Fronteira Cientistas afirmam que muro entre EUA e México é uma grande ameaça à vida selvagem

Estudo publicado por diversos especialistas na revista BioScience afirma que “muitas centenas de quilômetros de muro e a infraestrutura de construção e manutenção que o acompanha seria um crime contra a biodiversidade”

Milhares de cientistas apoiaram um chamado para reconhecer o dano que o muro entre a fronteira dos Estados Unidos e México, proposto por Donald Trump, terá sobre a vida selvagem nativa ao longo de sua extensão.

Milhares de cientistas reconheceram o dano que o muro entre a fronteira dos Estados Unidos e México, proposto por Donald Trump, terá sobre a vida selvagem.
Estudo publicado por diversos especialistas em revista científica afirma que o muro terá um grande impacto na vida selvagem e pede um ação do Departamento de Segurança Interna.

A região fronteiriça entre os dois países é o lar de mais de 1,5 mil espécies nativas de plantas e animais.

Os cientistas afirmam que a construção de uma barreira física entre as duas nações, irá destruir este habitat único, bloquear as migrações de espécies e levar os outras à extinção regional.

Espécies apontadas como particularmente ameaçadas incluem lobos cinzentos mexicanos, onças e antilocapras americanas.

Em um artigo produzido por especialistas e publicado na revista BioScience, os autores “pedem aos colegas cientistas que se unam a nós expressando preocupação unificada com os impactos negativos do muro na vida selvagem e habitat e colaboração binacional em conservação e pesquisa científica”.

O biólogo de conservação da Universidade de Stanford e co-autor do artigo, professor Paul Ehrlich, observou que a extinção está em questão quando um projeto de construção em grande escala está ocorrendo.

“Toda vez que você vê um shopping center, um aeroporto ou um empreendimento residencial sendo construído, pode ter certeza de que a biodiversidade está sofrendo”, disse ele. “Muitas centenas de quilômetros de muro de fronteira e a infraestrutura de construção e manutenção que o acompanha configurarão um crime contra a biodiversidade.”

Quase 3 mil cientistas endossaram a convocação do Congresso dos EUA para garantir que o Departamento de Segurança Interna (DHS) siga as leis ambientais ao construir muros fronteiriços.

Em 2005, o DHS recebeu a autorização para renunciar leis como a Lei de Espécies Ameaçadas, que retardam a construção de cercas de fronteira.

Os cientistas também solicitaram que o DHS identifique as espécies ameaçadas pela construção da barreira e tome medidas para preservá-las. Isso pode incluir cercas que permitam a passagem dos animais, quando possível, e a compra de habitat substituto para os animais, quando a destruição do habitat não puder ser evitada.

Outro pesquisador de Stanford, o professor Rodolfo Dirzo, enfatizou a “responsabilidade global” pelas fronteiras dos Estados Unidos com o México, que contêm uma mistura única de criaturas de regiões temperadas e tropicais.

O ecologista da Oregon State University, e também autor do estudo, professor William Ripple, acrescentou: “A fronteira se estende por 3.2 mil quilômetros e corta muitos tipos importantes de habitat, do deserto à floresta, passando por matos e cordilheiras”, disse.

A negligência de Trump em relação à vida selvagem não é novidades. Desde que assumiu o cargo, o presidente já violou leis ambientais, retirou proteções a diversas espécies ameaçadas, defendeu a caça de animais e abandonou o compromisso com o meio ambiente.

Autoridades, especialistas em conservação e defensores dos direitos animais deve se unir e cobrar um ação que represente uma verdadeira alternativa às diversas espécies que estão correndo risco de extinção.

Fonte: ANDA