CONTEÚDO ANDA Maior estado da Austrália proíbe corridas de cães após escândalos de crueldade

Reprodução/AFP

A indústria australiana de cães galgos está ameaçada após o estado mais populoso do país ter proibido as cruéis corridas de cães após uma série de escândalos, incluindo a matança de dezenas de milhares de cães e o uso de iscas vivas.

O premier de Nova Gales do Sul Mike Baird declarou que a indústria parece incapaz de se reestruturar e que seu governo irá trabalhar para proibi-la a partir de 1º de Julho de 2017, segundo informações do Daily Mail.

“As corridas de cães já foram banidas em muitos países e em muitos estados dos Estados Unidos e é legalizada em apenas oito países em todo o mundo. O Nova Gales do Sul será o primeiro estado da Austrália a proibi-las”, disse ele no Facebook.

“Não podemos simplesmente ficar parados e permitir a ocorrência de maus-tratos generalizados e sistêmicos de animais”, acrescentou.

O Território da Capital Australiana afirmou que provavelmente irá seguir o mesmo caminho embora as corridas ocorram em uma escala muito menor na região.

A Austrália tem uma das maiores indústrias de corrida de galgos do mundo e as iscas vivas estão proibidas há décadas.

Porém, em 2015, a emissora nacional ABC revelou que animais como leitões, coelhos e gambás foram usados como isca para treinar alguns dos cães mais bem sucedidos em corridas no país.

Reprodução/AFP

Durante os treinamentos, os cães tradicionalmente são obrigados a perseguir uma lebre artificial ou um coelho e as revelações provocaram indignação em toda a Nova Gales do Sul, Victoria e em Queensland, o que prejudicou a indústria.

De acordo com Baird, um inquérito em Nova Gales do Sul descobriu o assassinato em massa de cães considerados demasiado lentos e o uso generalizado de iscas vivas.

O público ficou revoltado com os números de animais mortos e feridos.

A RSPCA, que forneceu provas para o inquérito, qualificou a decisão de Baird de “corajosa”.

“O inquérito demonstrou que a crueldade está intrincada em todos os níveis do esporte”, disse a porta-voz do grupo de direitos animais Jade Norris.

O Greyhound Racing NSW disse em um comunicado que era “um dia extremamente triste”, argumentando que havia muitos participantes responsáveis “que tratam seus cães galgos como parte da família”.

O inquérito em Nova Gales do Sul é um dos vários sobre corridas de galgos na Austrália.

Ele revelou que, nos últimos 12 anos, até 68 mil cães foram mortos porque eram considerados inadequados para a corrida, enquanto  cerca de 10 a 20% de treinadores eram suspeitos de usar iscas vivas.

A investigação também descobriu que, a cada ano, cerca de 180 cães são obrigados a suportar ferimentos como fraturas de crânio ou costas quebradas durante as corridas que já levaram a mortes imediatas, uma estatística “deliberadamente deturpada” pelo Greyhound Racing NSW.

Fonte: ANDA

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