BETH TOMAS, O ANJO MALVADO

BETH TOMAS, O ANJO MALVADO

http://oaprendizverde.com.br/2012/10/12/documentario-beth-thomas-o-anjo-malvado/

***

No artigo anterior, https://blogcontraatauromaquia.wordpress.com/2015/04/24/documentario-sobre-factos-reais-a-ira-de-um-anjo-child-of-rage-documentario-completo-legendado-pt-br/ postei um documentário verdadeiramente assustador sobre esta criança de apenas 6 anos, chamada Beth Tomas.

E porquê que postei este vídeo, aqui no meu blog. Postei-o, porque nele está claro que quando se abusa de crianças, elas podem-se tornar em crianças como a Beth Tomas.

Autorizar que crianças torturem seres sensíveis na tauromaquia, é abusar delas. É destrui-las psicologicamente. É incentiva-las para a violência. É incentiva-las para a maldade. É autorizar que estas crianças, no futuro, se tornem em crianças Psicopatas, como a Beth Tomas.

Já de seguida, aconselho a lerem este obrigatório PDF: http://www.anadurao.pt/Files/Conteudos/Newsletters/PsicologiaClinica/Criancas_que_maltratam_animais.pdf, bem como a lerem este artigo:

Psicologia em Pediatria
Crianças que são cruéis com animais

Agnaldo Garcia
Biólogo. Mestre em Psicologia Social pela USP e pela PUC/SP. Doutorando em Psicologia Experimental pela USP. Aprovado em Concurso para Professor Assistente do Departamento de Psicologia e do Desenvolvimento da UFES.

INTRODUÇÃO
O relacionamento entre crianças e animais, fato comumente observado em nossa sociedade, é algo complexo e diversificado. As diferentes formas de interação entre a criança e um animal, geralmente um cão ou gato, têm chamado a atenção de psicólogos e psiquiatras, pela possibilidade de se conhecer melhor a criança e sua personalidade, através de como ela se relaciona com animais.
O relacionamento entre pessoas e animais tem gerado um grande número de pesquisas. Nos últimos anos têm sido criadas sociedades, instituições e revistas científicas voltadas para o estudo desse relacionamento.
O relacionamento entre a criança e o animal apresenta diversos aspectos, que merecem ser investigados. Na literatura se pode encontrar, por exemplo, estudos preocupados com o medo excessivo (fobias) que algumas crianças apresentam em relação a animais. Em outros casos, o estabelecimento de vínculos afetivos intensos tem chamado a atenção dos pesquisadores. Em casos específicos, animais têm sido empregados com sucesso até mesmo como recurso terapêutico para o tratamento de crianças com diferentes problemas.
Nos parágrafos seguintes procuramos apresentar uma forma particular de relacionamento entre crianças e animais, com implicações importantes para a compreensão e previsão do comportamento infantil: a crueldade exercida por parte da criança contra os animais. A crueldade contra animais é entendida como um conjunto de atos que deliberadamente, repetidamente e desnecessariamente ferem animais vertebrados, com a probabilidade de causar ferimento grave ou dor. Não são considerados atos de crueldade matar invertebrados, como moscas, baratas e aranhas. Também não é visto como cruel o ato moderado de disciplinar um animal, como no treinamento de um cão de estimação.
A crueldade contra um animal é, talvez, a maior distorção do relacionamento entre homem e animal. Um ponto que tem gerado interesse particular nesse tema é a possibilidade de que a crueldade da criança contra um animal não seja um fato isolado, mas revele e tenha valor preditivo em relação a uma condição anti-social do futuro adulto.
HISTÓRICO
Já no século XVIII, Hogarth, em “Os Quatro Estágios da Crueldade” (1750-1751), havia descrito a progressão da crueldade no desenvolvimento humano, que teria início na criança que tortura animais, passando pelo jovem que bate em um cavalo inválido até o adulto que mata outra pessoa.
A primeira menção na literatura científica a respeito da correlação entre violência contra animais e contra pessoas apareceu no “Tratado sobre a Insanidade”, de Philippe Pinel (1745-1826), autor francês, considerado um dos pais da Psiquiatria. Neste tratado, escrito em 1806, Pinel relata o caso de um paciente com vários episódios de violência dirigida contra pessoas, chegando, finalmente, a matar um homem. No relato do caso, Pinel escreveu que se um cão, um cavalo ou qualquer outro animal ofendesse o paciente, ele imediatamente o mataria.
John Bowlby, que se tornou conhecido por seus estudos sobre os fenômenos de apego e separação, considerou que a crueldade infantil dirigida contra animais e outras crianças seria um traço característico, embora não comumente observado, gerado por privação afetiva.
A imprensa norte-americana, nos anos 70 e 80, em vários momentos, chamou a atenção para o fato de criminosos perigosos também apresentarem episódios de violência contra animais durante a infância. O Los Angeles Times, em uma edição de 1973, descreveu um homicida múltiplo da Califórnia como tendo uma história de crueldade contra gatos e cães. Uma edição do Washington Star, de 1977, contava fatos da vida de um assassino que havia atuado em Nova York. O “Filho de Sam”, como era conhecido, odiava cães, tendo matado vários animais na vizinhança. O Washington Post, em uma edição de 1979, descrevia um homicida que havia cometido vários crimes e que, quando criança, teria imerso gatos em containers de ácido usado em baterias de automóveis. A American Humane, de maio de 1978, informava que Albert de Salvo, o famoso estrangulador de Boston, costumava pegar cães e gatos em armadilhas e depois os colocava em engradados para transportar laranjas e os usava como alvos para atirar flechas. Uma edição do Lowell Sun, de 1982, narrava o caso de um jovem criminoso homicida que havia admitido “matar por diversão”. O réu, quando jovem, teria colocado amoníaco em aquários para ver as tartarugas ficarem brancas e torturado outros animais. A literatura reúne dados sobre os mais famosos homicidas múltiplos, em cuja infância podem ser encontrados vários episódios de excessiva crueldade contra animais.
DA CRUELDADE CONTRA ANIMAIS PARA O CRIME
A crueldade contra os animais e sua relação com o comportamento agressivo dirigido a seres humanos tem despertado o interesse dos cientistas nas últimas décadas. Abaixo apresentamos, sumariamente, algumas pesquisas que encontraram uma relação positiva entre a crueldade contra animais e contra pessoas.
Hellman e Blackman (1966) foram os primeiros a encontrar apoio empírico, estatístico, para essa relação. Investigando prisioneiros acusados de crimes violentos e de crimes não violentos, a crueldade contra animais na infância foi relatada em 52% dos prisioneiros agressivos e apenas por 17% dos prisioneiros não agressivos. Pela primeira vez, havia dados concretos indicando a relação entre a crueldade contra animais na infância e a violência contra seres humanos na vida adulta.
Yudowitz e Felthous (1977) estudaram a violência contra animais e pessoas em homens e mulheres encarcerados. Matar animais quando criança era mais comum entre homens, mas torturar animais foi observado igualmente em ambos os sexos. A crueldade contra animais foi o único comportamento infantil que diferenciou as mulheres acusadas de crimes violentos daquelas sem acusação de violência. Assim, a crueldade direcionada a animais também seria preditivo de violência contra humanos, no caso de mulheres.
Felthous (1980) relatou um estudo com 429 pacientes psiquiátricos. Entre os homens agressivos, matar cães ou gatos e crueldade contra animais estavam presentes em sua infância. Os pacientes com episódios repetidos de torturas e ferimentos envolvendo cães e gatos também foram os que mostraram o maior nível de agressão contra pessoas.
Kellert & Felthous (1985) examinaram a relação entre crueldade contra animais na infância e comportamento agressivo contra pessoas entre criminosos (agressivos, moderadamente agressivos e não agressivos) e não criminosos na vida adulta, a partir de entrevistas com 152 criminosos e não criminosos em Kansas e Connecticut. A agressividade foi definida por critérios comportamentais e não simplesmente pelo motivo do encarceramento. Os resultados indicaram que a crueldade contra animais na infância ocorreu mais entre criminosos agressivos do que entre criminosos não agressivos e não criminosos. Os resultados demonstraram haver relação entre maus-tratos aplicados a animais durante a infância e atos violentos praticados contra pessoas na vida adulta. Os autores ainda descobriram que atos repetidos de crueldade grave contra animais socialmente valorizados (como cães) estavam mais intimamente associados com a violência contra pessoas do que atos isolados de crueldade, abusos menores e vitimização de espécies menos valorizadas socialmente (como ratos). Em termos proporcionais, 25% dos criminosos agressivos haviam maltratado animais cinco ou mais vezes na infância. Esta porcentagem caiu para 5,8% no caso dos criminosos não agressivos. Entre os sujeitos do grupo-controle, sem qualquer envolvimento com atos criminosos, nenhuma ocorrência contando com cinco ou mais casos de agressão contra animais na infância foi encontrada. A ocorrência de mais de 40 casos de crueldade extrema facilitou o desenvolvimento de uma classificação preliminar de nove motivações distintas para a crueldade animal (apresentadas abaixo).
Felthous & Kellert (1987) observaram que estudos utilizando entrevistas diretas para examinar sujeitos com múltiplos atos de violência apontavam para uma associação entre crueldade contra animais na infância e posterior agressão grave e recorrente contra pessoas. Propuseram, então, que o reconhecimento de tal relação poderia melhorar a compreensão da violência compulsiva e facilitar intervenção precoce e prevenção.
MOTIVOS PARA A CRUELDADE CONTRA ANIMAIS
Kellert e Felthous (1985) relacionaram nove motivos que estariam subjacentes à crueldade dirigida contra animais. Abaixo relacionamos os motivos e alguns exemplos de sua manifestação:
1. A criança seria violenta em relação a um animal com a finalidade de controlar, modelar ou eliminar características indesejáveis em seu comportamento com o emprego de uma punição física excessiva e cruel. Um dos sujeitos entrevistados havia chutado os testículos de um cão apenas por ter-se aproximado da mesa para pedir alimento. Outro sujeito batia no animal e utilizava choques elétricos para modificar seu comportamento. Estas práticas envolviam agressividade excessiva;
2. A crueldade também poderia visar a retaliação contra um animal que teria ofendido o sujeito. Um deles atirou e matou um cão que havia tentado acasalar-se com o seu animal. Outro sujeito afogou um cão porque seu hábito de latir muito o incomodava. Em outro caso, o indivíduo ateou fogo em um gato que o havia arranhado;
3. Atos violentos também foram praticados para satisfazer um preconceito contra uma espécie ou raça. Isto foi particularmente comum no caso de tortura e matança de gatos. Um sujeito admitiu uma série de atrocidades contra gatos por não gostar da espécie. Outro explodiu o gato de sua namorada em um forno de microondas. Outro, ainda, atropelou e matou um gato com um cortador de grama. Estes sujeitos geralmente descreviam os gatos como animais traiçoeiros ou com outros defeitos. Nenhum deles, contudo, apresentou um ódio categórico contra cães, mas o preconceito extremo contra cobras, roedores e insetos era comum e esses animais eram indiscriminadamente alvos de tiros, mutilações ou eram queimados;
4. Alguns indivíduos utilizaram animais para ferir outros animais ou pessoas, como meio de expressar sua própria agressividade. Podiam, por exemplo, utilizar um cão para atacar e matar outros animais, sem provocação. A crueldade ocasionalmente ocorria como um recurso para instigar tendências violentas em um animal ou para fazê-lo atacar outros animais ou pessoas. Um sujeito chegou a dar pólvora para seu cão comer para torná-lo mais “duro”, valente;
5. A busca do aperfeiçoamento das próprias aptidões agressivas e a tentativa de impressionar outras pessoas com sua capacidade destrutiva também serviram de motivo para atos cruéis. Assim, alguns disseram ter maltratado e mesmo matado animais como um meio para aperfeiçoar seu poder de destruição ou para impressionar outras pessoas a respeito de sua capacidade de violência. Um sujeito, gratuitamente, atirava e mutilava animais para praticar tiro ao alvo, enquanto outro relatou matar animais de modo feroz para impressionar os companheiros de seu grupo de motociclistas;
6. Em outros casos, a crueldade visava simplesmente chocar outras pessoas por diversão. Um dos prisioneiros relatou ter colocado gatos em uma fronha, tê-los mergulhado em fluido de isqueiro e ateado fogo para, depois, deixá-los em um bar. Outro relatou ter colocado pombos em embalagens de leite para depois soltá-los em um restaurante. Outro, ainda, cortava as patas e explodia sapos para divertir-se e para o entretenimento de seus amigos;
7. Os motivos ainda podiam estar relacionados à vingança contra outra pessoa, quando animais pertencentes a outros seriam torturados ou mutilados. Em um caso, o indivíduo cortou fora os testículos de um mão-pelada e os pendurou na porta de sua vizinha, a dona do animal. Em outro caso, o sujeito colocou os gatos de um vizinho em um saco e os espancou com um bastão;
8. Alguns atos cruéis ainda representavam o deslocamento da hostilidade de uma pessoa para um animal. A agressão frustrada contra uma pessoa era deslocada para um animal. Esta agressão deslocada, tipicamente, envolvia figuras de autoridade que o sujeito odiava ou temia, mas tinha medo de agredir. É frequentemente mais fácil, na infância, ser violento em relação a um animal do que contra um dos pais, irmãos ou um adulto. Muitos sujeitos agressivos haviam sido criados em famílias caóticas e eram fisicamente submetidos a maus-tratos. Um sujeito relatou ter sido cruel com animais como um meio de compensar a dor causada pela rejeição dos pais e colegas. Outro disse ter batido em animais como uma vingança para os maus-tratos que havia sofrido. Os casos citados, geralmente, envolviam pessoas próximas que não poderiam ser atingidas. Como o sujeito não podia agredi-las, voltava-se contra os animais, exprimindo de forma deslocada a violência recebida;
9. Finalmente, o sadismo não específico estaria na base do desejo de infringir ferimentos, sofrimento ou morte a um animal, na falta de qualquer provocação ou sentimentos hostis em relação a ele. O objetivo primário era o prazer gerado ao causar ferimentos e sofrimento ao animal. A gratificação sádica, algumas vezes, estava associada ao desejo de exercer poder total ou controle sobre um animal e podia servir para compensar sentimentos de fraqueza e vulnerabilidade. Um sujeito relatou ter arrancado asas de andorinhas e rompido o abdome de anfíbios apenas para observá-los morrer lentamente. Outro disse ter eletrocutado um animal e amarrado as caudas de dois gatos por diversão. Outros se divertiam decepando pequenos animais, como pintinhos, ou cortando e apunhalando peixes.
FATORES RELACIONADOS À CRUELDADE CONTRA ANIMAIS: O COMPORTAMENTO INCENDIÁRIO
Um dos fatores que mais comumente tem sido encontrado como estando associado à crueldade contra animais é o comportamento incendiário ou a prática de atear fogo de modo descontrolado, em crianças. Felthous (1980) verificou que o comportamento incendiário estava significativamente associado com crueldade contra animais. Heath, Hardesty e Goldfine (1984) também encontraram relação entre crueldade contra animais em crianças e comportamento incendiário na infância de pacientes psiquiátricos.
Neste caso, a crueldade para com animais estava associada com incendiários que não apresentavam enurese (mas não com aqueles que apresentam enurese). Sakheim, Osborn & Abrams (1991) também identificaram uma correlação positiva entre crianças incendiárias de alto risco e a crueldade contra crianças e animais.
O que se pode concluir destes estudos é que podemos esperar que crianças que maltratam animais possam manifestar, também, tendências incendiárias que, em última instância, também são manifestações de comportamento destrutivo.
A FAMÍLIA DAS CRIANÇAS CRUÉIS EM RELAÇÃO AOS ANIMAIS
A crueldade dirigida contra animais durante a infância não é um acontecimento isolado, desvinculado do meio social da criança. Vários autores encontraram correlação positiva entre famílias com problemas e crianças que maltratavam animais.
Felthous (1980) apontou como um traço associado à crueldade contra animais o fato da criança ter sofrido uma separação da figura paterna por mais de seis meses. A presença de uma figura paterna, sofrendo de alcoolismo, também estava associada à crueldade. Kellert e Felthous (1985) também apontaram correlações encontradas entre os indivíduos com história de maus-tratos contra animais e as condições familiares nas quais cresceram. A violência doméstica era comum nas famílias dos criminosos agressivos investigados que eram cruéis com animais.
Tal violência assumia muitas formas, embora a violência extrema por parte do pai e o alcoolismo fossem especialmente comuns. No caso de crianças incendiárias cujo comportamento estava correlacionado com crueldade contra animais, Sakheim, Osborn & Abrams (1991) destacaram a importância do relacionamento com os pais, especialmente a mãe, na origem do problema. Todos os casos graves de crianças incendiárias investigados apresentavam fortes sentimentos de ira e ressentimento contra rejeição materna, abandono, maus-tratos ou privação emocional.
O fato de uma criança maltratar animais pode ser um indicativo de que as condições familiares estejam profundamente alteradas, tornando necessário algum tipo de intervenção.
O QUE FAZER QUANDO A CRIANÇA MALTRATA ANIMAIS?
A criança que, repetidamente, pratica atos de violência contra animais deve ser acompanhada por pais, professores, médicos e psicólogos. Deve-se estar atento para a importância da crueldade contra animais, como um indicador potencial de relacionamento familiar alterado e futuro comportamento anti-social e agressivo. Outros atos de crueldade podem ser esperados em uma criança que já tenha demonstrado episódios de violência contra um animal.
A conquista de uma sociedade humana mais pacífica e harmoniosa também depende da promoção de uma ética mais positiva entre crianças e animais. Se a agressão contra animais pode generalizar-se e envolver seres humanos, uma postura ética de compaixão e de respeito por essas criaturas implica em respeito, também, pelos seres humanos. Nosso compromisso ético não se limita a nosso relacionamento com outras pessoas dentro da sociedade. O respeito pela natureza, pelas plantas e pelos animais tem reflexos em nossa atitude em relação a outras pessoas e os crimes contra a natureza constituem crimes contra a humanidade.

Fonte: http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=798

Anúncios