O Direito dos Animais

Escola Portuguesa de Luanda
Filosofia

Vanessa Alexandra Tavares Nogueira
10º Ano

Será que a prática das touradas é moralmente aceitável? Deveriam os toureiros ser julgados por praticar as touradas?
Neste ensaio pretendo mostrar que as touradas são, se não um desporto moralmente inaceitável, pelo menos inconsequente. Está também nos meus objectivos mostrar que os toureiros devem ser condenados a uma pena, apesar de esta não ter o mesmo peso do que as infligidas aos assassinos.

Todos os animais devem ser respeitados e não usados nem maltratados para fins tão supérfluos como o divertimento da espécie humana. O touro é um animal e, portanto, deve ser respeitado e não usado nem maltratado para divertir os humanos.

Qualquer pessoa que não concorde com o meu argumento pode afirmar a) que a diversão é um meio para atingir a felicidade e, como tal, não é um “fim supérfluo”, já que a felicidade é uma necessidade vital do ser humano e b) que os animais estão no mundo para nos servir e que, se os touros estão a cumprir o seu papel natural, divertindo-nos, não há razão alguma para contestarmos as touradas.

Parecem bons argumentos, mas se os analisarmos com mais cuidado podemos ver que não o são totalmente.
Existem várias maneiras bastante aceitáveis de diversão e, como tal, várias maneiras de alcançar a felicidade, que não incluam o sofrimento de um animal. Além disso, se considerarmos a felicidade um motivo suficientemente forte para fazer das touradas aceitáveis, qualquer acto imoral que faça uma pessoa feliz deve ser considerado aceitável.
Tomemos como exemplo o seguinte: se a felicidade de um homem consiste em ver crianças a ser violadas, esse acto passa a ser aceitável e permissível, mesmo que horrendo. Logo, este não é um bom argumento.
Quanto à afirmação de que os animais existem para nos servir, essa crença vem da religião cristã. No entanto, se eu for ateia, nada me garante que essa crença seja verdadeira.
Não posso basear o meu argumento nessa afirmação porque nada me leva a crer que os animais estão no mundo para me servir. O que significa que este argumento também não é aceitável.

Há ainda um outro argumento que, tenho a certeza, muitos usariam contra o meu.
Esse argumento diz que se os animais não devem ser usados para fins supérfluos, então as plantas e vegetais devem ter os mesmos direitos. Logo, cortar rosas para oferecer a alguém de quem se gosta, colher maçãs, comer cenouras, cebolas ou qualquer vegetal, fazer mal a qualquer planta, é moralmente inaceitável.
Este pode parecer um bom argumento, no entanto não o é. A maior parte dos animais são muito parecidos com os seres humanos: têm cérebro, sistema nervoso central e muitas outras características que nos levam a crer que eles têm um “bem-estar psicológico”, que sentem dor, que têm paladar e tacto, olfacto e outros sentidos que os tornam próximos de nós. Isto, é claro, ao contrário das plantas e vegetais. A ciência não nos dá motivos para acreditar que as espécies vegetais sejam possuidoras daquilo a que podemos chamar de sentidos, portanto, cortar rosas ou colher maçãs não são acções condenáveis moralmente, porque não causam o sofrimento de ninguém ou nada. O único grande crime contra a flora que podemos mencionar é o cortar das árvores sem o plantio de outras em reposição, já que isso nos prejudica a nós próprios, os humanos.

Quanto a julgar os toureiros e qualquer outra pessoa que use animais para se divertir ou para divertir outros seres humanos, como Pedro Madeira, concordo que se deva infligir multas e penas que, apesar de não muito pesadas, pesadas o suficiente para dissuadir os seres humanos de agir de forma a magoar os seres vivos para seu próprio divertimento.

Os humanos são a grande causa para o desenvolvimento do mundo. São a única espécie racional no planeta e, como tal, a razão do progresso e evolução do mesmo. Quanto aos seres vivos, a existência humana depende deles. Se os seres humanos tivessem acabado com as espécies animais e vegetais, o mundo não progrediria porque os seres humanos não teriam alimento ou oxigénio para sobreviver. Logo, os seres humanos morreriam e seria o que podemos chamar de “Fim do Mundo”. Daí podemos concluir que matar animais sem motivo relevante é inconsequente, já que pode, inconscientemente, levar à extinção das espécies todas, incluindo a de seres humanos.

Concluo assim que as touradas, se não são um desporto moralmente inaceitável são, pelo menos, inconsequentes. Espero ter conseguido provar que os toureiros devem cumprir uma pena pesada o suficiente para os dissuadir de praticar touradas e que o facto de uma acção não ser tão condenável quanto outra não significa que essa mesma acção não seja condenável.

Fonte: http://www.aartedepensar.com/ppt/touradasensaio.pdf

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