EXPLORAÇÃO Filhotes de tigre com ossos amputados são forçados a posar para selfies com turistas

O procedimento provoca dor, infecções e pode causar problemas pelo resto da vida dos animais

Pika nunca teve a chance de ser um filhote de tigre normal. Quando tinha apenas seis semanas, ele foi separado de sua mãe no Safari Park Open Zoo e Camp em Kanchanaburi, na Tailândia, para que os turistas pudessem alimentá-lo e tirar selfies.

Com cerca de dois meses e meio, ele foi enviado para um veterinário para ter as garras arrancadas, um procedimento perigoso que basicamente amputa os dedos dos pés dos grandes felinos.

Após a operação, Pika nunca mais foi o mesmo, de acordo com Michael, um voluntário que trabalhou no zoológico da Tailândia e ajudou a criá-lo.

“Ele não andava, brincava, mordia e nem nada. Ele estava deitado no canto. A única vez em que se mexia é se não gostava de ser manipulado”, disse Michael, o porta-voz do grupo do Facebook Big Cats Claw Back, ao The Dodo.

Pika parou de comer e beber e necessitava de injeções de soluções salinas para sobreviver. Michael, que pediu que seu nome fosse alterado por medo da retaliação do zoo, disse que voluntários inexperientes deram as injeções em Pika.

“Ele não foi enviado aos veterinários porque seria muito caro mandá-los administrar solução salina durante meses. O filhote foi injetado por voluntários inexperientes que não foram informados [de que] teriam que fazer isso [e] envolveu o tigre gritando de dor e frequentemente sangrando no chão porque a veia era difícil de localizar e a parte incorreta era perfurada”, acrescentou.

Pika surpreendentemente melhorou, embora suas patas nunca mais voltassem a ser inteiras. Ele foi posto de volta na exibição com os outros filhotes do zoo, onde os turistas podiam brincar com ele ou andar com ele em uma coleira.

Michael começou a trabalhar no Safari Park Open Zoo and Camp em 2014. Porém, foi preciso algum um tempo para ele perceber a crueldade contra os animais do local e decidir falar sobre o assunto.

Safari Park Open Zoo e Camp era como um parque temático, de acordo com ele. Além do local de filhotes de tigre, havia uma área onde elefantes e crocodilos se apresentavam em shows e uma grande região na qual que os visitantes podiam dirigir carros ou ônibus.

Na sua visita inicial ao zoo, Michael soube que era possível pagar o local para atuar como voluntário e decidiu se inscrever. O zoo o aceitou, juntamente com aproximadamente outros seis estrangeiros.

Michael e os outros voluntários não tinham nenhuma qualificação ou experiência anterior trabalhando com animais selvagens, mas imediatamente receberam uma responsabilidade significativa e acesso aos animais. Após passar somente três meses ali, ele recebeu uma posição não remunerada.

“Vivi em um zoo e brinquei com animais selvagens sempre que queria sem restrições. Eu não precisava pagar pra estar ali, então era como uma motivação para retornar com tanta frequência ao longo dos anos”, contou.

Mas depois de algum tempo, Michael percebeu os inúmeros problemas do zoo que não estavam restritos aos tigres, mas também aos outros animais, incluindo elefantes, girafas, zebras, ursos, crocodilos, leões e leopardos.

Muitas jaulas eram velhas e enferrujadas e os animais não tinham qualquer enriquecimento. Ele também ficou desconfortável com os shows de elefantes e crocodilos no parque. No entanto, a seção de filhotes, onde os turistas podiam brincar com os leões, tigres e leopardos, era a pior em sua opinião.

Michael permaneceu no local durante quatro anos, principalmente porque achava que estava fazendo a diferença na vida dos animais. Durante muito tempo, ele tentou melhorar as condições de vida dos elefantes.

Em 2017, ele retornou ao seu país de origem para trabalhar por alguns meses para conseguir dinheiro suficiente para permanecer na Tailândia. Quando voltou ao estabelecimento, outro voluntário supervisionava os elefantes e Michael ficou responsável pela área de filhotes, que evitara durante muito tempo.

Tudo sobre a seção parecia suspeito, começando com a origem dos próprios filhotes. Eles apareciam com alguns meses e os exploradores chineses e tailandeses não ofereciam nenhuma explicação à equipe.

“Existe um enorme mistério por trás disso. Nunca nos dizem quem são os pais – que leão ou leopardo é a mãe ou o pai”, relatou Michael.

Ele tem certeza de que os filhotes são o resultado de uma reprodução no local e que os recém-nascidos são mantidos em um prédio separado e protegido próximo à residência dos proprietários dos zoos. Sempre que os proprietários apresentavam um novo filhote para a equipe, tratava-se de um filhote único, o que fazia Michael suspeitar.

“Estou 100% seguro de que estão fazendo coisas com os [outros] filhotes. Nunca é uma ninhada de leões – é sempre um”, completou.

Além das práticas de reprodução secretas do zoo, tudo indica que os filhotes são arrancados das mães e colocados em exibição quando são muito jovens. Michael conta que eles chegam com apenas entre quatro e seis semanas de vida.

Na natureza, os tigres ficam com as mães até os dois ou três anos. A separação precoce pode causar diversos efeitos negativos que variam de deficiências nutricionais a uma ansiedade tão grave que pode provocar automutilações.

Infelizmente, condições assim não são incomuns na Tailândia, cuja indústria do turismo é conhecida pela exploração de animais – principalmente grandes felinos. Kanchanaburi, onde o parque do safari está localizado, também abriga o infame Templo do Tigre, um parque de animais que continha mais de 100 tigres e oferecia a oportunidade de turistas posarem com tigres e tirarem selfies com eles.

Em 2016, após anos de rumores, as autoridades descobriram que o Templo do Tigre era um matadouro de tigres – seus congeladores continham os corpos de dezenas de filhotes mortos e as instalações fecharam. No entanto, a instalação deve reabrir e importar mais tigres, de acordo com a imprensa.

De todos os problemas com os filhotes, a prática de arrancar as garras foi a que mais revoltou Michael.

Arrancar as garras de gatos selvagens envolve a amputação de uma parte significativa do osso e pode gerar complicações pelo resto vida, explica Susan Bass, diretora de relações públicas do Big Cat Rescue (BCR) em Tampa, na Flórida.

No Safari Park Open Zoo and Camp, os animais são devolvidos ao zoológico pouco depois de passarem pelo procedimento embora sejam mantidos longe de turistas enquanto se recuperam.

Ele e os outros voluntários testemunharam o estado dos filhotes pouco depois das operações. “Em suas patas, você consegue ver sangue seco e os pontos se sobressaindo”, disse.

Os filhotes tinham infecções constantes nas patas após as operações. Eles são usados em interações turísticas até que atinjam aproximadamente um ano e meio. Depois disso, alguns são transferidos para a zona aberta do safári, na qual os turistas não podem mais interagir fisicamente com eles. Mas os desafortunados são transferidos para jaulas localizadas na parte de trás da propriedade, presumivelmente para reprodução – ou simplesmente desaparecem.

A infecção é apenas um perigo decorrente da remoção das garras de um grande felino. É possível que o veterinário faça o procedimento incorretamente, causando problemas em longo prazo para os animais, de acordo com Bass.

Às vezes, a operação também é feita sem anestesia, causando uma dor intensa para os animais. O procedimento também pode alterar a caminhada de um grande felino e estressar suas articulações. Quando ele envelhece, corre o risco de ter artrite.

“Há uma série de coisas que podem dar errado e é basicamente cruel. Isso tira priva o animal das defesas naturais que possuem contra predadores”, disse Bass.

Os filhotes de tigre não são os únicos animais no Safari Park Open Zoo and Camp que têm as garras removidas. Há cerca de 10 anos, o mesmo ocorreu com um urso-do-sol chamado Mitzu depois que ele supostamente escalou uma cerca para atacar outro animal.

Após remover as garras de Mitzu, o zoológico o trancou em uma pequena jaula, onde vive há mais de 10 anos. “Passei quatro anos nesse zoo e, durante todo o tempo, esse urso ficou sentado no mesmo lugar da jaula. Para mim, essa é uma das maiores injustiças de todos os tempos. Nós [os voluntários] argumentamos: ‘Se ele não traz dinheiro, qual é o objetivo de ter esse urso?”, disse Michael.

Michael parou de trabalhar no zoo em 2017, mas acredita que Mitzu continua na mesma jaula estreita até hoje.

Fonte: ANDA

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Inqualificável. Monstro! Exploração Grife italiana lança sapatos com pele de canguru

Foto: Care2

A grife italiana Gucci lançou recentemente a sua nova tendência para a estação: uma linha de sapatos forrados com pele de cangurus australianos. Os calçados foram apresentados em um desfile masculino, em Julho deste ano, e pouco tempo depois foi lançado o equivalente feminino como parte da coleção Outono/Inverno, causando reações de indignação de ativistas de direitos animais e fazendo emergir um debate público sobre a ética da questão da matança dos cangurus na Austrália. As informações são do Daily Mail e do The Telegraph.

Foto: Gucci/Instagram

Se, por um lado, muitos seguidores de tendências foram às redes sociais para protestar contra o apelo antiético dos sapatos, chamando-os de “estúpidos” e “hediondos”, outros orgulhosamente anunciavam a compra dos produtos, avaliando-os como “deslumbrantes”.

Foto: Gucci/Instagram

Em meio a isso, levantou-se uma discussão sobre os direitos desses animais.

Uma porta-voz da Gucci disse ao Quartz: “A colheita (sic) dos cangurus é um dos melhores exemplos de programa bem gerenciado, e obedece às nossas diretrizes de pele sustentável e ambientalmente amigável”.

Os calçados custam entre 900 e 1500 dólares australianos. Foto: Gucci/Instagram

Conforme explica o artigo, os cangurus são frequentemente vistos como pragas na Austrália – os fazendeiros costumam acusá-los de destruir lavouras e cercas, é atribuído a eles um impacto negativo na biodiversidade, e o número de acidentes de trânsito envolvendo esses animais é muito grande. A sua população também é considerada numerosa, estimada atualmente em mais de 50 milhões de animais, de modo que as autoridades vêm autorizando há anos uma matança anual, apesar de controversa.

Sendo assim, a caça “comercial” dos cangurus é adicionalmente permitida, e é monitorada pelos governos estaduais. Um sistema de cotas de animais a serem mortos é estabelecido a cada ano, baseado na estimativa das populações de quatro espécies de cangurus cuja exportação comercial é legalizada.

Foto: Getty Images/AWL Images RMSegundo a reportagem, existe um “Código Nacional de Prática de Tiro Humanitário aos Cangurus”, que detalha como o processo de caça deve resultar em uma morte “súbita e humana”, e os atiradores licenciados pelos governos são treinados para terem precisão na hora de matar os animais.

Enquanto alguns defendem a caça aos cangurus em nome do gerenciamento da população, aqueles que se opõem eticamente condenam a fabricação desses sapatos, chamando-a de exploração.

Daniel Ramp, diretor do Centre for Compassionate Conservation da Universidade de Tecnologia de Sydney, disse ao Daily Mail da Austrália que chamar o processo de “ambientalmente amigável” é simplesmente errado.

“Usar peles de cangurus para produzir artigos de moda é exploração”, disse Ramp.

“A matança desses animais é desumana, provocando danos colaterais, e a morte dos cangurus tem um amplo custo social nas suas famílias remanescentes e em seus filhotes. Cangurus não são objetos, eles são animais altamente inteligentes e sociais”, disse ele ao Daily Mail.

Assine a petição para ajudar a dizer à Gucci que usar peles de cangurus em seus sapatos não é correto.

Fonte: ANDA

Os animais não-humanos, não são para divertimento! Exploração Passeios turísticos em elefantes estão em ascensão na África

https://i0.wp.com/www.anda.jor.br/wp-content/uploads/2015/10/elephant-rides-MAIN.jpg Passeios em elefantes no Zâmbia.

Pacotes turísticos que oferecem passeios nas costas dos elefantes em cativeiro são cruéis e perigosos para os animais, no entanto, eles estão em ascensão na África.

Uma investigação feita pela World Animal Protection descobriu que 39 sites de turismo de elefantes estão on-line na África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe, Botswana. Um a dois locais novos abrem a cada ano. Esses tipos de atrações já existem há algum tempo na Ásia, mas só começaram a aparecer na África do Sul cerca de 25 anos atrás.

Alguns sites oferecem serviço de fotos e muitos obrigam seus elefantes a executarem perfomances. Segundo o relatório, pelo menos 25 locais oferecem passeios de elefante.

A organização entrevistou treinadores no início deste ano e descobriu que eles usam uma variedade de técnicas para domar os elefantes. Normalmente, os animais são contidos com cordas ou correntes e espancados com “bullhooks”, bastões de madeira e chicotes.

As técnicas cruéis são frequentemente infligidas a jovens elefantes recém-retirados de suas mães e podem deixar cicatrizes emocionais equivalentes ao transtorno de estresse pós-traumático em seres humanos. A pesquisa também descobriu que feridas abertas na pele dos elefantes são comuns.

Mesmo com leis internacionais destinadas a proteger elefantes – a maior parte com objetivo de parar a caça que mata cerca de 96 elefantes por dia -, essas práticas ainda são legais.

“Cada país envolvido tem leis nacionais e locais que atualmente permitem essas práticas”, afirmou David Olson, gerente de programas da vida selvagem da WAP em Nairobi, no Quênia. “A África do Sul tem leis contra a crueldade animal que raramente são aplicadas, embora o Conselho Nacional da [Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais] tenha entrado com acusações de crueldade contra dois locais que exploram elefantes.”

Olson estima os passeios (que custam US$ 100) e atividades centradas nos elefantes geram cerca de US$ 20 milhões a cada ano. Essas atrações atraem de 200.000 a 300.000 turistas por ano.

Além dos maus-tratos, a WAP teme que a necessidade de trazer elefantes novos e mais jovens coloque em risco os animais livres na natureza.

“Foi confirmado que 24 elefantes jovens foram vendidos e exportados recentemente pelo governo do Zimbabué ao Chimelong Safari Park, na China”, disse Olson. “Eles vão sofrer uma vida de abuso se apresentando em espetáculos e servindo para passeios.” Um destino semelhante pode ser dado também para os jovens elefantes cujas mães são mortas para o comércio de marfim, já que caçadores têm vendido os órfãos para os sítios turísticos.

“As pessoas não sabem que os elefantes são retirados do meio natural para serem explorados nesses locais”, explicou Olson.

Ver os elefantes executarem truques podem levar as pessoas a acreditar erroneamente que os animais estão fazendo atos comuns ao estado selvagem. Pesquisas antigas descobriram que pessoas que viram chimpanzés aparentemente felizes realizando comerciais não entendiam que a espécie estava em risco.

Segundo o Take Part, a WAP tem trabalhado com a indústria do turismo na Ásia para parar com os passeios em elefante e espera realizar o mesmo na África, fazendo com que as agências assinem um compromisso de um turismo amigável a elefantes. Além disso, a organização incentiva os turistas que visitam a África a evitar esses locais e, se eles ainda assim quiserem ver elefantes, podem se inscrever para expedições éticas nos safaris onde podem ver os magníficos animais no lugar que pertencem: na natureza.

Fonte: ANDA

Exploração Direitos animais caminham a passos lentos na Tailândia

Orangotangos são forçados a lutar boxe em zoológico de Bangkok. Foto: AFP

Com luvas de boxe levantadas, dois orangotangos entram em um ringue em um zoológico de Bangkok, para exibir um espetáculo que fascina os moradores locais e os turistas, mas que fica cada vez mais em desacordo em uma nação que diz abraçar lentamente os direitos animais. As informações são do Bangkok Post.

Todas as manhãs, centenas de turistas visitam o Safari World, um grande jardim zoológico na periferia da capital, para ver macacos realizarem um show no qual parodiam o comportamento humano – em particular a nossa predileção por violência, sexo e álcool.

Fêmeas de orangotango, vestidas em tops e minissaias, fingem seduzir macacos “músicos” enquanto espectadores ruidosos bebem cerveja e jogam latas nos dois orangotangos que lutam no ringue.

Foto: Divulgação“Eu não gosto de nada disso”, disse Erwin Newton, dos Estados Unidos. “Eu não entendo o que pode ser interessante em fazer animais se comportarem desta forma suja e violenta”.

Para os estrangeiros, o tratamento aos animais na Tailândia muitas vezes parece confuso e contraditório.

Neste país profundamente arraigado no Budismo, não é incomum ver cães mimados sendo empurrados em carrinhos de bebê ou templos servindo de santuário para cães e gatos em situação de abandono.

A primeira lei de “bem-estar” animal do país foi aprovada no final de 2014, após anos de campanhas de grupos ativistas de direitos animais cada vez mais expressivas. A lei agora proíbe especificamente “a tortura e a crueldade para com os animais”, com exceção das atividades que são consideradas parte das tradições do país.

De fato, a visão de direitos animais na Tailândia ainda é muito atrasada e incipiente.

Por exemplo, o país se gaba de estar tentando fazer com que a indústria de lutas de animais para entretenimento humano seja “mais humana”.

As autoridades afirmam que agora, a contrário do que ocorre nas Filipinas, onde os galos podem ser vistos nas rinhas com lâminas anexadas aos seus pés, os pássaros explorados em rinhas da Tailândia geralmente têm as suas garras envoltas em tecido.

No país, os galos também passaram a ser julgados pela sua aptidão de combate, e não pela sua habilidade de matar o seu oponente, devido a uma mudança recente.

A Tailândia argumenta ainda que é mais humana em suas lutas entre touros, especialmente populares no Sul do país, pois elas “raramente levam a mortes”, diferente da versão de homens contra touros, que continuam prosperando na Espanha. As autoridades tailandesas defendem-se, além disso, alegando que os seus touros usados nas lutas são tratados com “status de celebridades”.

“Mesmo em lutas entre animais, deve haver regras”, diz Chaichan Laohasiripanya, secretário geral da Sociedade para Prevenção da Crueldade aos Animais da Tailândia. “Eles devem considerar a saúde do animal e a duração da luta”, acrescenta o secretário, em uma visão tipicamente bem-estarista.

Suddan Wisudthiluck, um antropólogo da Universidade de Thammasat, diz que a mudança para tornar as tradições do país mais amigáveis é devida em grande parte às pessoas que mantêm animais de companhia, especialmente nas cidades.

“Animais estão sendo cada vez mais vistos como amigos ou membros da família”, disse ele.

Em Bangkok e outros centros urbanos, salões, hospitais e lojas de roupas para animais domésticos são tão onipresentes como lojas de conveniência e lanchonetes para humanos.

Atos de crueldade para com os animais – especialmente a cães – frequentemente são alvo de indignação e recebem publicidade disseminada.

Em julho, a prisão de um homem que matou o cão de seu vizinho após uma discussão foi notícia em capas de jornais da Tailândia por muitos dias.

E, contraditoriamente, o país continua hospedando um comércio próspero de carne de cachorro na região nordeste para suprir à demanda local e das proximidades como Laos, Vietnã e China, onde o produto é tido como uma iguaria.

Falta de fiscalização

Passeios de elefante são outra atração turística popular, causando inquietação entre os ativistas que chamam a atenção para o fato de que esses animais típicos da Tailândia são forçados a trabalhar até o esgotamento e se estressam por terem que transportar turistas todos os dias.

No final do mês passado, um elefante no norte da Tailândia teve um surto, matando o seu treinador e em seguida fugindo para a mata com três turistas ainda em suas costas, conforme publicado pela ANDA.

Mas a consciência quanto ao seu tratamento tem levado à criação de diversos santuários que se dizem éticos, nos quais os visitantes são encorajados a ver os elefantes livres em seu habitat natural e os passeios não são permitidos.

Segundo a reportagem, outro aspecto em que a Tailândia precisa melhorar é a sua capacidade de fiscalização de cumprimento das leis.

Poucas atrações demonstram de forma mais clara essa limitação que o controverso “templo dos tigres” em Kanchanaburi.

Tratador no templo dos tigres de Kanchanaburi segura o pescoço de um dos 150 tigres do local. Foto: Patipat Janthong
Tratador no templo dos tigres de Kanchanaburi segura o pescoço de um dos 150 tigres do local.

Autoridades contam que têm ameaçado resgatar cerca de 150 tigres que são mantidos confinados no templo sem documentação, o que gerou impasses entre funcionários e “monges zangados” que bloqueiam o seu caminho.

O governo têm mostrado pouca força para resolver esta questão, em parte por temer ser visto confrontando os clérigos e também porque os funcionários prontamente admitem que não têm onde colocar um número tão grande de tigres.

Edwin Wiek, um ativista da ONG Wildlife Friends of Thailand, diz que a jornada pelos direitos animais na Tailândia têm sido conhecida por “dar dois passos à frente e um para trás”, sendo a fiscalização das leis a sua maior preocupação.

“Algumas pessoas se importam apenas com o dinheiro e não hesitam em usar os animais para consegui-lo”, declarou Wiek à AFP. “Mas eu acho que a maior parte dos cidadãos tailandeses ama os seus animais”.

Fonte: ANDA