AUSTRÁLIA Habitat de coalas sobreviventes de incêndios pode ser destruído para a construção de pedreiras

Conservacionistas acusam a Ministra Sussan Ley de escolher “pedras em vez de coalas” depois que ela aprovou a destruição 52 hectares do habitat destes animais para expandir a pedreira de Brandy Hill.

Mais de 50 hectares do habitat dos coalas na cidade de Port Stephens, estado de Nova Gales do Sul, Austrália, serão desmatados depois que a Ministra do Meio Ambiente, Sussan Ley, aprovou a expansão de uma pedreira.

A Ministra, cuja decisão vem em um momento em que o governo considera colocar os coalas em uma listagem oficial de espécies ameaçadas de extinção, disse na terça-feira que a avaliação do departamento descobriu que o empreendimento “não roubaria a área de habitat essencial dos coalas”

Ativistas locais e conservacionistas descreveram a decisão como desoladora após o pior desastre de incêndios florestais do estado no verão passado. Eles disseram que as condições ambientais que exigem que a empreendedora plante novas árvores são frágeis e representam apenas “uma cortina de fumaça”.

No início deste ano, um inquérito parlamentar do estado de Nova Gales do Sul descobriu que coalas seriam extintos até 2050 no estado, a menos que os governos adotem medidas urgentes para enfrentar a perda de habitat da espécie.

A expansão da pedreira de Brandy Hill em Port Stephens, na região de Hunter, derrubará 52 hectares de habitat para mais que dobrar a produção anual da pedreira que é de 700.000 toneladas por ano para 1,5 milhão de toneladas com o objetivo de abastecer o mercado de construção de Sydney, Austrália.

Os habitantes de Port Stephens fizeram uma campanha por meses que atraiu apoio de celebridades como Magda Szubanski, Celeste Barber, Olivia Newton-John, Jimmy Barnes e Kd Lang pedindo à Ministra Ley para rejeitar o empreendimento.

“Reconheço que a proposta foi submetida a uma campanha pública de muita exposição que aproveitou as preocupações genuínas que todos compartilhamos sobre os coalas e sobre as áreas impactadas por incêndios florestais”, disse Ley.

A ministra adiou sua decisão até este mês para ouvir os ativistas, considerar avaliações ecológicas do local e permitir que o departamento encomendasse um novo relatório independente de um ecologista.

Ela disse que as avaliações no local concluíram que “apenas um ou dois coalas” estavam presentes na área de construção proposta e as obras poderiam ser gerenciadas sem afetar “pequenos bolsões” na borda sudoeste do local do empreendimento, onde coalas tinham sido avistados pelos moradores.

“Esta não é uma região onde as queimadas têm afetado as populações locais ou o habitat dos coalas, a área a ser limpa não é um local que está servindo de base as populações reprodutoras residentes e, tendo revisto as recomendações do departamento, aprovei a proposta”, disse Ley.

Chantal Parslow Redman, co-gerente de campanha do Save Port Stephens Koalas (Salve os Coalas de Port Stephens), disse que o governo havia escolhido “pedras sobre coalas”. “É uma decisão de partir o coração”, disse ela.

Parslow Redman disse que os moradores envolvidos com a campanha contestaram a visão do governo de que o local não serve de base as populações reprodutoras porque eles viram mães coala e seus filhotes perto da pedreira. Segundo ela “a Ministra declara que essa área não queimou nos incêndios – esse é, precisamente, o ponto. Este é o habitat dos coalas”, disse Chantal. “Isso só mostra que nada impedirá este governo de destruir este habitat.”

Ley disse que a aprovação estava sujeita a condições estritas, incluindo a exigência de que a empreendedora, Hanson, construa um novo habitat de coalas perto do local.
De acordo com as condições de aprovação, isso envolveria o replantio de 74 hectares de árvores adequadas para coalas ao sul do local. Foi solicitado à empreendedora Hanson que apresentasse um plano para este replantio nos próximos 12 meses.

As condições também exigem que a empresa patrocine pesquisas e buscas no local antes do desmatamento para identificar se há coalas em alguma árvore que será derrubada.

Se encontrarem coalas na região, a empresa deve deixar um amortecedor de25m ao redor da árvore a ser derrubada, bem como um corredor para permitir que “coalas saiam em direção ao habitat fora da área que será limpa”, neste caso, limpa significa desmatada.

Chris Gambian, chefe executivo do Conselho de Conservação da Natureza do estado de Nova Gales do Sul, disse que não importa quantas árvores sejam replantadas ou que os coalas sejam realocados, nada “vai compensar a perda desse habitat tão importante”.

“Dado o que sabemos sobre a situação dos coalas no estado de Nova Gales do Sul – eles estão a caminho da extinção até o ano de 2050 – temos que tratar cada pedaço de habitat dos coalas como algo absolutamente precioso”, disse ele. “Você não pode replicar a floresta.”

Tanto Gambian quanto Parslow Redman questionaram o que os animais deveriam fazer logo depois que seu habitat for derrubado, observando que quaisquer novas árvores levariam algum tempo para crescer.

“Só temos 200 a 400 coalas em Port Stephens”, disse Parslow Redman. “Nós simplesmente não temos tempo para esperar uma árvore crescer, coalas precisam de habitat agora.”

No mês passado, Ley pediu ao comitê científico de espécies ameaçadas para avaliar se o coala deveria ter seu status de risco de extinção atualizado de “vulnerável” para “ameaçado” devido à destruição contínua do habitat e aos efeitos das queimadas.

A comissão de planejamento independente do estado de Nova Gales do Sul aprovou a expansão da pedreira de Brandy Hill em julho e o projeto está em uma lista de empreendimentos que o governo do estado queria acelerar em resposta à pandemia Covid-19.

Nesta terça-feira a empresa Hanson comemorou a aprovação do empreendimento, dizendo que assegurou os 50 empregos diretos existentes na pedreira. “Nos últimos seis anos, o projeto foi refinado para reduzir os impactos ambientais”, disse a empresa em nota.

“A empresa Hanson dedicou uma área de 74 hectares à construção de um habitat para os coalas que seria replantada em cinco etapas, investindo mais de US$ 2 milhões ao longo dos 10 anos do programa. A construção deste habitat fornecerá, em última análise, um habitat de coala de maior qualidade que aquele que existe atualmente.”

Fonte: ANDA