Ovos fertilizados podem salvar o rinoceronte-branco-do-norte da extinção

Sete ovos extraídos das duas últimas fêmeas desta subespécie foram fertilizados, com sucesso, no passado domingo, 25. Esta pode ser a última oportunidade para salvar o Rinonceronte-branco-do-norte

O último macho rinoceronte-branco-do-norte, Sudan, morreu em Março do ano passado, no Quénia, aos 45 anos, devido a “complicações relacionadas com a idade”. Contudo, cientistas recolheram o seu material genético, assim como o de outros machos da raça, previamente, na esperança de salvar a subespécie da extinção, assim que a tecnologia o permitisse.

Os cientistas sempre tiveram um plano em vista: recorrer à inseminação artificial, através do recolhimento do esperma de machos, congelado até ser necessária a sua utilização, e dos ovos das duas últimas descendentes de rinoceronte-branco-do-norte. Os ovos utilizados no processo foram da filha e da neta de Sudan – Najin e Fatu – que vivem na Ol Pejeta Conservacy (organização sem fins lucrativos), no Quénia,

Na passada quinta-feira, 22, foi recolhido “um total de 10 ovócitos – cinco de Najin e cinco de Fatu – o que mostra que as duas fêmeas ainda podem fornecer ovos e ajudar desta forma a salvar estas criaturas magnificas”, disse num comunicado de imprensa, Thomas Hildebrandt, do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research, na Alemanha.

No entanto, as descendentes de Sudan não são capazes de engravidar. Por isso, os ovos foram transportados do Quénia para o laboratório de tecnologia de reprodução animal, Avantea, em Itália, de avião, onde foi feita a fertilização in vitro. Se o método levar à criação de embriões viáveis, estes serão congelados e transferidos para um rinoceronte-branco-do-sul. “Produzir um embrião de rinoceronte-branco-do-norte in vitro – o que nunca foi feito antes – é uma realidade palpável pela primeira vez”, referiu o especialista em clonagem de animais Cesare Galli, da Avantea, num comunicado de imprensa. O laboratório italiano referiu ainda que apenas sete dos ovos colhidos eram adequados para a fertilização, os quais foram todos fertilizados com sucesso no passado domingo, 25.

O esperma utilizado no processo era de dois rinocerontes-brancos-do-norte, Suni e Saut, que viviam num jardim zoológico da República Checa. Quanto às amostras do material genético de Sudan, ainda estão no Quénia e podem ser usadas em tentativas futuras para a criação de mais embriões.

Os resultados da eficácia da inseminação artificial são revelados no dia 10 de Setembro. Se estes forem positivos, a espécie poderá ter um futuro. Se as coisas não correrem como planeadas, o rinoceronte-branco-do-norte será muito provavelmente condenado à extinção. O objectivo dos cientistas é criar um rebanho de pelo menos cinco animais, que possam voltar ao seu habitat natural em África – o que pode demorar décadas.

A caça de rinocerontes é a causa da via de extinção desta e de outras espécies destes animais. O corno destes é utilizado na medicina tradicional oriental, devido às suas supostas propriedades curativas, cujo valor medicinal nunca foi confirmado cientificamente.

Todo o processo na tentativa de salvar a espécie foi realizado pela colaboração entre o Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research, o Avantea, o jardim zoológico Dvur Kralove, na República Checa e ainda a Ol Pejeta Conservacy e o Wildlife Service, no Quénia.

Fonte: Visão

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