Se nada fizermos seremos cúmplices

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Luaty Beirão, preso, protesta, faz-se ouvir, colocando a sua vida em risco. É completamente inadmissível que Portugal, país com especiais relações com Angola, membro da CPLP não faça ouvir a sua voz em defesa da Liberdade e dos Direitos Humanos.

Hoje [21 de outubro], Luaty Beirão entra no 31.º dia de greve da fome. Está preso com mais 14 jovens angolanos. Outros também estão em greve da fome mas as informações são escassas. Os factos são conhecidos. Um grupo de jovens, quinze, estão presos em Angola, porque ousaram pensar de forma diferente do Governo e do Partido no poder (MPLA). Reuniam-se e discutiam livros e ideias. Crime diz o poder em Angola. Preparação de um golpe de Estado.

A indignação perante tão brutal atentado à Liberdade só é comparável com o ridículo da acusação – tentativa de golpe de estado. 15 jovens reunidos numa casa, discutindo ideias são uma ameaça ao todo poderoso regime de Angola.

Liberdade de pensamento, liberdade de reunião, liberdade de manifestação são conceitos e práticas que não existem em Angola. E Luaty Beirão é um ativista político que luta pela Liberdade no seu país.

As famílias organizaram diversas vigílias, apelaram a José Eduardo dos Santos para que libertasse os jovens. Foram reprimidas. A greve da fome de Luaty Beirão, cidadão luso-angolano, chama a atenção para a situação destes presos, confronta o Governo de Angola, mas também é dirigida aos países e aos governos, interpela-nos como cidadãs e cidadãos que prezam e respeitam a Liberdade.

Luaty Beirão, preso, protesta, faz-se ouvir, colocando a sua vida em risco.

É completamente inadmissível que Portugal, país com especiais relações com Angola, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) não faça ouvir a sua voz em defesa da Liberdade e dos Direitos Humanos. Timidamente, ao 30.º dia de greve da fome, parece que Rui Machete vai iniciar algumas diligências. Até aqui só ouvimos que “não nos podemos imiscuir” nos assuntos internos de Angola. A sua subserviência, patética, já era conhecida, quando pediu desculpa ao Governo de Angola, por um processo no Ministério Público em Portugal, protagonizando um dos mais tristes episódios da diplomacia portuguesa.

Há atitudes que marcam a posição dos países nas relações internacionais. A coerência com os valores democráticos e a não subserviência perante interesses económicos são, com toda a certeza uma linha que não pode ser ultrapassada. E como disse José Eduardo Agualusa “não há democracia com presos políticos e eles existem em Angola”.

Artigo publicado em mediotejo.net a 22 de outubro de 2015

Fonte: Esquerda.net

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