Piauí Ativistas realizam protesto contra PEC da vaquejada em Teresina

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Assim como em outras cidades do país, dezenas de ativistas da causa de proteção aos animais, se reuniram em Teresina no final da tarde deste domingo (27), na Ponte Estaiada, zona Leste da capital. Eles são contrários à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 50, que pretende afrontar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e legalizar a vaquejada em todo o país.

Através do movimento “Crueldade Nunca Mais” os manifestantes saíram em caminhada pela Avenida Raul Lopes e levaram apresentações culturais no objetivo de alertar a sociedade para a causa.

No Piauí, no dia 10 de novembro deste ano, a Assembleia Legislativa aprovou em duas votações uma lei que regulamenta a vaquejada como prática desportiva e cultural. Foi acrescentada uma emenda que deixa o evento sob responsabilidades da Agência Estadual de Desenvolvimento Agropecuário do Piauí (Adapi), Conselho Regional de Medicina Veterinária e Associação de Vaqueiros Amadores do Piauí.

https://i2.wp.com/www.anda.jor.br/wp-content/uploads/2016/11/03-2.jpeg No entanto, os manifestantes que participaram de ato contra este tipo de lei alertam que os animais também sofrem prejuízos psicológicos e comportamentais gerados pelas agressões físicas.

“A ciência comprova que os animais têm sentimentos, pois sofrem todo tipo de agressão física e psicológica. Não podemos mais compactar com o que fazem com os animais. Ficamos completamente sem-teto, pois não há respeito pela constituição, o que é desfavorável para todos. Os políticos que fazem as leis deveriam estar atentos para isto”, disse a médica veterinária e responsável técnica da Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (Apipa).

Os ativistas acreditam que a prática da vaquejada não integra a cultura nordestina e nem o esporte. Ainda segundo eles, é necessário alertar à sociedade para impedir que novas leis surjam e regulamentem a prática.

“Acompanhamos com bastante apreensão essa desobediência dos políticos brasileiros. O senado federal está desobedecendo a nossa constituição e ao STF. Estamos aqui para fazer valer os 80% dos brasileiros, que responderam ser contra a vaquejada em uma pesquisa feita pelo senado federal”, afirmou Zélia Soares, presidente da Federação das Associações das Ongs de Proteção Animal do Piauí (Faos).

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PEC da Vaquejada
Com a apresentação de pedido de vista, foi adiada na última quarta-feira (23) a votação, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Federal, de proposta de emenda à Constituição (PEC 50/2016) que reconhece a vaquejada como patrimônio cultural brasileiro. Após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter declarado haver “crueldade intrínseca” contra os animais, a atividade fica proibida no país.

No parecer favorável à PEC 50/2016, o relator, senador José Maranhão (PMDB-PB), sustentou que as regras da vaquejada para garantir o bem-estar animal estão disciplinadas em leis e regulamentos das entidades do esporte, como a Associação Brasileira de Vaquejada (ABVAQ).

Dos 12 senadores que debateram a proposta, Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) condenaram a vaquejada e declararam seu voto contrário.

Fonte: ANDA

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Piauí Manifestação contra vaquejadas movimenta praça de Teresina

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Na manhã desta sexta-feira (4), representantes de entidades defensoras dos direitos animais reuniram-se na Praça João Luis Ferreira, Centro de Teresina, em um ato em apoio à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe a prática das vaquejadas e contra o projeto de lei que torna a atividade patrimônio cultural imaterial brasileiro.

Os manifestantes distribuíram folders e exibiram cartazes e faixas no intuito de informar a população sobre a problemática. Eles afirmam que as vaquejadas realizadas em todo o país nada têm a ver com arte ou cultura, são espetáculos de horror onde animais são submetidos à humilhação e tortura, e que a maioria dos brasileiros é contra esse tipo de atividade.

“As pessoas que são a favor das vaquejadas são a minoria. Uma pesquisa do Senado Federal afirma que 80% dos brasileiros não apoiam a prática. Essa minoria é justamente formada por aqueles milionários que promovem os espetáculos de horror. Nós estamos aqui para lutar pelos direitos animais. Todas as leis brasileiras são contra os maus-tratos aos animais”, disse Zélia Sousa, presidente da Federação das Associações das Ongs de Proteção Animal do Piauí (Faos).

“A vaquejada pode até voltar a acontecer como patrimônio cultural, mas sem o boi e sem o cavalo. Que seja um boi mecânico, que os artistas continuem a ganhar os seus milhões, mas sem violência aos animais”, falou Isabel Moura, representante da Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (Apipa).

Para a vereadora Teresa Brito (PV), a prática da vaquejada distorce a imagem do verdadeiro vaqueiro, que protege os animais ao invés de maltratá-los e afirma que é possível manifestar a cultura e ter entretenimento sem explorar os animais.

“Essa foi uma das decisões mais acertadas do STF. Eu vi o sofrimento dos animais, fotografei e filmei então eu tenho todos esses registros dos animais no pós-vaquejadas. Eram animais com perna quebrada, com quadris deslocados ou mortos, a vaquejada é uma coisa retrógrada de empresário e não do vaqueiro tradicional, que é o trabalhador do campo que cuida dos animais”, disse.

Na terça-feira (1) o STF aprovou um projeto de lei que torna a atividade patrimônio cultural imaterial e manifestação cultural brasileira. O projeto não tem efeito sobre a decisão STF que, em outubro, considerou ilegal a prática de vaquejadas e rodeios no estado do Ceará.

Quem defende a vaquejada diz que os maus-tratos ficaram no passado e que atualmente são adotadas medidas para preservar a integridade do animal.

Luiane Santos, presidente da Associação de Vaqueiras do Piauí, avalia como grande perda para a economia. “Proibindo a vaquejada muitos pais não terão como sustentar suas famílias. Erraram em querer proibir. Não é verdade a questão dos maus-tratos. Talvez isso tenha ficado no passado. Hoje em dia, tudo que as leis rezam sobre isso foi alterado. Hoje temos fiscal de pista, mudamos o tipo de areia e o tipo de luva e colocamos o rabo de corda para que houvesse proteção ao animal”, disse.

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Fonte: ANDA