Lamento de um touro

Lamento de um touro

Lamento de um touro

Resolvi falar-vos um pouco da nossa história.

Com apenas um ano de vida, começamos a ser torturados, com o cravar de ferros em brasa no nosso corpo, que mesmo sendo cravados com a ajuda de anestesia, posteriormente, nos provocam umas dores terríveis.

Depois, ainda muito pequenos, a nossa tortura continua, pois aqueles que se dizem nossos amigos, nos torturam e nos matam, com o espetar de bandarilhas e de espadas, em treino.

Aqueles que de nós sobrevivem de toda a tortura de que já foram vítimas; conforme vão crescendo, são torturados pelos campinos, com o espetar de lanças bem bicudas, no corpo.

Depois, aqueles que se dizem nossos amigos, atrevem-se a afirmar de que vivemos como uns reis durante quatro anos. E tal afirmação não corresponde à verdade.

Quando temos apenas quatro anos de vida, somos retirados de junto dos nossos amigos e familiares, para sermos levados para o continuar da nossa tortura, tanto física como psicológica, em praças de touros.

O nosso transporte para a praça de touros, é realizado sobre tortura, física e psicológica. Perdemos dez a quinze por cento do nosso peso.

Lá chegados, somos enfiados num pequeno e escuro cubículo, durante dois dias, sem comer e sem beber. Cravam-nos uma farpa bem pontiaguda, com a qual, posteriormente entraremos com ela espetada no corpo, na arena. Com essa farpa, os nossos tecidos começam a ser rasgados. E desta forma, continua a nossa tortura física e psicológica, para entrarmos, depois, na arena da praça, 80% sem as nossas faculdades, físicas e psicológicas, e dessa forma facilitar a nossa lide.

Cortam-nos, a sangue frio, a ponta dos nossos chifres. Gritamos de dor. Pois cortam um nervo dos nossos chifres. Perdemos a visão periférica.

Seguidamente somos enviados para os curros. Nos curros, somos brutalmente torturados, física e psicologicamente, para propositadamente nos desgastar.

É chegado o momento da nossa entrada na arena. Entramos 80% sem as nossas faculdades físicas e psicológicas.

E ao entrar na arena, a primeira coisa que fazemos, é procurar um local pelo qual possamos fugir. Mas logo percebemos que esse local não existe.

Em sua volta, vemos as bancadas com pessoas, havidas de ver o nosso sofrimento, a nossa tortura e o nosso sangue. Ouvimo-las gritar vivas e olés, enquanto vamos sendo vilmente torturados.

Recebemos farpas e mais farpas, de ferros e de bandarilhas. Não aguantamos mais todo o sofrimento. Estamos mais mortos do que vivos.

Para terminar este lamento, pergunto: será que todos aqueles que se dizem nossos amigos e que barbaramente nos torturam, física e psicologicamente, gostariam de passar por tudo aquilo que passamos???

Assinado: Magnífico, um touro de lide

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