。◕‿◕。 Mais uma vitória Estados Unidos e China assinam acordo histórico pelo fim do comércio de marfim

Foto: WildAid

Em uma decisão histórica para salvar os elefantes da África da crise da caça que já ficou fora de controle, os Presidentes Barack Obama e Xi Jinping fizeram um acordo nesta sexta-feira(25) para colocar um fim à comercialização de marfim nos Estados Unidos e na China. As informações são do Wild Aid.

O anúncio marca o primeiro compromisso público do Presidente da China para combater as vendas de produtos de marfim no país, que é o maior mercado mundial, e segue uma promessa feita pelas autoridades chinesas em Maio de que seria progressivamente descontinuado o comércio interno. O acordo também coloca uma pressão significativa sobre Hong Kong – centro global do comércio de marfim – para que igualmente proíba as vendas, que são o motor da matança de elefantes africanos e do contrabando que vêm se agravando nos últimos anos. Uma pesquisa recente revelou que mais de 90% do marfim vendido em Hong Kong estava sendo contrabandeado para a China.

Um comunicado oficial da Casa Branca emitido na sexta-feira confirmou o acordo, cujo texto segue abaixo:

“Tráfico de vida selvagem: Os Estados Unidos e a China, reconhecendo a importância e a urgência de combater o tráfico de vida selvagem, comprometem-se a tomar medidas positivas para lidar com este desafio global. Os dois países assumem o compromisso de decretar a quase completa proibição da importação e exportação de marfim, incluindo restrições significativas e oportunas à importação de marfim como troféus de caça, e adotar ações importantes para impedir o comércio doméstico do produto. Ambos os lados decidem continuar a colaborar no trabalho conjunto, no intercâmbio técnico, na partilha de informações e na educação pública sobre a luta contra o tráfico de animais selvagens, e reforçar a cooperação policial internacional neste domínio. Os Estados Unidos e a China decidem ainda cooperar com outras nações em um esforço global para combater o tráfico de vida selvagem.”

“Esse foi o maior passo que poderia ser dado para se reduzir a caça aos elefantes. O comércio legal de marfim sempre foi usado como uma capa para disfarçar a gravidade da caça, e quando foi autorizado pelo governo anterior da China em 2009, a matança aos animais teve uma escalada dramática na África”, disse Peter Knights, CEO da WildAid. “O governo chinês apoiou a nossa campanha pela redução da demanda pelo marfim, liderada por Yao Ming e Li Bingbing, e proveu suporte aos esforços de preservação na Tanzânia e em outros países africanos. Nós agradecemos a ambos os presidentes por seu apoio pessoal para a preservação dos elefantes e convocamos Hong Kong a juntar-se à China e aos Estados Unidos em consignar o comércio de marfim à lata de lixo da  história”.

O comércio internacional de marfim foi proibido em 1989, após uma década de caça descontrolada que dizimou as populações de elefantes africanos, de estimados 1,3 milhões de indivíduos em 1979 para cerca de 609.000 no final dos anos 80. Como resultado da proibição, a caça diminuiu e os preços do marfim despencaram. Mas um novo tipo de venda legalizada de marfim no final dos anos 2000 e o contínuo comércio doméstico legal em locais como Hong Kong, China, Tailândia, Vietnã e Estados Unidos permitiram a “lavagem” das cargas de marfim ilegal originada de elefantes recentemente caçados.

No entanto, há mais boas notícias: a proibição de vendas de marfim tem o amplo apoio entre a população da China. Uma pesquisa realizada em Março deste ano pelas organizações WildAid, African Wildlife Foundation e Save The Elephants em Beijing, Shanghai e Guangzhou revelou que 95% dos respondentes disseram que o governo deveria impor uma proibição, e que a conscientização sobre a caça aos elefantes aumentou em 50% desde 2012.

O movimento segue uma redução de 50 a 70% no consumo de barbatanas de tubarão, depois de uma campanha da WildAid e da proibição do consumo da iguaria em banquetes do estado pelo presidente. A campanha recebeu centenas de milhões de dólares para espaço de mídia doados pelo estado chinês e pela imprensa particular. Já a campanha contra o comércio de marfim da WildAid foi apoiada pela African Wildlife Foundation e pela Save the Elephants, e apresentou celebridades chinesas tais como o ex-jogador Yao Ming, a atriz Li Bingbing e o pianista Lang Lang, além do Príncipe William, de David Beckham, Lupita Nyong’o e do elenco da série The Walking Dead.

Foto: WildAid

Fonte: ANDA

Anúncios

Comércio de marfim em Hong Kong ameaça sobrevivência dos elefantes

Um grupo de defesa dos elefantes afirmou hoje que o crescente comércio ilegal de marfim em Hong Kong – uma das cidades do mundo onde se encontra mais marfim à venda – está a empurrar estes animais para a extinção.

A venda de marfim proveniente de reservas registadas oficialmente, anteriores à proibição de 1990, é autorizada para consumo interno em Hong Kong, mas um relatório da organização “Save the Elephants” (Salvem os Elefantes) indica ter encontrado um elevado número presas de animais mortos recentemente a serem vendidas como marfim antigo.

“O comércio de marfim em Hong Kong é uma falha significativa nos esforços internacionais para acabar com o massacre de elefantes em África”, de acordo com o relatório da organização ambientalista, divulgado no Quénia e em Hong Kong.

“Em nenhuma outra cidade analisada se encontram tantas peças de marfim à venda como em Hong Kong”, afirma Esmond Martin um dos autores do relatório.

O relatório indica existirem mais de 30.800 peças – principalmente joalharia e estatuetas – à venda em 72 lojas. As compras são em 90% dos casos feitas por residentes da China, onde a procura de marfim é elevada.

Combinado com a ineficácia dos controlos na fronteira com a China, por onde passam cerca de 40 milhões de pessoas todos os anos, o comércio de Hong Kong tem um impacto relevante nos esforços para acabar com a caça furtiva de elefantes em África.

“Está a decorrer um massacre dos elefantes africanos, mas o governo de Hong Kong ignora” a situação, disse Alex Hofford do grupo “WildAid”.

 

“Ao longo de 25 anos, desde a proibição internacional, os comerciantes de marfim de Hong Kong têm aparentemente branqueado marfim de caça ilegal” através das reservas autorizadas, afirmou.

O relatório descreve Hong Kong como o terceiro maior centro mundial de contrabando de marfim, depois do Quénia e da Tanzânia.

 

Pequim tem desenvolvido esforços para contrariar este comércio, aumentando os processos de contrabandistas e apreensões de marfim nas fronteiras, mas os ativistas consideraram as medidas insuficientes.

O aumento da procura de marfim na Ásia está na origem da subida do número de elefantes mortos em África, dado que as autoridades não conseguem desmantelar as redes de contrabando, alertaram.

“A menos que o comércio de marfim em Hong Kong seja desmantelado, o território continuará a representar uma das maiores ameaças para a sobrevivência da espécie”, disse Ian Douglas-Hamilton, fundador do “Save the Elephants”.

 

Mais de 30 mil elefantes foram chacinados no ano passado para satisfazer a procura de marfim e da China e no Extremo Oriente, onde as presas valem mais de 1,80 euros por quilograma.

Na década de 1960, Hong Kong era um dos mais famosos e maiores centros de escultura de marfim do mundo. Desde 1990 que não registos de importação legal de marfim para o território, e todas as vendas são oficialmente provenientes de reservas existentes.

De acordo com os dados oficiais, 242 toneladas de marfim foram vendidas em Hong Kong entre 1990 e 2008, o que representa uma média de perto de 13 toneladas por ano.

Desde 2010, as vendas registadas diminuíram para uma tonelada por ano, apesar da procura crescente e de o número de visitantes da China ter mais que duplicado no mesmo período.

“A única maneira de resolver o problema é com uma proibição governamental da venda de marfim”, disse Hofford.

Fonte: Noticias ao Minuto