voltando o olhar para Portugal, estima-se que 16 milhões de euros são disponibilizados directamente no apoio à tauromaquia. Porquê? As touradas desde os anos 80 estão em decadência. Nos últimos 10 anos o número de touradas e espectadores tem vindo a diminuir consistentemente 2 e sem o apoio de dinheiros públicos, não seriam as cerca de 60 praças permanentes – com uma média de 3 espectáculos por ano – que manteriam viva a tradição, ou que sustentariam a boa-vida das famílias destacadas da tauromaquia. Assim percebe-se melhor a necessidade de consolidar a tauromaquia, “um dos pilares da nação portuguesa”, como um valor cultural, património nacional e internacional, a ser preservado ou, dito de outra forma, subsidiado.
“Neste momento, e mesmo para uma primeira figura, é difícil viver só de toiros… E quem disser o contrário, digo-lhe já que não é verdade!” 3
À luz da crescente crise que vivemos, tendo em conta as dificuldades de agricultores e da população em geral em aceder a serviços essenciais como a saúde, com a falta de condições nas escolas, falta de apoio a cooperativas e grupos artísticos de teatro, dança, aos saberes tradicionais, a grupos e associações de apoio social, etc, o apoio à tauromaquia é de uma prepotência desumana.
Para além dos apoios directos, a União Europeia e o Estado português oferecem dinheiro a ganadeiros de outras formas, dinheiro esse que é frequentemente investido em indústrias paralelas e rentáveis: a criação de bovinos para a indústria agro-alimentar e de curtumes, a produção de cereais usados na confecção de rações ou o turismo rural. Com a desculpa de que sem as touradas os touros entrariam em extinção, os ganadeiros, entre outros apoios, recebem através da Associação de Agricultores e da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide dinheiros abrangidos pela “Estratégia para a Conservação e melhoramento das Raças Autóctones“. Enquanto para se proteger águias, lobos, ou o lince Ibérico, para citar apenas alguns animais selvagens ameaçados, é tantas vezes necessário depender da indústria privada – muitas vezes directamente responsável pelos riscos e destruição de ecossistemas que ameaça esses animais – face ao parco financiamento público para a sua protecção, é a indústria de exploração tauromáquica que, ironicamente, recebe dinheiros públicos, para “manter os toiros vivos“.
Em 2010, a então Ministra da Cultura de Portugal, Gabriela Canavilhas (PS), criou uma secção especial dedicada às touradas no Concelho Nacional de Cultura. No âmbito do trabalho da mesma, os Tauromáquicos além do dinheiro que recebem, passam a poder ir a escolas preparatórias promover junto de crianças a sua tradição sanguinária, com os intrínsecos danos nocivos para o crescimento equilibrado de qualquer ser humano e que, numa sociedade em crescente fragilização, contribuem certamente para a normalização da violência, de comportamentos agressivos, nomeadamente para com outro seres humanos. Não faltam indícios disso mesmo. Em 2012, o toureiro Marcelo Mendes, investiu com o seu cavalo sobre manifestantes anti-tourada, na localidade de Torreira. Em 2014, um carro com forcados atropelou manifestantes na praia de Mira. A violência não é novidade entre elementos da tauromaquia. Em 2003 durante uma largada de vacas no concelho de Montemor, os forcados de Montemor provocaram cenas de pancadaria. Segundo o presidente da junta de Lavre, localidade onde se realizava a largada: “Foram eles que provocaram tudo. São uns arruaceiros. Onde quer que vão armam violência e são protegidos por serem das famílias influentes da zona (…) Acho que já é tempo de serem punidos”. Em 2009, o mesmo grupo envolveu-se em cenas violentas com seguranças da discoteca “Praxis” em Évora. Em 2011, vários focados envolvem-se em pancadaria nas bancadas do Campo Pequeno e no ano seguinte, forcados envolvem-se em desacatos na discoteca “Kapital” na Terceira.
Em 2013 foi notícia uma rixa envolvendo forcados nas festas de Alcácer do Sal, que resultou numa agressão com arma branca. Ainda em 2013, o forcado Carlos Grave agrediu um socorrista da Cruz Vermelha no Campo Pequeno, por este ter fugido de um touro, enquanto socorria um outro forcado. Em 2013, em França, após quase dois anos sem manifestações, um grupo anti-touradas invadiu uma praça de touros em Rion-des-Landes. A reacção dos aficionados fez jus à violência cega da sua tradição e o resultado foram oito feridos. Um deles, em estado grave devido à brutalidade das agressões, teve de ser induzido a um estado de coma artificial. Já em 2011 uma acção com o mesmo objectivo tinha acabado em violência extrema. As imagens que correram as redes sociais são disso exemplo. Os aplausos que se ouvem quando o touro é torturado, são os mesmos que se ouvem enquanto cavaleiros, ganadeiros e aficionados agridem os manifestantes, indefesos, no meio da arena. O modo como a população de Barrancos defende o “Touro de Morte“ e as agressões de que foram alvo alguns activistas, nas barbas da polícia, a facilidade com que se mudaram leis, para tornar legal a chacina que se repete em Barrancos todos os anos, deve preocupar qualquer pessoa vinculada com a ideia de uma sociedade justa. Depois de Barrancos, várias localidades exigem o mesmo direito a matar o Touro aos olhos do público. O caso das touradas em Viana do Castelo, município que se declarou anti-tourada, é um perfeito exemplo da arrogância dos tauromáquicos e do modo como encaram a vontade popular e seus representantes democráticos.

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“O homem que mata animais hoje, é aquele que mata as pessoas que atrapalham o seu caminho amanhã” – Dian Fossey

A tradição de que origina a tourada reflecte (e deriva de) alguns dos piores elementos da história humana: a exploração do outro e do meio natural, a glorificação da guerra e do militarismo, o autoritarismo e perversidade de modelos de organização social que pressupõe a superioridade de uns, sobre a maioria dos outros. Na sua génese podem estar práticas ancestrais, mais ou menos disseminadas, mas cuja antiguidade e ritualização não podem esconder ou justificar a sua violência e crueldade. Essas práticas, gradualmente despidas com o passar do tempo, do seu carácter “mágico” ou espiritual, cristalizam-se em “espectáculos”. Essa transição é visível através da história Europeia. Um elemento característico da vida da aristocracia europeia era o ócio, maligno, que os levava a buscar diversões: jogos e torneios vários, sendo um deles o “Torneio de Animais”. Os primeiros confrontos nestes torneios consistiam em lutas entre cães, animais selvagens e touros. O “bullfighting” da aristocracia inglesa do século XV, perdura até hoje, como comprovado pelas fotos publicadas na internet pelo cavaleiro João Moura em 2014, onde se pode ver 5 cães atiçados a um vitelo, com a intenção de os publicitar para posterior venda. No século XVIII (que tanta nostalgia traz aos ganadeiros e cavaleiros) os “pretos“ foram acrescentados aos animais que entravam na arena do “Circo de Animais”. Em dias de festa brava, o racismo era alimentado a touros e escravos, como confirmado por uma notícia no Diário do Governo nº 232, de 1844, sobre uma tourada na cidade da Nazaré, onde se pode ler: “…alguns homens pretos foram ali tratados com estrema barbaridade. (…) A maior parte dos membros da câmara sabia o que se praticava com estes infelizes nas praças de touros, onde eram tractados peior do que os animais”. Esta forma de torneio, a “Tourada”, enquadrava-se já nas vidas dos cavaleiros, permitindo o treino da equitação. Assim, a classe cavalheiresca começou ela própria a desafiar o touro sempre montada a cavalo, fazendo apresentações em celebrações e outros eventos. Casamentos reais, vitórias militares e acções religiosas eram assim “enobrecidos”.
A história europeia fornece inúmeros exemplos destas práticas, como por exemplo durante a coroação de Afonso VII de Castela e Leão no contexto da qual muitos animais terão morrido, ao ponto de se começar a registar o número de touros mortos como medida da grandiosidade do evento. Mais tarde, já no século XVIII, este tipo de torneios ganha um novo âmbito, tornando-se também uma diversão para os trabalhadores das quintas dos senhores. Foi neste momento que se consolida a tourada a pé (Forcados). Segundo José Rodriguez (Pepete), toureiro do século XIX, “grande parte destes novos participantes trabalham nos matadouros ou nas criações de gado dos senhores”. A Tourada também conheceu resistência, tendo sido proibida por Papas e monarcas, mas quando Ferdinando VII ascende ao trono de Espanha, a actividade volta a crescer em popularidade.
Voltando ao presente, Viana do Castelo, depois de ser a primeira cidade do país a declarar-se anti-tourada, enfrenta uma guerra aberta, antidemocrática, por parte do “lobby” para forçar as touradas na cidade. A câmara local comprou a praça existente para a tornar, como centro de Ciência Viva, num espaço de real cultura. Os aficionados querem a praça de volta, e têm realizado touradas na periferia da cidade, utilizando uma praça móvel, montada em terrenos privados. Desta mesma prepotência – voltando também à questão dos apoios – existem dezenas de exemplos. Um pouco por todo o país, onde existem praças fixas, os tauromáquicos exigem dinheiros públicos para as renovar e museus para “iluminar” a sua cultura.
Cavaleiros e ganadeiros parecem desejar recuperar o lema do coliseu Romano: “Pão, (Deus) e Jogos”. Hoje convertido em “Touros, (Fado) e Futebol”, é sob esse lema, que a família tauromáquica se reúne e projecta planos para renovar a tradição. Foi num desses encontros que os aficionados das Caldas da Rainha divulgaram a intenção de reabrir o Museu Joaquim Alves. A Câmara Municipal guarda o espólio do museu, esperando por um local para o reabrir. Pedidos de museus tauromáquicos com dinheiros públicos ou apoios para os já existentes repetem-se por dezenas de cidades.
Esta atitude tem antecedentes que ajudam percebê-la. A arrogância de um grupo que se julga e sente melhor, a aristocracia, tem na classe tauromáquica um repositório e manifesta-se em atitudes e práticas. Muitos dos membros dessa classe, frequentemente oriundos de famílias “antigas” e mais ou menos endinheiradas, têm posições destacadas na comunidade que integram e consequente acesso ao poder político local, nacional e mesmo internacional. Isto ajuda a perceber a desproporcionalidade de representação dos interesses do que é efectivamente uma diminuta minoria. Isto por sua vez reflecte-se na acção de Juntas, Autarquias e do Estado.
Portugal, representado pela Liga portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida, que desde 2014 é membro da European & Mediterranean Horse Racing Federation, organiza várias corridas e promove sistemas de apostas online. Em 2004, o Ministério da Agricultura apresentou em Concelho de Ministros um diploma para facilitar a introdução do sistema de apostas em corridas de cavalos. A intenção era legalizar duas pistas no País, uma no Norte – a Maia rapidamente se colocou na linha da frente – outra no Sul, grande parte pago com dinheiros públicos.

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O Estado, ao serviço das elites, como criador de animais para lide?

Em 1908 a Ganadaria Real portuguesa enviou touros para lide na Cidade Real, em Espanha. Este foi o relato da ganadaria: “Seis catedrais! Nunca algum toureiro ou algum aficionado vira touros mais monstruosos. Deixaram 16 cavalos no chão”. A ganadaria criou touros a partir de vacas da família Vitorino Avelar Fróis, cobertas por animais de Infante da Câmara e outros criadores. Cem anos mais tarde as proclamações são menos bombásticas, mas o Estado português é criador de cavalos, muitos dos quais são vendidos, para procriação, para os desportos equestres ou para fins militares através da Coudelaria de Alter. Hoje integrada na Companhia das Lezírias SA, nos seus 800 hectares murados coexistem com o espólio equino da Coudelaria Nacional, do Alter e das Lezírias. Tem como missão expressa, em regime de serviço público, “a preservação do património genético animal da raça lusitana, quer na linha genética da Coudelaria Nacional, quer na linha Alter Real”. Curiosamente, em 2004, a Companhia das Lezírias (a maior exploração florestal e agro-pecuária do país),esteve para ser privatizada por Durão Barroso. Em 2014, a Ministra Assunção Cristas recusou a privatização da companhia e acrescentou: “Vamos potencializar o turismo equestre que é uma área de elevado potencial de desenvolvimento no nosso país”. Nesse âmbito, insere-se ainda a EPAE (Escola Portuguesa de Arte Equestre), que trabalha em estreita ligação com a Coudelaria do Alter. Fundada em 1979 e desde 2012 gerida pela Parques de Sintra-Monte da Lua SA, uma empresa pública fundada em 2000 para gerir a paisagem cultural de Sintra. A EPAE tem como função expressa “o ensino, a prática e a divulgação da Arte Equestre tradicional portuguesa” dando sequência ao “ensinamento e tradição” da academia equestre da Corte do século XVIII, a Real Picaria. Então como agora, o “ensinamento e tradição” estão intimamente ligados ao toureio equestre.
Assim, a preservação da “nobre” arte equestre, com o toureio no seu cerne, passou das mãos da Coroa para as do Estado. As rédeas, essas, estiveram sempre nas mesmas mãos, as da “Corte” montada em torno do que não deixa de ser uma indústria, que, bem subsidiada, mantém e gere vastas propriedades e negócios decorrentes. Basta ver que da Corte de então à de agora, muitos apelidos se mantêm para perceber que, despidos de títulos, muitos encontraram na “tradição” um veículo e sustentáculo de poder e influência.
A Quinta do Castilho por exemplo, pertence à família Infante da Câmara, que tem orgulhosamente como antepassado Nuno Tristão, um explorador e pioneiro, em meados do século XV, da venda de escravos pelos portugueses. Mais tarde, D. Emílio Ornelas Infante da Câmara, o então patriarca da família, foi uma das figuras proeminentes da agricultura ribatejana oitocentista, onde o Liberalismo assistiu à criação de uma burguesia agrária, naturalmente ligada à prática equestre. A quinta construída em 1914 durante a 1ª República tem hoje, entre outros serviços, espaços para eventos sociais. Uma das actividades de dinâmica de grupo é uma praça de touros onde se “pode assistir a uma demonstração do que é uma verdadeira corrida de toiros ou de cavalos puros Lusitanos”. Foi a família Infante da Câmara que inaugurou a praça de touros do Campo Pequeno, estando presente no seu Centenário em 1992.
Neste esboço, é possível começar a perceber que, ofuscadas pelo discurso simplista acerca de tradição, estão tensões antigas e relações de poder que em grande medida se mantêm. Está também um historial de exploração humana e animal. Esse discurso é usado pelas elites que dele beneficiam para justificar a instrumentalização de recurso e dinheiro público para beneficiar o que é na realidade um negócio. Frequentemente, os nobres de ontem são os defensores da tradição de hoje. Um pouco por toda a Europa do sul e em Inglaterra há “Cañetes” que em cargos mais ou menos elevados, favorecem os interesses da minoria a que pertencem. A “nobreza” das lides viveu e vive da pobreza das gentes, tanto quanto do sofrimento dos animais e portanto quando falamos de tauromaquia, não falamos apenas do triste espectáculo da arena, mas de toda uma realidade social, com raízes no latifúndio, na exploração e opressão. E ao combatê-la lutamos não só pelos animais, mas pelas gentes e em geral por um mundo um pouco mais justo e um pouco menos cruel.
Notes:
  1. Understanding the Link between Violence to Animals and People: A Guidebook for Criminal Justice Professionals. NDAA (National District Attorneys Association) (2014)↩
  2.  IGAC relatório da actividade tauromáquica Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩
  3.  Luís Rouxinol, Naturales – correio da tauromaquia ibérica, 2012. ↩
Por Granado da Silva
Fonte:

Deputados chumbam projeto do PAN para abolir touradas

Mais uma vez tenho razão.

Há muitos anos que falo.
O facto de não ouvirem o que há mais de 10 anos digo, foi o principal motivo do meu abandono do Facebook, em 2013.
Há mais de 10 anos, já era claro para mim, que da Assembleia da Republica jamais virá a abolição da tauromaquia, em resultado da força do Lobby taur-mafioso, no PS, PSD, CDS/PP, e PCP.
Mesmo isto para mim sendo claro; em 2011, criei uma petição para abolição das corridas de touros e a apresentei na Assembleia da Republica.
De lá para cá, o resultado foi sempre o mesmo; o chumbo. E a razão, sempre a mesma.
E hoje volta a acontecer o que era inevitável. E com isso, mais uma vez tenho razão. Só não percebo a teimosia, de não se perceber o que está na cara.

Não adianta. Repito; não adianta teimar-se com a Assembleia da Republica como tem sido feito. Irá continuar a suceder o mesmo.

E repito o que há mais de 10 anos digo.
Só a força do povo.
Só o clamor de muitas e muitas dezenas de milhar de pessoas, que é a voz do touro e do cavalo, um pouco por todo o país, em uníssono, tem a força necessária para derrubar a força do Lobby tauro-mafioso na Assembleia da República e abolir a tauromaquia. Está mais do que na altura de se deixarem de teimosia, e perceberem isto. O que mais precisam para o perceberem, depois do resultado de hoje..?

Mário Amorim


 

A abolição das touradas proposta pelo PAN ficou-se pela discussão na generalidade, com rejeição garantida da maioria do parlamento, que argumentou contra a imposição de uma vontade a parte significativa dos portugueses.

Deputados chumbam projeto do PAN para abolir touradas

O deputado do PAN, André Silva, afirmou que nenhum partido que se diz progressista e defenda que deve continuar a haver touradas pode dizer que “apanhou o comboio do progresso”, afirmando que para a maioria do parlamento, os “falaciosos interesses económicos” por trás da tauromaquia valem mais do que padrões éticos.

A mesma Assembleia da República que aprova legislação a condenar a violência sobre os animais admite que esta aconteça, desde que no contexto das corridas de touros, apontou.

O deputado socialista Hugo Costa manifestou a discordância com o projeto de “proibição radical” do PAN, cuja aprovação “levaria a conflitos desnecessários” e poria “portugueses contra portugueses”.

As touradas, defendeu, são reconhecidamente “parte da cultura popular portuguesa” e é “dever do Estado” proteger as manifestações culturais.

O social-democrata Joel Sá afirmou que o PAN quis “à pressa e sem cuidado impor à sociedade uma visão incompleta do mundo”.

O argumento do PAN de que a tourada está em declínio não é certo para o PSD, que questiona “então porquê abolir o que está em declínio?”.

As touradas são “um legado histórico, social e cultural”.

Da bancada do CDS-PP, Telmo Correia considerou que o PAN não tem o direito de querer impor a sua opinião a “populações inteiras” que têm na tourada “uma forma de vida do meio rural”.

A uma proposta com apenas três artigos, Telmo Correia respondeu “numa palavra, não”.

Dirigindo-se a André Silva, questionou a sua legitimidade para impor “hábitos lisboetas”, numa referência à origem da maioria dos votos que elegeram o deputado do PAN para a Assembleia da República.

Entre os deputados do CDS-PP há quem goste e quem não goste de touradas, mas ninguém quer proibi-las, acrescentou.

Pelos Verdes, Heloísa Apolónia reconheceu que as touradas são um espetáculo violento que implica sofrimento real e que já devia ter saído das transmissões televisivas e, mantendo-se as transmissões, deviam ser classificadas para maiores de 18 anos, propostas do partido ecologista que a assembleia chumbou.

O debate, a sensibilização e a consciencialização das pessoas são fundamentais “para que deixe de haver adesão generalizada a um espetáculo desta natureza”, afirmou a deputada, disponibilizando-se para deixar passar o projeto de lei do PAN à discussão na especialidade.

Maria Manuel Rola, do Bloco de Esquerda, afirmou que o partido admitiria discutir na especialidade a proposta, para lhes acrescentar as suas próprias ideias para resolver o problema do que viria depois da proibição.

O destino a dar aos animais a serem criados atualmente para as touradas é uma das questões que se coloca, afirmou, defendendo ainda o fim dos apoios públicos às touradas

“Leis minimalistas” trouxeram “consequências graves” no passado, disse.

Ângela Moreira, do PCP, considerou que o PAN “não admite outras culturas, identidades e tradições, só admite os seus padrões e quer impô-los”.

A abolição “pela lei e à força” das touradas entraria em “conflito direto com as populações”, que entrariam em confronto com as autoridades encarregadas de aplicar uma lei que não respeitaria “a diversidade cultural e a universalidade dos direitos”.

Fonte: SAPO24

Fórum TSF: As touradas devem ser proibidas?

O discurso dos TAURICIDAS, DOS PSICOPATAS TAUROMÁQUICOS, é sempre o mesmo. Mais parecem um CD riscado.

Por exemplo; enchem a boca com liberdade. A nossa liberdade começa quando termina a liberdade dos outros; dizem. E agora pergunto; onde fica a liberdade do touro e do cavalo, de não serem barbaramente torturados, física e psicologicamente para gáudio deles, onde fica? – Pois é; da liberdade do touro e do cavalo, nunca, mas nunca falam. Isto tem um nome; hipocrisia!

Ouçam os TAURICIDAS, PSICOPATAS TAUROMÁQUICOS neste fórum da TSF e vão ver o quão hipócrita é. Aliás; como é sempre!

E já agora; os TAURICIDAS, PSICOPATAS TAUROMÁQUICOS, ASSASSINOS, não gostam da verdade. Temos pena!
A verdade é que vocês são TAURICIDAS, SÃO PSICOPATAS, SÃO ASSASSINOS. Se não o fossem, não fariam o que fazem ao touro e ao cavalo, nas praças de touros. Deixariam que eles vivam em paz e sossego, no campo, na natureza, desde o seu nascimento à sua morte!

Mário Amorim


FÓRUM DA TSF

Parlamento Tendência interna do CDS quer partido a defender touradas

Corrente de opinião quer pressionar Cristas antes da votação sobre o fim das corridas no Parlamento.

Há quem goste de ver touradas e se retraia por causa do sofrimento dos animais. O pensamento até já foi admitido publicamente pela líder do CDS, Assunção Cristas, e é para contrariar essa atitude que a Tendência Esperança em Movimento (TEM), corrente interna do partido, organiza no dia 28 uma conferência sobre o tema. Objectivo: pressionar o CDS a assumir uma posição clara a favor das corridas de touros, a uma semana de uma votação no Parlamento para acabar com as touradas ou com o seu financiamento público.

Crítica de algumas posições assumidas por Assunção Cristas, a TEM elogia o empenho da líder do CDS contra a eutanásia. E era essa a posição clara que a TEM, a única corrente oficializada no CDS, gostaria de ver assumida pelo partido sobre as corridas de touros.

A poucos dias da votação dos projectos do PAN e do BE – marcada para dia 6 de Julho – , a TEM promove uma conferência, na sede do partido, para tentar “desfazer mitos” sobre o espectáculo tauromáquico. Só foram convidadas figuras pró-touradas. “É aberta a todos. Não queremos que todos pensem como nós. Queremos que as pessoas fiquem esclarecidas, que decidam em consciência e assente na realidade”, afirmou ao PÚBLICO o porta-voz da tendência Abel Matos Santos. O democrata-cristão acrescenta um outro argumento: “Do outro lado os argumentos são falaciosos e manipuladores da verdade”.

Entre os convidados está Elísio Summavielle, ex-secretário de Estado socialista e actual presidente do Centro Cultural de Belém, que participa como aficionado. Já estão confirmados Hélder Milheiro, representante da Prótoiro, os cavaleiros Victor Mendes e Paulo Caetano, o veterinário e criador de touro bravo Joaquim Grave e o forcado José Fernando Potier.

Abel Matos Santos defende as touradas em Portugal como um legado histórico que o CDS tem de preservar e põe em causa a ideia do sofrimento do animal. “Quem for à conferência vai perceber que o bem-estar do animal é garantido na tourada. O touro e o cavalo realizam-se no espectáculo tauromáquico”, afirmou.

Em Março deste ano, Assunção Cristas disse ao Expresso ver as touradas “como um bailado” mas admitiu que, “se pensar muito muito, muito” no sofrimento do animal, terá pena. Mas há outros dirigentes que são aficionados e que defendem as corridas de touros.

As touradas associadas ao partido já foram uma tradição nos aniversários do CDS, mas deixaram de se realizar nos anos 90. Foi a Juventude Popular que quis retomar a tradição, em 2016, e organizou uma corrida de touros, embora tivesse o apoio “apagado” da direcção de Assunção Cristas, como na altura se queixaram os “jotas”.

O CDS vai ter de assumir uma posição no dia 6 quando forem votados os projectos de lei já entregues. A iniciativa do PAN determina a “abolição das corridas de touros em Portugal”, depois de 25 páginas de argumentação. O texto começa com um apontamento histórico, alegando que “a realização de touradas nunca foi consensual na sociedade portuguesa” e que, “ao longo dos últimos séculos, verificaram-se vários períodos em que praticamente deixaram de existir em Portugal”. No projecto, o PAN defende ainda que há um “declínio da indústria tauromáquica” e que é um sector inviável economicamente, referindo-se ainda ao impacto nas crianças e jovens, bem como ao sofrimento dos animais.

No caso do BE, os projectos de lei apresentados na Assembleia da República visam acabar com quaisquer apoios públicos às corridas de touros, não só em termos de financiamento, como também institucionais por parte da Presidência da República, Governo e autarquias. Os bloquistas defendem ainda que a transmissão televisiva das corridas só seja permitida entre as 22h30 e as 6h.

Fonte: Publico

É PREFERÍVEL APOIAR BÊBADOS DO QUE ACTIVIDADES TAUROMÁQUICAS

Recebido via e-mail, para reencaminhar e enviar o texto para os seguintes endereços:

scc@cntralcervejas.pt; relações.institucionais@centralcervejas.pt; serviço.cliente@centralcervejas.pt

C/C: info@animal.org.pt

SAGRES.png

À Administração da Central de Cervejas:

Exmos. Senhores,

Tenho constatado que a SAGRES / Central de Cervejas tem, apesar de muitos protestos ao longo dos anos, escolhido manter a associação da sua marca às touradas ao invés de ter o cuidado de o não fazer, sendo que, entre muitos outros apoios, figura, este ano, como patrocinadora da Feira de Maio da Azambuja, uma feira que promove a violência, uma vez que a tauromaquia é, apenas, violência.

Apesar de estes serem eventos aberrantes, proibidos em quase todo o mundo, à excepção de 8 países, considerados por um tribunal como cruéis e susceptíveis de influírem negativamente na construção e desenvolvimento da personalidade de crianças e adolescentes, de haver uma recomendação do Comité dos Direitos das Crianças da ONU que pede o afastamento de crianças e jovens de tais espectáculos, e de , cada vez, serem mais as pessoas que rejeitam este tipo de actividade, a SAGRES / Central de Cervejas não tem evoluído.

Vivemos numa economia de mercado, livre, em que há muita concorrência e em que, enquanto umas empresas se colocam comercial e publicitária do lado do que é violento e socialmente aberrante, como a SAGRES / Central de Cervejas está a fazer, outras há que se colocam do lado certo.

Assim, venho uma vez mais pedir a V. Exas. para que ponderem cessar o V. apoio a este tipo de actividade violenta e cruel, sob pena de, não o fazendo, boicotar totalmente as vossas marcas, preferindo outras concorrentes que se opõem a exercícios medievais e violentos como são as touradas!!

Quero acreditar que a V. empresa possa estar, hoje, mais aberta a mudar e a estar do lado da Ética, e, dessa forma, receber o apoio de muitos mais clientes, mudando a sua postura. Seria excelente que assim fosse e demonstraria uma postura respeitável e merecedora de todo o apoio.

Aguardando por uma resposta de V. Exas, que, espero, seja positiva, despeço-me,

Com os melhores cumprimentos,

Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

RAZÕES PELAS QUAIS AS TOURADAS DEVEM SER PROIBIDAS

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A legenda é bastante clara: as touradas são para imbecis.

Por que as touradas devem ser proibidas?

– Porque implicam de um modo incontestável o sofrimento gratuito de um ser vivo.

– Porque a tortura de animais é um crime que, de modo algum, não se discute.

– Porque apenas a um cretino pode ocorrer criar animais de forma intensiva sem outra finalidade que não seja a de os torturar publicamente.

– Porque ao contrário do que afirmam os tauricidas, a vida do “touro de lide” no campo está longe de ser idílica.

– Porque essa indescritível tortura tem uma duração de 20 minutos.

– Porque enquanto muitos picam o Touro e lhe rasgam os músculos do pescoço para que a “vedeta” possa exercer a sua “arte”, muitos vão para a tasca beber cerveja.

– Porque implica truncar a vida de um ser vivo com apenas ¼ da sua vida natural vivida, apenas para divertimento de um público dotado de um manifesto mau gosto.

– Porque os Touros são mutilados, manipulados e drogados para uma aberrante e inaceitável exibição.

– Porque apesar de o “espectáculo” se basear na filosofia da luta “nobre” do homem contra o animal, a realidade é que se trata de uma perseguição de vários cobardes com armas brancas contra um animal indefeso.

– Porque ainda que muito aleatoriamente, o Touro consiga ferir ou matar um dos seus verdugos nessa “nobre” luta, jamais estes reconhecem a vitória do animal, e matam-no da mesma forma.

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1211139638998733&set=gm.973771429389709&type=3&theater

Fonte: Arco de Almedina