CONTEÚDO ANDA Primatas são as maiores vítimas do tráfico para exploração como animais domésticos

Reprodução/GRASP/CRPL

Diversos chimpanzés correm perigo e logo devem entrar na lista de espécies em extinção por causa do comércio ilegal de animais selvagens, que vai muito além da terrível caça de marfim.

Cresce em todo o mundo a demanda por macacos vivos, especialmente por filhotes de chimpanzés , gorilas e orangotangos que são capturados de seus habitats na África e na Ásia, informa a Aljazeera.

As cabeças e crânios de grandes macacos são destinados a vários mercados desde a Nigéria até os Estados Unidos e são considerados “troféus” ou usados em rituais de magia negra.

Juntamente com o desmatamento e com o comércio da carne de animais selvagens, a demanda por partes de macacos vivos e mortos tem dizimado e destruído as populações dos animais.

“Há algumas pessoas em lugares como os Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar que querem apenas um chimpanzé bebê ou um gorila em seu jardim, pois acreditam que isso é sinônimo de status. Na China, a demanda é de zoológicos e de safaris”, diz Doug Cress do grupo Parceria para a Sobrevivência de Grandes Macacos.

Cress explica que para que um filhote de chimpanzé seja capturado, muitos adultos são mortos. A cada filhote sequestrado de seu habitat, morrem cerca de 10 adultos.

Esses crimes contra vida selvagem arrecadam dezenas de bilhões de dólares anualmente, e, além de ameaçarem a própria existência das espécies, prejudicam os ecossistemas.

De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), um gorila vivo gera um lucro anual de um milhão de dólares para o turismo da Uganda. Já em Ruanda, o ecoturismo arrecadou 300 milhões de dólares em 2014.

Em outros lugares, esses crimes abastecem os cofres de milícias armadas e aumentam a riqueza de chefes de cartéis.

Em 2013, calcula-se que três mil macacos foram roubados de seus habitats, o que significa que outros milhares morreram. As maiores vítimas são os orangotangos: 70% deles foram raptados.

Os filhotes vivos são normalmente contrabandeados na bagagem de mão em voos regulares e até mesmo colocados em sacos nos compartimentos superiores de aeronaves, explica Cress. Às vezes, eles são carregados como um bebê humano embrulhado no peito de uma mãe.

Para combater esses crimes, a Assembleia Ambiental das Nações Unidas em Nairobi, Quênia, lançou uma nova campanha, na última quarta-feira (25), chamada WildforLife que pretende estimular um movimento de protestos global.

Entretanto, alguns grupos dizem que a campanha é insuficiente.

“A ONU precisa vir com força e impor duras sanções prejudicar os chefes de organizações criminosas”, diz Winnie Kiiru do grupo Parem com a caça de marfim.

John Scanlon, da organização CITES, que dita a estrutura jurídica sobre o comércio da vida selvagem, ressalta que é preciso combinar leis e esforços consolidados para reduzir a demanda por esses produtos.

“O comércio é impulsionado por grupos criminosos transnacionais”, disse Scanlon.

Fonte: ANDA

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