«A DOR DOS CAVALOS – DOR SILENCIADA ATÉ À MORTE»

Os abusadores e montadores de Cavalos não sabem (como poderão saber se não lhes vêem a expressão de dor?) o quanto os Cavalos sofrem ao serem montados.

Atente-se na expressão desesperada deste Cavalo utilizado numa corrida… Se ao menos o animal homem da espécie horribilis tivesse inteligência para se colocar no lugar destes magníficos animais, eles poderiam viver felizes, em liberdade, como merecem…!

https://i0.wp.com/c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5902a7f9/20209246_NzaJv.jpeg Origem da foto: http://odeiorodeio.com/site/corridas-de-cavalos/ onde encontram uma reportagem completa sobre as ignominiosas corridas de Cavalos.

Sônia T. Felipe (***) estudiosa desta matéria, escreveu um texto no Facebook onde deixa muito claro, o que para muitos de nós é absolutamente óbvio, mas que os cegos mentais se recusam a entender.

Diz-nos esta doutora em Filosofia Moral que nem tudo o que causa profunda dor aos Cavalos, usados para tracção e atracção turística, ou para serem montados, pode ser visto através de uma fotografia, como a que ilustra este texto.

As fotos mostram muitos sinais que evidenciam a tortura sofrida pelo animal. Mas há lesões internas que as fotos não podem mostrar, e são precisos exames médicos, como a endoscopia, cintilografia, radiografia e outros testes neurológicos, para se comprovar a aflição desses animais sensíveis, inteligentes e racionais, provocada pelas úlceras estomacais.

Só exames mais específicos podem constatar a agonia deles por respirarem pela boca e com a garganta seca (por causa do freio que pressiona a língua e não os deixa engolir normalmente a saliva), levando para dentro do pulmão as partículas de poeira, aspiradas na marcha rápida.

Só exames radiográficos e similares podem constatar as hemorragias pulmonares, causadas pelo esforço extraordinário de puxar cargas ou da velocidade, no caso das corridas.

Só exames cuidadosos podem conferir as inflamações e dores de artrite e artrose, dos nervos e tendões, das cartilagens que formam as patas.

Enfim, só exames mais específicos podem localizar as lacerações na pele, originadas pelas chicotadas, pelos paus e correias e esporas que fazem fricção nos seus corpos quando puxam cargas ou são montados.

Sônia T. Felipe refere ainda que a agonia dos cavalos e das éguas é infinita. Quase não há uma parte do corpo deles, quando são usados para tracção e montaria, que não fique lesada e não lhes cause imensa dor.

Apesar de parecerem fortes e resistentes, os Cavalos têm um corpo extremamente delicado. São seres vivos que têm um organismo extraordinariamente sensível e vulnerável, quando escravizados e privados da liberdade que o seu éthos equino requer, explica Sônia T. Felipe.

Todos os seres vivos têm o seu próprio éthos, ou seja, do ponto de vista antropológico, o éthos constitui os traços comportamentais que nos distinguem uns dos outros.

E de acordo com esta cientista, éguas e cavalos, vacas e bois, não expressam a dor, pois evoluíram com inteligência e sensibilidade para saberem que se o fizerem, mesmo os condenados à escravidão, através da subjugação humana, quando tentam domá-los, serão literalmente mortos pelos seus predadores mais perigosos: os animais humanos.

Segundo ainda Sônia T. Felipe, sai mais barato comprar um cavalo novo para substituir o cavalo desgastado pela tortura a que é submetido, do que pagar tratamentos para tantos males que o processo de domesticação e a escravidão lhes causam.

A morte é o destino do animal que expressa a sua agonia infinita. E esta agonia só é “vista” pelo animal humano no dia em que os equinos (cavalos ou éguas) caem mortos, ainda atados aos apetrechos das carroças ou charretes que puxam à custa de toda essa dor e do tormento que os abate no meio da rua. E o feitor dessa escrava ou desse escravo pensa que essa morte foi sem aviso prévio. Não foi.

Assegura Sônia T. Felipe que o animal deu bastantes avisos de que estava doente e sofredor. Mas a mente e a linguagem humanas são demasiado atrofiadas para captar e traduzir os sinais da dor e do sofrimento emitidos pela linguagem equina.

E pensar que há milhares de anos o homo horribilis tortura estes seres magnificamente divinos, sensíveis, afectuosos e também racionais…

 

(***) Sônia Teresinha Felipe é doutorada em Filosofia Moral e Teoria Política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, professora da graduação e pós-graduação em Filosofia; e do doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil), orientou dissertações e teses nas áreas de teorias da Justiça, Ética Animal e Ética Ambiental.

É pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, e é autora de Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas, Edufsc, 2007; e Por Uma Questão de Princípios, Boiteux, 2003.

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10205330225036712&set=a.10202202604128144.1073741827.1280753559&type=3&theater

Fonte: Arco de Almedina

 

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PONTE DE LIMA QUER HIPÓDROMO PARA MASSACRAR CAVALOS

Não basta a vaca das cordas para colocar o nome de Ponte de Lima no rol das localidades com um relevante atraso civilizacional?

Ao cuidado do PAN…

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Os Cavalos são seres magníficos, extremamente sensíveis, não nasceram para ser montados, e sofrem horrores quando os usam para tal

É inacreditável que ainda haja criaturas que acham (pois pensar não sabem) que os Cavalos nasceram para servir o “homem”!

O presidente da câmara de Ponte de Lima quer que o actual governo, liderado pelo PS, dê luz verde a um projecto iniciado pela anterior legislatura, que incluiu a legalização de apostas e a abertura de concursos para a construção de hipódromos pelo país.

Quando o resto do mundo se bate para acabar com as terríveis corridas de Cavalos, onde estes são sacrificados, maltratados barbaramente, por vezes até à morte, Ponte de Lima quer juntar à parvoíce da vaca das cordas a exploração de Cavalos para corridas, com apostas. Uma prática absolutamente selvática, como irei demonstrar.

Para todos aqueles que não sabem o que os cavalos SOFREM, aqui deixo um texto científico da autoria de Sônia T. Felipe ***, e se depois de o lerem continuarem a ignorar, é porque realmente têm o sadismo no seu ADN, e optam pela ignorância.

SE AMAM OS CAVALOS NÃO OS MONTEM

«Não existe montaria sem sofrimento para os Cavalos, quer o montador tenha consciência da agonia e tormento do Cavalo, seja bondoso, ou um psicopata que “ama” tanto o seu Cavalo a ponto de odiá-lo e chicoteá-lo quando não consegue fazê-lo entender o que quer.

O que importa é o que o corpo e o espírito do Cavalo sentem, quando há qualquer “disciplina”, “domar”, “quebra” e “castigo”. O Cavalo sempre sofre. A única forma de ele não sofrer é não ser montado nem encilhado. E, não sendo montado nem encilhado, não há desporto de qualquer tipo: bigas, troikas, corridas em plano raso, vaquejadas, rodeios, olimpíadas, polo, cavalhadas e tudo o que hoje existe, porque o Cavalo paga, com a sua dor e não raro com a sua vida, o gozo de quem o monta.

Quando leio e escrevo sobre a agonia dos Cavalos, concentro-me nos Cavalos. E faço-o, exactamente, porque quem os monta e lhes passa o freio (o ferro) sobre a língua nunca pensou nem entendeu nada de anatomia e fisiologia de Cavalos. Pode até ter tido muita aula prática de equitação, mas não teve luz alguma sobre o que se passa debaixo do seu traseiro, bem acomodado sobre o lombo de outro animal, tão ou mais sensível do que aquele que o monta.

Se eu escrever uma linha dizendo que há pessoas boazinhas com os Cavalos, todas, leia-se, todas as pessoas vão se concentrar nessa linha.

Mas só existe um tipo de pessoa boa para os Cavalos: a que não os monta. A que cuida deles e os deixa viver a seu modo, em paz, sem a agonia dos ferimentos invisíveis aos olhos dela e também de quem os monta.

E os Cavalos, na manhã seguinte, continuarão a ser montados, e a terem o ferro cruzando a sua língua, e a receberem chicotadas, a terem uma sela amarrada sobre o seu lombo para carregarem uma sedentária ou um sedentário, por horas a fio, sobre a sua coluna, sofrendo, no galope, cada golpe do peso de quem os monta e da sela que nunca é desenhada para respeitar a singularidade do corpo dos animais.

O Cavalo sofrerá tudo isso às mãos de quem se classificou como pertencendo ao grupo das que “amam” Cavalos.

Quem os ama não os monta.

Escrevo para o animal. É o meu dever. Quem não coloca freio nem cabresto, não coloca sela, não usa esporas, não usa chicote, quem controla o animal apenas se comunicando com ele, sem qualquer meio repressivo e doloroso (só os Nevzorov sabem fazer isso!), não precisa de se magoar com o que escrevo.

E quem faz tudo de mal ao Cavalo, em nome do “amor” que tem por ele, deve ir para um analista. Os Cavalos não são seres masoquistas. Se estão com um sádico montado no seu lombo, é porque o sádico é um psicopata, quer tenha consciência de si, quer não. Usou freio, rédeas, esporas e chicote, é sessão de sadismo puro. Mesmo que a pessoa não veja toda a dor que causa.

Há muita gente que “ama” o seu cão de estimação. Ama tanto que o condena à prisão perpétua e à solidão. Tranca-o no apartamento sozinho a semana toda, de manhã até à noite, para ter algo vivo à sua espera quando chega exausto do trabalho ou das noitadas. Isso não é amor. É escravização. É privação. É condenação.

E quem está sentado atrás da cabeça do Cavalo não vê a dor dele. E a dor que ele sente dentro da boca é indescritível. E a dor de uma úlcera também é indescritível. E a de uma pata lesada, idem. E a dor do pulmão, pelo esforço extraordinário de puxar uma carga morta ou levá-la sobre a coluna, idem.

E exactamente por serem indescritíveis todas as dores do Cavalo é que ele obedece. Porque o seu instinto evoluiu para não gritar de dor, pois, na natureza, o Cavalo, assim como a Vaca, não recebem ajuda de ninguém quando estão feridos. Pelo contrário, se gritarem de dor os predadores os elegem como alvo.

Então, o Cavalo estrebucha, mastiga o freio nervosamente, balança a cabeça de um lado para o outro, anda para trás, recusa-se a prosseguir, tudo isso porque está a sofrer de dores terríveis e ele não tem como avisar o peso morto que carrega sobre as suas costas. O peso morto que provoca toda essa dor ao Cavalo, sem a “sentir” no seu próprio corpo, porque o que o corpo do peso morto sente mesmo é prazer em estar lá em cima, fazendo o seu passeio ou praticando o seu “desporto” preferido.

O Cavalo prossegue, não porque tenha gostado da experiência ou do peso dos gordos ou dos magros, sentados sobre a sua coluna. Não. Ele obedece porque é um animal fisiológico. A sua existência é o seu sentir. E ele sente dores horríveis com tudo o que lhe fazem para que ele faça o que não tem interesse ou motivação natural alguma para fazer.

E, quando o Cavalo obedece, é porque tem memória viva de que uma dor ainda maior virá, caso não siga em frente: um puxão firme das rédeas, que lhe produz um choque no sistema dos nervos cranianos, ou uma chibatada sobre as carnes já inflamadas pelas chibatadas do dia anterior.

E, muitas vezes, não é somente na boca que a lesão se manifesta. É nas patas que estão inflamadas. É no lombo, pelo atrito do corpo da montaria raspando com a sela as partes da carne do animal, a cada passo, a cada galope. É no estômago. É no pulmão.

Até ao ano de 2008, Alexander Nevzorov, da Nevzorov Haute École, ainda montava cinco minutos por dia, podendo chegar aos quinze, excepcionalmente. Porém, desde 2008, montar a cavalo foi definitivamente abolido das suas práticas.

E Alexander explica porquê:

«O ano de 2008 foi um ponto de viragem na história da Escola. Este foi o ano em que nós rejeitámos totalmente montar a cavalo. O Cavalo não se destina para montar, nem sequer ao menor grau. Não fisiologicamente, não anatomicamente, não psicologicamente. Eu precisei de muito tempo para chegar a esta compreensão, que se baseia não só nos meus sentimentos, mas em primeiro lugar a partir dos resultados de umas longa investigação. Entendo que seja difícil aceitar este facto. Mas a capacidade de abandonar as cavalgadas é a garantia de um verdadeiro e sublime relacionamento com o Cavalo. Hoje a equitação é um ponto de viragem na nossa história. Agora compreendemos e trazemos ao mundo uma outra beleza – a beleza de um diálogo com o Cavalo visto como um igual» – in «The Horse Crucified and Risen» («O Cavalo Crucificado e Ressuscitado»), 2011, p. 223.

Porquê? Porque as entranhas dos Cavalos ficam inflamados. Lydia Nevzorova é fisiologista. Ela faz exames de termografia computadorizada nos Cavalos e, pelas imagens coloridas, detecta cada área do corpo inflamada e o grau dessa inflamação. Esse exame é muito caro. Só os Cavalos com donos ricos são examinados para a detecção das áreas de inflamação. E o são apenas quando começam os fracassos nas competições, quando eles não têm mais forças psicológicas para obedecer, apesar da dor dos puxões das rédeas na sua face e boca, ou das chicotadas e esporadas. Quando, apesar de toda essa dor, ainda assim o animal não mais obedece, e se o “dono” é rico, então leva-o para fazer o exame termográfico computadorizado. E o que Lydia Nevzorova encontra é um corpo inflamado da boca às patas, quando não ao ânus (no caso de choques eléctricos).

As fotos são chocantes. Na foto de um Cavalo sem inflamação alguma, a de um não usado para montaria, a imagem do corpo todo aparece em azul, sem manchas luminosas. Os animais montados e lesados nas patas, nos tendões, na nuca, no dorso, nos flancos, aparecem com as lesões todas em cores de ondas longas, mais vivas, evidenciando as lesões invisíveis a olho nu. E esses ferimentos internos estão presentes todos os dias em que o animal é montado, e quem o monta não vê. Todos os dias. E cego pela sua obsessão à equitação, o equitador nada vê.

É um tormento ter o corpo todo inflamado. E ser usado todos os dias para dar a um “humano” prazeres que só existem à custa dessa dor. E a maldade não é minha, nem do Cavalo. E tudo isso sempre foi guardado como segredo, a sete chaves, para que ninguém pudesse abrir os olhos e ver o mal que está a fazer, quando monta um Cavalo. Não está só a montar o animal. Está, literalmente, a levá-lo para uma sessão de tortura.

Sônia Teresinha Felipe

 

(Texto adaptado para Língua Portuguesa)

*** Sônia Teresinha Felipe é doutora em Filosofia Moral e Teoria Política, pela Universidade de Konstanz, Alemanha; professora da graduação e pós-graduação em Filosofia, e do doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil); orienta dissertações e teses nas áreas de Teorias da Justiça, Ética Animal e Ética Ambiental; é pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute, da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, e é autora de «Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas», Edufsc, 2007, e, «Por uma Questão de Princípios», Boiteux, 2003.

Fonte:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=10205175596651099&id=1280753559&fref=nf

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Fonte: Arco de Almedina