Exclusivo ANDA Programa Esporte Espetacular da Rede Globo promove crueldade contra animais

Foto: Ney Douglas

O programa Esporte Espetacular, da Rede Globo, estreou ontem (28) a série internacional “Jogos do Mundo”, produzida em parceria com a Pindorama Filmes, e que mostra práticas esportivas ao redor do mundo com forte significado cultural.

Projeto interessante, se atendesse ao que se propõe. O problema começa ao revelar-se o “esporte” escolhido para representar o Brasil: a “pega de boi no mato”, um simulacro de vaquejada praticado em meio à caatinga nordestina.

A pretexto de enaltecer a competitividade do homem desde os seus primórdios, a mensagem, no que se refere ao Brasil, é que por aqui ainda pratica-se crueldade gratuita, com aval do Estado e da mídia, por diversão. Um banho de água fria para quem achava que podia estufar o peito para criticar as sangrentas e decadentes touradas na Espanha.

Se a imagem de todo um país fica prejudicada perante o resto do mundo, há um desserviço gigantesco em âmbito doméstico contra o nordestino, povo trabalhador e hospitaleiro, cuja cultura é reduzida pela série a pequenos grupos que violentam animais por diversão.

Todos sabemos que os milionários rodeios proporcionam um festival quase institucionalizado de maus-tratos a animais. Prova disso é que inúmeros municípios já proibiram essas práticas em seus territórios, além de que a jurisprudência crescentemente reconhece a incompatibilidade de rodeios e afins com a proteção devida pelo Estado.

Muito além da violência a princípios éticos, espancados à luz de valores morais duvidosos, há elementos técnicos suficientes para afirmar que causam sofrimento físico e psicológico indiscutivelmente desnecessário aos animais explorados, e que, portanto, são criminosos, ao ferirem a Lei de Crimes Ambientais.

Laudos demonstram que, durante as vaquejadas, bovinos sofrem fraturas nas patas, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos, traumatismos e deslocamento da articulação do rabo ou até o arrancamento deste, resultando no comprometimento da medula espinhal e dos nervos espinhais, dores físicas e sofrimento mental. Quanto aos cavalos, comumente são acarretados problemas graves como tendinite, tenossinovite, exostose, miopatias focal e por esforço, fraturas e osteoartrite társica.

A propósito, ao se pretender qualificar eventos dessa natureza como “culturais” ou “esportivos”, impõe-se enfrentar um aparente conflito entre direitos fundamentais garantidos pela Constituição. A esse respeito, definiu o Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal e Relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4983/CE: “Quanto a se fazer presente essa via de mão dupla, não existe nem pode existir controvérsia. O dever geral de favorecer o meio ambiente é indisputável”.

Na Ação mencionada, em que se discute a validade da Lei nº 15.299/2013 do Estado do Ceará,que regulamenta a vaquejada como prática desportiva e cultural, o Relator assim se posicionou: “O argumento em defesa da constitucionalidade da norma, no sentido de a disciplina da prática permitir seja realizada sem ameaça à saúde dos animais, não subsiste. Tendo em vista a forma como desenvolvida, a intolerável crueldade com os bovinos mostra-se inerente à vaquejada. A atividade de perseguir animal que está em movimento, em alta velocidade, puxá-lo pelo rabo e derrubá-lo, sem os quais não mereceria o rótulo de vaquejada, configura maus-tratos. Inexiste a mínima possibilidade de o touro não sofrer violência física e mental quando submetido a esse tratamento.”

O que dizer então de competições realizadas de forma clandestina, à margem de qualquer publicidade, tampouco fiscalização?

Longe de cogitar que eventual regramento ou fiscalização abrandaria a ilicitude descrita, mas urge realçar que os atos de crueldade praticados às escuras podem superar as piores narrativas.

O que mais assusta na nova produção Globo/Pindorama é que alça uma prática ilícita, cruel e restrita à condição de símbolo nacional, inserta em grade de programação disponibilizada para cerca de 130 países pela Globo Internacional, a envergonhar qualquer brasileiro de razoável discernimento, expondo ao ridículo uma nacionalidade já tão rotulada negativamente por seguidos escândalos de corrupção – isso sem falar nas denúncias de corrupção ligados diretamente ao mundo dos rodeios. A exibição do episódio dedicado ao Brasil tratar-se-á de flagrante incentivo à prática de crime ambiental: o de maus-tratos.

Questionada por ativistas, a Pindorama Filmes argumentou que a “pega de boi no mato não é só um esporte, mas uma profissão regulamentada”. Grave ficção jurídica, se considerarmos que a Lei 10.519, que regulamenta os rodeios veda que os apetrechos causem “injúrias ou ferimentos aos animais”, o que inviabiliza de plano as provas, não havendo sequer a necessidade de se avançar à questão de sua inconstitucionalidade.

Resta uma ponta de esperança de que “nosso” episódio, já integralmente gravado em Serrita, Pernambuco, deixe de ir ao ar, em prol da dignidade dos brasileiros, humanos ou não.

Fonte: ANDA

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Exclusivo anda Cadela tem dedos arrancados com alicate por adolescente

Cadela precisou de transfusão de sangue e passou por cirurgia. Foto: Divulgação
Cadela precisou de transfusão de sangue e passou por cirurgia.

Mais uma perversidade, dessa vez ocorrida em Passo Fundo (RS), chama a atenção para a necessidade urgente de se oferecer tratamento psiquiátrico e monitoramento para crianças e adolescentes capazes de grandes atrocidades. No último dia 5, um garoto de 13 anos cortou com um alicate, a sangue frio, seis dedos das patas de uma cadela de dois anos de idade que ele mantinha em casa como “animal de estimação”. Todas as quatro patas perderam dedos. Se já na primeira amputação a cadela deve ter sofrido uma dor terrível, fica até difícil imaginar o que sentiu ao passar pela mesma violência por mais cinco vezes seguidas. Um típico ato de sadismo, até mesmo para quem tem 13 anos de idade.

Protegido por lei por ser de menor, o nome do garoto não pode ser divulgado, mas a Secretaria de Meio Ambiente de Passo Fundo já vinha recebendo denúncias de moradores do bairro Schilir contra o garoto. Segundo a vizinhança, o adolescente tem comportamento agressivo, foi visto algumas vezes maltratando vários animais e também pratica atos de vandalismo na cidade quebrando lâmpadas públicas e invadindo casas. No dia em que a cachorrinha teve os dedos amputados seus gritos foram ouvidos por vários moradores.

cadela passo6

“Ao chegar na casa, que fica numa área verde um pouco isolada, encontramos a cadelinha sentada, com muita febre. Devia estar sentindo muita dor e não esboçou nenhuma reação. Parece que ela sentiu que queríamos ajudá-la”, conta Rafael Colussi, coordenador de fiscalização e licenciamento ambiental de Passo Fundo. A cadelinha foi levada para a Clínica de Saúde Animal do Dr Fabrício Fiorezi onde foi constatada a gravidade dos ferimentos. “Alguns dedos já estavam necrosando. Ela precisou de transfusão de sangue e passou por cirurgia”, conta Colussi.

A Secretaria de Meio Ambiente já havia feito uma fiscalização na casa do adolescente antes e notou cães e cavalos magros, porém, sem traços de maus-tratos. O adolescente, que mora apenas com a mãe, alega que não maltrata animais. Um outro cachorro também foi resgatado na casa, além de um sabiá e um canarinho que estavam presos em gaiolas com péssimas condições de higiene. Foi feito um B.O. na delegacia da cidade que será encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente junto com os relatórios feitos pela Secretaria de Meio Ambiente relatando as condições dos animais encontrados na casa.

A cadelinha comoveu muita gente e já conseguiu uma adotante em Passo Fundo – uma pessoa que vai, inclusive, assumir as despesas veterinárias. Segundo Colussi, a mãe do garoto deve ser chamada para explicar o comportamento do filho no Conselho Tutelar da região.

Local onde cadela foi encontrada seriamente machucada. Foto: divulgação
Local onde cadela foi encontrada seriamente machucada.

Adolescentes e crianças perversas
Não são raros casos de adolescentes e até de crianças cometendo ações de extrema violência contra animais. Infelizmente, no Brasil, esse comportamento ainda não é tratado com a seriedade que merece. Quase todo psicopata inicia sua trajetória na infância e adolescência e, geralmente, começa torturando e matando animais. Por isso, em vários países, jovens com esse tipo de comportamento são submetidos a tratamentos psiquiátricos e monitorados. Quando matam outras pessoas são presos. Obviamente não em celas de adultos, mas são isolados da sociedade porque representam perigo para animais e pessoas, inclusive, para crianças.

Alguns dos casos mais famosos de jovens e crianças que mataram animais e pessoas estão numa série produzida com exclusividade para a Anda com o título “Matadores de Animais – Assim começa a carreira de um psicopata”. Um dos capítulos de maior repercussão chamado “Crianças Perversas – Um mal que precisa ser cortado pela raíz” tratou, justamente, de psicopatas mirins, teve mais de 10 mil curtidas e dezenas de comentários.

Por mais que pareça estranho, às vezes, um adolescente e até mesmo uma criança podem, além de serem um perigo para os animais a sua volta, serem também para outras crianças e jovens. Em 2004, um garoto de seis anos foi brutalmente assassinado por outro de 11 em Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. O agressor confessou que costumava se divertir matando gatos. A famosa Mary Bell, considerada a primeira assassina mirim do mundo, tinha só 10 anos na década de 60 quando matou duas outras crianças, de 3 e 4 anos. Foi detida e submetida a tratamento durante muito tempo. Só saiu da prisão aos 23 anos. O que teria acontecido se Mary Bell permanecesse solta desde a época em que começou a matar crianças?

Mary Bell tinha só 10 anos quando matou duas crianças. Foto: Divulgação
Mary Bell tinha só 10 anos quando matou duas crianças.

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte (ANDA) com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

Fonte: ANDA

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Aconselho aos pais, (que no fundo não são pais e sim progenitores) que permitem que os seus filhos se envolvão na tauromaquia, que leiam atentamente este artigo!