«ESCRAVIDÃO DE PESSOAS & ESCRAVIDÃO ANIMAL»

«Escravidão de Pessoas & Escravidão Animal»
Actualmente, é inaceitável aquilo que algumas pessoas fizeram no passado, pois consideraram-se proprietárias de outras pessoas, só porque estas tinham a pele de outra cor, escravizaram-nas, negociavam-nas entre si, vendiam seus filhos, obrigavam-as a trabalhar arduamente e, se estas não conseguiam dar o rendimento desejado, eram amarradas a um tronco e chicoteadas.
A virgindade das meninas, filhas dos escravos, eram respeitadas até elas casarem. No dia do seu casamento, com um filho também de escravos,  assim que terminava a cerimónia  iam buscar a noiva e levá-la ao “dono” dos seus pais e sogros, para que ele a “estreasse”, só depois voltava para o noivo… Se este tentava reagir, levava um tiro…
No tempo em que os egípcios primitivos  construíram alguns dos seus monumentos, as grandes pedras eram deslizadas desde as pedreiras à custa da força humana. Assim, as escravas muito idosas eram colocadas logo a seguir à pedra, para que, se as cordas cedessem, elas seriam as primeiras vítimas, dando tempo a que os  mais novos os afastassem e, mesmo que as pudessem socorrer antes, não o faziam, pois que as pedras, deslizando por esses corpos esmagados, iam ficando untadas e melhores para o deslizamento pretendido, após novas cordas.
Ainda não há muitos anos, uma amiga minha, retornada de terras africanas, após saída de Portugal  do comando sobre elas, me contou que, muitas vezes, via um grupo de jovens escravas a trabalhar com os seus pais (também eles escravos, claro) nos vastos campos (roças, como lhes chamavam) e passava  perto um grupo de “donos de escravos”, paravam o veículo, iam buscar as jovens e levavam-nas. Seus pais continuavam a trabalhar, nem olhavam, porque logo atrás deles, estava o “chicoteador/pistoleiro”… Quando eles enchiam o papo e se fartavam do “rega-bofe”, iam-nas  levar de volta. Elas, coitadas, de pernas abertas, sangrando, tinham de continuar a trabalhar… E, minha amiga faleceu recentemente, com perto de 90 anos. Portanto, ainda tudo isto acontecia num passado não muito distante…
Chocados, não?
Pois é… Daqui por alguns anos, passando  a actual geração do reumático e parte da que para lá caminha, o choque será o mesmo, quando  as seguintes começarem a ouvir dizer_ ou a ler_, que muitos destes actuais habitantes do planeta Terra se julgaram donos dele e tudo o que ele comportava, pois afirmavam que «já cá encontraram isto!»_a bárbara tradição da escravidão animal_ e não queriam terminar com ela. E que, tal como naquele tempo, que  foi muito difícil acabar com a escravidão do homem para com o seu semelhante, que não o reconhecia como tal, os escravizantes dos animais também não queriam reconhecer neles um seu semelhante  que, afinal, sempre foi e será: IGUAL ao HOMEM em direitos.
Estamos precisamente num tempo de transição entre duas formas de viver; está a acontecer algo parecido com o que aconteceu em relação ao Homem/Mulher, quando, não há muitos anos, a mentalidade  colectiva reconheceu direitos iguais a ambos, mas o Macho lutou desesperadamente  durante muito tempo, agarrado aos remanescentes de conceitos pré-históricos, concebidos pelos machos cavernícolas em relação às suas fêmeas…
Muito por aqui se tem dito, mas há que ver os dois lados do conflito, entre Escravizantes e Activistas, para se chegar a algum consenso.
Exceptuando as sangrentas/bárbaras touradas e rodeios, cuja finalidade é divertir  aficionados psicopatas, temos de ter em atenção que muitas pessoas, principalmente camponeses,  herdaram a tradição e é muito complicado  mudarem pois que, se os animais não os ajudarem nas tarefas agrícolas, eles, sem  capacidades de adquirir máquinas agrícolas que façam os trabalhos e, sobretudo,  não podendo, sem lucro, suportar as despesas com os animais, estes são abandonados e (já está a acontecer) acabam por morrer em qualquer lado, de fome e sede… Vale mais irem trabalhado e vivendo…
Depois, há os empregos daqueles que  estão ligados a determinadas actividades com animais, como sejam o caso das charretes de turismo. As empresas exploradoras  foram formadas há muitos anos, nesse tempo, as mentalidades da maioria das pessoas não estava preparada para compreender que os animais não nasceram para trabalhar para o homem… E qualquer brutamontes servia para lidar com eles, tanto que, quando uma pessoa tem maus modos, ainda hoje lhe chamam “carroceiro”. Assim , tem de se encontrar, de facto, soluções, para que ninguém fique desempregado, pois não se pode fazer algo que tire o sustento seja de quem for nem daqueles que, porventura, possam estar seus dependentes.
Não há, não pode haver, uma solução/relâmpago. E todos nós temos de contribuir, mudando nossa maneira de viver. Enquanto formos consumistas, o desmatamento continuará. Só daqui a muitos aos as coisas chegarão a recompor-se, com os animais nos seus habitat’s naturais, procriando  aquando o cio, que tem alturas próprias, ao contrário dos humanos, que se encontram em cio permanente…
Depois, suprimem-se entre si, as espécies nunca serão de mais nem de menos, pois os animais em plena liberdade, sabem tomar conta de si próprios… As “batidas/massacre” dos humanos são completamente desnecessárias.
Como estamos a entrar  numa evolução coletiva, futuramente nenhum ricalhaço pagará para ir para a uma reserva praticar o desporto de assassinar animais… Quando alguém entrar numa casa e pisar uma carpete feita da pele de um animal ou vir um troféu numa parede, com a cabeça de um animal, irá fugir a sete pés e não mais lá voltará…
Ninguém mais montará num cavalo, treinado à custa do chicote, para  praticar a modalidade Hipismo, onde o animal tem de se estafar, sofrendo, por vezes, quedas que o incapacitam para sempre ou lhe tiram a própria vida, para  que seus opressores ganhem taças e medalhas.
Não mais os circos exibirão animais, mantidos em cativeiro e com um treinamento  sádico, pois já têm sido filmados a escolher a parte do animal mais sensível à dor, para o atacar por aí e o obrigar à obediência, perante o terror do sofrimento atroz.
Mas por agora, temos de dar tempo ao tempo para evitar um mal maior…
Florinda Rosa Isabel
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