A crueldade brada, olé!!!

Estamos num país europeu, onde o turista entusiasmado com a maravilhosa organização e cultura do povo local, sai em busca de fotos e conhecimento. Exibirá depois, em suas redes sociais, toda a experiência vivida naqueles momentos mágicos em solo de primeiro mundo.

É nesse momento que passamos a distinguir o verdadeiro caráter de alguém diante de circunstâncias que a vida oferece. A pessoa sempre foi contra a violência, contra o derramamento de sangue, e sempre expôs sua opinião a respeito disso, mas ao atingir um certo status no decorrer do tempo, não quer ficar de fora de espetáculos que vão de encontro a toda filosofia outrora apregoada.touradas

Por que resistir a um convite tão simpático de um superior cidadão europeu a conhecer uma Arena em plena tourada?

– Não sou eu quem vai estar matando o touro mesmo! e se pensar bem, sempre comi carne de boi e o touro morto servirá de alimento também!

E lá vai o entusiasmado turista presenciar o espetáculo cultural do povo superior local. Mulheres bonitas e sorridentes, fantasias típicas, muita simpatia e uma multidão saudando o toureiro. O turista não pára de tirar fotos, tudo é maravilhosamente colorido e a alegria é contagiante!  O grande e famoso  ”el matador fulano de tal” é ovacionado como um deus e o turista chega a chorar de emoção!
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E começa a “batalha!”

O touro, o grande vilão, o monstro a ser vencido, já sofreu muito antes de entrar na arena….foi ferido no pescoço e nas costas para não ficar tão perigoso, mas a multidão não sabe disso e nem quer saber. As pessoas querem ver sangue, querem gritar “olé” quando a fera for enganada pelo pano vermelho que o nobre toureiro manuseia com extrema habilidade.

Vez em quando uma espada é cravada no lombo do animal….

Mas são espadas personalizadas, coloridas, ficam tão lindas penduradas, enfeitando o touro! Tudo é muito belo, o sangue é de um vermelho incomparável, as pessoas gritam e sorriem o tempo todo e nosso amigo, o turista, já não vê a hora do “grand finale”. Tirou muitas fotos e filmou para exibir no youtube depois, está muito feliz!

Na arena, o  herói humilha e escarnece diante de um animal massacrado e ajoelhado. A ameaça agora está, enfim, sangrando o bastante  e seus gemidos de dor e agonia são abafados pela eufórica multidão, sedenta por sangue e morte.

Então, o golpe de misericórdia é dado e todos vão ao delírio. O dia está ganho, a vitória é do herói nacional mais uma vez e flores são lançadas pelos 4 cantos da arena, enquanto o touro ainda dá seus últimos suspiros tombado ao chão.

Por um momento, o turista se sente particularmente envergonhado. Se lembra da época em que criticava severamente as pessoas que participavam de uma tal atrocidade. Mas ele agora se diz conhecedor das razões culturais que levam pessoas ditas superiores a patrocinarem as Touradas.tou

Melhor voltar a sorrir com a multidão e não olhar mais para o animal banhado em tanto sangue. Algumas últimas fotos e voltar para o Hotel de cabeça erguida, satisfeito por assombroso espetáculo e poder agora dizer a todo mundo que já foi numa tourada um dia. Dizer que o touro nem sofre tanto assim e que o país das touradas tem suas razões para continuar com uma tão importante tradição secular.

Qual será a sua participação turística quando um dia for visitar um destes países? manterá sua integridade ou se renderá à curiosidade mórbida aliada à simpatia de uma maioria de “superiores” que tentarão convencê-lo da maravilha que é uma sangrenta tourada?

Critica-se um país por sua cruel cultura e que tem como principais patrocinadores os turistas estrangeiros, eis a verdade!

Em meio a tanta hipocrisia está um pobre animal e crianças que são obrigadas desde cedo a aprender com seus pais a arte e o orgulho de se tornar um grande matador de touros. Tudo em nome da cultura, tradição e turismo.

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Fonte: http://www.holder90.org/touradas/

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