Chegou uma carta de agradecimento para si

Olá,

Recebemos uma carta que, na verdade, é para si. Sedrick de Carvalho é um dos 15 prisioneiros de consciência detido em junho em Angola e ele sabe que assinou a petição pedindo a sua libertação imediata.

Sedrick esteve preso até ao final do ano passado e desde então está em prisão domiciliária, enquanto aguarda o final do julgamento. Foi já em casa, como o próprio diz, que percebeu a “gigantesca onda de solidariedade proveniente de Portugal”. E é por isso que escreveu esta carta, para todos os que continuam a lutar para que Angola respeite a liberdade de expressão.

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Luanda

Assunto: Agradecimentos Profundos

 

 

 

Saudações especiais, ex toto corde!

O meu nome é Sedrick de Carvalho. Sou, infelizmente, um dos 15 presos políticos que se encontram encarcerado desde 20 de Junho de 2015, ilegal e injustamente acusados de tentativa de golpe de Estado pelo regime angolano, o mesmo vigente desde 1975. E digo “infelizmente” pelo facto de existir tal “categoria” de preso no meu país, Angola, o que demonstra, e muito bem, a inexistência de Democracia nesta parcela do mundo. Não há dúvidas disso! Mas também sei que a Amnistia Internacional tem pleno conhecimento desta dura e triste realidade que teima perdurar.

Venho por esta via agradecer a Amnistia Internacional por todo apoio prestado durante a fase mais crítica da nossa prisão, fase esta ultrapassada também muito por pressão da Vossa Parte, e acredito que continua e continuará a pressionar em prol da nossa libertação total e, certamente, na esperança de ver os Direitos Humanos respeitados e a Democracia implementada. Falo apenas por mim, mas sei que a gratidão é colectiva.

Ao longo dos seis meses em regime fechado, não nos foi permitido (pelo menos eu e os seis companheiros que estiveram comigo na prisão Calomboloca) assistir, ler e ouvir órgãos de informações – excepto ler o Jornal de Angola, caixa de ressonância do Governo.

Digo isto para realçar que só em casa, agora em prisão domiciliar, está a ser possível perceber a gigantesca onda de solidariedade proveniente de Portugal, onde várias manifestações foram organizadas pela Amnistia Internacional. Muito obrigado!

Depois de quatro (4) meses presos praticamente fora de Luanda, em regime desumano, fomos concentrados no hospital-prisão de São Paulo, histórica, e foi já lá onde tive o enorme prazer de receber um postal da Amnistia Internacional escrito por Catarina, uma jovem que, mesmo sem me conhecer, encorajou -me a não desistir e garantiu que “nós aqui também não vamos desistir de vocês”. É surpreendente! Muito obrigado.

Enquanto nos chegavam relatos de esforços “titânicos” pedindo “Liberdade Já”, passou a ser indispensável a realização de uma conferéncia de imprensa conjunta para agradecemos pelo apoio interno e externo. Mas, por enquanto, não é possível.

Para terminar, aproveito desejar tudo de bom para o Novo Ano. Que a Amnistia Internacional continue incansável na luta pelas liberdades em Portugal, em Angola e no Mundo inteiro.

 

Com muita estima!

 

Sedrick de Carvalho

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“OBRIGADO BLOCO DE ESQUERDA”

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O activista Sedrick de Carvalho, um dos 15 presos políticos que se encontram encarcerados desde 20 de Junho de 2015, “ilegal e injustamente acusados de tentativa de golpe de Estado pelo regime angolano”, escreveu uma carta endereçando ao Bloco de Esquerda de “agradecimentos profundos” por todo o apoio.

OBloco de Esquerda é o único partido português que não se rendeu ao poder ditatorial do regime de José Eduardo dos Santos, tendo estado sempre na primeira linha do combate pelas liberdades e garantias que não existem no nosso país.

Numa missiva datada de 24 de Janeiro, Sedrick de Carvalho revela que foi privado do acesso a notícias e que o processo judicial demonstra a “inexistência de democracia” em Angola.

A carta enviada ao Bloco de Esquerda tem como assunto: “agradecimentos profundos” e “saudações especiais, do fundo do coração!”. O jornalista Sedrick de Carvalho agradece todo o apoio do Bloco durante a fase mais crítica da prisão, “na esperança de ver os Direitos Humanos respeitados e a Democracia implementada”. “Falo apenas por mim, mas sei que a gratidão é colectiva”, acrescenta ainda.

Recorde-se que no dia 3 de Julho de 2015, o Bloco e o deputado do PS Pedro Delgado Alves ficaram sozinhos, no Parlamento português, na condenação da “repressão política em Angola” e no apelo ao fim da detenção do grupo de jovens opositores do regime. Este voto, discutido ainda no tempo do anterior governo de direita, teve a oposição do PSD, PS, CDS, PCP e Verdes.

Entretanto, no passado dia 8 de Janeiro, o PSD, CDS-PP e PCP rejeitaram novamente um novo voto de condenação apresentado pelo Bloco de Esquerda sobre a situação da “repressão em Angola” e que continha um apelo à libertação dos “activistas detidos”. Esta iniciativa teve a abstenção dos Verdes e do PS, com a excepção de sete deputados socialistas (Alexandre Quintanilha, Isabel Moreira, Inês de Medeiros, Isabel Santos, Pedro Delgado Alves, Tiago Barbosa Ribeiro e Wanda Guimarães), e do PAN que também votou a favor.

Eis e teor da carta enviada ao Bloco de Esquerda:

“O meu nome é Sedrick de Carvalho. Sou, infelizmente, um dos 15 presos políticos que se encontram encarcerado desde 20 de Junho de 2015, ilegal e injustamente acusados de tentativa de golpe de Estado pelo regime angolano, o mesmo vigente desde 1975. E digo “infelizmente” pelo facto de existir tal “categoria” de preso no meu país, Angola, o que demonstra, e muito bem, a inexistência de Democracia nesta parcela do mundo. Não há dúvidas disso!

Por esta carta venho agradecer por todo apoio prestado pelo Bloco de Esquerda durante a fase mais crítica da nossa prisão, e que continua e continuará a prestar, acredito, tudo isto em prol da nossa libertação e, certamente, na esperança de ver os Direitos Humanos respeitados e a Democracia implementada. Falo apenas por mim, mas sei que a gratidão é colectiva.

Ao longo dos seis meses em regime fechado, não nos foi permitido (pelo menos eu e os seis companheiros que estiveram comigo na prisão Calomboloca) assistir, ler e ouvir órgãos de informações – excepto ler o Jornal de Angola, caixa de ressonância do Governo.

Digo isto para realçar que só em casa, agora em prisão domiciliar, está a ser possível perceber a gigantesca onda de solidariedade proveniente de Portugal, inclusive ao nível político – claro que é da parte do Vosso Partido, só podia. Muito obrigado!

Enquanto nos chegavam relatos de esforços “titânicos” pedindo “Liberdade Já”, passou a ser indispensável a realização de uma conferência de imprensa conjunta para agradecemos pelo apoio interno e externo. Mas, por enquanto, não é possível.

Para terminar, aproveito desejar tudo de bom para o Novo Ano. Que o Bloco de Esquerda permaneça sólido, inovador e sempre democrático.”

Fonte: Folha8