Advogados acusam Zoo argentino de maus-tratos a elefantes

O Zoológico de Buenos Aires, Argentina, que está num processo de transformação em ecoparque, pode oferecer melhores condições às três elefantes fêmeas. Advogados acusam o local de maltratar os animais.

“As três elefantes estão a viver uma situação muito complexa porque, em primeiro lugar, não se dão bem entre elas”, disse à AFP Andrés Gil Domínguez, advogado da Associação de Funcionários e Advogados pelos Direitos dos Animais (AFADA).

As elefantes Mara, Kuki e Pupi moraram durante quase duas décadas no Jardim Zoológico de Buenos Aires, recentemente fechado para ser transformado num ecoparque, e, por isso, têm de se revezar entre si para sair da jaula fechada e apanhar ar numa espécie de rotunda de terra.

O ecoparque indicou que o estado em que as três elefantas se encontram atualmente “é normal”, por se tratar de animais em cativeiro.

O atual ecoparque ocupa 18 hectares numa das zonas mais nobres da capital argentina. Como Jardim Zoológico, foi fechado pela autarquia local em junho para ser transformado num parque com animais autóctones e resgatados do tráfico ilegal.

No entanto, a transição e a missão de mover os animais mais exóticos – como girafas, búfalos, gorilas e camelos – para santuários não estão a ser fáceis.

Segundo o advogado, o lugar onde as elefantes vivem não cumpre os padrões de um recinto para essa espécie, de modo que os animais “estão a sofrer determinadas patologias por se encontrarem nestas condições”.

A defesa dos elefantes pede “que sejam tomadas medidas urgentes” e “que sejam convocados especialistas nacionais e internacionais” para avaliar o estado de saúde, disse Gil Domínguez.

Um dos problemas mais evidentes que os advogados consideram “maus-tratos” é que os três elefantes têm origens distintas e, por isso, não podem ser obrigadas a compartilhar um espaço tão reduzido.

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“Deviam estar num lugar mais amplo, sem precisar de se revezar para sair” para a praça onde entretêm o público, disse à AFP a diretora de Biodiversidade do Zoológico, Rosario Espina.

É verdade que “se pode melhorar muito a vida quotidiana [dos elefantes] em cativeiro”, mas “não há um alarme de uma situação preocupante em termos de saúde dos animais neste momento”, afirmou Espina.

“São animais que nasceram em cativeiro, uma das elefantes vem de uma apreensão, e não poderiam ser soltas nos seus ambientes naturais sob nenhum ponto de vista”, argumentou.

O tema é acompanhado com atenção num país onde o caso da orangotango Sandra estabeleceu uma jurisprudência, conseguida por organismos de defesa dos direitos dos animais, para evitar maus-tratos e para avançar com a abolição do uso de espécies exóticas em zoológicos e circos.

Fonte: SAPO24

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