Luaty à beira da linha que separa “estabilidade do ponto de não retorno”

É o que diz à Renascença o amigo que tem acompanhado o activista em Luanda. Luaty Beirão está em greve de fome há 32 dias.

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A equipa médica que acompanha Luaty Beirão, em greve de fome há 32 dias, diz que o estado de saúde do activista luso-angolano está a entrar num “perigoso namoro com a linha que marca a fronteira entre a estabilidade e o ponto de não retorno”.

Foi o que disse à Renascença Pedro Coquenão, amigo que tem acompanhado Luaty em Luanda, no mesmo dia em que o embaixador de Portugal em Angola, João da Câmara, foi visitar o activista à clínica da capital onde está internado.

O encontro desta quinta-feira do diplomata português com o activista angolano, um dos 15 detidos desde Junho acusados de actos preparatórios para um golpe de Estado e um atentado contra o Presidente de Angola, durou cerca de 20 minutos e tinha sido anunciado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros português para as 11h00 (mesma hora em Lisboa) desta quinta-feira.

O encontro aconteceu, no entanto, uma hora antes. No final, o embaixador João da Câmara, à Lusa, escusou-se a prestar declarações sobre o teor e propósito do mesmo, remetendo qualquer informação para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em Portugal.

Apesar dos esforços da Renascença junto do ministério até agora não foi possível obter qualquer informação. No entanto, Pedro Coquenão garante que a visita foi essencialmente oficial. “Foi uma visita oficial, a dar conhecimento da solidariedade e do acompanhamento por parte das autoridades portuguesas”, refere.

Luaty Beirão tem também nacionalidade portuguesa, mas já fez saber pela família que pretende ser julgado como angolano – nasceu e vive em Luanda -, sendo um dos rostos mais visíveis da contestação ao regime angolano, tendo já sido preso pela polícia em manifestações de protesto.

Mantém a greve de fome exigindo a libertação de todos os acusados neste processo enquanto não forem julgados pelo tribunal, como prevê a lei angolana no enquadramento deste tipo de crime.

O “rapper” e activista integra um grupo de mais 16 pessoas – duas a aguardar julgamento em liberdade – que estão acusadas formalmente, desde 16 de Setembro passado, pelo Ministério Público, estando o início do julgamento, no tribunal de Luanda, agendado para 16 de Novembro.

Fonte: Renascença

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