Em menos de 20 anos os golfinhos podem extinguir-se das águas portuguesas

O primeiro semestre de 2018 foi marcado pela morte de 27 golfinhos na costa portuguesa, número superior aos anos anteriores e atribuído à captura acidental, o que poderá apressar a extinção da espécie nas águas nacionais, revelaram investigadores.

Em menos de 20 anos os golfinhos podem extinguir-se das águas portuguesas

“A presença destes golfinhos em águas nacionais pode desaparecer por completo em menos que 20 anos”, alertou hoje uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro (UA) e da Sociedade Portuguesa de Vida Selvagem (SPVS).

Dos 27 golfinhos mortos registados na costa, entre janeiro e junho de 2018 (conhecidos por botos no norte do país), 25 foram encontrados entre o Minho e a Nazaré. Destes, a grande maioria foi encontrada entre o Porto e a Nazaré e, segundo a equipa de biólogos, “as marcas que alguns cadáveres apresentam, como barbatana caudal amputada ou marcas lineares no corpo, indicam que os animais foram apanhados acidentalmente por redes de pesca”.

“Este valor já ultrapassa em muito os valores registados para o primeiro semestre dos anos anteriores”, aponta Catarina Eira, bióloga do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro.

Coordenadora de um projeto dedicado à conservação de espécies marinhas portuguesas como o boto e o roaz, que é cofinanciado por fundos europeus, o LIFE marpro (2011-2017), Catarina Eira aponta a zona entre o Porto e a Nazaré, onde um terço dos botos está concentrado, como “a mais preocupante” para a conservação da espécie.

“A zona entre o Porto e a Nazaré concentra uma atividade de pesca bastante intensa. Apesar dos esforços desenvolvidos pelos pescadores para evitarem as capturas acidentais, a arte xávega acaba por ser responsável por uma parte da mortalidade”, refere.

Outro fator é a quantidade considerável de pesca ilegal na zona, normalmente realizada por pequenas embarcações muito perto da costa que, “além de prejudicar os pescadores que desenvolvem a sua atividade de acordo com a lei, por ser muito costeira, também ocasiona alguma mortalidade de boto”.

Catarina Eira considera crucial que se aprove a classificação como Sítio de Importância Comunitária (uma figura de proteção ambiental da Rede Natura 2000) da zona marinha entre a Praia da Maceda (Ovar) e a Praia da Vieira (Leiria), pela abundância de botos que alberga.

Graças à consciencialização e colaboração dos pescadores, a equipa do projeto LIFE marpro conseguiu testar diferentes artes de pesca e materiais de redes, para perceber o que poderia diminuir o número de capturas acidentais. Foi assim que descobriram que uma das soluções mais eficazes é o uso de “pingers”, pequenos aparelhos eletrónicos que se fixam às redes de pesca e que emitem um som que avisa os cetáceos sobre a presença da rede, embora seja ainda uma tecnologia cara.

“Com a aprovação do Sítio [de Importância Comunitária] poderia ser posto em prática o Plano de Gestão também proposto para estas áreas, o qual inclui várias medidas que podem prevenir a extinção do boto em Portugal como o alargamento do uso de ‘pingers’ a todas as redes de xávega, o combate à pesca ilegal ou o ensaio de novas medidas de mitigação de capturas em redes de cerco e fundeadas”, conclui.

Fonte: SAPO24

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Assembleia Municipal de Lisboa rejeita recomendação para acabar touradas no Campo Pequeno

Simplesmente vergonhoso.
Lisboa continuará a fazer parte do rol das cidades coniventes com a psicopatia, assassinato, crime e com a máfia!

Mário Amorim


A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) rejeitou hoje uma recomendação do Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) que pedia o fim das touradas na Praça de Touros do Campo Pequeno, numa votação que gerou agitação entre os deputados.

Assembleia Municipal de Lisboa rejeita recomendação para acabar touradas no Campo Pequeno

O documento do PAN recomendava que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) esclarecesse “a Casa Pia e a sociedade no seu geral que não há qualquer imposição” para que ali “decorram obrigatoriamente touradas, devendo as mesmas ser abolidas dos usos afetos àquele espaço”.

A recomendação previa, também, que Lisboa se declarasse “cidade livre de espetáculos com sofrimento animal” e que o município assegurasse “não existir qualquer tipo de apoio institucional, nomeadamente de cariz financeiro ou cedência de quaisquer outros benefícios ou isenções, a atividades” deste foro.

O documento foi rejeitado na totalidade, com os votos contra do PCP, PS, CDS-PP e PSD, e os votos a favor da totalidade dos deputados independentes (oito), BE, MPT, PEV, PAN e oito deputados do PS. Ou seja, “49 deputados votaram contra e 26 a favor”, anunciou a mesa da AML. A deputada do PPM não participou na deliberação, alegando estar impedida de votar esta questão.

Na altura das votações, criou-se uma agitação na sala porque a bancada do PS, a maior da AML, teve liberdade de voto e algumas bancadas não concordaram em que o voto dos deputados ausentes fosse considerado contra, uma vez que foi esse o sentido de voto da maioria dos socialistas. Após esta discussão, foi posta à consideração dos deputados uma votação nominal, o que acabou por não acontecer.

Intervindo na sessão, o deputado Rui Costa, do BE, aplaudiu o facto de o PAN querer “que o município de Lisboa deixe, diretamente ou indiretamente, através do fundo de turismo e, já agora, do financiamento dos turistas que cá vêm, de financiar este tipo de atividades tauromáquicas”.

No mesmo sentido, o deputado José Inácio, do MPT, questionou se fará sentido a CML (…) manter o apoio a esta atividade, “na qual claramente a vasta maioria dos lisboetas não se revê”.

Relativamente a esta questão, o presidente do executivo municipal lisboeta, Fernando Medina, garantiu que “não há nenhum apoio direto ou indireto à realização de touradas” na capital.

Para a deputada do PAN Inês Sousa Real, “em pleno século XXI torturar animais não é mais aceitável”.

“As tradições formam-se, perdem-se, recuperam-se, banem-se, como fenómenos culturais e temporários que são”, vincou, acrescentando que “todos os dados apontam para o declínio da atividade tauromáquica”.

Por seu turno, o deputado do PSD António Prôa advogou que “o que está aqui em causa é a imposição de uma ideologia”, reforçando que isso é “incompatível com a democracia”.

O eleito do CDS-PP Diogo Moura, referindo-se a um estudo da Universidade Católica que dá conta que 89% dos lisboetas nunca assistiu a uma tourada no Campo Pequeno e que é citado na recomendação do PAN, disse que “nenhum desses números serve para concluir que os lisboetas querem proibir a tourada”.

“Os intolerantes têm o direito de não gostar, mas não podem proibir” a realização de touradas, “uma atividade económica que dá emprego a muitas pessoas”, concluiu.

Já o deputado independente Paulo Muacho salientou que “a tourada é hoje uma prática anacrónica e em declínio”, defendendo que a capital lisboeta devia “declarar-se livre de espetáculos de sofrimento animal”.

Fonte: SAPO24

Tourada é tradição, mas também é tortura

Texto espectacular.
Vale a pena ler!


Em conversa com um aficionado, ouvi o argumento “Porque a tourada surgiu como um ritual digno de matar um touro para o comer. Uma luta de igual para igual em que é dada a oportunidade ao touro de ganhar”. Pareceu-me o melhor argumento que já ouvira até então.

Tourada é tradição, mas também é tortura

Se há vinte anos me perguntassem se as touradas ainda seriam um tema de actualidade em 2018, diria que não e que, por esta altura, os touros já andariam em skates voadores sem serem incomodados com bandarilhas no lombo. Não sendo Júlio Verne, enganei-me e as touradas voltam a ser destaque com um projecto para a sua abolição a ser chumbado no Parlamento. Já se estava à espera, quando sabemos que por lá se trata o assunto como uma questão política e não de progresso civilizacional. Dos que votaram contra, a maioria fê-lo a pensar nos votos e não por convicção pessoal, mas talvez concorde que a melhor forma de avançar, para já, não seja proibir a tourada, mas primeiro perceber o porquê de ainda haver gente a apelidar de arte o que não passa de tortura animal em praça pública.

Em conversa com um aficionado, ouvi o argumento “Porque a tourada surgiu como um ritual digno de matar um touro para o comer. Uma luta de igual para igual em que é dada a oportunidade ao touro de ganhar a luta, ao contrário do que é feito em matadouros”. Pareceu-me o melhor argumento que já ouvira até então, romântico e que poderia colocar as minhas convicções em xeque. Depois, pensei dois segundos e percebi que o argumento era parvo, como todos os argumentos que defendem a tortura animal em prol do entretenimento humano.

O touro tem chifres e o toureiro tem bandarilhas, aqui concordo que existe um pé de igualdade, já que se o toureiro fosse com uma AK-47 a tourada era mais desigual, acabava depressa e não fazia valer o dinheiro do bilhete. No entanto, o toureiro costuma ir a cavalo o que é logo uma desvantagem para o touro. Depois, que tal experimentar fazer tourada num descampado em vez de numa arena? Num descampado, o touro tinha a opção de ir embora e isso tornaria a luta mais justa. O animal quadrúpede poderia olhar para o marmanjo em lantejoulas e pensar “Não estou para isto, tenho uma consulta às 17h e vou ter de abalar”, virava costas e ia à sua vida. Uma luta nunca pode ser justa quando se coloca um dos seus intervenientes entre a bandarilha e a parede, pois nesse caso, resta-lhe apenas lutar e não a via diplomática.

Mais: e se o touro ganha? Os touros que já mataram toureiros receberam uma carta de alforria e foram gozar a reforma para o Algarve? Não me parece. Esta suposta luta de igual para igual apenas tem um desfecho para o touro e nunca é o da vitória. Por muito que lute e não se deixe apanhar ou espetar, por muito que marre no toureiro, no cavalo e nos forcados, o seu final é sempre o mesmo: o sofrimento para gáudio humano e, sem seguida, a morte.

“E os forcados?”, perguntarão alguns, dizendo que é a única parte que gostam da tourada e que é mais justa. Concordo, é a mais justa, mas os cornos do touro estão serrados e os agro-betos “corajosos” só aparecem no fim quando o touro já está cansado e a babar-se; o peso combinado dos forcados é maior do que o dos maiores dos outros; por último, usam golpes baixos: imaginem o que seria estarem à porrada na rua e um dos vossos adversários agarrar-se ao vosso rabo. Não se faz.

Não perco o sono a pensar nos touros, claro que há coisas muito piores na nossa sociedade, mas abolir as touradas seria um passo importante para um caminho que me parece o certo e que é o de uma sociedade menos cruel e mais civilizada. No entanto, mais do que as touradas serem proibidas, o que eu gostava mesmo é que as pessoas deixassem de as apreciar e percebessem que não passa de tortura. Isso, sim, seria um avanço civilizacional. Há quem defenda o referendo sobre este tema, mas parece-me uma luta mais desigual do que a tourada em si porque muitos dos aficionados não sabem ler.

Fonte: SAPO24

 

Torturar touros e enforcar cães

Texto fabuloso e cheio de ironia de Diogo Faro!

Resultado de imagem para Diogo Faro

Peço desculpa pelo título, às pessoas que ainda têm alguns sentimentos e que até apreciam a evolução da civilização, mas vamos ter de falar nisto.
A proposta para a abolição da tourada foi chumbada no Parlamento, como era esperado, convenhamos. E entende-se. Um dos elementos baluarte dos tauromáquicos é que aquela espécie de touros se vai extinguir com o fim da tourada. Os antepassados das pessoas que dizem isto também diziam que a abolição da escravatura ia acabar com todas as pessoas pretas. E veja-se o que aconteceu, hoje em dia só existem brancos, para grande pena do KKK e grupos que tais. O que nos leva a aceitar que há torturas que valem a pena.

O líder parlamentar do CDS apontou para algumas dezenas de pessoas que assistiam à sessão na Assembleia. Vestiam todas blazer de bom corte, camisas engomadas pela criada (provavelmente preta, para tentar ainda salvaguardar a espécie), corte de cabelo irrepreensível (muitos com gel e puxadinho atrás) e algumas ainda envergavam um Terço prateado ao peito, Deus as tenha, provavelmente todas com os seus BMs e Mercedes Pato Bravo estacionados lá fora. E então o líder do CDS falou e disse: “se a tauromaquia é uma fonte de rendimento para tanta gente, como é que estas pessoas vão sobreviver com a abolição da tourada?”. Comovi-me. E aceitei que de se espetar ferros que parecem lanças medievais em touros, se faça um espectáculo lucrativo para manter o estilo de vida destas pobres pessoas.

Agradeço então a todos os deputados que não deixaram a proposta de lei passar. Mais importante que o progresso civilizacional é preservar as tradições – não importa se são selváticas, são tradições e pronto! – e o financiamento dos baldes de gel e botões de punho dourados para aqueles senhores.

Por falar em psicopatia, algo do género que me chegou à retina foi a notícia de ter sido encontrada uma cadela enforcada numa mata em Casal de Cambra. Ah, e foi ainda descoberto que estava grávida. Não me vou alongar para não ficarem com estas imagens na cabeça como eu fiquei. Mas a linha é a mesma. Nós humanos, somos superiores – quem disse? Nós próprios, claro – a qualquer ser e temos o direito divino (?) a fazer com eles o que bem nos apetecer. A questão é, se torturar cães desta maneira for (ou vier a ser) tradição, é para preservar? Provavelmente sim. E com um bocadinho de sorte ainda se usa dinheiro do Estado (aquele que é de todos, sabem?) para se financiar a criação de cães para enforcamento e a televisão estatal ainda começa a transmitir espectáculos disso em horário nobre. Não é boa ideia? Se é para sermos bárbaros, então vamos sê-lo o tempo todo.

Fonte: SAPO24

Deputados chumbam projeto do PAN para abolir touradas

Mais uma vez tenho razão.

Há muitos anos que falo.
O facto de não ouvirem o que há mais de 10 anos digo, foi o principal motivo do meu abandono do Facebook, em 2013.
Há mais de 10 anos, já era claro para mim, que da Assembleia da Republica jamais virá a abolição da tauromaquia, em resultado da força do Lobby taur-mafioso, no PS, PSD, CDS/PP, e PCP.
Mesmo isto para mim sendo claro; em 2011, criei uma petição para abolição das corridas de touros e a apresentei na Assembleia da Republica.
De lá para cá, o resultado foi sempre o mesmo; o chumbo. E a razão, sempre a mesma.
E hoje volta a acontecer o que era inevitável. E com isso, mais uma vez tenho razão. Só não percebo a teimosia, de não se perceber o que está na cara.

Não adianta. Repito; não adianta teimar-se com a Assembleia da Republica como tem sido feito. Irá continuar a suceder o mesmo.

E repito o que há mais de 10 anos digo.
Só a força do povo.
Só o clamor de muitas e muitas dezenas de milhar de pessoas, que é a voz do touro e do cavalo, um pouco por todo o país, em uníssono, tem a força necessária para derrubar a força do Lobby tauro-mafioso na Assembleia da República e abolir a tauromaquia. Está mais do que na altura de se deixarem de teimosia, e perceberem isto. O que mais precisam para o perceberem, depois do resultado de hoje..?

Mário Amorim


 

A abolição das touradas proposta pelo PAN ficou-se pela discussão na generalidade, com rejeição garantida da maioria do parlamento, que argumentou contra a imposição de uma vontade a parte significativa dos portugueses.

Deputados chumbam projeto do PAN para abolir touradas

O deputado do PAN, André Silva, afirmou que nenhum partido que se diz progressista e defenda que deve continuar a haver touradas pode dizer que “apanhou o comboio do progresso”, afirmando que para a maioria do parlamento, os “falaciosos interesses económicos” por trás da tauromaquia valem mais do que padrões éticos.

A mesma Assembleia da República que aprova legislação a condenar a violência sobre os animais admite que esta aconteça, desde que no contexto das corridas de touros, apontou.

O deputado socialista Hugo Costa manifestou a discordância com o projeto de “proibição radical” do PAN, cuja aprovação “levaria a conflitos desnecessários” e poria “portugueses contra portugueses”.

As touradas, defendeu, são reconhecidamente “parte da cultura popular portuguesa” e é “dever do Estado” proteger as manifestações culturais.

O social-democrata Joel Sá afirmou que o PAN quis “à pressa e sem cuidado impor à sociedade uma visão incompleta do mundo”.

O argumento do PAN de que a tourada está em declínio não é certo para o PSD, que questiona “então porquê abolir o que está em declínio?”.

As touradas são “um legado histórico, social e cultural”.

Da bancada do CDS-PP, Telmo Correia considerou que o PAN não tem o direito de querer impor a sua opinião a “populações inteiras” que têm na tourada “uma forma de vida do meio rural”.

A uma proposta com apenas três artigos, Telmo Correia respondeu “numa palavra, não”.

Dirigindo-se a André Silva, questionou a sua legitimidade para impor “hábitos lisboetas”, numa referência à origem da maioria dos votos que elegeram o deputado do PAN para a Assembleia da República.

Entre os deputados do CDS-PP há quem goste e quem não goste de touradas, mas ninguém quer proibi-las, acrescentou.

Pelos Verdes, Heloísa Apolónia reconheceu que as touradas são um espetáculo violento que implica sofrimento real e que já devia ter saído das transmissões televisivas e, mantendo-se as transmissões, deviam ser classificadas para maiores de 18 anos, propostas do partido ecologista que a assembleia chumbou.

O debate, a sensibilização e a consciencialização das pessoas são fundamentais “para que deixe de haver adesão generalizada a um espetáculo desta natureza”, afirmou a deputada, disponibilizando-se para deixar passar o projeto de lei do PAN à discussão na especialidade.

Maria Manuel Rola, do Bloco de Esquerda, afirmou que o partido admitiria discutir na especialidade a proposta, para lhes acrescentar as suas próprias ideias para resolver o problema do que viria depois da proibição.

O destino a dar aos animais a serem criados atualmente para as touradas é uma das questões que se coloca, afirmou, defendendo ainda o fim dos apoios públicos às touradas

“Leis minimalistas” trouxeram “consequências graves” no passado, disse.

Ângela Moreira, do PCP, considerou que o PAN “não admite outras culturas, identidades e tradições, só admite os seus padrões e quer impô-los”.

A abolição “pela lei e à força” das touradas entraria em “conflito direto com as populações”, que entrariam em confronto com as autoridades encarregadas de aplicar uma lei que não respeitaria “a diversidade cultural e a universalidade dos direitos”.

Fonte: SAPO24

Portugal, Espanha e França unem-se para defender touradas em Bruxelas e na ONU

Desespero a quanto obrigas.
A Gamorra Tauromáquica está mesmo desesperada.
Até me dá pena vê-los a chorar como estão a chorar. E como mais uma vez o provam!

“Os espectáculos tauromáquicos continuam a ser tema de amor e ódio, mas um estudo recente da Eurosondagem mostra que os aficionados representam cerca de 35% da população portuguesa, enquanto contra estão apenas 9%. Para os restantes é indiferente, embora entre 30% e 40% considerem que as touradas não deviam acabar por completo.” – Mais uma vez a Eurosondagem, que é uma empresa de sondagens pertencente ao lobby tauromáquico.
Porque será que sempre que querem um estudo, não o mandam realizar numa empresa de sondagens, completamente afastada do lobby tauromáquico?

Obviamente; mais uma vez, o resultado deste estudo foi combinado!

Mário Amorim


Chama-se Conselho Internacional de Tauromaquia e foi acabado de criar para fazer lobby a favor das corridas de touros junto do Parlamento Europeu e da ONU. Para já une Portugal, Espanha e França, mas em breve o México irá juntar-se ao grupo.
Portugal, Espanha e França unem-se para defender touradas em Bruxelas e na ONU

O objectivo é ter uma estrutura organizada, com peso mundial, e ganhar eficácia na defesa dos valores das touradas, disse o presidente da ProToiro, Paulo Pessoa de Carvalho, ao SAPO24.

Todos os membros do novo conselho têm tradição de touros, ainda que a lide seja diferente em cada um dos países, e “a troca de experiências permitirá descobrir caminhos comuns e criar uma dinâmica de fundo”.

Além da ProToiro (Portugal), assinaram o acordo para promover a tauromaquia a Fundación del Toro de Lídia (Espanha) e o Observatoire National des Cultures Taurines (França). Para já o Conselho Internacional de Tauromaquia vai apoiar os países na candidatura das touradas a património cultural imaterial da humanidade.

O responsável da ProToiro admite que nesta altura do politicamente correcto as vozes contra as corridas de touros têm falado mais alto. O PAN e o Bloco de Esquerda já apresentaram na Assembleia da República vários projectos de lei para acabar com as touradas, sem êxito. Da mesma forma, o ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas tentou tirar da gaveta uma proposta para animar uma actividade que já teve melhores dias.

Os espectáculos tauromáquicos continuam a ser tema de amor e ódio, mas um estudo recente da Eurosondagem mostra que os aficionados representam cerca de 35% da população portuguesa, enquanto contra estão apenas 9%. Para os restantes é indiferente, embora entre 30% e 40% considerem que as touradas não deviam acabar por completo.

Negócio perdeu 2,5 milhões

O negócio das corridas de touros perdeu qualquer coisa como 2,5 milhões de euros nos últimos cinco anos. Se em 2012 a actividade gerava quase 10 milhões por ano, hoje ela não ultrapassa os 7 milhões.

Em 2012 realizaram-se 274 corridas de touros no país, de acordo com dados da Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide. Este número tem vindo sempre a diminuir de ano para ano e em 2017 realizaram-se perto de 200 corridas. A uma receita média de 35 mil euros por corrida, é fácil fazer as contas.

A questão é que este dinheiro é diluído por diversas entidades, que vão desde os empresários ao Estado, passando pelo criadores de touros ou pelos cavaleiros. Se com uma boa corrida – numa das melhores praças, com bons cavaleiros e touros das melhores ganadarias – é fácil ganhar 50 mil euros, também é fácil perder uma boa fatia deste montante.

Para dar uma ideia, organizar e montar a festa brava tem custos: praça de touros (4 mil euros), reses (10 mil euros), cavaleiros (5 mil euros), forcados (mil euros), licenças da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (mil euros), sindicato dos toureiros (350 euros), bandarilhas/embolação (400 euros), banda (500 euros), bombeiros (400 euros), polícia (350 euros), transporte (1€/Km). Ou seja, uma média de 25 mil euros.

Além disso, as touradas têm vindo a perder espectadores, segundo números oficiais, e hoje não ultrapassam as 500 pessoas. O preço dos bilhetes é o equivalente àquele que é pago para assistir a uma partida de futebol: entre 10 e 50 euros.

Existem em Portugal 66 praças de touros e uma boa parte delas não pertence aos municípios, mas sim à Santa Casa da Misericórdia, que lança os concursos de exploração a cada três anos, sensivelmente. Os valores pedidos dependem das dimensões da praça, da localização e até das condições do edifício. Depois, cabe à empresa ganhadora pagar a luz, a água e a manutenção do edifício.

A praça de touros de Vila Franca de Xira, que está entre as maiores do país, com uma capacidade para 3500 lugares, rendeu à Santa Casa cerca de 40 mil euros. O Campo Pequeno, a maior praça do país, é um caso à parte e está concessionado por 100 anos.

Viana do Castelo foi o primeiro concelho a assumir-se anti-touradas, depois de em 2009 ter aprovado uma declaração para obrigar qualquer organizador a ter de pedir autorização para realizar um espectáculo com animais.

Fonte: SAPO24

ERC dá parecer negativo a projeto de lei do BE sobre transmissão televisiva de touradas

Parte integrante da herança cultural lusa? – Mas a ERC está doida, ou quê?!
Nesta frase está sub-entendido que todos os portugueses gostam de touradas. E tal não é verdade.
Sou português, e odeio touradas. E como eu, a maioria dos portugueses.
Em segundo lugar. Se a tourada fosse cultura, toda a violência do homem contra o próprio homem, seria igualmente cultura.
Cultura são todas as manifestações que respeitam o bem-estar, a vida de qualquer ser sensível; humano e não-humano.
Cultura, são todas as manifestações que ensinam a empatia, a bondade, a amizade, o amor, a compaixão e o altruísmo. E não a violência, a selvajaria, a psicopatia, como é o caso das touradas!

ERC tenha vergonha.
Não se preste ao papel de estar ao lado de uma actividade ignóbil; violenta; barbará; assassina; psicopata e macabra!

Mário Amorim


A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) emitiu um parecer desfavorável ao projeto de lei do BE para que a transmissão televisiva das touradas seja em horário tardio, considerando que estas são “parte integrante da herança cultural lusa”.

ERC dá parecer negativo a projeto de lei do BE sobre transmissão televisiva de touradas

Agora; atentem a esta passassem: No parecer, a que a agência Lusa teve hoje acesso (e que está datado de quarta-feira), a ERC considera ainda que os espetáculos tauromáquicos “não são sequer suscetíveis de influir negativamente na formação da personalidade das crianças e de adolescentes”, não havendo por isso “quaisquer impedimentos legais à sua transmissão”.


Sinceramente!

O papel que a ERC está a fazer mete nojo.

Qualquer prática violênta, seja contra animais-humanos, ou contra animais não-humanos, tem graves consequências psíquicas nas crianças e jovens que a vêm. A violência, no caso, a violência da tauromaquia tem graves consequências psíquicas nas crianças e jovens que a vêm, e nas crianças e jovens que a praticam.

Que vergonha, ERC, ter uma afirmação como esta, que não corresponde à realidade!


Em declarações à agência Lusa, a deputada do BE Maria Manuel Rola criticou este parecer por considerar que “é bastante parcial, abusando até na interpretação da própria Constituição”.

Para a deputada bloquista, a ERC, ao dizer que as “corridas de toiros à portuguesa constituem uma parte integrante da herança cultural lusa, que o Estado tem a incumbência de promover e proteger”, está a “adotar uma posição ideológica relativamente às touradas”.

A ERC foi chamada a pronunciar-se sobre o projeto de lei bloquista que pretende designar “espetáculos tauromáquicos como suscetíveis de influírem negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes”, devendo ser acompanhados “da difusão permanente de um identificativo visual apropriado” e só podendo ser transmitidos entre as 22:30 e as 06:00.

A entrada em vigor desta proposta do BE, segundo a entidade, “representaria uma compressão injustificada da liberdade de programação dos operadores televisivos”.

No parecer, a entidade considera que, apesar de a atual iniciativa se mostrar “bem menos ambiciosa” do que aquela que o BE apresentou em 2015 sobre touradas, nem por isso justifica, “quer em razão da sua substância, quer de todos os motivos que a enformam”.

Na opinião de Maria Manuel Rola, o BE “não está a querer condicionar a exibição de touradas, mas apenas a fazer com que estas sejam transmitidas em horários que protejam as crianças”, considerando que a “ERC parece irremediavelmente capaz de ser satisfeita”.

Na exposição de motivos do projeto de lei do BE é referido que “são vários os estudos académicos que têm, de forma sustentada, demostrado os efeitos negativos das crianças e adolescentes assistirem a touradas na formação da sua personalidade”, dando o exemplo de um estudo do Departamento de Psicologia Clínica de Madrid.

Fonte: SAPO24