CONTEÚDO ANDA Fazendeiros criam animais selvagens com mutações raras para atrair caçadores

Proprietários de terras têm lucrado com o assassinato de animais selvagens que vivem na África do Sul. Os animais podem ser caçados por suas carnes e “troféus”, além de ser explorados para o ecoturismo

Milhares de antigas fazendas de bois e vacas foram transformadas em fazendas de jogos lucrativos, reservas de caça de animais selvagens e locais de ecoturismo. Uma fazenda de animais silvestres que lucra com a caça se preocupa em ter os animais que os clientes desejam matar enquanto uma pousada turística abusa de espécies consideradas atraentes para aqueles que gostam de atividades “recreativas”.

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Inacreditavelmente, o principal argumento para a continuidade desse horror é que ele ajuda a “proteger” os animais.

Para agravar esse cenário perturbador, existe um mercado de “variações de cores” – formas excepcionalmente coloridas de espécies específicas decorrentes de mutações raras. As mutações naturais que causam variações de cor ocorrem em muitos animais.

As cores raras das espécies africanas caçadas são conhecidas há muito tempo e incluem variedades de preto e branco de impalas, grus dourados e variedades brancas de cabras-de-leque. Os caçadores de “troféus” pagam preços maiores para caçar os animais coloridos.

Durante a última década, o custo para matar os animais de cores mutantes vendidos em leilões no país tiveram um aumento extraordinário e depois uma grande diminuição. Diversas espécies com diferentes colorações, incluindo gnus, impalas, e zebras, começaram a ser intensamente criadas por alguns fazendeiros para o terrível mercado da caça.

Em 2012, estimava-se que estas variedades raras representavam apenas 1% da caça no país. A escassez e o pensamento de que os caçadores pagariam generosamente para matá-las resultaram na crença  de ocorreriam consideráveis retornos futuros. Como resultado, os preços aumentaram. O impala normal poderia ser comprado por $ 105, enquanto o impala preto era vendido por $ 45 mil. Os animais de cores variadas ainda não eram caçados e os  exploradores concentravam-se na sua criação para aumentar seus números.

Nos dois anos seguintes, o panorama foi alterado. Em 2014, a caça de animais raros representou 16% do volume de negócios em leilões e o preço médio de um impala branco era de US$ 616 mil.

Caçador com antílope

Além da extrema crueldade da caça, existem os perigos intrínsecos à reprodução intensiva de animais de estoque genético limitado, gerando problemas associados à endogamia, incluindo a viabilidade reduzida e a fertilidade, revela o Quartz.

Os criadores venderam os animais por preços elevados em 2015.  No início de 2016, os preços começaram a diminuir e a desvalorização continuou de forma considerável. Os impalas pretos custavam menos de $ 750 (1,7% do preço de 2012) e o impala branco $ 3,600, 0,5% do preço máximo de 2014.

Muitos fazendeiros se tornaram criadores de espécies raras, piorando o problema.

Os anúncios sobre a caça de animais coloridos estão em publicações relacionadas à pecuária. Nos últimos dois anos, as principais vítimas foram búfalos, zibelinas e palancas-vermelhas criados em cativeiro. Eles são normalmente coloridos, mas muitos possuem grandes chifres, uma característica que está sendo intencionalmente criada pelos exploradores.

Esses animais são considerados como as espécies de alto valor “da moda” e, com a variedade de cores, os preços para matá-los têm aumentado. Um búfalo foi vendido por US$ 12,6 milhões em 2016.

A caça dessas espécies – especialmente após o assassinato do leão Cecil no Zimbábue – desperta uma grande indignação no público e mostra a ganância dos abusadores.

Além disso, estimula práticas de ecoturismo como a venda de mergulhos com tubarões, passeios de barcos próximos a colônias de aves, entre outras.

Fonte: ANDA

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CONTEÚDO ANDA Bebês rinocerontes se unem para superar o trauma de testemunhar o assassinato de suas mães

Um bebê rinoceronte que foi retratado ao lado do corpo de sua mãe morta por caçadores aproximou-se de outro rinoceronte órfão para sobreviver antes de ser resgatado

Bebês rinocerontes juntos

O pequeno traumatizado de cinco meses viu a mãe ser brutalmente assassinada por seu chifre e tornou-se um símbolo da realidade tenebrosa da caça da espécie na África do Sul depois que a foto foi divulgada.

Agora, outra fotografia exclusiva do Daily Mail mostra o que aconteceu com o bebê antes de ele ser salvado e encaminhado para um orfanato. O filhote uniu-se a outro órfão de nove meses, cuja mãe também foi morta na mesma fazenda privada durante o massacre de nove rinocerontes.

Os dois, que necessitam do leite materno, foram encontrados severamente desidratados depois de sobreviverem de areia e grama até serem resgatados e transferidos para o orfanato.

Eles conseguiram evitar ataques de predadores como chacais e hienas, que procuram bebês que permanecem ao lado dos corpos das mães.

Eles foram vistos de um helicóptero enquanto corriam juntos pela apresentadora de televisão da vida selvagem e cineasta Bonné de Bod e um fazendeiro. Um veterinário foi contatado para levá-los em segurança.

“Foi um alívio ver o pequeno bebê do helicóptero. Foi adorável ver os dois seguros e juntos neste grande espaço aberto”, afirmou de Bod.

Bebê rinoceronte ao lado da mãe

O fazendeiro Pieter Els mostrou a De Bod e à cineasta Susan Scott, a cena do massacre na propriedade, onde nove rinocerontes – incluindo quatro mães grávidas – foram assassinados alguns dias após o ataque.

“Caminhamos para outro dos rinocerontes mortos e eu pude ver um feto fora do corpo dela, um rinoceronte perfeitamente formado. Ele ficou bastante emocionante ao me contar sobre a perda de não só nove rinocerontes, mas na verdade 13 porque quatro estavam grávidas”, disse de Bod.

Ambos os rinocerontes que sobreviveram ao ataque agora estão “juntos no orfanato e estáveis, mas não fora da floresta ainda”, acrescentou ela.

Eles se tornaram melhores amigos durante a experiência traumática. Normalmente, os filhotes de rinocerontes permanecem perto de suas mães até cerca de três anos de idade.

Uma investigação sobre o assassinato dos nove rinocerontes na reserva privada de Els está em andamento. Sua localização na África do Sul deve permanecer secreta, assim como o orfanato para onde os dois bebês foram levados, para evitar novos assassinatos.

Isso é algo que mundialmente famosa reabilitadora de rinocerontes Karen Trendler conhece muito bem. Em fevereiro deste ano, o orfanato Thula Thula Rhino, onde Trendler trabalhou, fechou depois de ser brutalmente atacado por caçadores que mataram animais. Os funcionários foram violentamente espancados e uma jovem voluntária foi sexualmente agredida.

Um dos rinocerontes mortos

Trendler diz que o rinoceronte recentemente órfão – que ainda não foi nomeado – pode não sobreviver ao trauma e enfrentará uma dura jornada.

“Um dos eventos mais estressantes para uma criança é a perda da mãe, para um bebê humano ou para qualquer bebê. Está bem documentado que um bebê rinoceronte possui um vínculo incrivelmente forte com sua mãe. Alguns bebês se afastam aos dois anos, mas alguns na verdade só deixam suas mães aos quatro anos. É muito estressante, muito traumático e, na verdade, podemos perder um filhote dias depois de salvá-lo por causa do vínculo que ele teve com sua mãe”, explicou.

“Para um bebê, perder uma mãe durante uma caça, onde ele está presente quando a mãe é baleada e depois seu chifre é cortado, é muito brutal e estamos lidando com trauma intenso nesses filhotes sobreviventes. Na realidade, eles sofrem de estresse pós-traumático”, completou.

Infelizmente, o caso do pequeno rinoceronte é apenas um instantâneo da crise da caça da espécie que ocorre na África do Sul.

Scott disse que entre 20 e 25 dos animais ameaçados de extinção foram mortos em uma semana por organizações criminais altamente organizadas no país.

A cineasta tem trabalhado em um filme famoso sobre a crise há dois anos e meio. O documentário independente, chamado “Stroop”, os levou da África do Sul ao Sudeste Asiático, onde a demanda por chifres da espécie é alta.

“Tenho que dizer que a demanda maciça por chifres de rinocerontes realmente me surpreendeu. Claro, todos nós ouvimos que o vietnamita e o chinês consomem e adquirem chifres de rinoceronte, mas realmente ver como é usado e as propriedades míticas e poderosas que eles atribuem a isso é algo para ver e filmar”, disse ela.

Outro rinoceronte vítima da caça

Apesar de países como a China, o Vietnã, a Coreia do Sul, a Malásia e até mesmo a Índia acreditarem que os chifres possuem valores medicinais, pesquisas contínuas não encontraram evidências para comprovar essas alegações.

Os chifres são feitos de uma proteína chamada queratina, a mesma substância encontrada nas unhas e cabelos humanos. Eles são essencialmente uma massa compacta de cabelos que crescem ao longo da vida do animal, assim como o cabelo e unhas humanos.

Sua estrutura é semelhante aos cascos de cavalos e bicos de tartarugas, mas os animais não são caçados e mortos do mesmo modo.

Tragicamente, a tradição e as crenças culturais de alguns países asiáticos mostram que a demanda por chifres de rinocerontes não diminuiu, apesar de restar apenas em torno de 20 mil rinocerontes brancos na natureza.

Os caçadores sendo apoiados por grupos criminosos internacionais e têm equipamentos sofisticados para rastrear e matar rinocerontes. Um quilo de bico de rinoceronte vale cerca de US$ 30 mil, o que é mais valioso do que um quilo de ouro que vale US$ 25 mil.

Às vezes, os rinocerontes são mortos a tiros, em outros casos são usadas armas tranquilizante antes da remoção dos chifres – o que faz o rinoceronte acordar e sangrar até a morte de forma agonizante e lenta.

Desde 2007, mais de seis mil indivíduos da espécie foram baleados e mortos apenas na África do Sul. A maioria das mortes ocorreu nos últimos quatro anos com cerca de mil falecimentos anuais desde 2013.

Na província de KwaZulu-Natal, que possui a maior densidade de rinocerontes na África do Sul, 139 foram assassinados neste ano.

Reabilitadora dá mamadeira a filhote de rinoceronte

Localizado na província está o Parque Hluhluwe-Imfolozi, que abriga uma população incrivelmente importante de rinocerontes brancos e pretos.

O parque é reconhecido mundialmente por ser o lar histórico do rinoceronte branco do Sul, depois que os chamados esforços da “Operação Rinoceronte”, na década de 1950, deixaram a espécie à beira da extinção.

Enquanto isso, o Kruger National Park, primeiro parque nacional da África do Sul, foi forçado a aumentar suas medidas de segurança em Março. Eles observaram que os caçadores entravam no local se disfarçando de visitantes. Até 2019, o parque quer implementar um sistema de vigilância capaz de detectar e monitorar as pessoas usando radares e sensores eletro óticos.

Porém, a luta para manter os rinocerontes seguros não é apenas uma questão sul-africana. Eles correm o risco de serem visados em todo o mundo.

Em março, um rinoceronte foi morto a tiros por caçadores em um zoológico em Paris, França, no que provavelmente é o primeiro crime desse tipo na Europa. Vince, que tinha quatro anos, foi encontrado com um dos chifres cortados com uma motosserra em seu recinto no Thoiry Zoo.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA Bebê rinoceronte se recusa a abandonar corpo da mãe morta por caçadores

Uma foto extremamente comovente de um bebê rinoceronte órfão e de pé ao lado do corpo de sua mãe, que foi morta por caçadores em busca de seu chifre tornou-se o símbolo trágico de vários assassinatos de rinocerontes em apenas uma semana na África do Sul

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A imagem foi divulgada online por ativistas que combatem a caça na África do Sul, depois que nove rinocerontes morreram em uma fazenda privada. Outros seis rinocerontes foram mortos em apenas 24 horas em uma reserva e outros assassinatos confirmaram que 20 animais morreram em uma semana.

Embora o rinoceronte branco esteja na lista de espécies ameaçadas de extinção, e existam menos de 20 mil indivíduos da espécie na natureza, os caçadores ainda os assassinam por seus chifres. Na província sul-africana de KwaZulu-Natal,  139 rinocerontes foram assassinados neste ano.

Os cineastas sul-africanos Bonné de Bod e Susan Scott, que estão produzindo um filme famoso chamado “Stroop”, sobre a caça de rinocerontes”, postaram a foto angustiante.

“Trágico assassinato de nove rinocerontes em uma fazenda privada. Relatórios também informam outras caças de rinoceronte nas últimas 24 horas”, escreveram.

Bod disse à SA People que houve 20 mortes de rinoceronte confirmadas neste fim de semana e um número não confirmado de até 31.

“Isso é apenas aquelas que conhecemos, publicadas nas mídias sociais. Há muitas caças que nós, o público, não conhecemos. O que sabemos é chocante: seis [rinocerontes] na área Mbhuzane de iMfolozi levaram 11 tiros à meia-noite e nove rinocerontes mortos em uma fazenda em Northern Cape”, explicou.

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A localização das fazendas privadas de rinocerontes na África do Sul é mantida em segredo para protegê-los dos caçadores, segundo a reportagem do Daily Mail.

O Limpopo Rhino Security Group NPO, um grupo de fazendeiros que protege os animais, disse que dois rinocerontes pretos – uma espécie criticamente ameaçada – também foram mortos. A mãe foi assassinada por seu chifre enquanto seu bebê de apenas quatro meses de vida foi morto ao seu lado.

O crime chocante referente aos seis animais mortos em 24 horas ocorreu na reserva de Hluhluwe-Imfolozi – KwaZulu-Natal, onde 11 tiros foram ouvidos.

Os guardas-florestais foram até o local e descobriram os corpos dos animais. Todos estavam deitados em poças com seus próprios sangues e tiveram os chifres arrancados, de acordo com a News 24. Este é o mais recente de uma série de ataques de rinocerontes e o número de mortes pode exceder 250 até o final do ano em KwaZulu-Natal.

Desde 2007, mais de seis mil animais foram mortos e seus chifres foram removidos na África do Sul. Cerca de mil são mortos a cada ano desde 2013. Cada vez mais, os caçadores têm procurado as reservas de KwaZulu-Natal, pois a segurança foi reforçada no Kruger National Park, em Pretória, que cruza Moçambique.

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Entre as pessoas indignadas com os assassinatos, está o ex-jogador de críquete, Kevin Pietersen, que nasceu e cresceu no país.

Ele disse que a situação era similar a uma guerra da vida selvagem no país: “Trinta e um rinocerontes mortos neste último fim de semana. Apenas deixem isso piorar, somente menos de um por hora. Isto é uma guerra”.

Pietersen compartilhou uma foto de um caçador e uma garota segurando um rifle acima da cabeça comemorando a morte de uma girafa com a legenda: “Este é o meu problema com a caça. Eles dizem que traz muito dinheiro para a proteção. Esta pose não parece conservacionista para mim”.

O jogador, que é o quinto melhor artilheiro da Inglaterra e se mudou para Nottinghamshire no começo de sua carreira, começou a jogar na seleção nacional. Ele informou ainda que logo deve lançar um documentário sobre a caça em sua terra natal.

Fonte: ANDA