CONTEÚDO ANDA Mulher dedica vida ao cuidado de chimpanzés e orangotangos salvos de laboratórios e da indústria de entretenimento

Patti Ragan habilmente manobra um carrinho de golfe ao longo de um centro arborizado que abriga grandes primatas na Flórida, nos Estados Unidos.

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Patti Ragan habilmente manobra um carrinho de golfe ao longo de um centro arborizado que abriga grandes primatas na Flórida, nos Estados Unidos.

Ela cumprimenta Christopher, um orangotango de aproximadamente 130 quilos, e lhe oferece erva-doce fresca, uma de suas guloseimas favoritas.

À medida que anda pelo centro – que cuida de oito orangotangos e oito chimpanzés – fica claro que Ragan rapidamente reconhece cada residente. Quando para em um dos recintos dos chimpanzés, ela compartilha a triste história de um deles.

“Chipper é um caso especial. Ele tem em torno de 44 anos agora. Era um bebê selvagem que trabalhou no circo até atingir aproximadamente 10 anos”, diz.

Quando ele se tornou muito grande e foi considerado perigoso para controlar, o chimpanzé foi enviado para uma instalação de pesquisa biomédica. Posteriormente “ele acabou em diversos zoológicos de beira da estrada. Há 16 anos, foi resgatado com o seu amigo, Butch”, afirma.

A missão de vida de Ragan é cuidar desses grandes primatas resgatados de laboratórios, daqueles que os criaram como animais domésticos e da indústria do entretenimento nos Estados Unidos.
O centro que ela fundou há quase 25 anos tornou-se em parte um local de reabilitação e também um lar para os animais, que podem viver 60 anos ou mais.

Ragan cuida dos animais inteligentes porque se sente comovida com o que eles enfrentam. O santuário atua ajudando os animais, ao invés de explorá-los. Por isso, não há criação de primatas, muito menos compra ou venda de animais. Nenhuma pesquisa é permitida, exceto o que é aprendido com a observação não intrusiva dos comportamentos dos primatas. Também não são autorizados visitantes, com exceção de alguns casos de grupos escolares.

Em vez de serem forçados a fazer truques para os seres humanos, os moradores do santuário finalmente podem viver de acordo com seu comportamento natural.

A equipe do local possui 26 funcionários e mais de 50 voluntários. Os trabalhadores não entram em um recinto quando um animal está presente. Para muitos desses orangotangos e chimpanzés, esta é a primeira vez em que seus principais contatos sociais ocorrem com suas próprias espécies.

Como eles não viveram sozinhos e não foram criados por suas mães durante os seis ou sete primeiros anos de vida, não podem retornar à natureza. Eles não saberiam como sobreviver ou não seriam aceitos por macacos selvagens. Além disso, muitos são idosos e quase todos possuem problemas causados por passados abusivos.

O local tornou-se um modelo para santuários de primatas nos EUA, oito dos quais são membros da North American Primate Sanctuary Alliance (NAPSA), que Ragan ajudou a fundar. É o único santuário na América do Norte que oferece um lar para orangotangos, segundo o The Christian Science Monitor.

Elogios de Jane Goodall

A mundialmente renomada primatóloga Jane Goodall, que visitou o Centro de Grandes Primatas, elogia o “profundo empenho e paixão de Ragan pelos primatas” e atua como diretora honorária.

Gloria Grow, cofundadora e diretora da Fauna Foundation, um santuário para chimpanzés e outros animais perto de Montreal, no Canadá, conhece Ragan há 20 anos.

“Se alguém quer iniciar um santuário, o único lugar para enviar essa pessoa é para Patti Ragan porque esse é o local para onde se deve ir para aprender a como fazer isso”, diz.

Quando decidiu que seu propósito era cuidar de grandes primatas que passaram as vidas em cativeiro, Ragan procurou por vários anos antes de encontrar a propriedade perto de Wauchula.

Um dos residentes acolhidos pelo santuário

Após vender a agência que possuía, ela comprou alguns acres, planejando abrigar cinco moradores. Hoje, existem quase 50 grandes primatas (e mais estão a caminho) , que vivem nos cerca de 120 hectares da propriedade. Recentemente, cinco orangotangos chegaram à área.

Uma característica singular do santuário é o seu cercado, com passarelas elevadas que permitem que os animais andem livremente em torno da propriedade. Outros santuários têm copiado a ideia, embora em menor escala.

Ragan espera fazer parte de uma mudança de atitudes  das pessoas em relação aos primatas. “Eles são animais inteligentes, [mas] não são pseudo-humanos”, destaca. Um equívoco sobre os chimpanzés é que eles são pequenos e semelhantes a crianças. Normalmente os bebês são vistos na TV, em cartões ou em filmes.

Bubbles

Talvez o residente mais famoso do santuário seja o chimpanzé Bubbles, antigamente criado pelo cantor de pop Michael Jackson.

“Ele é um menino muito doce e muito grande. Estava com Michael até ter em torno de seis ou sete anos e então Michael percebeu, como a maioria das pessoas, que não teria condições de ficar com ele”, conta Ragan.

As pessoas frequentemente interpretam mal as emoções dos chimpanzés. “Quando os chimpanzés mostram todos os seus dentes, parece um sorriso humano, mas é realmente uma expressão de medo”, explica Cathy Willis Spraetz, presidente e diretora-executiva do Chimp Haven em Keithville, um santuário que acolhe chimpanzés anteriormente utilizado em pesquisas financiadas pelo governo federal.

Outro chimpanzé no Centro de Grandes Primatas é Knuckles, que foi diagnosticado com paralisia cerebral. Uma terapeuta o ajuda em seu próprio recinto especial e seleciona cuidadosamente um dos animais mais velhos e dóceis para lhe fazer companhia.

“Patti tem essa devoção por Knuckles. A maioria aconselha que Knuckles tenha a morte induzida porque ele não pode se defender dentro de um grupo social. Para mim, isso só fala muito sobre o tipo de pessoa que ela é e seu cuidado e devoção aos animais”, destaca Ragan.

Fonte: ANDA

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