CONTEÚDO ANDA Mais de 50% dos primatas podem ser extintos em no máximo 50 anos

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Eles são os parentes mais próximos da humanidade, mas mais de 60% dos símios e macacos do mundo estão ameaçados de extinção, revela um relatório chocante.

O futuro dos primatas não humanos – símios, macacos, tarsiers, lêmures e lóris – está ficando sombrio à medida que seus lares florestais são dizimados.

Pesquisadores disseram que, para a maioria das 504 espécies de primatas do mundo, agora é “a 11ª hora” na Terra. Quase dois terços enfrentam a extinção e 75% das populações estão em declínio.

Por trás do colapso mostrado pelos números está um aumento na agricultura industrial, pecuária em grande escala, exploração madeireira, perfuração de petróleo e gás, mineração, construção de barragens e de estradas.

Apesar de estar entre as espécies mais carismáticas de animais, apenas uma “revolução” irá impedir que estes animais sejam extintos, escrevem os autores.

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Para interromper a perda de habitats de primatas, as nações industrializadas terão que reduzir suas demandas de madeira tropical, carne de boi, óleo de palma, soja, borracha, minerais e combustíveis fósseis “entre outros bens” e aumentar o uso sustentável dos recursos.

Primatas são encontrados na América do Sul e Central, na África e na Ásia – mas dois terços das espécies são vivem em apenas quatro países: Brasil, Madagascar, Indonésia e República Democrática do Congo.

Na Europa, a única colônia de macacos selvagens está na rocha de Gibraltar. O comércio de carne de caça – que mata símios e macacos por suas carnes – também está dizimando os animais, provocando mudanças climáticas e propagando doenças dos seres humanos para os macacos.

Na Nigéria e em Camarões foram descobertas 150 mil carcaças de primatas de 16 espécies comercializadas anualmente como carne de caça em 89 mercados.

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Plantações de árvores para produzir óleo de palma – usado em muitos alimentos populares – são uma ameaça particular para os primatas na Indonésia, disseram os autores, além da mineração de ouro e safiras em Madagascar.

No estudo publicado na revista Science, os autores afirmam: “Considerando o grande número de espécies atualmente ameaçadas e que sofrem declínios populacionais, em breve, o mundo irá enfrentar um grande evento de extinção se uma ação efetiva não for implementada imediatamente”.

Como muitas espécies vivem em florestas tropicais, a redução de milhões de hectares de floresta para suprir a crescente demanda de madeira ou devastar terras para a agricultura está destruindo seu habitat e tornando as populações mais fragmentadas.

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Entre 1990 e 2010, a expansão agrícola em regiões primárias foi estimada em cerca de meio milhão de milhas quadradas (1,5 milhão de quilômetros quadrados) – uma área três vezes maior do que a França.

O aumento da demanda de óleo de palma ameaça os orangotangos e macacos de Sumatra e Bornéu na África, enquanto a expansão das plantações de borracha no sudoeste da China quase causou a extinção de duas espécies de gibões.

Os pesquisadores disseram que os primatas são culturalmente importantes para muitas pessoas, desempenham um papel significativo nos sistemas florestais, como a dispersão de sementes e oferecem dados sobre a evolução humana, biologia, comportamento e a ameaça de doenças emergentes.

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Anna Nekaris, professora de antropologia da Oxford Brookes University e uma das autoras do relatório, disse: “A extinção iminente de nossos parentes mais próximos não deve ser encarada levianamente. Os primatas, sejam eles grandes e carismáticos ou pequenos e noturnos, são partes vitais do ecossistema”.

Paul Garber, professor de antropologia da Illinois University que co-liderou o estudo, completou: “Esta é realmente a 11ª hora para muitas dessas criaturas. Várias espécies de lêmures, símios e macacos – como o lemur de cauda anelada, o macaco-colobus vermelho Udzunga, o macaco de Yunnan, o langur de cabeça branca e o gorila de Grauer – foram reduzidos a uma população de alguns milhares de indivíduos”.

Segundo ele, restam menos de 30 gibões de Hainan, uma espécie de macaco da China. “Infelizmente, nos próximos 25 anos, muitas dessas espécies de primatas desaparecerão, a menos que façamos da conservação uma prioridade global”, acrescentou.

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Apesar da crise de extinção, os pesquisadores disseram que a conservação dos primatas “ainda não era uma causa perdida”, mas uma ação imediata é necessária.

Com a maioria dos primatas vive em partes do mundo com muita pobreza, seriam valiosos esforços para melhorar a saúde e o acesso à educação, desenvolver o uso sustentável das terras e apoiar meios de subsistência tradicionais para a segurança alimentar e proteger a natureza.

De acordo com o Daily Mail, os autores escreveram: “A conservação significativa dos primatas exigirá uma grande revolução no compromisso e na política. Aliviar as pressões sobre os habitats dos primatas exige diminuir a demanda per capita das nações industrializadas pelas madeiras tropicais, carne, óleo de palma, soja, borracha, minerais e os combustíveis fósseis, entre outros bens”.

Fonte: ANDA

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Os golfinhos são “pessoas não humanas”

Não só os primatas. Os golfinhos e as baleias também devem ser tratados como “pessoas não humanas”, com direito à vida e à liberdade, segundo propõem prestigiados cientistas reunidos na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a maior do mundo, que se realiza em Vancouver, no Canadá.

Peritos em conservação e comportamento dos animais consideram que estes cetáceos são suficientemente inteligentes para que recebam as mesmas considerações éticas que os seres humanos, de acordo com o jornal espanhol ABC. Isto implica colocar um fim à sua casa, ao cativeiro e abusos.

Por este motivo, apoiam a criação de uma Declaração dos Direitos dos Cetáceos.

“A ciência tem demonstrado que a individualidade – a consciência de si próprio – não é uma característica única do ser humano. Isto levanta uma série de desafios”, disse, à BBC, Tom White, professor de ética na Universidade Loyola Marymount, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Os investigadores que estão de acordo com esta corrente de pensamento concluem que, embora não sejam seres humanos, os delfins e as baleias são “pessoas” no sentido filosófico, o que tem importantes implicações.

A declaração, primeiro aprovada em Maio de 2010, assinala que os cetáceos têm direito à vida, não podem ser obrigados a estar em cativeiro nem a ser objecto de maus tratos, nem a serem retirados do seu ambiente natural.

Da mesma forma, não podem ser propriedade de ninguém. A base de todos é que os golfinhos têm consciência de si mesmos, reconhecem a sua imagem ao espelho. Sabem quem são.

Fonte: Os Bichos

***

Um grande número de cientistas, em 2010, estiveram reunidos no Canada, durante um fim de semana. E no fim da reunião, declararam que os primatas, os golfinhos e as baleias, são pessoas não humanas.
Esses mesmos cientistas, a partir de então estão a trabalhar, junto da UNESCO, para que a UNESCO passe a declarar todos os animais não-humanos, como pessoas não humanas.

Mário Amorim

CONTEÚDO ANDA Caça deixa maiores gorilas do mundo à beira da extinção

Foto: Thomas Mukoya

A caça na República Democrática do Congo dizimou 70% das populações de gorilas orientais nas últimas duas décadas deixando o maior primata do mundo à beira extinção, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Quatro entre seis espécies de grandes primatas estão agora classificadas na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas como “criticamente em perigo” ou a um passo da extinção devido à caça e à transformação de florestas em terras agrícolas desde a África Ocidental até a Indonésia.

Os gorilas orientais, anteriormente considerados como “em perigo”, juntaram-se aos gorilas ocidentais e a duas espécies de orangotango que já estavam listados como criticamente ameaçados. As outras duas espécies de grandes macacos, chimpanzés e bonobos, são classificados como em perigo, informou a Reuters.

Foto: Chaideer Mahyuddin

“Ver o gorila oriental, um dos animais mais próximos a nós, à beira da extinção é verdadeiramente angustiante”, disse Inger Andersen, diretora-geral da IUCN.

Entre 1996 e 2003, milhões de pessoas morreram em conflitos na República Democrática do Congo e, frequentemente, as milícias e mineiros caçavam os gorilas para se alimentar.

A principal população de gorilas orientais caiu para cerca de 3.800 animais em 2015 frente a 16.900 em 1994, de acordo com o relatório divulgado em um congresso da UICN realizado no Havaí (EUA).

Os chimpanzés foram mais capazes de se adaptar a uma perda de habitats florestais para plantações de palma ou de outras fazendas do que gorilas e orangotangos.

“Os chimpanzés sobrevivem melhor nestas condições, mesmo se houver apenas uma parte remanescente de uma floresta. Eles podem entrar em culturas e pegar frutas de fazendas, ao contrário de gorilas e orangotangos”, declarou à reportagem Elizabeth Williamson, da IUCN.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA Primatas são acorrentados e explorados à exaustão em “Escola de Macacos”da Tailândia

Reprodução/YouTube.

A imagem é aterrorizante: um macaco com um colar de metal preso a uma corrente é forçado a andar em círculos em uma pequena bicicleta vermelha.

Ele olha muito para o concreto, pois é difícil pedalar, mas ocasionalmente ergue os olhos para o público que está assistindo à triste cena em um conjunto de arquibancadas de madeira, relata o The Dodo.

O macaco parece estar ciente de que deve se manter em movimento, ele não para até que seu treinador permita. Há uma rodada leve de aplausos.

Essas imagens do YouTube mostram os “truques” que os macacos são obrigados a fazer diariamente em uma instalação, no norte da Tailândia, conhecida como Centro de Macacos Chiang Mai ou Escola de Macacos Mae Rim.

Reprodução/TheDodo

Os macacos são obrigados a jogar basquete, derrubar cocos e levantar pesos, tudo isso enquanto estão acorrentados.

Esses comportamentos considerados “fofos” já causou indignação entre turistas e visitantes do portal TripAdvisor já disseram que a prática é “terrível”, “horrível e deprimente” e “de partir o coração”.

Algumas pessoas observaram que os animais tinham vergonha de tirar fotografias, e um turista afirmou que observar tanta crueldade arruinou suas férias.

Quando não estão participando de performances, os macacos são acorrentados a árvores ou jaulas, incapazes de se moverem mais do que um ou dois pés, segundo imagens mostradas no YouTube. Um vídeo postado no YouTube em 2010 mostra macacos acorrentados que tentam se movimentar.

Quando estão em frente a uma plateia, os macacos são presos por um “colar” de metal e, em seguida, conduzidos por uma corrente. Os shows apresentam muitos comportamentos não naturais durante os quais os animais parecem sofrer. Durante as flexões, por exemplo, os treinadores mantêm a metade inferior do corpo de um macaco pressionada enquanto ele se esforça para levantar-se.

A exploração de animais para o turismo não é exclusiva da Tailândia, isso acontece em todo o mundo. Infelizmente, muitos animais utilizados por essa indústria experimentavam a liberdade antes de serem abusados.

“A maioria dos animais [usados no turismo] foi arrancada de suas famílias na natureza e é muito assustada e dependente devido ao medo e ao estresse”, declarou em seu site a Fundação de Amigos da Vida Selvagem da Tailândia (WFFT), que ajuda os animais que são vítimas da indústria de turismo.

Além disso, os macacos abusados nessa indústria são malnutridos e recebem pouco ou nenhum cuidado veterinário, de acordo com WFFT.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA Primatas são as maiores vítimas do tráfico para exploração como animais domésticos

Reprodução/GRASP/CRPL

Diversos chimpanzés correm perigo e logo devem entrar na lista de espécies em extinção por causa do comércio ilegal de animais selvagens, que vai muito além da terrível caça de marfim.

Cresce em todo o mundo a demanda por macacos vivos, especialmente por filhotes de chimpanzés , gorilas e orangotangos que são capturados de seus habitats na África e na Ásia, informa a Aljazeera.

As cabeças e crânios de grandes macacos são destinados a vários mercados desde a Nigéria até os Estados Unidos e são considerados “troféus” ou usados em rituais de magia negra.

Juntamente com o desmatamento e com o comércio da carne de animais selvagens, a demanda por partes de macacos vivos e mortos tem dizimado e destruído as populações dos animais.

“Há algumas pessoas em lugares como os Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar que querem apenas um chimpanzé bebê ou um gorila em seu jardim, pois acreditam que isso é sinônimo de status. Na China, a demanda é de zoológicos e de safaris”, diz Doug Cress do grupo Parceria para a Sobrevivência de Grandes Macacos.

Cress explica que para que um filhote de chimpanzé seja capturado, muitos adultos são mortos. A cada filhote sequestrado de seu habitat, morrem cerca de 10 adultos.

Esses crimes contra vida selvagem arrecadam dezenas de bilhões de dólares anualmente, e, além de ameaçarem a própria existência das espécies, prejudicam os ecossistemas.

De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), um gorila vivo gera um lucro anual de um milhão de dólares para o turismo da Uganda. Já em Ruanda, o ecoturismo arrecadou 300 milhões de dólares em 2014.

Em outros lugares, esses crimes abastecem os cofres de milícias armadas e aumentam a riqueza de chefes de cartéis.

Em 2013, calcula-se que três mil macacos foram roubados de seus habitats, o que significa que outros milhares morreram. As maiores vítimas são os orangotangos: 70% deles foram raptados.

Os filhotes vivos são normalmente contrabandeados na bagagem de mão em voos regulares e até mesmo colocados em sacos nos compartimentos superiores de aeronaves, explica Cress. Às vezes, eles são carregados como um bebê humano embrulhado no peito de uma mãe.

Para combater esses crimes, a Assembleia Ambiental das Nações Unidas em Nairobi, Quênia, lançou uma nova campanha, na última quarta-feira (25), chamada WildforLife que pretende estimular um movimento de protestos global.

Entretanto, alguns grupos dizem que a campanha é insuficiente.

“A ONU precisa vir com força e impor duras sanções prejudicar os chefes de organizações criminosas”, diz Winnie Kiiru do grupo Parem com a caça de marfim.

John Scanlon, da organização CITES, que dita a estrutura jurídica sobre o comércio da vida selvagem, ressalta que é preciso combinar leis e esforços consolidados para reduzir a demanda por esses produtos.

“O comércio é impulsionado por grupos criminosos transnacionais”, disse Scanlon.

Fonte: ANDA

Humanos como nós?

ONG americana bate-se pelo reconhecimento da personalidade jurídica de alguns animais, para conceder-lhes direitos básicos, como o da liberdade

 

Humanos como nós?
Fotos: GettyHá quarenta anos, os circos que passavam pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa, traziam sempre uma troupe de chimpanzés vestidos de gente. Pareciam miúdos armados em crescidos, a tomar o pequeno-almoço, a andar de bicicleta, a fazer equilibrismo. O ponto alto no número era quando bebiam cerveja e fumavam charutos. Mais ou menos por essa altura, quem chegava cedo ao Jardim Zoológico apanhava os chimpanzés a molhar pão nas canecas de café com leite. Iguaizinhos a nós.Vinte anos depois, então ainda no meio de muitas jaulas, a primatóloga Catarina Casanova confessava-se dividida entre a facilidade de estudar aquela população e as grades. “Sendo eles tão semelhantes a nós, será eticamente correto estarmos aqui deste lado, a observá-los neste tipo de cativeiro?”, perguntava.

Nesse início dos anos 90, a comunidade científica já os sabia capazes de fazer ferramentas com outras ferramentas, uma habilidade que se julgava exclusiva dos humanos. Partir nozes com pedras ou fabricar lanças para caçar era canja para eles. E, enquanto lá de fora chegavam ecos de estudos que demonstravam que os chimpanzés tinham noções de aritmética, Catarina Casanova descobria na comunidade do Zoo de Lisboa um macho exímio em fazer campanha política pelo lugar predominante no grupo: começara a catar os elementos mais jovens para conquistar as suas mães.

Afinal, o que é que nos distingue deles?

O americano Steven Wise, advogado e ativista dos direitos dos primatas, não vai por aí. Há décadas que lhe chega saber que alguns animais não humanos têm complexidade cognitiva suficiente para não merecerem ser considerados “coisas” – é o caso das quatro espécies de grandes símios (orangotango, gorila, chimpanzé e bonobo), muitas espécies de cetáceos (como a orca e o golfinho) e todas as espécies de elefantes. Manter um chimpanzé em cativeiro, numas condições em que não pode construir um abrigo, socializar com outros do seu género ou procurar comida, “é semelhante a condenar alguém à prisão perpétua”, costuma comparar. “A nossa missão”, diz sobre a ONG Nonhuman Rights Project (NhRP), que encabeça a par de nomes como o da primatóloga inglesa Jane Goodall, “é alterar o [seu] estatuto legal para ‘pessoas’ que possuem direitos fundamentais como o da liberdade.” A evolução da moral e as descobertas científicas conferem-lhes esse direito.

Será?
Quando os escravos eram ‘coisas’

O debate reacendeu-se no final de 2013 e nunca mais arrefeceu. Em dezembro desse ano, a NhRP apresentou a um tribunal do estado de Nova Iorque o caso de Tommy, um velho chimpanzé de circo que passa os dias numa pequena jaula de cimento, em Gloversville. O seu dono, Patrick Lavery, argumenta que Tommy se diverte a ver desenhos animados, no televisor colocado à sua frente.

Quando a ONG iniciou o processo, vários anos antes, os seus membros tinham identificado sete chimpanzés em cativeiro só no estado de Nova Iorque. Três deles morreram, entretanto. Além de Tommy, sobreviveu Kiko (que ficou surdo durante a produção de filmes do Tarzan e vive numa casa particular), Hercules e Leo (ambos propriedade da Universidade de Stony Brook, onde são objeto de experiências de bipedismo). Para todos, Steven Wise e a sua equipa apresentaram pedidos de libertação imediata (habeas corpus), um mecanismo que permite uma pessoa presa contestar a detenção.

Se forem libertados, os quatro seguirão para o santuário Save the Chimps, na Florida, onde podem passar o resto das suas vidas numa das treze ilhas artificiais, com outros 250 chimpanzés, num ambiente o mais próximo possível do seu habitat natural.

Se, leu bem.

A incógnita, aqui, é grande, enorme. Até agora, e o NhRP já vai em vários recursos, os tribunais têm rejeitado liminarmente os pedidos de habeas corpus. Os argumentos não variam muito, e “os chimpanzés não são pessoas” é o mais comum. No caso de Kiko, um dos tribunais indeferiu a pretensão dizendo que ele não ficaria em liberdade – no santuário, estaria igualmente em cativeiro.

Antes de avançar com os pedidos, os juristas da ONG procuraram em todos os Estados aqueles tribunais que têm decidido a favor de extensões da personalidade jurídica. No de Nova Iorque, há, por exemplo, várias decisões no sentido de animais de estimação poderem herdar bens dos seus donos. “Nos países anglo-saxónicos, os juízes decidem segundo princípios e respeitam-se os precedentes judiciais”, lembra a advogada Alexandra Reis Moreira, membro da comissão diretiva da Jus Animalium, uma ONG portuguesa parceira da NhRP (Ver entrevista no final desta página).

Na manga, Steven Wise traz sempre um trunfo: a comparação com o caso de James Somerset, um escravo que, em 1772, conseguiu fugir e ia ser novamente vendido se o juiz, Lord Mansfield, não tivesse decidido que ele era uma “pessoa” e não uma “coisa”.

Até então, ninguém questionava que os escravos eram “coisas”.
Uma linha ténue nos separa

A falta de precedência tem sido o maior obstáculo nestes casos, mas na NrHP acredita-se que o debate gerado à volta do tema vai levar os juízes a decidirem a favor. “A opinião pública está a mudar, este é claramente o momento certo para a lei alterar o seu ponto de vista em relação aos animais”, lê-se no site da organização.

O debate é global e não é de agora, escreva-se. Em 2007, correu mundo o caso do chimpanzé Hiasl, de 26 anos, que vivia na Áustria, num santuário que faliu. Para evitar a sua venda, um empresário anónimo doou cinco mil euros e uma professora inglesa, Paula Stibbe, tentou ficar como sua tutora legal. Costumava visitá-lo, levava-lhe bolos e material de pintura. Eternecia-a o facto de ele gostar de ver o canal de televisão da National Geographic. O tribunal rejeitou o seu pedido porque Hiasl não era uma pessoa.

Mais recentemente, em dezembro do ano passado, chegou a notícia de que um tribunal argentino tinha aceitado um pedido de habeas corpus apresentado pela AFADA (Associação de Funcionários e Advogados pelos Direitos dos Animais) a favor de Sandra, uma orangotango de 29 anos, a viver há vinte no Zoo de Buenos Aires. Não seria o caso, na verdade. Mas o facto de um juiz ter querido ouvir os argumentos foi considerado uma vitória. Um passo no sentido da admissão de Sandra como pessoa.

O desfecho, neste caso, acabou por ser favorável à orangotango: o Zoo e a província de Buenos Aires, a que pertence, decidiram enviá-la para um santuário, na Florida, onde há 45 primatas, 18 deles orangotangos.

Na NrHP espera-se mais do que isso. O objetivo final não é apenas libertar alguns animais não humanos mas, sim, alterar o seu estatuto legal. Para o dia 27 de maio está marcada uma audiência em que vão novamente ser esgrimidos os argumentos a favor de Hercules e Leo. Foi a 20 de abril que a juíza Barbara Jaffe tomou a decisão de ouvi-los, e embora se tenha apressado a riscar a expressão “habeas corpus”, Natalie Prosin, diretora executiva da ONG, já rejubilou publicamente: “Metemos o pé na porta. E, independentemente do que vai acontecer, essa porta nunca mais voltará a fechar-se completamente.”

A linha é ténue, reconhece a jurista Paula Martinho da Silva, ex-presidente da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida. “Penso que iremos, no futuro, sobretudo com o aperfeiçoamento dos cyborgs, ser confrontados cada vez mais com a consistência dessa linha. Em teoria, poder-se-iam estender alguns direitos humanos aos chimpanzés. Mas como selecionar os mais característicos? E como evitar o risco contrário de excluir os seres humanos que não possuam determinadas características? Os inconscientes? Os moribundos? Os incapacitados?”

A descobrir num futuro cada vez mais próximo.
“Tudo o que é novo causa sensação”

Alexandra Reis Moreira, advogada, membro da comissão diretiva da ONG Jus Animalium

Aquilo que o Nohuman Rights Project está a fazer podia ser tentado em Portugal?

Nos países legalistas não é previsível. Muito provavelmente, o pedido de habeas corpus seria rejeitado com duas simples frases. Connosco vai ter de ser a reboque do que se fizer lá fora.

E daqui a uns anos? Não vê a Jus Animalium a tomar a iniciativa?

Não pomos isso de parte, mas não para já. Só o facto de se tentar é uma atitude provocadora.

Há quem defenda que os “não humanos” não podem ser “pessoas” porque não conseguiríamos exigir-lhes deveres.

O conceito clássico de pessoa está muito abalado. Temos de reformulá-lo porque, se formos por aí, qual é o estatuto dos menores ou dos incapazes? Estamos presos a anacronismos injustos e irrealistas. A ideia é conceder aos “não humanos” direitos de acordo com a sua condição, sendo representados por defensores de animais.

É importante debater a condição animal?

A condição humana só beneficia com isso. Mas claro que é tudo muito paulatino. Temos de afastar preconceitos e tudo o que é novo causa sensação.

Fonte: http://visao.sapo.pt/humanos-como-nos=f818782#ixzz3ZMsx96RJ

Absolutamente chocante!

tortura

Empresa produtora de equipamentos para testes em primatas está em expansão

Por considerar este artigo absolutamente chocante, vou apenas partilhar o link: http://www.anda.jor.br/04/05/2015/empresa-produtora-equipamentos-testes-primatas-expansao

Horroroso e revoltante. E fico-me por aqui, pois não sou capaz de dizer mais nada, sobre o que se vê no artigo!