QUANDO SE NASCE NO MEIO TAUROMÁQUICO…

Um texto de cortar a respiração, sobre a realidade tauromáquica, por quem já a viveu… (I.A.F.)

Um texto de cortar a respiração, sobre a realidade tauromáquica, por quem já a viveu… (I.A.F.)

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Por Monsanto a Cavalo

«Não me venham com a treta de argumento que “quando se nasce num meio tauromáquico” entende-se a nobreza do cavaleiro ou do forcado e o sofrimento do Touro passa a segundo plano em relação á demonstração de coragem por parte do homem…

Não me venham dizer que “odeio” os que fazem vida dos touros e que considero que são todos más pessoas porque isso é falso – ninguém é perfeito.

O que já não consigo tolerar, para que fique claro, é que em 2015 se manifeste tamanho desrespeito pela vida animal, que se permita um “espectáculo” nas televisões públicas que passa pela tortura de um animal numa praça, e que a cada ferro que entra no corpo de um animal confuso e tornado bravo com os ataques que sofre em “palco” exista uma multidão a gritar “bravo” e “olé”.

Coragem?

Coragem é tirar o cu da cadeira e ir alimentar uma família carenciada; coragem é tirar um animal da rua e arranjar-lhe um lar; coragem é agarrar não um touro mas a vida pelos cornos para mudar o mundo para melhorar nem que seja no nosso prédio ou rua ou bairro; coragem é dizer “basta” quando todos parecem cegos pela barbárie deixando os seus sentimentos controlarem a razão de que todos somos dotados.

Eu quero um mundo sem touradas sim, acredito num mundo sem touradas e pessoalmente vou fazer o que estiver ao meu alcance para que um mundo sem touradas exista – ponto.

Como em quase tudo na vida há os que sem estratégia por vezes fazem mais mal que bem, por muita razão que possam ter, há os que insultam quando deviam falar e os que discutem quando deviam ouvir, se alguém é contra o que acreditamos – que seja por capricho ou ignorância – não é por partir o assunto aos bocados que ele melhor lhe vai passar na garganta, errado está o tolo que acha que é com ira que se conquista algo – nunca foi, nunca será.

Tive familiares toureiros que infelizmente já não se encontram neste mundo, um deles com problemas, grande parte da sua vida devido a uma cornada que o deixou em coma 6 meses.

Não sou um ignorante das touradas, sei o que é uma choça, um ferro violino, uma bandarilha e um capote, um Condessa de Sobral e um cavalo Lusitano, passaria melhor não sabendo mas contra isso nada posso fazer.

Fui a touradas, vi ao vivo, abstraía-me olhando os cavalos, chocava-me o ódio latente pelo animal negro no meio da tourada e não me venham com as merdas do costume que existe respeito pelo animal porque até gajos a espumar da boca vi como se possessos estivessem a pedirem mais ferros, mais tortura e até morte ali na praça mesmo em Portugal onde é ilegal.

Para o sofrimento que vem a seguir onde os ferros são arrancados e muitas vezes dois dias são passados antes do abate, eu se fosse touro, preferia morrer na praça com uma muleta espetada até ao coração e se isso não bastasse com o descabelo no cérebro, é mais digno do que o que não se vê após a saída do touro de praça – mas uma vez mais, a nossa hipocrisia leva-nos a fechar os olhos com uma viga enquanto apontamos para o cisco do vizinho.

Lembro-me de uma saída de touro numa praça pequena e desmontável para dentro do transporte onde já se encontravam se não estou em erro outros dois animais – o touro não se conseguia mexer, creio que tinha algum membro partido, os homens de cima da carrinha picavam o touro que ficava a meio da rampa recusando-se a entrar…quando digo picar estou a falar de varas com ferros na ponta que fazem uma bandarilha passar por alfinete…tanto picaram o animal que ele lá arranjou forças para conseguir subir os dois metros da rampa…”sobes ou não sobes grande cabrão” e os restantes riram-se a caminho de irem buscar mais um monte de carne viva para carregar… isto não é cruel!?!?

É o quê então?

Sei que tudo isto se assimilou na nossa cultura e descaradamente passou por debaixo do inexistente radar da moral e se passou a denominar de tradição – mas terão que arranjar um argumento melhor para continuar a montar um circo baseado no divertimento de muitos com o sacrifício de um boi, chamem-lhe toiro as vezes que quiserem, é um animal ruminante, um mamífero, um ser vivo e não, não foi certamente criado para isto.»

Fonte:

https://www.facebook.com/MonsantoACavalo/photos/a.298789390232383.65666.298771186900870/827582994019684/?type=3&theater

Fonte: Arco Almedina

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