Conteúdo anda Gorila Koko pede que cuidem do planeta

Koko tem fascínio por gatinhos e já pediu um filhote por meio da linguagem de sinais. Foto Descrição: Close de Koko e um gatinho cinza que parece beijar a face da gorila. Foto: Site Koko
Koko tem fascínio por gatinhos e já pediu um filhote por meio da linguagem de sinais. Close de Koko e um gatinho cinza que parece beijar a face da gorila.

Koko, uma gorila que completou 44 anos e cresceu entre humanos nos EUA, foi convidada pela Conservation NOE, uma organização sem fins lucrativos com sede em França, focada na preservação da biodiversidade, para representar a “Voz da Natureza” na Conferência do Clima COP 21 em Paris, realizada de 1 a 11 dezembro de 2015. Koko aprendeu a linguagem dos sinais na qual utiliza duas mil palavras em inglês e também criou diversos sinais para novas expressões.

Devido sua grande capacidade de comunicação gestual com humanos, Koko é considerada uma embaixadora natural para espécies ameaçadas de extinção e o curto vídeo, realizado com plena disposição de Koko em participar, foi exibido na COP21 e está sendo enviado para diversas entidades de todo o mundo. Com uma compreensão impressionante sobre a situação do planeta Koko foi clara em sua breve mensagem: “O homem está prejudicando a Terra e suas muitas espécies animais e vegetais e precisa de pressa para corrigir o problema”.  Ela também diz que o homem está sendo estúpido ao destruir a Terra e seus seres vivos. Há uma petição no final do vídeo, que pede aos participantes na COP 21 para incluir a preservação da biodiversidade no Acordo de Paris.). Vale a pena ver e se emocionar com o vídeo de Koko.

Koko nasceu no Zoo de San Francisco (EUA) e aos seis meses de idade passou a ser acompanhada pelos pesquisadores Penny Patterson e Ron Cohn. Penny e Koko passaram a viver debaixo do mesmo teto, literalmente, e muitas surpresas vieram desde então. Koko não só aprendeu a linguagem dos sinais como também a mexer no computador, folhear livros e revistas (uma atividade que ela adora), pintar telas e a passar batom, sozinha, na frente do espelho. Ela não foi “adestrada”. Koko aprendeu todas essas coisas como qualquer outra criança aprenderia observando os pais. Foi “estimulada” e o aprendizado foi surgindo naturalmente.

Koko e Penny em foto atual. Já são 44 anos anos juntas. Foto Descrição: Koko aparece abraçando e beijando delicadamente a pesquisadora Penny que é uma senhora loira de cabelos presos . Foto: Site Koko
Koko e Penny em foto atual. Já são 44 anos anos juntas. Koko aparece abraçando e beijando delicadamente a pesquisadora Penny que é uma senhora loira de cabelos presos .

Mas o tempo passava e Penny achou que era hora de arranjar um companheiro para Koko. Não funcionou. Koko nunca teve interesse de manter relações sexuais com outros gorilas. Michael foi um gorila que cresceu com Koko e faleceu em 2000 aos 27 anos (de cardiomiopatia). Ele também tornou-se fluente na linguagem dos sinais e tinha talento para a pintura. Mas para Koko, Michael era como um irmão e nunca olhou para ele, digamos, como “outras intenções”. Vale lembrar que na natureza, gorilas também não se relacionam com parentes. As jovens gorilas deixam a família e procuram asilo em outros grupos a fim de se reproduzirem.

Koko foi capa de várias revistas e já esteve em programas da TV americana devido sua inteligência e fascínio por gatinhos. Ela mesmo pediu à Penny um filhotinho do qual pudesse cuidar e, ao longo da vida, teve vários que tratava com o mesmo cuidado de uma “mãe”. Mas esse possível instinto materno não despertou nela interesse por gorilas machos. Koko vive hoje ao ar livre, numa pequena reserva florestal junto com o gorila Ndume – com quem também nunca manteve relações íntimas. São só amigos.

Koko adora pintar telas. Ela é caprichosa na escolha das cores. Foto Descrição: Koko aparece sentada diante de uma tela onde pinta vários rabiscos coloridos. Foto: Site Koko
Koko adora pintar telas. Ela é caprichosa na escolha das cores. Koko aparece sentada diante de uma tela onde pinta vários rabiscos coloridos.

Certamente, tendo crescido numa casa onde podia assistir TV, ver revistas, brincar no computador e sentar-se à mesa para comer, Koko ressentiu-se num ambiente “natural” apenas para gorilas nascidos na selva. Mas Penny explica que talvez Koko viva mais que ela e, nesse caso, seu futuro pode ser incerto e cruel. Outras pessoas podem explorá-la ou jogá-la numa jaula. Por isso Penny e Ron construíram um santuário para Koko, Ndume e outros gorilas que venham fazer parte do “Projeto Koko”, subsidiado por colaboradores, que já tem mais de quatro décadas de dados de pesquisa multimídia acumulado.

“O desafio é aprender tanto quanto for possível com os nossos companheiros, os grandes primatas, para permitir que o diálogo continue e se amplifique beneficiando essas espécies”, diz Penny no site dedicado ao projeto e onde podem ser vistos muitos vídeos e fotos da Koko – uma gorila que provou que pode ser tão ou mais humana que qualquer um de nós.

Koko sabe mais de 2 mil palavras em inglês. Foto Descrição: Quatro imagens onde Koko aparece se comunicando por sinais. Ela expressa amor, bebê, gorila e algo bom. Foto: Site Koko
Koko sabe mais de 2 mil palavras em inglês. Quatro imagens onde Koko aparece se comunicando por sinais. Ela expressa amor, bebê, gorila e algo bom.

Essa matéria foi motivada pelo leitor da ANDA, Alessandro Carvalho, do Pará, que atentou para a mensagem gravada de Koko na COP 21. Envie também sua sugestão. Além disso, você também pode fazer denúncias pelo “faleconosco@anda.jor.br” desde que mencione nome completo, cidade/Estado, detalhe a situação e forneça meios de contato.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

Fonte: ANDA

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