OS (POUCOS) QUE DEFENDEM AS TOURADAS NÃO CONSEGUIRAM ALCANÇAR A ELEVAÇÃO DOS QUE AS REJEITAM

A propósito do IVA nas touradas, mal sabia a Ministra da Cultura que, ao dizer que as touradas não são uma questão de gosto, mas de civilização, estaria a dar uma oportunidade aos Portugueses de mostrarem isso mesmo:

que as touradas são uma questão de civilização.

Nunca, como nestas últimas semanas, borbulharam por aí textos e programas pró e contra as touradas, numa esgrima em que os contra, com os seus argumentos racionais, claramente venceram os pró que, como argumentos, apresentaram as maiores irracionalidades de que há memória.

Deixo-vos com mais um excelente texto que mostra o quanto os aficionados estão longe da Civilização.

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É assim, majestoso e belo, pastando pacificamente no prado, ao pôr-do-sol, que o Touro deve ser estimado…

O PÚLPITO DOS CHARLATÕES

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Texto de António Guerreiro

Na passada segunda-feira vi o programa Prós e Contras, na RTP 1, e a conclusão a que cheguei, no final, é que há assuntos sobre os quais a televisão, seja pelas características e exigências actuais deste medium, seja pela profunda ignorância e filistinismo dos autores e apresentadores dos programas, presta um serviço fraudulento de desinformação, presta-se a ser o veículo de ideias que não deveriam poder ser difundidas e amplificadas num estação pública, em programas que se reclamam do estatuto de serviço público. O nível da abjecção e da total ausência de pudor é diariamente atingido naqueles programas da manhã e da tarde que supõem a existência de um público lobotomizado. Mas aqui, nos Prós e Contras, apesar da deriva demagógica do título, indiciando que há muita probabilidade de as coisas não correrem bem, supõe-se que é um programa para uma classe de espectadores bem informados, que esperam muito mais do que um serão de entretenimento.

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Livro de recitações

 

Os movimentos a favor dos animais, ou melhor, os movimentos contra a crueldade com os animais, fazem parte da tradição humanista dos séculos XIX e XX.”
José Pacheco Pereira, PÚBLICO, 17/11/2018

José Pacheco Pereira escreveu uma crónica a defender o fim das touradas, intitulada Os que “amam” muito os touros e os torturam e matam. Há uma passagem dessa crónica, acima citada, que gostaria de refutar. A tradição humanista, seja ela de que século for, é precisamente a ideologia que está na base das convicções acerca dos homens, dos animais, da natureza e da técnica que servem ainda de argumento para quase tudo, inclusivamente para apoiar as touradas. O nazismo foi um humanismo (como foi dito por um filósofo que escreveu sobre o assunto). Até na globalização há um humanismo integral. Na nossa época, impôs-se em certos domínios a noção de pós-humano, mas o humanismo é muito perseverante. Não é fácil alguém declarar-se anti-humanista. Pensa-se logo que é um misantropo e não alguém que recusa a máquina antropológica que nega a verdadeira fractura do homem.

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O último Prós e Contras era sobre as touradas, sobre as razões que levam uns a defender que elas devem ser mantidas e sobre as razões que levam outros a defender que elas deviam ser abolidas. Como sabemos, este debate está instalado entre nós com bastante virulência e já se percebeu que ele é extremamente incómodo para alguns partidos políticos e para o Governo, que quer fugir dele como o diabo da cruz. É preciso dizer que ele não deve ser desvalorizado, com aquele argumento de que há coisas muito mais importantes e esta não passa de algo inócuo. O que está aqui em jogo, a discussão de fundo, é algo fundamental que se inscreve no cerne da biopolítica contemporânea. A ideia de que está em curso ou já se consumou um animal turn, uma viragem animal, convoca-nos hoje seriamente através de uma bibliografia imensa que se tem produzido nos últimos anos sobre o assunto, vinda sobretudo dos lados da filosofia. O que descobrimos quando frequentamos esta vasta bibliografia é que a questão animal, nas suas mais variadas dimensões (morais, antropológicas, legais, etc.), incluindo a questão maior de saber se eles podem e devem ser sujeitos de direito, está presente nas grandes obras de filosofia, desde Aristóteles a Heidegger, de Derrida e Martha Nussbaum.

Está longe, portanto, de ser uma questão exclusiva do nosso tempo. Daí que seja chocante ouvir pessoas que são chamadas a falar sobre o assunto porque lhes é conferida, por qualquer razão, autoridade para tal, mas discorrem sobre ele com a maior das ignorâncias.

Neste último Prós e Contras destacou-se neste exercício de desinformação e de ignorância um aficionado chamado Luís Capucha, imbuído de filosofia das Lezírias que nem dá para comentar neste espaço. Mas vale a pena revisitar um dos seus argumentos, o de que regime nazi foi muito amigo dos animais e fez legislação que o comprova, para dizer que esse mito com origem na propaganda (“O nosso Führer ama os animais”) já foi longamente desmentido, em primeiro lugar por Victor Klemperer, o autor de LQI. A Linguagem do III Reich. E, no início dos anos 90, em França, Luc Ferry publicou um livro onde transmitia essa mensagem (e onde traduzia documentos da legislação nazi) que foi muito contestado e deu origem a uma enorme polémica. Ora, o que se passa entre nós é que alguém (na circunstância, um professor universitário de Sociologia) pode dar-se ao luxo de fazer afirmações na televisão como se fossem verdades irrefutáveis, desconhecendo ou fazendo que desconhece a contestação e a polémica que elas suscitaram. Este dispositivo retórico, propagandístico e inimigo do saber e da ciência porque é usado com fins exclusivamente ideológicos é o do discurso político, em relação ao qual já criámos muitas defesas, mas não pode ser a regra numa discussão na televisão pública, sobre um assunto sério, para o qual se convida, para o debate, “especialistas”, gente a quem se confere uma qualquer autoridade. O sociólogo, o aficionado, o propagandista e o inimigo do saber, tudo na mesma pessoa, só na televisão é que é possível. 

(As passagens a negrito são da responsabilidade da autora do Blogue)

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/11/23/culturaipsilon/opiniao/pulpito-charlatoes-1851805?fbclid=IwAR216JTauFAgeduLRT37kGH2fsgDbZCw-AtmWMg6SLzThATtb6SCe102oWI

Fonte: Arco de Almedina

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SOBRE A VERGONHA DO QUE SE PASSOU NO PROGRAMA “PRÓS & CONTRAS” DA RTP1 NO PASSADO DIA 19 DE NOVEMBRO

Um texto de Carlos Ricardo, que subscrevo na íntegra.

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É óbvio que quem assim fala não sabe do que fala, mas também é óbvio que contribui, de um modo extraordinário, para a Causa da Abolição das Touradas.

Continuem a falar assim. Os Touros agradecem, e a Humanidade também.

Origem da foto:

Texto de Carlos Ricardo publicado no Facebook:

«Quando há debates sobre touradas, aparecem sempre e apenas 2 personagens: Hélder Milheiro e o ganadeiro Joaquim Grave.

Todos sabemos que a tauromaquia tem pouca gente, mas aparecerem sempre e só aqueles 2, leva a pensar…

Este Hélder Milheiro (e o Grave e o Capucho também) é efectivamente execrável, mas o que se passou no programa “Prós e Contras” da passada 2ªf (19 Novº) a GRANDE CULPADA foi a Fátima Campos Ferreira que PROPOSITADAMENTE permitiu aos tauromáquicos as constantes interrupções e tentativas de humilhação aos anti-touradas que tentaram, até ao fim, um debate educado e civilizado. Esta Fátima, é useira e vezeira em atitudes idênticas, pelo menos nos dois programas dedicados à tourada que efectuou. Num deles eu estive lá…

E mais, dado tratar-se de uma matéria bastante fracturante, permitiu-se convidar para a mesa dos tauromáquicos, apenas indivíduos que vivem deste espectáculo, para além de convidar para a assistência (com possibilidade de intervenção, o que aconteceu) apenas autarcas de câmaras onde a tauromaquia está instalada e que esses mesmos autarcas apoiam e incentivam.

Por tudo isto, no que toca a touradas, considero a Fátima Campos Ferreira uma pessoa absolutamente tendenciosa, tudo levando a crer que este último programa só teve um objectivo: fazer a apologia da tourada!!!


E, já agora, PORQUE É QUE, NO FINAL DO PROGRAMA, NÃO MOSTROU OS RESULTADOS FINAIS DA VOTAÇÃO “PAXVOICE”. É que parece que o NÃO ao abaixamento do IVA nas touradas, ganhou…!!

Carlos Ricardo»

Fonte: Arco de Almedina

RTP: NO ÚLTIMO PRÓS&CONTRAS AQUILO É QUE FOI DAR TIROS NA PRÓPRIA CABEÇA!

Eles andam por aí, desesperados, a debitar despropósitos, e quanto mais abrem a boca, mais se desclassificam.

E se não soubéssemos que a tauromaquia assenta na mais profunda ignorância e estupidez, bastava ouvir este dito de Hélder Milheiro e um veterinário carniceiro, que de médico nada tem, dizer que os Touros não sofrem, para ficarmos com a certeza absoluta dessa estupidez e ignorância.

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E é isto um veterinário. O Touro ALMEJA ser toureado, então não almeja? Quando perguntamos ao Touro se quer ser toureado ele diz imediatamente que almeja ser toureado, é o maior sonho dele!!!!

É só tiros na cabeça!

Fonte das imagens:

No seguimento da sua política pró-selvajaria tauromáquica, a RTP transmitiu na passada segunda-feira um pró-tourada, uma vez que, dizem os que viram, a Fátima Campos Ferreira deixou que os trogloditas interrompessem as falas dos abolicionistas. Nem sei como os abolicionistas se dão ao trabalho de ir a programas que de antemão sabemos estar a favor das touradas.

E esses programas valem ZERO. Porquê?

Porque a sociedade portuguesa já definiu a sua decisão em relação à tauromaquia: a esmagadora maioria dos Portugueses está contra essa prática troglodita, apenas a prótoiro anda por aí a falar para ela própria. E quanto mais abre a boca mais se enterra na lama. E isso é bom. Deixai-os falar, pois quanto mais falam, mais razão nos dão, porque nós, que já evoluímos, não vamos regredir. Os indecisos, ao ouvir da boca dos trogloditas, tamanhas imbecilidades, se tinham dúvidas, ficam imediatamente esclarecidos: a tauromaquia é uma prática de e para imbecis. Portanto, só resta esse pequeno núcleo de aficionados que, por mais que estrebuchem, não conseguirão travar a gigantesca onda a favor da Abolição das Touradas.

E isto é um facto. Não é uma opinião.

BULLSHIT.jpg Conclusão de Arsénio Pires, que faço também minha.

Fonte da imagem:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=2007281439352183&set=a.110640459016300&type=3&theater

Não consegui ver até ao fim este pseudodebate, que de debate nada teve, pelo que por aí se diz, pois todos são unânimes em dizer que os trogloditas interromperam bastamente, em conluio com a nada isenta Fátima Campos Ferreira, os que ao programa foram falar de Cultura e Civilização.

E a RTP lá é de passar a mensagem de Cultura ou de Civilização, quando transmite a barbárie para uma audiência cada vez mais diminuta?

Eu não consegui ver o programa todo, porque ainda tenho na memória o outro Pró(tourada) que foi para o ar em 2014, em que praticamente as mesmas caras, com a mesma moderadora, se comportaram incivilizadamente, não permitindo que os abolicionistas se pronunciassem. Dizem-me que a Fátima Campos Ferreira teve um comportamento deplorável ao permitir que os aficionados interrompessem vergonhosamente os outros intervenientes. Também me dizem que os da prótoiro não disseram nada de jeito, limitaram-se a vomitar anomalias (como a que imagem mostra) e foi, juntamente com os da mesa em que estava, um malcriadão ao interromper continuamente quem estava contra a tauromaquia. Uma vergonha!

E eu acredito que assim seja.

Então, não perdi nada. Seria assistir a mais do mesmo.

E depois do programa o que mudou?

Há uma coisa que mudou: comprova-se largamente que  a RTP saiu deste programa ainda mais desprestigiada, e os prótoiros ainda mais desclassificados.

Se foi positivo? Claro que foi imensamente positivo. Mostrou de que lado está a Cultura e a Civilização. Então esta da “pedagogia”!!!! Foi óptimo para a Causa da Abolição das Touradas em Portugal.

Pois aqui vos deixo a pedagogia das touradas:

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Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

VAI SER MAIS DO MESMO

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Soube que o prós e contras de segunda feira, na RTP1 vai ser sobre as touradas, “Cultura ou Tortura”. Claro que é Tortura e não Cultura. Pois Cultura é tudo aquilo que enobrece um povo. A Cultura está associada à alegria e a valores como a bondade e a compaixão. A Cultura, não está associada ao sofrimento, à dor, à Tortura.

Vai ser um programa, mais do mesmo…
Estou mesmo a ver, que, mais uma vez, pisando no código deontológico que jurou cumprir, o Joaquim Grave, vai estar presente. E como é seu hábito, vai dizer um conjunto de disparates. Vai dizer que o touro não sofre, e que com o fim das touradas o touro vai extinguir-se, por exemplo. E quando ele, ou outro disser isso, que alguém anti-tourada, presente no programa, exija comprovar essas afirmações, não da boca para fora, mas com dados científicos concretos, que tenham sido testados e confirmados pela comunidade cientifica e depois depois publicados numa revista cientifica. Que alguém anti-tourada, presente no programa, não deixe passar em claro a argumentação falsa e não cientificamente provada, dos Psicopatas Tauromáquicos!

Mário Amorim