Cruzada anti angolana? É preciso ter lata

Bom dia,

Não começo com o derby lisboeta ou com as várias façanhas desportivas portuguesas deste fim-de-semana (já lá vamos). Começo por Angola. Se não leu o editorial do Jornal de Angola, por favor não o perca.

Já sabemos que aquele jornal é um instrumento de propaganda do governo angolano, mas isso só torna o seu conteúdo mais grave. As palavras usadas são muito duras e desenham uma imagem de Portugal como um país sem rei nem roque, mas onde existe, supostamente, uma “cruzada anti-angolana”.

O motivo? As notícias sobre a greve de fome de Luaty Beirão e a visita que lhe fez o embaixador português em Luanda, visita esta considerada uma personificação da alegada maquinação portuguesa contra o regime angolano. E para compor o ramalhete, o embaixador angolano em Portugal resolveu afirmar que “o problema do cidadão Luaty Beirão apenas é um pretexto para fazer ressurgir aquilo que em Portugal sempre se pretendeu: diabolizar Angola”.

O que o Jornal de Angola esquece é que Luaty Beirão é também um cidadão português. A visita do embaixador português só peca por tardia. Depois de mais de 30 dias em greve de fome o que mais assusta é o tema não ser mais falado ou que não exista maior contestação em Portugal pelo que se está a passar.

40 anos depois da independência, Angola, um país que podia ser uma potência económica de África, enfrenta um momento económico e político, no mínimo, complicado. Mas em Portugal os cidadãos angolanos continuam a ser recebidos de braços abertos em todas as esferas da sociedade. E quem não vê isso ou é míope ou não é sério. Se existe algum problema entre Portugal e Angola esse é provocado pelo país africano e incentivado pela atitude passiva e temerosa dos governos portugueses.

A situação de Luaty Beirão começa a ultrapassar as fronteiras de Angola e de Portugal. Chico Buarque, o cantor brasileiro, tomou a iniciativa de assinar a petição “Pela Intervenção do Governo Português na Libertação de Luaty Beirão“.

Fonte: Expresso

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“O que o Jornal de Angola esquece é que Luaty Beirão é também um cidadão português. A visita do embaixador português só peca por tardia. Depois de mais de 30 dias em greve de fome o que mais assusta é o tema não ser mais falado ou que não exista maior contestação em Portugal pelo que se está a passar.”
-Não diria maior contestação. Diria antes, muito maior contestação, tal como aconteceu por Timor Leste, com manifestações de Norte a Sul, em imensas cidades, em simultâneo. E é esta contestação que o Luaty e os 16 restantes presos políticos em Angola precisam!

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