PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DA PÓVOA DE VARZIM PRESSIONADO PELA prótoiro

Senhores Psicopatas da “Protoiro”, voces, como é vosso habito, só dizem dispares, nada mais.

Mas há algo que vocês, se não tivessem, como têm, problemas psiquiátricos graves, já teriam entendido. A violência, o sofrimento, a dor, o sangue, não é, e jamais será cultura. A tauromaquia não é e jamais será cultura.
Se a tauromaquia fosse cultura, os assassinatos; os assassinatos em serie; a violação; a violência domestica; os atentados terroristas; as guerras, seriam cultura. Vou repetir. A violência, não é, e jamais será cultura.
A literatura.
As artes plásticas.
O cinema.
A musica.
A ópera.
O teatro.
Isso sim, são manifestações de cultura.
A cultura, são todas as artes que transmitem valores ao ser-humano. Os valores da compaixão, da bondade, da humanidade, do respeito pelo bem-estar, e pela felicidade do outro, e não os valores da violência!

Mário Amorim


Esta vai ser a grande prova de fogo de Aires Pereira. Vamos ver o que vale a sua palavra.

É agora ou nunca, para provar se a Póvoa de Varzim, finalmente, está na senda da evolução.

Mas o que pretendem os protóiros?

A Póvoa de Varzim não é o quintal dos trogloditas lá de baixo.

Na Póvoa mandam os Poveiros não-trogloditas.

PRAÇA DA TORTURA.jpg
Esta é a arena de tortura da Póvoa de Varzim, marca do atraso civilizacional em que esta cidade está mergulhada.

A prótoiro – federação de tauromaquia – emitiu um comunicado muito engraçado, mostrando-se disponível para ajudar o município poveiro a gerir a arena, para que se continue a torturar Touros e Cavalos na Póvoa de Varzim, cidade que se diz “Amiga dos Animais”.

Lê-se co comunicado:

«Depois de durante muito tempo o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, Aires Pereira, ter anunciado que a remodelação da Praça de Toiros da cidade ia manter todas as suas valências tauromáquicas, causou choque e surpresa entre os Poveiros e os aficionados que este fim-de-semana viesse manifestar a intenção oposta

Primeiro: esta decisão inteligente não causou choque nem surpresa aos Poveiros, que receberam esta notícia com muito regozijo; causou choque e surpresa, isso sim, aos trogloditas poveiros, que é outra coisa, felizmente poucos, e aos manda-chuvas da tauromaquia em Portugal, felizmente também uns poucos, que, desesperadamente, andam por aí a tentar manter em pé o moribundo ofício da tortura de Touros e Cavalos.

Segundo: nunca é tarde para um presidente da Câmara enveredar pelo caminho da evolução, e querer o melhor para o município.

E o comunicado prossegue:

«Importa lembrar que a Tauromaquia é um traço centenário da cultura e identidade dos Poveiros, sendo a sua praça um ex-libris da cidade e da tauromaquia no norte de Portugal. Além disso, a tauromaquia é uma das marcas distintivas e uma das mais-valias da oferta turística e cultural da cidade e da região, com impacto económico. Basta referir a famosa Corrida TV Norte, que leva o nome da cidade aos quatro cantos do mundo.»

Este parágrafo é hilariante.

Primeiro: porque a tauromaquia não é um traço centenário de coisa nenhuma, muito menos de cultura e identidade dos Poveiros. Os Poveiros não se revêem neste costume bárbaro, que catapulta a Póvoa de Varzim para tempos medievalescos, assentes numa ignorância profunda, em comparação com a vizinha Vila do Conde, onde se respira Arte e Cultura por toda a cidade, preferida pelos turistas estrangeiros, que a escolhem para fazer Turismo Cultural. Sei do que falo, porque sou eu que os levo lá.

Segundo: a arena de tortura a ser um ex-libris, é o ex-libris do atraso civilizacional em que a Póvoa de Varzim está mergulhada.

Terceiro: a tauromaquia não é uma das marcas distintivas e uma das mais-valias da oferta turística e cultural da cidade e da região, com impacto económico: muito pelo contrário. É uma marca do atraso civilizacional, e uma menos-valia da oferta turística de qualidade. Os turistas de qualidade vão para Vila do Conde. A ralé que vai à Póvoa de Varzim assistir à tortura de Touros é sempre a mesma, uns poucos e desqualificados broncos. E se lá calha um ou outro turista estrangeiro, vai ao engano uma vez, e nunca mais lá põe os pés. Sei do que estou a falar.

Quarto: a tristemente famosa corrida TV Norte leva aos quatro cantos do mundo o quanto atrasada civilizacionalmente ainda é a Póvoa de Varzim, porque o mundo civilizado REJEITA esta prática bárbara, cruel e violenta. Isto não traz prestígio nenhum à cidade, muito pelo contrário.

E o comunicado continua a debitar disparates:

«Além disso, a Tauromaquia está classificada como “parte integrante da cultura popular portuguesa” (Decreto-Lei n.o 89/2014) e o Estado, central e local, tem a obrigação constitucional de promover o acesso de todos os cidadãos à cultura (artigo 73º, nº3) e da sua salvaguarda (artigo 78º) sendo o direito à cultura um direito fundamental (artigo 17º). Impedir ou proibir manifestações culturais é uma violação da constituição

Primeiro: a tauromaquia, como costume bárbaro que é, jamais foi ou será parte integrante da cultura popular portuguesa, e só fica mal ao Estado a promoção deste “divertimento” sádico, e a tortura não sendo cultura, nem aqui, nem na cochinchina, não cabe nos artigos citados. Essa Cultura a que se refere os artigos é a Cultura Culta e a Cultura Popular Portuguesa, não é a cultura dos broncos.

E os prótoiros vão sonhando, o que, aliás, não é proibido:

«Quanto a aspectos técnicos da recuperação, não existem limitações que impeçam a utilização da praça de toiros para funções multiusos, com a manutenção da tauromaquia. Basta ver os casos da Arena de Évora, Campo Pequeno, Redondo ou Elvas, onde as praças foram recuperadas e acumulam tranquilamente a sua função tauromáquica com as mais diversas actividades desportivas e lúdicas. Aliás, seria um enorme contra-senso uma praça de toiros ser reabilitada e não ter a sua principal função disponível, a não ser que exista alguma intenção oculta. Acreditamos que com boa-fé e know-how esta situação se resolverá com grande facilidade. Para que assim seja já solicitamos uma reunião urgente com o Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.»

Acontece que os casos das arenas citadas não são bons exemplos. Pertencem ao rol do atrasado civilizacional em que Portugal está mergulhado. O que se pretende é evolução e divertimentos civilizados, e não assentes no sofrimento atroz de seres vivos sencientes, para divertir os sádicos. Contra-senso é manter uma arena de tortura activa, a dar mau nome à cidade.

Pois solicitem uma reunião urgente.

Aires Pereira, presidente do município poveiro, estará na berlinda, e terá de mostrar ao mundo o que vale a sua palavra, porque ou dá um passo em direcção ao futuro, e mostra que é um HOMEM de palavra, ou dá um passo atrás, e mostra que se rende à barbárie, por motivos obscuros.

Veremos quem ganha: a barbárie ou a Cultura Culta. A Evolução ou o atraso civilizacional. O mundo civilizado está de olhos postos na Póvoa de Varzim.  Garantidamente.

Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

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No artigo de hoje.

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No artigo de hoje, do JN, é visível, a natureza psicopata, sociopata dos defensores da tauromaquia, concretamente da “Protoiro”, ou Pró-toto, como prefiro chamar, ao rebaterem os dados neles contidos, com mentiras. E para tornarem a sua Psicopatia, a sua Sociopatia, ainda mais clara, não só mentem, como não dão nenhuma prova concreta, no que disseram ao JN.

É cada vez mais evidente, e essa é a verdade, que a tauromaquia, está cada vez mais, num claro declínio em Portugal.

Seja o Campo Pequeno, ou qualquer outra praça de touros, está muito longe de estar cheia. E nem com entradas grátis. Nem com entradas oferecidas, elas enchem.

É cada vez mais verdade, que a maioria dos portugueses são contra uma prática bárbara, chamada tauromaquia!

Mário Amorim

Visitar Israel para não mais voltar a Israel, por Caetano Veloso

RESUMO Pressionado a não se apresentar com Gilberto Gil em Israel, Caetano Veloso visitou, com o amigo, áreas da Cisjordânia. Neste texto, ele relata a visão que teve da opressão aos palestinos. Um trecho de uma letra de Marcelo Yuka (“A Paz que Eu Não Quero”) sintetiza o sentimento que ficou da visita.


Gil e Caetano em Susiya, na Cisjordânia, que visitaram em 26/7

Chegar a Tel Aviv vindo da Europa é como voltar ao Brasil. A cidade tem o aspecto de uma das nossas capitais nordestinas, e o seu povo, o ar altivamente desencanado do carioca.

Desde a primeira vez que fui a Israel, o contraste da capital do país com as cidades europeias, expresso na arquitetura moderna indefinida e no jeito sensual de seus habitantes, me conquistou. Senti imediata familiaridade com a cidade praieira e ensolarada no verão mediterrâneo. Essa identificação me deixava totalmente vulnerável à força histórica que a cada passo eu era convidado a encarar. A consciência de que estávamos na Terra Santa, as marcas da fundação do país depois da Segunda Guerra Mundial, as experiências socialistas dos kibutzim, o renascimento do hebraico falado, a tensão da ameaça permanente de ataques de homens-bomba.

Voltei a Israel umas poucas vezes, com um intervalo muito maior entre a penúltima e essa de agora do que entre as anteriores. A primeira foi nos anos 1980. Nessa última, senti diferença desde a saída da França: nada das revistas minuciosas nem da separação em salas especiais dos passageiros que iam para lá. E, no aeroporto Ben Gurion, nem de longe houve a acolhida nervosa das primeiras visitas. Tel Aviv nos recebeu sem caras desconfiadas e, já nas ruas, sem os outrora indefectíveis (e, apesar de tudo, charmosos) soldados, dos dois sexos, cuidando de cada esquina. Essa ausência de sinais de defesa crispada fazia a cidade parecer-se mais com uma Fortaleza habitada por cariocas do que parecera anos antes. A sensação de estar “em casa” foi mais forte e comovente do que nunca.

Era difícil reconhecer que essa paz refletia o maior poder adquirido pelo Estado de Israel, sua certeza de que a cúpula de proteção construída por sua defesa está firme. Será, como diz Marcelo Yuka, a paz que não quero?

Essa pergunta não surgia facilmente em minha cabeça na noite de minha chegada. No dia seguinte, no entanto, ela não me abandonava. Acordei o mais cedo que pude para não me atrasar para o encontro com um grupo de israelenses críticos da política oficial, o Breaking the Silence, que me fora indicado por Jorge Drexler quando da apresentação do show com Gil em Madri. Drexler ouviu quão interessado eu estava em ver o que se passa na Cisjordânia e, filho de pai judeu, não só me deu dicas como prometeu pôr-me em contato com membros do movimento.

Dessa conversa em Madri surgiu o plano de uma visita guiada a partes da Cisjordânia onde se pudesse sentir o peso da ocupação israelense. Contei a Gil e ele disse que queria ir junto. Fomos todos, nós dois e as duas equipes de produção. Na van espaçosa, conduzida por um palestino, íamos nós mais o jornalista uruguaio Quique Kierszenbaum e Yehuda Shaul, o guia.

Yehuda falava com muita clareza, num inglês fluente de israelense filho de pais anglófonos. Disse ter crescido numa família conservadora. Fora soldado do Exército de Israel, um veterano da ocupação de territórios palestinos. Depois de vivenciar muitas situações de opressão, segregação e cotidianas monstruosidades, não pôde mais seguir vivendo sem denunciá-las e sem se opor publicamente a elas. Juntou-se a alguns colegas e com eles iniciou o movimento de permanente protesto. Ele chamou a atenção para o quipá que usa, disse-se judeu religioso e, à medida que a van começava a varar desertos, narrou atrocidades e explicou a situação geográfica e histórica da violência de seu país contra as populações da margem ocidental do rio Jordão.

Respondendo a uma pergunta de um dos nossos sobre como via a reação anti-Israel de outros grupos de muçulmanos, além da resistência palestina, Yehuda disse que continua disposto a matar e morrer por sua pátria, sempre que esta seja ameaçada por fanáticos que não admitam sua existência, mas que não aceita a ocupação de territórios palestinos porque ela “não é kosher”. Comparou a ocupação a um câncer que matará o Estado de Israel se não for extirpado a tempo.

Alguns apoiadores do BDS, movimento internacional de boicote a Israel, tinham nos procurado, a Gil e a mim, na tentativa de dissuadir-nos de ir a Tel Aviv. Pelo que ouvi da boca de Yehuda –e de Nasser, o palestino de Susiya que por ele nos foi apresentado– todas as queixas dos participantes do BDS são fundadas. O que os radicais desse movimento dizem sobre o Breaking the Silence é que este, embora crítico do governo de Israel, permanece sionista. O que Yehuda diz é que os do BDS, embora protestem contra o que ele próprio odeia, têm como pano de fundo a erradicação do Estado de Israel. O único comunicado que Gil e eu recebemos que sugere tal coisa foi o do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Eis uma amostra do tom do documento: “Nossa luta é por justiça, liberdade e igualdade. Nosso sindicato se soma ao movimento BDS por entender que esta é uma importante ferramenta pelo fim do Estado de Israel”. Izhar Patkin, um artista plástico israelense, me disse, em Tel Aviv, que acha boa a existência de qualquer um desses movimentos: eles fazem o barulho que a questão merece, gritam para o mundo o que ele já ouvia nos discursos de Yeshayahu Leibowitz há muitos anos.

COLETIVA

Antes de sairmos do Brasil, fui procurado por um cidadão israelense de origem brasileira, chamado Davi Windholz. Ele lera anúncio de nossa ida a Tel Aviv em minha página do Facebook e procurou entrar em contato via e-mail. Dirige uma escola para crianças palestinas e judias, posiciona-se à esquerda do establishment político, e queria marcar um encontro nosso com estudantes e grupos dissonantes da política oficial do país. Depois que já estávamos na Europa –na verdade já às vésperas de ir para Israel– chegou-nos um e-mail do promotor local propondo que déssemos uma entrevista coletiva à imprensa na Fundação Shimon Peres.

Eu, já interessado nas propostas de Drexler e de Windholz, não estava inclinado a aceitar o que o promotor propunha. Consultei Windholz por e-mail. Ele respondeu que Peres “é mainstream”. E concluiu: “Certamente tentarão usar vocês a favor de Israel, mas vocês saberão driblá-los”.

No entanto Gil, que, quando era ministro da Cultura, já tinha tido um encontro marcado com Peres que não se concretizou, decidiu-se pela aceitação da coletiva no prédio da fundação do ex-premiê, ex-ministro da Defesa e prêmio Nobel. Peres tinha sido o companheiro de Yitzhak Rabin (1922-95) nas mais avançadas tentativas de negociação com os palestinos, interrompidas pelo assassinato de Rabin por um jovem israelense fanático. Combinamos, então, que uma reunião com Windholz se seguiria à coletiva com Peres.

Mas a ida à Cisjordânia precedeu tudo isso. Na coletiva, a única pergunta realmente pertinente nos foi feita pelo jornalista brasileiro Rodrigo Alvarez, correspondente local da TV Globo. A ele pude responder que tinha ido a Susiya, levado por um ex-soldado do Exército israelense, e que isso tinha me abalado. A menção a Susiya (que estava nas manchetes dos jornais de todo o mundo por estar sofrendo agressões do Exército israelense, o que gerou comentário pouco amigável a Israel feito por um membro do Departamento de Estado americano) provocou um silêncio incômodo na sala.

O fato é que me senti triste nesses momentos na Fundação Shimon Peres. Saímos dali e fomos para a sala de recepções do hotel onde estávamos hospedados e lá encontramos Davi Windholz com sua turma de críticos das políticas israelenses. Lá estavam um grupo de mulheres judias e árabes que jejuariam por 50 dias em protesto contra os ataques a Gaza, que em julho faziam um ano; o músico David Broza; e uma plateia de pessoas (sobretudo jovens) que aplaudiram fortemente ao apenas ouvirem a palavra Susiya –o que contrastava com o silêncio incômodo dos presentes à coletiva na Casa Shimon Peres. E ovacionaram as palavras “parem a ocupação, parem a segregação, parem a opressão”, que finalizaram minha narrativa da ida à Cisjordânia.

CARTAS

Desde as cartas que nos enviaram Roger Waters e Desmond Tutu –e as visitas de dois jovens brasileiros também ligados ao BDS– comecei a procurar mais e mais coisas para ler sobre a questão israelo-palestina. Eu estava ainda fazendo apresentações do show “Abraçaço” e precisava usar o tempo restante em ensaios com Gil que permitissem a criação de um espetáculo minimamente profissional. Mas achava tempo para ler e ver vídeos. Com a carta de Windholz, redobrei as pesquisas.

Ao voltar ao Brasil, recebi e-mails com atualizações do Breaking the Silence. Numa das mensagens estava anexado um vídeo em que Nasser, o palestino com quem conversamos em Susiya, era surrado com pedaços de pau por jovens israelenses moradores de um assentamento.

É uma imagem brutal. Soldados do Exército de Israel assistem à cena impassíveis. Agora que uma terceira intifada se esboça –e que Netanyahu se vê isolado não só pela oposição mas também por correligionários que o acusam de não conseguir proteger Israel– constato, de longe, que a paz que eu julgava ver dentro de Tel Aviv –e que começava a pensar ser a paz que eu não quero– era, como no entanto eu sabia o tempo todo, frágil, superficial e ilusória.

GAROTOS

Antes da viagem, eu tinha dito a Pedro Charbel e a Iara Haazs, os jovens do BDS com quem conversamos, que eu tinha sempre gostado tanto de Israel que me sentia como um israelense que se opõe às políticas de Estado do seu país. Iara é, ela mesma, israelense (judia brasileira criada em Israel), mas mesmo ela não se sentia à vontade com essa minha colocação. São garotos militantes, o que pode dar em formas altivas de intolerância.

Um amigo deles, Gabriel, estava em Susiya no dia em que fomos lá. Esquivo e de olhar inquisidor, exibia silenciosa impaciência com a sutileza de nossa situação de visitantes: eles nos queriam na luta clara dos que boicotam Israel e deploravam qualquer nuança, qualquer sugestão de complexidade. Eu quero a paz que se mostra desde sempre impossível. Mas agora eu a quero sentindo-me muito mais próximo dos palestinos do que jamais me imaginei –e muito mais longe de Israel do que suporia meu coração há apenas pouco mais de um ano. E quero que Gabriel, Iara e Pedro saibam disso.

Ao sair do Brasil, escrevi e-mail a Hany Abu-Assad, o grande cineasta palestino que nos deu “Paradise Now”, avisando da nossa ida e contando sobre a pressão que sofremos por parte do BDS. Ele respondeu que ficaria contente de poder nos ver: o tempo que passou no Rio lhe parecera um dos melhores de sua vida. Mas que preferiria que atendêssemos às exigências do BDS: “São meus amigos”, ele disse. No entanto afirmou que, se fôssemos assim mesmo, ele iria assistir ao show. Quando afinal fomos, ele mandou e-mail dizendo que já não poderia comparecer: estaria na Europa finalizando um novo filme. É um homem que, quando, em Salvador, lhe perguntei se era religioso, respondeu: “Nunca fui, não tenho fé, mas hoje me considero religioso muçulmano por razões políticas”.

Antes de entrar no palco em Tel Aviv, pensei em dedicar o show a Hany. Pensei também em reiterar a homenagem à memória de Franklin Dario, o judeu pernambucano que compôs “Ana Vai Embora”. Mas no palco, ao lado de Gil, diante da imensa plateia, decidi que deixaria o show falar por si mesmo. Na van em que fomos a Susiya, eu tinha perguntado a Yehuda o que ele acharia se eu gritasse “Break the Silence” durante o show. Ele ficou mudo por uns momentos e finalmente respondeu: “Não sei. Pode ser interessante; eu gostaria de saber como o público reagiria”. Na hora, fazendo grande esforço interno, optei por total silêncio político.

SEGREGAÇÃO

A lembrança da canção do Rappa veio habitada por cenas da segregação informal (e não poucas vezes formalizada “ad hoc”) que se exerce no Brasil. Quem estava vendo aquele acampamento palestino com bandeiras elevando-se acima das moradias provisórias era um grupo de brasileiros, capaz de achar a cena parecida com um assentamento do MST.

Três filhas de Nasser, duas ainda crianças, uma na puberdade (o que a levava a ter de usar véu) brincavam ao redor. Eu precisava ir ao banheiro e perguntei a Paulinha Lavigne o que fazer. Ela já estava muito mais enturmada com as meninas do que me seria possível calcular. Sem que houvesse nenhuma língua em que pudessem se comunicar com as palestinazinhas, as mulheres do nosso grupo já tinham conseguido dialogar com elas, que eram bonitas e sorridentes. Fui orientado a um banheiro isolado no relento. Gabriel, o jovem ligado ao BDS, contribuiu na indicação do caminho até lá.

Nasser tinha saído de carro para resolver alguma coisa não longe dali e, ao voltar, reuniu-se conosco sob uma tenda. Narrou as cenas de destruição de habitações pelo Exército de Israel e explicou os casuísmos legais usados pelo Poder Judiciário para a continuidade da violência da ocupação.

As favelas brasileiras ocupadas me vinham à mente. Eu não queria fazer um reducionismo político e usar um esquema único para avaliar questões brasileiras à luz da situação palestina, mas as imagens de fracassos pontuais das UPPs no Rio (não apenas o caso Amarildo) vinham à cabeça. Nós, os visitantes, não éramos estranhos às desumanidades que testemunhávamos no Oriente Médio. Era impossível não fazer paralelo com situações que vivemos no Brasil.

LOUCURA

Na internet vi discurso de um filho de general judeu, herói da Guerra dos Seis Dias, cheio da mais violenta oposição não só à política israelense mas à própria existência de Israel, fundando sua argumentação não naquela guerra mas na Nakba, a catástrofe que foi, para os árabes da Palestina, a fundação do Estado judeu. Vi uma mulher que dizia que não é razoável trocar paz por terra: troca-se paz por paz, ela repetia, querendo dizer um não às teses de acabar com a ocupação e os assentamentos. Vi muita loucura de ambos os lados.

Vi um desenho animado que expressava a proposta de dois Estados num único território (“2 States, 1 Homeland”), em que se sugere que toda a extensão que vai do Jordão ao Mediterrâneo seja compartilhada por árabes e judeus igualmente, cada grupo com seu governo. Há muitos israelenses conservadores dizendo que isso significaria afogar a população judia na imensa multidão árabe. Mesmo assim, é essa hipótese que Davi Windholz anuncia vir defender em palestras aqui no Brasil.

Mas o mestre que falou em judeo-nazismo, Yeshayahu Leibowitz (1903-94), um cientista que era também religioso, ao bradar contra o ministro da Suprema Corte israelense que tinha tornado legal a tortura de indivíduos árabes para fazê-los falar e, assim, manter Israel protegido, me impressionou mais do que todos.

Leibowitz não apenas foi um religioso que defendeu a separação entre religião e Estado e se antecipou aos inimigos de Israel ao detectar aspectos nazistas na política do país mas também, mantendo-se sionista, opôs-se violentamente à Guerra dos Seis Dias e, mais ainda, à invasão do Líbano. Foi também pioneiro em fazer o paralelo Israel/África do Sul. Eu teria dedicado nosso show à sua memória.

Gosto de Israel fisicamente. Tel Aviv é um lugar meu, de que tenho saudade, quase como tenho da Bahia. Mas acho que nunca mais voltarei lá.

CAETANO VELOSO, 73, é músico, compositor e autor de, entre outros, “O Mundo Não É Chato” (Companhia das Letras).

Fonte: Folha de S.Paulo

***

Esta atitude do Caetano Veloso é uma atitude nobre. É uma atitude reveladora de um grande coração. Muitos outros músicos, como por ex a Bjork; a Lauryn Hill e Roger Waters, declararam que não voltarão a tocar em Israel, por causa da Palestina:

Se hoje fosse o dia das mentiras isto era excelente! ProToiro nega existência de fundos comunitários para touradas

Federação Portuguesa de Tauromaquia defende que “a proposta do Parlamento Europeu [é sobre um apoio que] não existe e, se não existe não se pode proibir”

Tourada [Foto: Lusa]

A ProToiro considerou, esta quinta-feira, que a proposta que veda a atribuição de verbas de financiamento para touradas “é uma campanha negativa para o setor”, uma vez que “não existem fundos comunitários para atividades com fins tauromáquicos”.

O Parlamento Europeu (PE) solicitou na quarta-feira que nenhuns fundos comunitários sejam destinados a propriedades onde sejam criados touros para touradas, o que foi recebido com satisfação pelas associações de defesa dos animais, mas é contestado pelos defensores da tauromaquia.

Em declarações hoje à agência Lusa, Hélder Milheiro, da ProToiro- Federação Portuguesa de Tauromaquia, explicou que o que aconteceu no Parlamento Europeu (PE) foi a apresentação de uma emenda do Partido Ecologista “Os Verdes”, na qual se pede que “nem os dinheiros da PAC (Política Agrícola Comum), nem quaisquer outras verbas orçamentadas devem ser utilizadas para financiar atividades de tauromaquia em que o touro seja morto”.

“O que acontece é que aqui há um problema: esta emenda pede [o fim de] algo que não existe, uma vez que não existem apoios europeus destinados à tauromaquia, como (…) revelou uma fonte da Comissão Europeia”, salientou.

A Comissão Europeia, citada na quarta-feira pela Agência France-Presse, diz que “não há nenhum financiamento da UE para touradas”, recordando que, desde 2003, os subsídios recebidos pelos agricultores “deixaram de estar ligados ao que produzem e em que quantidade para ficarem sujeitos ao respeito de determinados padrões” relacionados com o ambiente ou o bem-estar animal.

“A proposta do PE [é sobre um apoio que] não existe e, se não existe não se pode proibir”, disse Hélder Milheiro.

No entender do responsável, a proposta do PE tem por objetivo fazer uma campanha mediática da parte de alguns grupos políticos para tentarem gerar um efeito negativo sobre o setor da tauromaquia.

“O alvo desta campanha foi a tauromaquia espanhola e francesa, onde o toiro é morto. Tratou-se de mais uma manobra demagógica que não tem fundamento legal, e não poderá ser aceite. Ao que tudo indica, será recusada pelo Conselho da União Europeia”, segundo a ProToiro.

Hélder Milheiro lembrou que, também em Portugal, “vários grupos antitaurinos têm veiculado a mesma mentira, dizendo que a tauromaquia recebe 16 milhões de euros por ano”.

“O IFAP [Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, responsável pela gestão dos fundos europeus para a agricultura] já desmentiu categoricamente a existência de apoios à tauromaquia, tal como o próprio Ministério da Agricultura respondeu a esta questão colocada pelo Bloco de Esquerda, no final de 2012, pela deputada Helena Pinto, no parlamento”, disse.

Na resposta, referiu Hélder Milheiro, foi sublinhado que “não existem apoios públicos para fins tauromáquicos, nem qualquer apoio que seja atribuído especificamente aos touros de lide”.

Neste contexto, a ProToiro lamenta que o PE seja “instrumentalizado para votações que carecem de verdade e de fundamento legal, promovendo preconceitos ‘taurofóbicos’, num claro desrespeito pelos direitos e liberdades dos cidadãos europeus”.

Fonte: TVi24

***

Ora vejam só. Estes tipos têm cá uma lata. Vindo de mentirosos compulsivos, não espanta.

Vamos então fazer um curto exercício:

-Com o fim das touradas o touro vai extinguir-se
-O touro nasceu para ser toureado
-O touro não sofre
-A tauromaquia sustenta-se a si própria. A tauromaquia não é subsidiada
Estas alegações, nunca foram provadas. Ou seja, estes mentirosos compulsivos, alegam-nas incessantemente, mas nunca as provam. E como diz o ditado; não chega falar, é preciso provar.

Depois, nestas declarações, eles insinuam que os Euro-deputados são mentirosos. E tal insinuação vindo de especialistas em mentir, vindo de mentirosos compulsivos, está tudo dito!

A verdade é que sem subsídios, as touradas não sobrevivem. E agora pergunto: como é que uma actividade que desde 2009 está claríssimo declínio de publico, se pode sustentar a si própria? -As praças de touros, desde 2009 têm cada vez menos publico. Na sua maioria estão com poucas dezenas de pessoas nas bancadas. E quantas e quantas corridas de touros com meia dúzia de pessoas nas bancadas!? E nem com corridas de touros com entradas grátis para o público as praças enchem de público. E depois atravessem-se a afirmar que as touradas não são subsidiadas?! – São e não é pouco. São, com 16 Milhões de Euros anuais, do Estado, da União Europeia e das Câmaras Municipais. E qualquer pessoa pode ir buscar todos os dados as sites oficiais do Governo e da União Europeia. Estão lá todos os dados. E se formos para Espanha. A tauromaquia espanhola era financiada pela União Europeia com 152 Milhões de Euros por ano.

Por tanto; estes mentirosos compulsivos querem fazer das pessoas parvas, quando deveriam era estar muito, muito caladinhos. Pois cada vez que abrem a boca, só sai asneira. Aliás, como é costume! 

Mário Amorim

Há pessoas, a começar por cientistas que não acreditam nesta realidade! Mudanças climáticas A humanidade é responsável pela trágica situação dos ursos-polares

ursopolar

Turistas e fotógrafos de vida selvagem costumam visitar Svalbard, um território ártico norueguês, especialmente para ver os ursos-polares. E sim, geralmente, vamos encontrá-los: ursos belos e fotogênicos brincando ou até mesmo durante a caça. À primeira vista, tudo é como sempre foi em uma das populações mais facilmente acessíveis de ursos-polares do mundo, fortemente protegidos e indo bem, pelo menos é o que alguns cientistas dizem.

Mas os ursos aqui estão realmente bem? Eu sou uma pessoa crítica e observo. Eu vejo os verões sendo tão agradáveis (e quentes) como nunca. Eu vejo as geleiras quebrarem e reduzirem dezenas a centenas de metros a cada ano. Eu vejo a calota polar desaparecer em velocidade recorde. Sim, eu tenho visto ursos em boa forma – mas também tenho visto ursos-polares mortos e passando fome . Ursos andando nas margens, à procura de comida, tentando caçar renas e comendo ovos do pássaro, musgos e algas. E percebi que os ursos fortes, que permanecem na calota polar durante todo o ano, são quase todos machos. As fêmeas, por outro lado, que vêm para a terra para dar à luz seus filhotes, muitas vezes são franzinas. Com a calota polar diminuindo mais e mais a cada ano, eles tendem a ficar presos na terra, onde não há muita comida. No primeiro ano, eles perdem seu primeiro filhote. No segundo ano, eles perdem o segundo (e último) filhote. Apenas uma vez vi uma mãe com um filhote quase independente. Apenas poucas vezes vi mães lindas e fortes com pequenos ursos bonitos e fortes. Muitas vezes, eu vi ursas terrivelmente franzinas – como esta aqui retratada. Um mero esqueleto, com a perna ferida, possivelmente por uma tentativa desesperada de caçar uma morsa enquanto ela estava em terra.

Especialistas afirmam que a população Svalbard é estável e, até mesmo, crescente. Bem, aqui eu pergunto: como uma população pode ser estável se ela consiste de cada vez menos fêmeas e filhotes? Como uma população pode estar indo bem, se a maioria dos ursos tem um índice de massa corpórea baixo? Em uma escala de 1 a 5, apenas uma vez eu vi um urso grande e gordo que poderia receber um 5, mas várias vezes eu já vi ursos mortos e ursos como esta: condenada à morte, um mero 1 nessa escala. Eu não tenho dados científicos para provar minhas observações, mas eu tenho olhos para ver – e um cérebro para tirar conclusões. A mudança climática está afetando muito o Ártico. E é nossa decisão se queremos tentar mudar isso. Então: vamos fazer algo sobre a maior ameaça do nosso tempo. Talvez a gente não possa salvar esta ursa. Mas cada pequena ação que fazemos para mudar os nossos caminhos é um passo na direção certa. Nós apenas temos que começar e seguir em frente!

Fonte: ANDA

***

O Al Gore, foi e é uma das vozes que mais alertou e alerta, para as alterações climáticas. Mas pouco depois de ter começado a sua jornada de alerta para as alterações climáticas, imensos cientistas de todo o mundo, atiraram-se contra ele, com unhas e dentes. Para eles, o Al Gore estava totalmente errado. Eles é que estavam certos. Só que o tempo tem-se encarregado de mostrar que a razão estava e está totalmente do lado do Al Gore.

Este artigo da ANDA fala por si.
Ele mostra de forma clara o quanto os cientistas que depois do documentário do Al Gore, vieram a publico afirmar que as alterações climáticas são uma fantasia, estavam e estão completamente errados!

Al Gore – Uma verdade inconveniente – lição # 1

CRISTIANO RONALDO ABOMINA TOURADAS…

… porque ele não é parvo!

O que se vê nesta montagem, feita pela prótoiro, é um atentado ao bom nome de alguém que (goste-se ou não de futebol) traz alguma glória a Portugal, ao contrário dos maluquinhos da selvajaria tauromáquica.

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Se Cristiano Ronaldo fosse um cobarde forcado, receberia, quando muito, a Bola da Estupidez, mas o que recebeu foi a Bola de Ouro.

Nem para saber destrinçar isto serve a protóiro.

Fonte: http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/cristiano-ronaldo-abomina-touradas-501798

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Francamente.
Se estivesse no lugar do Cristiano Ronaldo agiria em conformidade, nos tribunais, contra estes sujeitos!

Se este país não fosse uma República das Bananas, os Anti-taurinos da “Protoiro”, já teriam sido proibidos há muito, de utilizar este nome, em função da prática bárbara que realizam e promovem!

Lindo Touro

Como é que é possível que estes Anti-Taurinos, Psicopatas, Sociopatas, ainda sejam autorizados a utilizar este nome, quando realizam e promovem a tortura, a barbaridade, para com o touro, na Tauromaquia?
-A realidade é que vivemos numa República das Bananas. E essa é a razão!

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Depois têm a lata, a desfaçatez de apelidar quem defende o Touro e o Cavalo, da Tortura, da Barbaridade que eles realizam de Anti-taurinos. Quando os Anti-taurinos são eles próprios, e não nós.

O que quer dizer “Protoiro”? -Quer dizer Pelo Touro, e não Contra o Touro.

Quem é pelo touro, não os quer ver serem barbaramente torturados, na Tauromaquia. Por tanto, quem é pelo Touro é totalmente contra a Bárbara actividade, que é a Tauromaquia. Quem é pelo Touro, luta pelo touro, e não contra o Touro!

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Vou voltar a repetir o que já disse anteriormente aqui no meu blog, esperando que não seja necessário fazer um desenho para o entenderem, de uma vez por todas. Cá vai, então. Nós, que defendemos o Touro e o Cavalo, da Barbaridade, da Tortura, que vocês realizam e promovem, NÃO SOMOS ANTI-TAURINOS, SOMOS ANTI-TOURADA. Perceberam, finalmente????

OS ANTI-TAURINOS SÃO VOCÊS PRÓPRIOS “PRÓTOIRO”, E NÃO NÓS. Será que voz ainda resta alguma inteligência na vossa mente, Psicopata e Oca, para perceberem isto, de uma vez por todas????

Mário Amorim