Humanos ou não-humanos, somos todos seres sencientes

A prática de atos de violência contra animais é a prática de violência contra humanos. Não é de todo o meu objetivo começar este texto por humanizar os animais, mas sim, falar sobre a dignidade de vida que merecem. Artigo de Eliana Dias.

Segundo os mais recentes estudos “Aqueles que abusam dos animais são até 5 vezes mais propensos a praticar crimes violentos contra as pessoas”. Nós, enquanto seres dotados de capacidades mentais superiores e com um nível de consciência mais elevado, temos a responsabilidade moral e ética de zelar por uma sociedade justa.

Isso implica também, a condenação da prática de atos com base na maldade e crueldade a não-humanos.

2015 ainda demora a terminar, mas é longa a lista de notícias publicadas nos media ao longo deste ano, que expõem a pratica de violência contra animais. Assistimos a várias situações bárbaras (muitas, com a eterna desculpa de que são tradições, como se a tradição pudesse legitimar o maltrato e a crueldade), como aquela em que colocam um gato dentro de um cesto, no cimo de um poste a arder, ou a de dar pauladas a um galo enterrado na areia. Claro, que não me posso esquecer de referir a mais debatida nos holofotes: tauromaquia.

Em todas, entre o público, estão presentes crianças. Acho que são óbvios e inquestionáveis os riscos para a integridade psíquica, moral e social para as crianças que assistem a este tipo de “espetáculos” de violência gratuita. Ao ensinarmos as crianças a serem indiferentes ao sofrimento não-humano, fomentamos a tolerância aos comportamentos agressivos de uma forma geral.

Uma boa educação inclui, inquestionavelmente, do meu ponto de vista, ensinar a compreender, respeitar e a amar os animais.

As pequenas vitórias da publicação de diplomas legais que defendem os animais de companhia, são um pouco de “doce”, no meio dos dissabores que duram há tantas décadas, em Portugal.

Ainda existe um longo caminho a percorrer na execução e fiscalização dessas leis e na punição dos seus prevaricadores, porque ainda são bastantes os casos de violência e abandono de animais domésticos.

São igualmente vergonhosas a grande maioria das condições a que os animais estão sujeitos nos canis municipais ou moderna e assepticamente denominados “centros de recolha oficiais de animais ou CROA”.

A ausência de fiscalização a estas instalações e respetivos procedimentos, permitiu que permanecessem abertos canis que não respeitam as normas de bem-estar animal, saúde animal ou saúde pública que é algo que interessa, até, nomeadamente a nós, seres humanos.

O “ninguém quer saber” por parte da sociedade e das autoridades competentes ajuda assim a promover o abate massivo nos canis municipais.

Outro fenómeno nada recente relaciona-se com o maltrato de animais de espécies pecuárias, o que não se considera “crime”, legalmente falando, devido à ambiguidade dos decretos lei para estes casos.

De facto, assistimos ao caso, em Lagoa (com cavalos em estado caquético), que se arrasta desde 2012 e que é talvez o mais gritante no que concerne ao desleixo das autoridades oficiais e ao sofrimento intenso a que os animais estão expostos para que toda a gente assista. Os proprietários até são identificados, mas devido a toda a carga burocrática que envolve estes processos, os casos arrastam-se até os animais morrerem de fome ou doença.

Dalai Lama disse: “Não basta compaixão; é preciso agir”. Portanto é uma obrigação cívica de todas a pessoas que condenam qualquer tipo de violência, lutar para que os animais adquiram direitos que jamais deveriam ter sido privados.

Aderir ao Bloco de Esquerda foi para mim, fazer parte da missão de apresentar medidas legislativas que promovam o bem-estar animal e punam os atos de violência contra animais.

Eliana Dias é bióloga marinha. 

Fonte: Esquerda.net

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DECLARAÇÃO DE CAMBRIDGE SOBRE A CONSCIÊNCIA EM ANIMAIS HUMANOS E NÃO HUMANOS

Especialmente transcrita para dirigir os governantes portugueses que ainda não sabem que um Touro e um Cavalo são animais, e que entre os animais, eles são mamíferos, e que como todos os animais não humanos são tão sencientes como os animais humanos

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Os animais são sencientes, emotivos, conscientes, inteligentes. A ciência já confirmou isso em relação a algumas espécies, mas sabe-se que isso se aplica a muitas mais espécies, ouso mesmo dizer, a todas as espécies.

E não esquecer, que antes do homem, já existia vida animal, e que o homem não é a medida de todas as coisas, nem o dono do mundo, e muito menos da Vida

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Publicamos aqui a Declaração de Cambridge sobre a Consciência em Animais Humanos e Não Humanos, escrita por Philip Low e editada por Jaak Panksepp, Diana Reiss, David Edelman, Bruno Van Swinderen, Philip Low e Christof Koch.

A declaração foi proclamada publicamente em Cambridge, Reino Unido, no dia 7 de Julho de 2012, na Francis Crick Memorial Conference on Consciousness in Human and non-Human Animals, no Churchill College, da Universidade de Cambridge, por Low, Edelman e Koch.

O texto foi assinado pelos participantes da conferência na presença de Stephen Hawking, na sala Balfour do Hotel du Vin, em Cambridge.

A declaração foi publicada no site da Francis Crick Memorial Conference (fcmconference.org).

A tradução é de Moisés Sbardelotto (e adaptada para a Língua Portuguesa pela autora deste Blog).

Eis o texto.

Neste dia 7 de Julho de 2012, um proeminente grupo internacional de neurocientistas, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais cognitivos reuniu-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência consciente e comportamentos relacionados em animais humanos e não humanos.

Embora a pesquisa comparativa sobre esse tópico seja naturalmente dificultada pela inabilidade dos animais não humanos, e muitas vezes humanos, de comunicar clara e prontamente os seus estados internos, as seguintes observações podem ser afirmadas inequivocamente: – O campo da pesquisa sobre a consciência está a evoluir rapidamente. Têm-se desenvolvido inúmeras novas técnicas e estratégias para a pesquisa com animais humanos e não humanos. Consequentemente, mais dados estão a ser disponibilizados, e isso pede uma reavaliação periódica dos preconceitos previamente sustentados nesse campo. Estudos com animais não humanos mostraram que circuitos cerebrais homólogos, correlacionados com a experiência e a percepção conscientes, podem ser selectivamente facilitados e interrompidos para avaliar se eles são necessários, de facto, para essas experiências.

Além disso, nos humanos, novas técnicas não invasivas estão a ser disponibilizadass para se examinar os correlatos da consciência.

– Os substratos neurais das emoções não parecem estar confinados às estruturas corticais. De facto, redes neurais subcorticais estimuladas durante estados afectivos em humanos também são criticamente importantes para gerar comportamentos emocionais em animais. A estimulação artificial das mesmas regiões cerebrais gera comportamentos e estados emocionais correspondentes tanto em animais humanos como em não humanos. Onde quer que se evoque, no cérebro, comportamentos emocionais instintivos em animais não humanos, muitos dos comportamentos subsequentes são consistentes com estados emocionais conhecidos, incluindo aqueles estados internos que são recompensadores e punitivos.

A estimulação cerebral profunda desses sistemas nos humanos também pode gerar estados afectivos semelhantes. Sistemas associados ao afecto concentram-se em regiões subcorticais, onde abundam homologias neurais. Animais humanos e não humanos jovens sem neocórtices retêm essas funções mentais-cerebrais. Além disso, circuitos neurais que suportam estados comportamental-eletrofisiológicos de atenção, sono e tomada de decisão parecem ter surgido evolutivamente ainda na radiação dos invertebrados, sendo evidentes em insetos e em moluscos cefalópodes (por exemplo, polvos).

– As aves parecem apresentar, no seu comportamento, na sua neurofisiologia e na sua neuroanatomia, um caso notável de evolução paralela da consciência. Evidências de níveis de consciência quase humanos têm sido demonstradas mais marcadamente em papagaios-cinzentos africanos. As redes emocionais e os microcircuitos cognitivos de mamíferos e aves parecem ser muito mais homólogos do que se pensava anteriormente. Além disso, descobriu-se que certas espécies de pássaros exibem padrões neurais de sono semelhantes aos dos mamíferos, incluindo o sono REM e, como foi demonstrado em pássaros mandarins, padrões neurofisiológicos, que se pensava anteriormente que requeriam um neocórtex mamífero. Os pássaros pega-rabuda [1] em particular demonstraram exibir semelhanças notáveis com os humanos, com grandes símios, com golfinhos e com elefantes em estudos de auto-reconhecimento no espelho.

– Nos humanos, o efeito de certos alucinógenos parece estar associado a uma ruptura nos processos de feedforward e feedback corticais. Intervenções farmacológicas em animais não humanos com componentes que sabidamente afectam o comportamento consciente nos humanos podem levar a perturbações semelhantes no comportamento de animais não humanos. Nos humanos, há evidências para sugerir que a percepção está correlacionada com a actividade cortical, o que não exclui possíveis contribuições de processos subcorticais, como na percepção visual. Evidências de que as sensações emocionais de animais humanos e não humanos surgem a partir de redes cerebrais subcorticais homólogas fornecem provas convincentes para uma qualia [2] afectiva primitiva evolutivamente compartilhada.

Nós declaramos o seguinte: “A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afectivos. Evidências convergentes indicam que animais não humanos têm os substratos neuroanatômicos, neuroquímicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos”.

Notas da IHU On-Line:

1 – A pega-rabuda ou pega-rabilonga (Pica pica) é uma ave da família Corvidae (corvos). A pega-rabuda é comum em toda a Europa, Ásia, Norte da África e América do Norte.

2 – Qualia (plural de quale) é o nome que se dá na filosofia da mente para as qualidades subjectivas das experiências mentais, como a experiência pessoal das cores, da sensação de ouvir música, dos odores, das dores etc.. Alguns filósofos não fazem uma distinção forte entre qualia e consciência. Os qualia são subjectivos e privativos à pessoa individual.

Fonte:

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/511936-declaracao-de-cambridge-sobre-a-consciencia-em-animais-humanos-e-nao-humanos

Origem da foto: https://oholocaustoanimal.wordpress.com/2014/12/05/depois-de-2-500-estudos-ja-nao-e-hora-de-declararmos-a-senciencia-animal-provada/

Fonte: http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/declaracao-de-cambridge-sobre-a-511642

SENCIÊNCIA ANIMAL SEGUNDO ANTÓNIO DAMÁSIO

(Uma informação preciosa para os legisladores portugueses, que talvez não estejam esclarecidos sobre esta matéria, por isso permitem a selvajaria tauromáquica e a tortura dos animais nos circos…)

«Estou disposto a acreditar que sempre que o cérebro começa a gerar sentimentos primordiais – e isso poderá acontecer bastante cedo na história evolutiva – os organismos tornam-se sencientes numa forma primitiva. A partir desse momento, poderá vir a desenvolver-se um processo de eu [self] organizado que se acrescenta à mente, garantindo assim o início de mentes mais complexas. Os répteis, por exemplo, merecem esta distinção, as aves mais, e para os mamíferos não há qualquer dúvida».

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António Rosa Damásio (Lisboa, 25 de Fevereiro de 1944) é um médico neurologista, neurocientista português que trabalha nos estudos do cérebro e das emoções humanas. É professor de Neurociência na University of Southern California. Entre os anos de 1996-2005 Damásio trabalhou no hospital da University of Iowa.

Licenciou-se em Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, onde veio também a doutorar-se. Após uma estadia no Centro de Investigação da Aphasia de Boston (Estados Unidos), regressou ao Departamento de Neurologia do Hospital Universitário de Lisboa.

Publicou o seu primeiro livro: «O Erro de Descartes – Emoção, Razão e Cérebro Humano» assim como «O Sentimento de Si» (2001), eleito um dos dez livros do ano pelo New York Times. Também escreveu «Ao encontro de Espinosa». Recebeu, entre muitos outros prémios, o Prémio Pessoa e o Prémio Príncipe das Astúrias de Investigação Científica e Técnica, em Junho de 2005. Em 2010 editou o seu mais recente livro “O Livro da Consciência”

Estudioso de neurobiologia do comportamento humano e investigador das áreas cerebrais responsáveis pela tomada de decisões e conduta. Observou o comportamento em centenas de doentes com lesões no córtex pré-frontal, permitindo concluir que, embora a capacidade intelectual se mantivesse intacta, esses doentes apresentavam mudanças constantes do comportamento social e incapacidade de estabelecer e respeitar regras sociais.

Os seus estudos debruçam-se sobre a área designada por ciência cognitiva, e têm sido decisivos para o conhecimento das bases cerebrais da linguagem e da memória.

***

Se o saber de António Damásio não convencer os legisladores portugueses de que estão completamente errados, quando permitem a selvajaria tauromáquica e a tortura de animais nos Circos, melhor será colocarem os seus cargos à disposição de quem tenha a capacidade de reconhecer os seus próprios erros.

Para os que não sabem o que é Senciência recomendo aleitura deste texto fiável:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Senci%C3%AAncia

Fonte: http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/senciencia-animal-segundo-antonio-490027