Inqualificável. Monstro! Exploração Grife italiana lança sapatos com pele de canguru

Foto: Care2

A grife italiana Gucci lançou recentemente a sua nova tendência para a estação: uma linha de sapatos forrados com pele de cangurus australianos. Os calçados foram apresentados em um desfile masculino, em Julho deste ano, e pouco tempo depois foi lançado o equivalente feminino como parte da coleção Outono/Inverno, causando reações de indignação de ativistas de direitos animais e fazendo emergir um debate público sobre a ética da questão da matança dos cangurus na Austrália. As informações são do Daily Mail e do The Telegraph.

Foto: Gucci/Instagram

Se, por um lado, muitos seguidores de tendências foram às redes sociais para protestar contra o apelo antiético dos sapatos, chamando-os de “estúpidos” e “hediondos”, outros orgulhosamente anunciavam a compra dos produtos, avaliando-os como “deslumbrantes”.

Foto: Gucci/Instagram

Em meio a isso, levantou-se uma discussão sobre os direitos desses animais.

Uma porta-voz da Gucci disse ao Quartz: “A colheita (sic) dos cangurus é um dos melhores exemplos de programa bem gerenciado, e obedece às nossas diretrizes de pele sustentável e ambientalmente amigável”.

Os calçados custam entre 900 e 1500 dólares australianos. Foto: Gucci/Instagram

Conforme explica o artigo, os cangurus são frequentemente vistos como pragas na Austrália – os fazendeiros costumam acusá-los de destruir lavouras e cercas, é atribuído a eles um impacto negativo na biodiversidade, e o número de acidentes de trânsito envolvendo esses animais é muito grande. A sua população também é considerada numerosa, estimada atualmente em mais de 50 milhões de animais, de modo que as autoridades vêm autorizando há anos uma matança anual, apesar de controversa.

Sendo assim, a caça “comercial” dos cangurus é adicionalmente permitida, e é monitorada pelos governos estaduais. Um sistema de cotas de animais a serem mortos é estabelecido a cada ano, baseado na estimativa das populações de quatro espécies de cangurus cuja exportação comercial é legalizada.

Foto: Getty Images/AWL Images RMSegundo a reportagem, existe um “Código Nacional de Prática de Tiro Humanitário aos Cangurus”, que detalha como o processo de caça deve resultar em uma morte “súbita e humana”, e os atiradores licenciados pelos governos são treinados para terem precisão na hora de matar os animais.

Enquanto alguns defendem a caça aos cangurus em nome do gerenciamento da população, aqueles que se opõem eticamente condenam a fabricação desses sapatos, chamando-a de exploração.

Daniel Ramp, diretor do Centre for Compassionate Conservation da Universidade de Tecnologia de Sydney, disse ao Daily Mail da Austrália que chamar o processo de “ambientalmente amigável” é simplesmente errado.

“Usar peles de cangurus para produzir artigos de moda é exploração”, disse Ramp.

“A matança desses animais é desumana, provocando danos colaterais, e a morte dos cangurus tem um amplo custo social nas suas famílias remanescentes e em seus filhotes. Cangurus não são objetos, eles são animais altamente inteligentes e sociais”, disse ele ao Daily Mail.

Assine a petição para ajudar a dizer à Gucci que usar peles de cangurus em seus sapatos não é correto.

Fonte: ANDA

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Os animais não-humanos, não são para divertimento! Exploração Passeios turísticos em elefantes estão em ascensão na África

https://i1.wp.com/www.anda.jor.br/wp-content/uploads/2015/10/elephant-rides-MAIN.jpg Passeios em elefantes no Zâmbia.

Pacotes turísticos que oferecem passeios nas costas dos elefantes em cativeiro são cruéis e perigosos para os animais, no entanto, eles estão em ascensão na África.

Uma investigação feita pela World Animal Protection descobriu que 39 sites de turismo de elefantes estão on-line na África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana. Um a dois locais novos abrem a cada ano. Esses tipos de atrações já existem há algum tempo na Ásia, mas só começaram a aparecer na África do Sul cerca de 25 anos atrás.

Alguns sites oferecem serviço de fotos e muitos obrigam seus elefantes a executarem perfomances. Segundo o relatório, pelo menos 25 locais oferecem passeios de elefante.

A organização entrevistou treinadores no início deste ano e descobriu que eles usam uma variedade de técnicas para domar os elefantes. Normalmente, os animais são contidos com cordas ou correntes e espancados com “bullhooks”, bastões de madeira e chicotes.

As técnicas cruéis são frequentemente infligidas a jovens elefantes recém-retirados de suas mães e podem deixar cicatrizes emocionais equivalentes ao transtorno de estresse pós-traumático em seres humanos. A pesquisa também descobriu que feridas abertas na pele dos elefantes são comuns.

Mesmo com leis internacionais destinadas a proteger elefantes – a maior parte com objetivo de parar a caça que mata cerca de 96 elefantes por dia -, essas práticas ainda são legais.

“Cada país envolvido tem leis nacionais e locais que atualmente permitem essas práticas”, afirmou David Olson, gerente de programas da vida selvagem da WAP em Nairobi, no Quênia. “A África do Sul tem leis contra a crueldade animal que raramente são aplicadas, embora o Conselho Nacional da [Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais] tenha entrado com acusações de crueldade contra dois locais que exploram elefantes.”

Olson estima os passeios (que custam US$ 100) e atividades centradas nos elefantes geram cerca de US$ 20 milhões a cada ano. Essas atrações atraem de 200.000 a 300.000 turistas por ano.

Além dos maus-tratos, a WAP teme que a necessidade de trazer elefantes novos e mais jovens coloque em risco os animais livres na natureza.

“Foi confirmado que 24 elefantes jovens foram vendidos e exportados recentemente pelo governo do Zimbabué ao Chimelong Safari Park, na China”, disse Olson. “Eles vão sofrer uma vida de abuso se apresentando em espetáculos e servindo para passeios.” Um destino semelhante pode ser dado também para os jovens elefantes cujas mães são mortas para o comércio de marfim, já que caçadores têm vendido os órfãos para os sítios turísticos.

“As pessoas não sabem que os elefantes são retirados do meio natural para serem explorados nesses locais”, explicou Olson.

Ver os elefantes executarem truques podem levar as pessoas a acreditar erroneamente que os animais estão fazendo atos comuns ao estado selvagem. Pesquisas antigas descobriram que pessoas que viram chimpanzés aparentemente felizes realizando comerciais não entendiam que a espécie estava em risco.

Segundo o Take Part, a WAP tem trabalhado com a indústria do turismo na Ásia para parar com os passeios em elefante e espera realizar o mesmo na África, fazendo com que as agências assinem um compromisso de um turismo amigável a elefantes. Além disso, a organização incentiva os turistas que visitam a África a evitar esses locais e, se eles ainda assim quiserem ver elefantes, podem se inscrever para expedições éticas nos safaris onde podem ver os magníficos animais no lugar que pertencem: na natureza.

Fonte: ANDA

Exploração Direitos animais caminham a passos lentos na Tailândia

Orangotangos são forçados a lutar boxe em zoológico de Bangkok. Foto: AFP

Com luvas de boxe levantadas, dois orangotangos entram em um ringue em um zoológico de Bangkok, para exibir um espetáculo que fascina os moradores locais e os turistas, mas que fica cada vez mais em desacordo em uma nação que diz abraçar lentamente os direitos animais. As informações são do Bangkok Post.

Todas as manhãs, centenas de turistas visitam o Safari World, um grande jardim zoológico na periferia da capital, para ver macacos realizarem um show no qual parodiam o comportamento humano – em particular a nossa predileção por violência, sexo e álcool.

Fêmeas de orangotango, vestidas em tops e minissaias, fingem seduzir macacos “músicos” enquanto espectadores ruidosos bebem cerveja e jogam latas nos dois orangotangos que lutam no ringue.

Foto: Divulgação“Eu não gosto de nada disso”, disse Erwin Newton, dos Estados Unidos. “Eu não entendo o que pode ser interessante em fazer animais se comportarem desta forma suja e violenta”.

Para os estrangeiros, o tratamento aos animais na Tailândia muitas vezes parece confuso e contraditório.

Neste país profundamente arraigado no Budismo, não é incomum ver cães mimados sendo empurrados em carrinhos de bebê ou templos servindo de santuário para cães e gatos em situação de abandono.

A primeira lei de “bem-estar” animal do país foi aprovada no final de 2014, após anos de campanhas de grupos ativistas de direitos animais cada vez mais expressivas. A lei agora proíbe especificamente “a tortura e a crueldade para com os animais”, com exceção das atividades que são consideradas parte das tradições do país.

De fato, a visão de direitos animais na Tailândia ainda é muito atrasada e incipiente.

Por exemplo, o país se gaba de estar tentando fazer com que a indústria de lutas de animais para entretenimento humano seja “mais humana”.

As autoridades afirmam que agora, a contrário do que ocorre nas Filipinas, onde os galos podem ser vistos nas rinhas com lâminas anexadas aos seus pés, os pássaros explorados em rinhas da Tailândia geralmente têm as suas garras envoltas em tecido.

No país, os galos também passaram a ser julgados pela sua aptidão de combate, e não pela sua habilidade de matar o seu oponente, devido a uma mudança recente.

A Tailândia argumenta ainda que é mais humana em suas lutas entre touros, especialmente populares no Sul do país, pois elas “raramente levam a mortes”, diferente da versão de homens contra touros, que continuam prosperando na Espanha. As autoridades tailandesas defendem-se, além disso, alegando que os seus touros usados nas lutas são tratados com “status de celebridades”.

“Mesmo em lutas entre animais, deve haver regras”, diz Chaichan Laohasiripanya, secretário geral da Sociedade para Prevenção da Crueldade aos Animais da Tailândia. “Eles devem considerar a saúde do animal e a duração da luta”, acrescenta o secretário, em uma visão tipicamente bem-estarista.

Suddan Wisudthiluck, um antropólogo da Universidade de Thammasat, diz que a mudança para tornar as tradições do país mais amigáveis é devida em grande parte às pessoas que mantêm animais de companhia, especialmente nas cidades.

“Animais estão sendo cada vez mais vistos como amigos ou membros da família”, disse ele.

Em Bangkok e outros centros urbanos, salões, hospitais e lojas de roupas para animais domésticos são tão onipresentes como lojas de conveniência e lanchonetes para humanos.

Atos de crueldade para com os animais – especialmente a cães – frequentemente são alvo de indignação e recebem publicidade disseminada.

Em julho, a prisão de um homem que matou o cão de seu vizinho após uma discussão foi notícia em capas de jornais da Tailândia por muitos dias.

E, contraditoriamente, o país continua hospedando um comércio próspero de carne de cachorro na região nordeste para suprir à demanda local e das proximidades como Laos, Vietnã e China, onde o produto é tido como uma iguaria.

Falta de fiscalização

Passeios de elefante são outra atração turística popular, causando inquietação entre os ativistas que chamam a atenção para o fato de que esses animais típicos da Tailândia são forçados a trabalhar até o esgotamento e se estressam por terem que transportar turistas todos os dias.

No final do mês passado, um elefante no norte da Tailândia teve um surto, matando o seu treinador e em seguida fugindo para a mata com três turistas ainda em suas costas, conforme publicado pela ANDA.

Mas a consciência quanto ao seu tratamento tem levado à criação de diversos santuários que se dizem éticos, nos quais os visitantes são encorajados a ver os elefantes livres em seu habitat natural e os passeios não são permitidos.

Segundo a reportagem, outro aspecto em que a Tailândia precisa melhorar é a sua capacidade de fiscalização de cumprimento das leis.

Poucas atrações demonstram de forma mais clara essa limitação que o controverso “templo dos tigres” em Kanchanaburi.

Tratador no templo dos tigres de Kanchanaburi segura o pescoço de um dos 150 tigres do local. Foto: Patipat Janthong
Tratador no templo dos tigres de Kanchanaburi segura o pescoço de um dos 150 tigres do local.

Autoridades contam que têm ameaçado resgatar cerca de 150 tigres que são mantidos confinados no templo sem documentação, o que gerou impasses entre funcionários e “monges zangados” que bloqueiam o seu caminho.

O governo têm mostrado pouca força para resolver esta questão, em parte por temer ser visto confrontando os clérigos e também porque os funcionários prontamente admitem que não têm onde colocar um número tão grande de tigres.

Edwin Wiek, um ativista da ONG Wildlife Friends of Thailand, diz que a jornada pelos direitos animais na Tailândia têm sido conhecida por “dar dois passos à frente e um para trás”, sendo a fiscalização das leis a sua maior preocupação.

“Algumas pessoas se importam apenas com o dinheiro e não hesitam em usar os animais para consegui-lo”, declarou Wiek à AFP. “Mas eu acho que a maior parte dos cidadãos tailandeses ama os seus animais”.

Fonte: ANDA