Desequilíbrio ambiental

Elefantes das florestas africanas lutam contra as mudanças climáticas

Considere a situação dos elefantes da floresta africana. Cerca de 1,1 milhão já vagou pelas florestas tropicais, mas o desmatamento e a caça diminuíram sua população para menos de um décimo de seu número anterior. Eles provavelmente vão enfrentar a extinção se nenhuma medida for tomada.

A maioria das pessoas fora da África Central não tem conhecimento da existência desses elefantes da floresta. Quando as pessoas pensam em elefantes africanos, eles imaginam os de uma espécie diferente, elefantes que vagam pelas savanas. Exceto por ambientalistas locais dedicados e os biólogos que estudam esses animais, os elefantes da floresta africana têm poucos defensores.

Essa situação poderia mudar drasticamente se o valioso serviço que esses elefantes da floresta realizam fosse mais amplamente compreendido. Embora virtualmente não haja ecoturismo nas florestas tropicais da África Central, por razões geográficas e políticas, os elefantes da floresta africana contribuem com algo de tremendo valor social e de mercado. Acontece que esses elefantes lutam contra as mudanças climáticas contribuindo significativamente para a captura natural de carbono.

Elefantes como engenheiros ambientais

Esse processo, que apenas recentemente foi documentado por biólogos é extraordinário.

À medida que os elefantes africanos fazem seu caminho através das florestas tropicais e em busca de alimento, eles cortam as árvores jovens que estão competindo por espaço, água e luz – pisando em algumas e se alimentando de outras. Os elefantes são grandes e têm grande apetite, o que significa que reduzem drasticamente a densidade da vegetação onde quer que vão. As árvores que são abandonadas intactas e não consumidas, contudo, têm uma grande vantagem sobre as outras árvores da floresta. Elas têm mais acesso à água e luz, graças a redução da vegetação circundante pelos elefantes, o que significa que elas crescem do que outras árvores na floresta tropical. Onde quer que os elefantes da floresta vaguem, eles promovem o crescimento de árvores maiores e mais altas.

Essas árvores – que os biólogos chamam de árvores de sucessão tardia – armazenam mais carbono em sua biomassa do que as árvores que teriam crescido em seu lugar. Todas as árvores capturam carbono em seus tecidos – o equivalente a cerca de 50 libras por ano, em média – mas por causa do maior tamanho e altura das árvores de sucessão tardia, há simplesmente mais biomassa arbórea capturando mais carbono nessas árvores do que naquelas que teria crescido e dominado o dossel da floresta tropical. Os elefantes da floresta, portanto, aumentam a quantidade de carbono armazenado pela floresta tropical ao inclinar o equilíbrio biológico em favor de certos tipos de árvores. Resumindo, os elefantes são engenheiros ambientais.

O aumento no armazenamento de carbono causado pela atividade dos elefantes da floresta é enorme – assim como, muito valioso. Biólogos estimam que se a população de elefantes africanos da floresta retornasse ao seu tamanho anterior e eles recuperassem o seu alcance de antes, aumentaria a captura de carbono em 13 toneladas métricas (1 tonelada métrica = 1000 kg) por hectare (10 000 metros quadrados). Já que a área anterior de elefantes da floresta africana era de 2,2 milhões de quilômetros quadrados, cada um dos quais compreende 100 hectares, e os elefantes da floresta estão agora em cerca de 9 por cento de sua população pré caça furtiva, a captura de carbono a partir da recuperação da população desses elefantes poderia ser equivalente a mais de 6 000 toneladas métricas de dióxido de carbono por quilômetro quadrado. Essa é a mesma quantidade de dióxido de carbono capturado por mais de um quarto de milhão de árvores, ou 14 vezes o que é capturado por árvores no Central Park de Nova York.

Se multiplicarmos este aumento no dióxido de carbono capturado, pelos 2,2 milhões de quilômetros quadrados de floresta tropical afetados por uma recuperação nas populações de elefantes pelo preço médio de mercado de uma tonelada métrica – pouco menos de $25 em 2019 – teremos um valor presente total de mais de $150 bilhões para os serviços de captura de carbono de elefantes florestais africanos.

Se tomarmos o valor total do serviço prestado pelos elefantes da floresta africana e dividirmos pela sua população atual, descobriremos que cada elefante é responsável por um serviço de valor superior a $ 1,75 milhão. Por outro lado, o marfim de um elefante morto por caçadores custa apenas cerca de US $ 40.000, então está claro que os benefícios de uma comunidade de elefantes saudável e próspera são substanciais.

Infelizmente, esses elefantes estão lutando contra uma ameaça existencial, com a caça ilegal e o desmatamento levando-os à extinção.

Valorização inspira ação

Nós desenvolvemos uma estrutura para a valorização dos recursos naturais que chamam atenção para o problema de ação coletiva fundamental em proteção ambiental (Chami e outros 2020)

Todo dia, certos tipos de valorização inspiram milhões de pessoas a investirem suas economias em ativos e projetos de longo prazo, enquanto outras valorizações falham nisso. As valorizações que levam a investimentos são baseadas em histórias creditáveis sobre maneiras específicas que projetos e ativos vão gerar dinheiro ou outra receita para os donos, que em troca levam a projeções acreditáveis de retornos futuros que podem ser resumidos em valor monetário presente. Quando o valor monetário presente dessas receitas futuras excede o custo do ativo ou projeto, investidores visando o lucro tiram vantagem dessas oportunidades.

Essa visão custo-benefício pode efetivamente motivas investimentos sustentáveis por várias razões. Primeiro, eles mostram exatamente o que de serviços concretos a sociedade atualmente recebe dos nossos estoques de recursos naturais – como nós mostramos com o exemplo dos elefantes – o que ajuda as pessoas a entenderem a relevância desses recursos em suas vidas. Além disso, expressar os benefícios de preservar os recursos naturais em termos monetários permite uma comparação dólar-a-dólar do custo-benefício, o que é importante porque as pessoas ficam mais confortáveis em tomar decisões quando os riscos são expressos em termos financeiros. E finalmente, o valor intrínseco destes ativos naturais pode ser bem grande – não apenas justificando o custo de preservá-los, mas também causando surpresa e capturando a imaginação das pessoas que aprendem sobre valorizações. Pesquisas de comportamento econômico mostram que pessoas tendem mais a comprar produtos ou investimentos que inspiram essas sensações.

Uma oportunidade de ganho para os dois lados

Medindo o valor dos benefícios de recursos naturais individuais como elefantes ou um ecossistema saudável em geral – quando em conjunto com uma estrutura legal que designa administradores desses recursos e estabelece seus direitos e obrigações – permitem uma oportunidade de ganho para ambos os lados entre os acionistas: governo, setor privado, comunidades locais e parceiros globais. Com uma estrutura legal própria estabelecida, os benefícios econômicos dos recursos naturais podem ser reivindicados e distribuídos. Esses benefícios podem ser usados como incentivos para parcerias público-privados, apoiados por organizações não governamentais e instituições globais, que geram dividendos diretos – e, como resultado, propriedade – para comunidades locais

“Infelizmente, esses elefantes estão lutando contra uma ameaça existencial, com caça furtiva e desflorestamento levando-os a extinção.”

Um exemplo, a iniciativa de Soluções de Financiamento do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, inclui trocas de dívida por natureza. Nos termos desse contrato financeiro, os credores concordam em reduzir a dívida de uma economia em desenvolvimento ou os pagamentos da dívida em troca de um compromisso do país devedor para proteger recursos naturais específicos. Por exemplo, muitos países que abrigam elefantes de floresta estão altamente em dívida e poderiam se beneficiar substancialmente de uma troca de dívida por natureza. O montante do alívio da dívida é determinado pelo valor dos serviços dos elefantes, usando preços de mercado. O dinheiro que os países economizam seria dedicado à conservação dos elefantes, mas também poderia facilitar a criação de parcerias público-privadas que ajudem a construir mercados, como o turismo e seguros, para investir e proteger os elefantes. Esses mercados proporcionariam emprego e renda estáveis às comunidades locais, levando à propriedade e à sustentabilidade dos esforços de conservação.

Organizações não-governamentais e instituições financeiras internacionais podem fornecer o desenvolvimento de capacidade necessário para parcerias público-privadas e mercados de seguros centrados em recursos naturais. O exemplo das trocas de dívida por natureza mostra que a valorização da natureza pelos seus benefícios pode apoiar um ciclo virtuoso, direcionando o investimento e a empresa para um caminho mais regenerativo e sustentável.

A pandemia do COVID-19, atribuída a um vírus originado em um mercado local, demonstra que a natureza pode ter um impacto macro crítico de proporções globais. Um alarme mundial soou, pedindo uma correção de percurso. A destruição do mundo natural pelo homem, não somente leva à volatilidade dos nossos sistemas econômicos, mas também ameaça a nossa própria existência. Por outro lado, ecossistemas vibrantes, intactos, que inclui populações saudáveis de elefantes da floresta e grandes baleias, manguezais e plantas marinhas são exemplos vívidos de como a valorização e o investimento na proteção da natureza podem gerar uma economia azul-verde mais sustentável, ajudar a mitigar as mudanças climáticas e realinhar as economias em direção a um crescimento econômico inclusivo e amigo da natureza.

Autores

RALPH CHAMI é director assistente do Instituto de Desenvolvimento de Capacidades do FMI

CONNEL FULLENKAMP é professor de prática de economia e diretor de estudos de graduação no Departamento de Economia da Universidade de Duke

THOMAS COSIMANO é professor emérito do Mendoza College of Business da Universidade de Notre Dame

FABIO BERZAGHI é pesquisador do Laboratório de Ciências Climáticas e Ambientais em Gif-sur-Yvette, na França. Possui graduação no Departamento de Economia da Universidade de Duke.

Referências

Berzaghi, F., M. Longo, M. Ciais, and others. 2019. “Carbon Stocks in Central African Forests Enhanced by Elephant Disturbance.” Nature Geoscience 12:725–29. https://doi.org/10.1038/s41561-019-0395-6.

Chami, R., T. Cosimano, C. Fullenkamp, and S. Oztosun. 2019. “Nature’s Solution to Climate Change.” Finance and Development 56 (4): 34–38.

Chami, R., C. Fullenkamp, F. Berzaghi, S. Español-Jiménez, M. Marcondes, and J. Palazzo. 2020. “On Valuing Nature-Based Solutions to Climate Change: A Framework with Application to Elephants and Whales.” Economic Research Initiatives at Duke Working Paper 297, Duke University, Durham, NC. https://ssrn.com/abstract=3686168 or http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3686168.

Fonte: ANDA

CITES impõe limites a captura de elefantes para zoos

A Convenção Internacional sobre Comércio de Espécies Selvagens Ameaçadas (CITES, na sigla original em inglês) adoptou hoje limites estritos à captura de elefantes selvagens para fornecer zoológicos.

CITES impõe limites a captura de elefantes para zoos

O texto da nova resolução do organismo das Nações Unidas foi adoptado, depois de alterações introduzidas pela União Europeia (EU), com 87 votos a favor, 29 contra e 25 abstenções durante uma sessão plenária da reunião da CITES que decorre em Genebra até quarta-feira e deu de imediato origem a diferendos entre os defensores das restrições e países que são contra, como o Zimbabué, que obtêm receitas significativas com aquela actividade.

A resolução proíbe a exportação de elefantes selvagens para fora de África e limita a sua captura e comércio a situações em que são destinados a programas de conservação na própria região onde são capturados ou para relocalização em áreas seguras onde possam continuar a viver como animais selvagens.

De acordo com organizações de conservação da vida selvagem presentes na reunião e citadas por agências internacionais, as alterações introduzidas pela UE moldaram a linguagem do documento no sentido de alcançar um compromisso entre a proibição da exportação de elefantes selvagens para fora de África e a introdução de excepções como a possibilidade de circulação entre países europeus de animais que já se encontrem em território da UE.

As organizações de defesa dos animais presentes em Genebra consideraram a resolução “um marco importante” na protecção da vida selvagem, apesar de considerarem que o texto aprovado deveria determinar a proibição completa do comércio de elefantes selvagens.

Segundo a agência Associated Press, antes da aprovação da resolução muitas celebridades, como a atriz Judy Dench ou a primatologista Jane Goodall, subscreveram uma carta endereçada ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, considerando que seria “obsceno” se a UE não tomasse posição para acabar com o comércio de elefantes.

Contra as restrições decididas hoje, manifestou-se o porta-voz da Autoridade dos Parques e Vida Selvagem do Zimbabué, Tinashe Farawo, que considerou que a resolução priva países como o Zimbabué, Botsuana e Namíbia de um recurso valioso.

“O Governo (do Zimbabué) tem canalizado muito dinheiro para a conservação da vida selvagem sem ter retorno desse investimento. Os nosso animais são uma oportunidade para a economia, devemos ter o direito de vender os nossos elefantes”, afirmou Tinashe Farawo.

“Não podemos continuar a ser limitados e a ouvir outros dizerem o que devemos fazer com os nossos recursos. Não podemos continuar a permitir que países poderosos e organizações não-governamentais ditem as normas quando os elefantes são nossos”, adiantou o porta-voz, referindo também que o Zimbabué e outros países do sul de África irão reunir-se para consultas sobre posições a adotar na sequência da resolução da CITES.

Criada há mais de 40 anos, a CITES estabelece as regras do comércio internacional de mais de 35 mil espécies de fauna e de flora selvagens, através de um mecanismo que permite impor sanções aos países que não respeitem as regras.

Esta reunião acontece após a publicação, em maio, de um relatório da ONU que indicava um risco imediato de extinção para um milhão de espécies.

Fonte: SAPO24

Notícias Singapura planeia proibir o comércio de marfim de elefantes africanos

Singapura anunciou que passará a proibir as vendas locais de marfim até Setembro de 2021. Estima-se que, todos os dias, cerca de 100 elefantes são mortos por caçadores que querem suas presas.

Várias presas de elefante enfileiradas no chão e duas mãos segurando uma na frente da câmera

“Isso significará que a venda do marfim de elefante, dos produtos de marfim e a exibição do marfim serão proibidos”, afirmou o órgão governamental National Parks Board.

O comércio internacional do marfim está proibido desde 1990, em um tratado assinado pela maioria dos países. Apesar disso, o material ainda podia ser vendido no mercado interno, se os comerciantes pudessem provar que o marfim foi adquirido antes daquele ano.

A demanda por produtos de marfim de países asiáticos, como a China e o Vietname, torna a caça aos elefantes na África muito lucrativa. Actualmente, apenas 400 mil elefantes africanos ainda estão vivos.

No mês passado, as autoridades de Singapura fizeram sua maior apreensão de marfim contrabandeado, apreendendo um carregamento de quase nove toneladas de presas de elefante. Estima-se que cerca de 300 animais tenham morrido.

Fonte: ANDA

Lucro sobre sangue Elefantes africanos podem ser extintos em 20 anos devido ao comércio de marfim

Dados mostram que um elefante é morto por suas presas a cada 15 minutos, o que equivale à perda de 100 elefantes por dia

Em outubro, será realizada a Conferência Ilegal de Comércio de Vida Selvagem em Londres, na Inglaterra. O evento reunirá líderes mundiais para discutir como o comércio de animais pode ser erradicado.

Para a população dos elefantes, os números preocupam. Segundo relatórios da African Wildlife Foundation, até 35 mil elefantes são mortos por suas presas a cada ano. Ainda, de acordo com um censo atual, 30% das populações de elefantes africanos foram perdidas apenas na última década.

Estima-se também que um elefante seja morto por suas presas a cada 15 minutos, o que equivale à perda de 100 elefantes por dia. Este fato, somado às taxas de reprodução lenta dos elefantes, faz com que muitos cientistas acreditem que os animais podem ser extintos nos próximos 20 anos.


A cada dia que passa, perdemos 100 elefantes para o comércio ilegal de marfim

O comércio de marfim está focado em apenas uma parte relativamente pequena do corpo do elefante – suas presas – e é só por essa parte que os animais estão sendo mortos.

A African Wildlife Foundation realizou uma petição pedindo aos líderes mundiais que tomem medidas urgentes para impedir a matança de elefantes por dinheiro, fechando os mercados de marfim em todo o mundo.

“Nas atuais taxas de caça, a extinção de elefantes é uma ameaça muito real”, afirma a African Wildlife Foundation na petição.

Alguns países já começaram a se mobilizar. No início de 2018, a venda de marfim foi proibida em Hong Kong.

Fonte: ANDA