SENCIÊNCIA

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Por  Mel Colaço

«Estou disposto a acreditar que sempre que o cérebro começa a gerar sentimentos primordiais – e isso poderá acontecer bastante cedo na história evolutiva – os organismos tornam-se sencientes numa forma primitiva (1). A partir desse momento, poderá vir a desenvolver-se um processo de um eu organizado [organized self] que se acrescenta à mente, garantindo assim o início de mentes conscientes mais complexas. Os répteis, por exemplo, merecem essa distinção, as aves ainda mais, e para os mamíferos não há qualquer dúvida. A maioria das espécies cujo cérebro dá origem a um eu [self] fá-lo a um nível nuclear. Os humanos possuem tanto um eu nuclear como um eu autobiográfico. Há uma série de mamíferos que provavelmente também têm ambos, como os lobos, os nossos primos símios, os mamíferos marinhos, os elefantes, os felídeos e, claro está, aquela espécie especial chamada cão doméstico

António Damásio. O Livro da Consciência. Lisboa: Temas e Debates. 2010, 45 [Self Comes to Mind.Constructing the Conscious Brain. London: William Heinemann. 2010, 26].

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1. Possuir uma senciência primitiva significa que o organismo vivo tem capacidade de experienciar dor, nem que seja minimamente, pelo que os animais desprovidos de uma consciência mais complexa, como a consciência de si, continuam com propriedades despoletadoras de sensações como o sofrimento. Em suma, a capacidade de sentir está desconectada da capacidade de ser consciente de si: se existisse essa ligação [de que um ser senciente só é-o se for consciente de si], afirmar-se-ia que um bebé, por não ter sentimento de si, estaria desprovido de senciência – e todos sabemos que a falta dessa consciência de si não é um argumento válido para cometer qualquer tipo de tortura ou mau trato ao bebé, visto que tem-se conhecimento da capacidade deste sofrer com essas acções.

O mesmo se aplica a animais cujo cérebro não tenha evoluído o suficiente para tomar posse de uma mente consciente mais completa, desde animais marinhos não-mamíferos a insectos. De facto, estes animais não têm a consciência de um eu mas são capazes de experimentar sensações básicas – regra geral, a dor. Portanto, nós, enquanto seres humanos que conhecemos e reconhecemos o que estamos a fazer, devemos respeitar ao máximo todos os animais, sejam eles grandes ou pequenos, complexos ou simples, e ensinar às gerações futuras, que ainda estão a crescer e a desenvolver uma consciência de si, a respeitá-los também.

Leia outros artigos sobre a senciência dos animais mais “simples” aqui, aqui e aqui.

Fonte:

http://grito-silenciado.blogspot.pt/2015/11/senciencia.html?showComment=1447061952406#c603447540416568513

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Qualquer animal, apenas porque é um ser vivo, tem vida, vive, sente essa vida, e, para ele, essa vida é tão importante como a minha vida é para mim.

Para exigir que respeitem a minha vida, terei forçosamente de respeitar a vida de todos os seres vivos que comigo partilham o Planeta.

Dizem-me: então e as pulgas, os piolhos, as bactérias, os vírus…?

Meus amigos, esses não respeitam a minha vida, e a única situação em que considero válido desrespeitar a vida do outro é em legítima defesa da minha própria vida.

Seria capaz de matar um meu semelhante antes que ele me matasse a mim ou aos meus. E apenas nessas circunstâncias, de autodefesa, matar seria válido.

Ou não?

(I. A. F.)

Fonte: Arco de Almedina

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Os Pró-touradas devem ler este artigo com muita atenção, já que para eles, o touro, não é um ser senciente, não sente dor, não sofre!

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