Estas espécies podem desaparecer num futuro próximo

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(O artigo contem mais imagens)

São 19 as espécies que o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, no original) destaca como correndo um risco grave de extinção. O rinoceronte-de-java, o saola (ou boi-de-Vu-Quang), a tartaruga-de-pente ou a vaquita são alguns dos animais cujo futuro se apresenta mais ameaçado. Segundo a organização ambientalista portuguesa Quercus, em “40 anos o mundo perdeu mais de metade da vida selvagem devido à destruição dos espaços naturais, ao tráfico ilícito e à caça”.

Em comunicado enviado a propósito do Dia Mundial da Vida Selvagem, que se assinala esta sexta-feira, a organização defende que “as pessoas são a causa desta grave ameaça à vida selvagem e devem ser ela a solução”, apelando ainda à criação de leis, “sanções eficazes” e incentivos económicos para combater o tráfico e a caça de animais, muitos dos quais em vias de extinção. Segundo as Nações Unidas, o tráfico de animais e a caça valem 231 mil milhões de dólares (cerca de 219 mil milhões de euros) por ano. Em 2016, foram identificadas 24.000 espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo. Em Portugal, as espécies em vias de extinção são o lobo-ibérico, o lince-ibérico, a foca-monge, a águia-imperial e o saramugo.

Fonte: Publico

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Alterações climáticas: as imagens de um mundo que está a desaparecer (este artigo do publico contem 18 imagens )

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A 22.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22), que decorre até dia 18 de Novembro em Marraquexe, Marrocos, recebe duas exposições fotográficas numa só – Climate Change – In Focus. São 75 imagens captadas por crianças ou adolescentes e 25 imagens seleccionadas pela National Geographic, tudo para alertar para o mesmo problema: as alterações climáticas. “Temos líderes globais, imprensa, organizações, tudo aqui [ na conferência], mas os mais jovens não têm voz”, disse o fotógrafo Henry Dallal, curador da exposição em entrevista à CNN. “E eu lembrei-me que no mundo de hoje todas as pessoas têm uma câmara no seu telemóvel e que qualquer uma pode tirar uma fotografia, não é preciso ser profissional”.

Nesta quinta-feira, um relatório das Nações Unidas voltou a lembrar a urgência de agir rapidamente para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa (GEE), de modo a evitar “uma tragédia”. Mais um alerta com palavras duras num momento de raro consenso político no combate contra o aquecimento global e as agressões ao ambiente, mas que pede medidas concretas.

As fotografias foram enviadas para competição através da Your Shot, uma comunidade de fotografias online da National Geographic

Fonte: Publico

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Entendo que algumas das imagens deste artigo, são também uma resposta ás palavras do Donald Trump!

Mário Amorim

Extinção em massa: nos oceanos o tamanho importa

Os maiores animais marinhos são os que têm maior risco de desaparecerem das águas do planeta. É um padrão de extinção sem precedentes, avisam os cientistas que analisaram o passado de moluscos e vertebrados recuando até há 445 milhões de anos.

O leão-marinho-japonês (Zalophus japonicus) foi considerado extinto em 1994

Debaixo de água, os maiores animais são os que correm mais perigo de extinção, conclui um estudo publicado esta semana na revista científica Science. A ameaça, diz uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, vem do homem, mais precisamente, da pesca. O que está a acontecer nos oceanos é muito diferente do que se passou há milhões de anos, constatam os autores do trabalho que relaciona o nível de ameaça com as características ecológicas dos animais.

“Percebemos que a ameaça de extinção nos oceanos modernos está fortemente associada com o tamanho do corpo dos animais”, refere Jonathan Payle, investigador da Universidade de Stanford, na Califórnia, no comunicado sobre o estudo que analisou 2497 espécies marinhas extintas e actuais — de fora ficaram animais com menos de cinco centímetros, difíceis de se encontrar no registo fóssil. “Isto deve-se muito provavelmente ao facto de as pessoas terem agora como alvo espécies maiores para o consumo”, acrescenta, realçando que o desaparecimento destes animais seria devastador para os ecossistemas marinhos.

O motor desta mudança inédita no padrão de extinções no oceano está nas tecnologias que nos levaram de uma pesca limitada a zonas costeiras até aos mares mais profundos, a bordo de embarcações maiores e mais preparadas para a pesca a grande escala. “Quando os humanos entram num novo ecossistema, os maiores animais são os que são mortos primeiro. Os sistemas marinhos foram poupados até agora porque os humanos estiveram restritos a áreas costeias e não tinham a tecnologia para pescar no oceano profundo numa escala industrial”, nota Noel Heim, outro dos autores do artigo.

“A baleia-azul está em perigo de extinção devido à caça da baleia, o atum-do-sul, muito usado no sushi, está em perigo crítico de extinção. O dugongo-de-steller, parente do manatim, foi levado à extinção no século XVIII por causa da caça. Vivia no Norte do oceano Pacífico”, diz ao PÚBLICO Andrew Bush, outro autor do estudo, da Universidade de Connecticut.

Os cientistas analisaram a associação entre o nível de ameaça de uma espécie e características como o tamanho, em dois grandes grupos de animais marinhos — os moluscos e os vertebrados — nos últimos 500 anos. E compararam esta informação com o registo fóssil marinho desde há 445 milhões de anos, com uma atenção maior para os últimos 66 milhões de anos. O registo fóssil mostra que no passado houve vários momentos de extinção em massa. O último terá ocorrido há 65 milhões de anos, quando os dinossauros foram extintos, após a colisão de um meteoro com a Terra.

Agora, mergulhamos na anunciada “sexta extinção”. E a ameaça não vem do espaço. Investigadores de várias áreas concordam que o responsável pela limpeza de espécies — que ocorre a um ritmo assustador — é, desta vez, o homem. Mas a época em que vivemos é única, comparando com as extinções em massa que ocorreram no passado, pelo impacto que está a ter nas maiores criaturas marinhas, revela este estudo.

Nos continentes o padrão tem sido igual. “As extinções passadas, de origem humana, afectaram principalmente organismos grandes, estamos a falar da extinção da megafauna, principalmente mamíferos e aves, que ocorreu há alguns milhares de anos e que levou à extinção de 70 a 80% dos animais com mais de 35 quilos, os moas, os mamutes, os grandes rinocerontes, por exemplo”, explica ao PÚBLICO Miguel Araújo, professor na Universidade de Évora e investigador na Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva.

“Usámos registos fósseis para mostrar, de uma forma convincente e concreta, que o que está a acontecer no oceano moderno é realmente diferente do que aconteceu no passado”, afirma Noel Heim. Os investigadores concluíram que animais com uma massa corporal dez vezes maior, têm 13 vezes mais hipóteses de serem extintos. Quanto maior, pior. Os cálculos e cenários propostos pelos investigadores levam a crer que os efeitos da sexta extinção podem ultrapassar, em número de espécies e ritmo, o que aconteceu há 65 milhões de anos.

 Fonte: Publico

TOURADAS E CLIENTELAS POLÍTICAS

Não deixa de ser estranha a indiferença e o alheamento com que a esmagadora dos deputados reagiu a esta exposição nua e crua da tortura animal.”

Editorial do Público a 22 de Julho de 2016.

PAN ::: Pessoas-Animais-Natureza

PÚBLICO.png

Fonte:

Refere o Diário de Notícias:

“Pateada forte na bancada social-democrata”, com o deputado “a fazer o gesto de quem espeta um par de bandarilhas e a lançar um ‘olé!'”.

A ideologia tauromáquica assusta e faz perpetuar uma actividade parasita do Estado, traduzida em numerosos e criativos procedimentos com dinheiros públicos. Vejam a lista:

– Isenção de taxas para ocupação da via pública;

– Mão de obra de funcionários camarários para trabalhos de montagem, manutenção e desmontagem de estruturas de apoio;

– Compra de publicidade;

– Empréstimo de transportes municipais, aluguer de viaturas, cedência de materiais e equipamentos municipais;

-Organização de touradas e festejos taurinos, compra e oferta de bilhetes de corridas;

– Aluguer de touros, contratação de cavaleiros e matadores, subsídios a colectividades tauromáquicas;

– Contratação de serviços de limpeza de ruas e de recintos que receberam eventos tauromáquicos;

– Oferta de almoços e jantares, prémios, condecorações e ofertas;

– Compra de livros alusivos;

– Patrocínio de escolas de toureio, financiamento de casas-museu de matadores de touros;

– Cedência de fracções de imóveis, doação de propriedades;

e

– A cereja no topo do bolo, as faraónicas obras de reabilitação e recuperação de praças de touros, templos da cultura da violência e da morte.

Até quando?

PAN – A causa de tod@s

Fonte: Arco de Almedina

Gata estrangulada com fio de pesca e pendurada num pau motiva queixa-crime

Associação de defesa dos animais de Coimbra diz que a queixa vai ser feita “contra conhecidos”.

A associação de defesa dos animais Gatos Urbanos vai apresentar uma queixa-crime “contra conhecidos, com identificação do suspeito e das testemunhas” pela morte de uma gata em Coimbra que foi encontrada estrangulada com um fio de pesca na passada quinta-feira. A gata, de nome Camila, tinha dez anos.

Na sua página no Facebook, a associação com sede em Coimbra diz que o crime foi cometido “contra um animal frágil, pacífico e indefeso” e “está a merecer a condenação geral por parte dos cidadãos”, que lhes têm feito “chegar mensagens de indignação e repulsa”.

“Quando moradores viram o macabro cenário, deram o alerta e foram tentar socorrer o animal. Ainda foram tentadas manobras de reanimação, mas inúteis, pois o animal estava já cadáver”, relata a Gatos Urbanos, recordando o sucedido

“O Grupo Gatos Urbanos prestou apoio à dona do animal vítima do cruel e cobarde acto e está a fazer as diligências necessárias para que a participação já feita à PSP — na 1.ª Esquadra de Coimbra — seja seguida das devidas investigação, acusação e condenação”, relata a Gatos Urbanos.

A associação diz ainda que não se pode permitir que a cidade de Coimbra “seja manchada” por “actos de revoltante crueldade como o de estrangular um animal e o exibir pendurado num pau”.

“Uma gata adulta, frágil e muito dócil foi estrangulada com fio de nylon com um laço de correr — tipo fio de pesca — e deixada pendurada pelo pescoço, suportada por um pau erguido (onde estava atado o fio), exibindo o seu corpo enforcado em local visível. O crime aconteceu e Coimbra, na rua da Casa Branca. Quando moradores viram o macabro cenário, deram o alerta e foram tentar socorrer o animal. Ainda foram tentadas manobras de reanimação, mas inúteis, pois o animal estava já cadáver”, relata a Gatos Urbanos, recordando o sucedido.

O grupo de defesa dos animais promete “apoiar integralmente a dona desta malograda gatinha, que teve este fim de vida tão trágico”, na “busca por justiça e condenação do indivíduo que cometeu tal crueldade gratuita e inusitada”.

Fonte: Publico

Família diz que Luaty Beirão se recusa a comer e não fala com ninguém

Um dos activistas condenados em Angola por “actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores” protesta contra a transferência “à força” para o Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda.

O activista Luaty Beirão terá iniciado esta quinta-feira uma nova greve de fome, que estará a cumprir sem roupa e em silêncio no Hospital-Prisão de São Paulo, em Luanda, para onde foi levado “à força” na quarta-feira.

Numa mensagem publicada na página oficial de Luaty Beirão no Facebook, lê-se que o rapper foi um de três activistas que se recusaram a ser transferidos da cadeia de Viana para o hospital-prisão – os outros foram Nélson Dibango e Albano Evaristo Bingo Bingo. Um outro preso transferido foi Francisco Mapanda (conhecido como “Dago Nível Intelecto”), condenado a oito meses de cadeia por ter dito em tribunal que o julgamento dos activistas era “uma palhaçada”.

“Eu não quero ir para um sítio só porque supostamente tem melhores condições para nós, quando a maior parte dos reclusos vive encarcerado com condições precárias”, terá dito Luaty Beirão, citado na mensagem publicada no Facebook.

Face a esta recusa – e segundo a mesma fonte –, “durante o dia de ontem, 4 de Maio, os serviços prisionais voltaram à comarca de Viana para buscar os outros quatro activistas, levando Luaty Beirão à força para o Hospital-Prisão de São Paulo”.

“Disseram-nos que ele não quer receber ninguém e que está nu. Não aceitou receber a comida e que está deitado no chão. Não sabemos de mais pormenores”, lê-se na mesma mensagem, que cita uma pessoa identificada apenas como familiar de Luaty.

Ouvida pelo site Rede Angola, a mulher de Luaty Beirão, Mónica Almeida, disse que o activista se recusa a falar com quem quer que seja.

“Ele foi levado ao Hospital-Prisão de São Paulo à força. Não sei que força é que eles usaram. Mas ele já tinha dito que não queria ir para a prisão de São Paulo”, disse Mónica Almeida. “Em Viana, ele já denunciava algumas anomalias, como excessos de prisão preventiva e outras situações menos boas a que os presos eram submetidos. Ele não concordava que tinha que ser levado para um sítio diferente dos outros, talvez com melhores condições, quando a maioria dos presos ainda vive em condições precárias”, cita o Rede Angola.

Os familiares de Luaty Beirão dizem que só se aperceberam da transferência para o hospital-prisão quando se dirigiram à cadeia de Viana para lhe entregar uma refeição.

Também em declarações ao Rede Angola, o porta-voz dos serviços prisionais, Menezes Cassoma, disse que ao todo foram transferidos 12 activistas condenados no mesmo processo, e não confirmou nem desmentiu que Luaty Beirão tenha iniciado uma nova greve de fome.

“Eu sei que ontem [quarta-feira] o Luaty foi transferido para o estabelecimento prisão de São Paulo, onde está nesse momento um conjunto de 12 reclusos. Relativamente ao protesto de fome e nudez ainda não posso confirmar”, disse o porta-voz.

O mesmo responsável disse que a transferência foi feita porque os presos se queixavam das condições na cadeia de Viana. “A direcção, tendo em conta que, aquando da passagem deles pelo Hospital-Prisão de São Paulo, não registou grandes reclamações, optou por detê-los naquele estabelecimento prisional.”

Os 12 activistas a que Menezes Cassoma se referiu foram transferidos da cadeia de Viana para o Hospital-Prisão de São Paulo na terça-feira, e Luaty Beirão, Nélson Dibango e Albano Evaristo Bingo Bingo terão sido levados quarta-feira – do grupo de 17 constam ainda duas mulheres, Rosa Conde e Laurinda Gouveia, que permanecem cadeia feminina de Viana, segundo Rede Angola.

Condenação de activistas reforça ideia de que Angola “vive uma ditadura”

O rapper foi condenado em Março a cinco anos e seis meses de prisão, juntamente com outros 16 activistas, por “actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores” – 13 deles foram detidos em Junho do ano passado, durante uma reunião em que debatiam um capítulo do livro Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar Nova Ditadura – Filosofia Política da Libertação para Angola, do académico Domingos da Cruz.

Os activistas recusaram sempre as acusações e garantiram em tribunal que os encontros semanais que promoviam visavam discutir política e não qualquer acção de destituição do Governo ou actos violentos.

Fonte: Publico

Animais em vias de deixarem de ser encarados como objectos

Ministra da Justiça admite necessidade de alterar Código Civil.

O PAN – Partido Pessoas, Animais, Natureza vai apresentar no Parlamento esta sexta-feira um projecto destinado a alterar o estatuto jurídico dos animais, de forma a que a lei os deixe de encarar como coisas e passe a conferir-lhes uma nova categoria intermédia entre os objectos e as pessoas.

A necessidade de alterar o Código Civil nesta matéria foi reconhecida esta terça-feira pela ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, numa conferência promovida pelo PAN na Assembleia da República. Admitindo que a lei que criminaliza os maus tratos, com escasso ano e meio de vigência, também precisa de ser aperfeiçoada, a governante defendeu que se deixe amadurecer a sua aplicação antes de levar a cabo quaisquer alterações. Posição diferente tem a ministra sobre a mudança do estatuto jurídico dos animais, que entende que pode avançar já, assim o entenda o Parlamento.

Essa é também a esperança do deputado do PAN, André Silva, que depois de ter falado com os diferentes grupos parlamentares entende existir consenso suficiente para fazer aprovar uma alteração legal que, mais do que consequências práticas, diz ter um valor proclamatório. Afinal, observa, não é possível maltratar uma coisa.

E o número de queixas apresentadas às autoridades por maus tratos ou abandono está a aumentar exponencialmente. Segundo dados apresentados pela PSP, ao longo de 2015 foram apresentadas 728 denúncias, cem das quais logo no primeiro trimestre do ano. Mas entre Janeiro e Março deste ano o número de queixas praticamente duplicou em relação ao mesmo período do ano passado.

Perfil do criminoso

A GNR tentou esboçar um perfil deste tipo de criminosos: são maioritariamente homens, mas só no caso dos maus tratos; quando se trata de abandono, eles e elas estão sensivelmente em pé de igualdade. Trata-se de pessoas mais velhas e, pelo que já foi estudado nalguns países, muitos deles já têm cadastro por outros crimes. Uma procuradora que se especializou na matéria, Eunice Marcelino, confirma-o: “Há uma profunda ligação destes a outros crimes, nomeadamente à violência interpessoal, e a problemas de saúde mental”. Quem abusa dos animais é mais propenso a maltratar crianças e mulheres, dizem alguns estudos.

Além de querer sanar a lei dos maus tratos das suas numerosas incongruências, André Silva vai apresentar um terceiro projecto na Assembleia da República para a permitir a entrada de animais de companhia em estabelecimentos comerciais. No que diz respeito ao estatuto jurídico dos animais, foram os próprios socialistas a propor, na anterior legislatura, a sua alteração – o que voltarão a fazer na actual legislatura, quando o assunto for agendado, explicou ao PÚBLICO o deputado do PS Pedro Delgado Alves, adiantando que isso deverá suceder até ao Verão. Por outro lado, o grupo parlamentar do PS reconhece falhas na lei que criminaliza os maus tratos, fruto de um acordo com a anterior maioria PSD/CDS que implicou cedências de ambas as partes. “Estamos disponíveis para melhorar o texto da lei”, refere o mesmo deputado.

Para o PAN, em causa está, por exemplo, a punição prevista para quem matar um animal de companhia, que só sucede, segundo a letra da lei, se lhe essa pessoa causar previamente sofrimento ao bicho. E o que fazer quando o dono resolve envenená-lo? Como provar que foi mesmo ele, e não um vizinho mal intencionado, o autor do crime? As mortes praticadas “de forma mais insidiosa”, por vezes para contornar a criminalização dos maus tratos, exigem técnicas de investigação que nem sempre são baratas, assinalou outro orador da conferência, o major Ricardo Alves, da GNR.  Uma análise toxicológica para determinar se houve envenenamento pode custar cem euros. Não é incomum os donos dos animais recorrerem a fertilizantes que usam nos seus terrenos para se verem livres deles, assinalou.

O destino dos animais retirados aos donos por maus tratos constitui outro problema. Têm de ser entregues a centros de recolha. Mas que condições têm estes centros? Uma dirigente da associação de defesa dos animais Midas, Lígia Andrade, explicou na conferência desta terça-feira como o resgate de uma centena de animais de um abrigo ilegal sem condições de higiene ou salubridade na zona de Matosinhos, no final do ano passado, descambou na sua colocação num canil “que não tinha capacidade para acolher mais de 50”, enquanto o Ministério Público não decidia o seu destino.

A mesma responsável também relatou o caso de um gato com problemas de insuficiência renal que ficou oito meses num canil, à espera de uma decisão de um tribunal, em vez de ser dado para adopção. “Felizmente sobreviveu”, observou Lígia Andrade. A alteração do Código Civil pode evitar que casos como estes continuem a suceder, considera Eunice Marcelino.

Outra insuficiência apontada à lei que criminaliza os maus tratos, quer por activistas quer por juristas que estudaram o assunto, relaciona-se com o facto de ela se restringir aos bichos considerados de companhia – deixando assim de fora um enorme universo de animais, dos que actuam nos circos até aos animais de trabalho ou de caça. André Silva explica que isso faz com que dois cães da mesma ninhada possam ter graus de protecção legal diferentes, se um for usado na caça e outro mantido como animal de companhia.

A proposta de permissão de entrada de animais em estabelecimentos comerciais é aplaudida pelo bastonário dos veterinários, Jorge Cid, no entender de quem essa possibilidade deve ser alargada aos transportes públicos. E não deverá enfrentar objecções do PS, pelo que diz Pedro Delgado Alves: “Em teoria nada temos a opôr”.

Fonte: Publico