CONTEÚDO ANDA Milhares de animais selvagens são mortos para a produção de medicamentos

A demanda asiática por vinho e ervas medicinais feitas com extratos de animais selvagens tem incentivado a caça de espécies raras na Uganda e em toda a África, alertam ambientalistas

Milhares de animais foram capturados e exportados para a China, a Indonésia e as Filipinas para serem transformados em medicamentos tradicionais nos últimos anos.

“Por exemplo, na África do Sul, as pessoas exportam ossos de leão para a China, onde os utilizam como medicamento tradicional chinês. A África está perdendo leões para indústrias chinesas que produzem vinho misturado com pó de osso de leão. Essas indústrias trituram ossos de leão em pó fino e misturam-no em um vinho”, ressalta Edith Kabesiime, gerente de campanha de animais selvagens africanos da World Animal Protection (WAP).

Segundo ela, há alguns anos, os chineses usavam extratos de tigres asiáticos, mas, com a diminuição dos animais, uma proibição do uso de ossos de tigre foi adotada.

“Na África do Sul, eles exportam legalmente ossos de leão para a Ásia. Parte da nossa campanha estará focada em convencer o governo sul-africano a impedir a exportação de ossos de leão para a Ásia, já que a China proibiu o uso de seus tigres. Por que eles estão usando nossos leões? Será um problema no futuro, quando todos eles foram destruídos”, continua Kabesiime.

Ela revelou que os pangolins também são capturados, mortos e têm seus restos exportados para a China e outros países da Ásia para uso em medicamentos tradicionais.

“Os chineses acreditam no uso de escamas de pangolins – que eles misturam em seus alimentos – para melhorar sua masculinidade. Eles também utilizam chifres de rinoceronte para aumentar a masculinidade e ser fortes”, disse.

O tráfico de espécies ameaçadas de extinção não poupou animais domésticos. Burros são sequestrados no leste de Uganda e no oeste do Quênia para serem exportados para a China.

O oficial Raphael Omondi informou que burros são capturados diariamente no Quênio para terem suas peles vendidas. Atualmente, o país possui menos de 900 mil burros. A Uganda Wildlife Authority (UWA) não sabe o número de burros em Uganda.

“Os chineses fazem remédios com a pele e os cabelos dos burro”, afirmou ele.

A Uganda, o Congo, a República Centro-Africana e outros países continuam perdendo muitos papagaios cinzentos africanos para países da América e da Europa. O aeroporto internacional de Entebbe é uma conhecida rota dos papagaios.

O porta-voz da Uganda Wildlife Authority, Simplicious Gessa, disse: “De acordo com a lei, se esses animais estão ou não dentro dos parques nacionais, eles não devem ser sequestrados, mortos ou exportados”.

Segundo ele, uma proibição total do comércio de pangolins está em vigor desde que a Uganda perdeu muitos animais para a Ásia. Outros animais capturados na Uganda incluem tartarugas, camaleões e burros.

Gessa informou que o número de animais nos parques nacionais aumentou porque a UWA aumentou os esforços de combate à caça, com unidades de inteligência, operações, aumento da equipe, postos de satélite, patrulhas e unidades marinhas com câmeras de vigilância.

“No entanto, tem ocorrido uma diminuição na população de girafas, zebras, elefantes, leões e eland por causa de seu longo período de gestação, pequenas taxas de nascimento. Gnus e búfalos são caçados muito porque são ingeridos pelas pessoas”, explicou.

Fonte: ANDA

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