EM LOUVOR DOS CAVALOS

O Cavalo é um animal nobre e extremamente sensível, que o homem explora há milhares de anos, desconhecendo (ou não) o atroz sofrimento que lhe inflige ao arreá-lo, selá-lo e montá-lo…

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Se os homens experimentassem neles próprios estes aparelhos de pura tortura, talvez deixassem (ou não) de torturar os Cavalos, que sofrem horrores ao serem montados…

Texto de Cláudia Vantacich

«Estamos tão habituados a ver os cavalos como transportes ou veículos de tracção, que nem pensamos ou nos lembramos de que não nascem com selas no dorso, acabando, a maioria de nós, por encarar a monta como “natural”. Contudo, os cavalos sofrem lesões e inflamações internas apenas por carregar o peso de uma pessoa no dorso.

Alexander Nevzorov, internacionalmente conceituado treinador de cavalos e professor de equitação, fundador da igualmente conceituada escola de equitação “Nevzorov Haute Ecole” e, mais tarde, criador do método de equitação sem instrumentos de domínio pela dor (freios, bridões, esporas, chicotes, selas ou rédeas imobilizadoras da cabeça), em 2008 abandonou a prática de equitação em absoluto após constatação das consequências desta.

A sua esposa Lydia Nevzorov, fisiologista e especialista em hipologia e Termografia Equina (sistema músculo-esquelético), de acordo com exames e estudos levados a cabo pela própria e por outros especialistas da área concluiu que não existe monta sem sofrimento.

Os cavalos são animais que aguentam grande sofrimento sem estrebuchar. É assim a sua natureza por, no seu habitat natural, precisarem de se mostrar o mais fortes possível a fim de não atrair os predadores que buscam animais débeis. Por este motivo, caso não se saiba ler o sofrimento nas suas expressões e uma vez que esses exames são muito dispendiosos, na maioria das vezes, os cavalos são sujeitos a uma termografia apenas quando a recuperação total já não é possível, acabando muitos por ser abatidos, por já não lhes ser reconhecida qualquer utilidade. Pelo mesmo motivo e de igual modo, outros nomes como Ren Hurst, conhecida ex-treinadora de cavalos e autora do livro Riding on the Power of Others abandonaram a prática de equitação e criaram santuários para os cavalos viverem e envelhecerem tranquilamente, em liberdade.

Como diz a Dra. Sônia T. Felipe “Se ama os cavalos, não os monte”. Na verdade, nem sequer precisa de os amar, basta que os respeite.»

Fonte:

https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1147440045357776&set=a.222412374527219.36135.100002753757658&type=3&theater

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 SE AMAM OS CAVALOS NÃO OS MONTEM

http://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/se-amam-os-cavalos-nao-os-montem-493785

Fonte: Arco de Almedina

 

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CONTEÚDO ANDA Conheça a ex-adestradora de cavalos que preferiu o amor à crueldade

Precisei de semanas para finalmente escrever isso. Principalmente porque eu queria fazê-lo no mesmo lugar de felicidade e alegria dos muitos momentos e vislumbres que esta decisão me deuEx-treinadora e cavalo

Não sei exatamente o que essa decisão significa para o meu futuro, mas é importante para as outras pessoas que desejam seguir seus sonhos para conhecer a verdade. Nem sempre é fácil, às vezes você passa por sérios períodos de dúvida e descoberta, mas sei, por experiência, que quanto mais você pressionar a sua verdade, as revelações e experiências mais incríveis estarão do outro lado.

Não quero desperdiçar esta bela vida seguindo as regras implementadas por uma sociedade que está em grande parte adormecida em relação ao mundo incrível à sua volta. Prefiro ser miserável por um momento até descobrir as coisas e poder avançar novamente com minhas lições aprendidas. Posso ver a luz no horizonte e aqui estão minhas razões para avançar e sair das costas dos cavalos.

Tenho estudado e trabalhado com cavalos durante a maior parte da minha vida. Por causa da natureza do trabalho que faço e fiz com eles, tive a rara oportunidade de trabalhar com centenas.

Quando você está envolvido com esses tipos de números, seja humano, cavalo ou qualquer outro tipo de ser, recebe mais informações para refletir do que a pessoa média no que se refere a ter conclusões sobre determinados fatos. Eu também estive em uma jornada de meu próprio desenvolvimento espiritual ao longo da última década, principalmente nos últimos quatro anos ou mais.

A combinação desses dois fatos deu-me exemplo após exemplo do prejuízo causado pelo controle, manipulação e por provocar desconforto físico e danos em outro ser vivo por nenhum outro motivo além do meu prazer ou desejo pessoal.

Dizer que cavalgar beneficia o cavalo, de certa forma, parece completamente delirante para mim considerando todas as evidências científicas que mostram o oposto. Existem agora inúmeros estudos e materiais de pesquisa disponíveis para provar a ciência por trás dos impactos da equitação.

Há os próprios cavalos e as histórias que eles “contam” durante a equitação não são mais uma parte de suas vidas. Não é tão simples como apenas jogá-los em uma pastagem e deixá-los em pé sem qualquer responsabilidade.

É preciso fazer mudanças significativas em sua gestão, assim como começar a se relacionar com eles e passar o tempo com eles de maneiras diferentes para que as mudanças ocorram.

Cavalos no santuário

É difícil descrever para aqueles que não estão conscientes sobre os princípios por trás de Nevzorov Haute Ecole, mas tudo o que posso dizer é que nosso grupo de 12 cavalos nunca esteve tão ansioso, comprometido, brincalhão, saudável ou feliz por ser uma parte de nossas vidas. Alguns deles ainda têm um longo caminho a percorrer, mas a melhoria é percebida diariamente.

É como um mundo completamente diferente com nossos cavalos agora, e não consigo imaginar regredir. Eu disse isso antes, mas devo afirmar novamente: depois de trabalhar com tantos desses animais, nunca conheci um antes de eu decidir abandonar tudo o que eu acreditava saber sobre eles, conhecê-los como iguais e lhes oferecer a segurança e o respeito que ocorrem ao permitir que alguém seja exatamente quem e o que são, e depois amá-los por apenas isso.

A verdade é que eu poderia preencher um livro inteiro (talvez muitos) com todas as informações, experiências etc. que me levaram a tomar essa decisão na minha vida.

Já não cavalgo mais porque escolho honrar uma criatura que amo, para alcançar uma sensação maior e mais permanente de paz e alegria na minha vida. Tenho adotado essa maneira de ser e de me relacionar com cavalos em parte como um veículo para me mover em direção a minha própria paz interior e realização, de uma maneira que espero compartilhar com os outros.

É minha esperança e desejo que, ao envolver-me em apenas interações pacíficas com os cavalos, irei cultivar a paz dentro de mim e nas minhas relações com os meus semelhantes. Quero que o mundo seja um lugar mais pacífico e alegre e a única maneira de fazer isso acontecer é começar comigo.

Tudo o que sei é que existem grandes problemas que são provocados pela equitação, tanto para o cavalo como para o ser humano.

Ren Hurst é uma ex-adestradora de cavalos que fundou o santuário New World Sanctuary Foundation, localizado em Oregon (EUA), e escreveu o livro “Riding on the Power of Others: A Horsewoman’s Path to Unconditional Love”.

Fonte: ANDA

Mais um artigo, sobre esta MONSTRA prática, com cavalos, em Espanha!

A festa de Santo Antônio, padroeiro dos animais domesticados, é celebrada em uma aldeia espanhola com o paradoxal abuso de cavalos, que são obrigados a saltar por fogueiras gigantescas.

Todos os anos, na noite de 17 de janeiro, cavalos são conduzidos por enormes chamas e nuvens de fumaça nas ruas da vila de San Bartolomé de los Pinares, a cerca de 100 quilômetros a noroeste de Madri.

Acredita-se que a tradição anual conhecida como Las Luminarias purifica os cavalos e os prepara para o próximo ano. Alguns dizem que a celebração ocorre há cinco séculos quando os rituais católicos romanos usavam fumaça para realizar a purificação.

A vila mantém o festival vivo com intensidade religiosa e orgulho inabalável, defendendo-se das críticas de grupos de direitos animais.

“Não há lógica em forçar estes animais a uma situação estressante contra a sua própria natureza. No meio do século XXI, isto é algo de uma época passada. Nenhuma superstição ou crença justifica um ato de tamanha crueldade “, diz Juan Ignacio Codina, do Observatório de Justiça e Defesa Animal.

No entanto, o governo regional de Castela e Leão alega que os veterinários enviados pelas autoridades não encontraram quaisquer lesões nos cavalos usados nas fogueiras. “Não há uma queimadura, nem mesmo um cavalo ferido”, afirma a prefeita, Maria Jesus Martin, que insiste que nenhum cavalo é forçado a saltar sobre as chamas.

“Ouvir os insultos me deixa enraivecida, aqueles que falam não sabem nada sobre a tradição. Eles nos chamam de teimosos e disseram abertamente nas mídias sociais para me jogar, a prefeita, na fogueira”, acrescenta.

Alguns moradores da aldeia de 600 pessoas defendem que seria melhor voltar a uma versão mais moderada do festival. De acordo com eles, ramos de pinheiros e arbustos para as fogueiras costumavam chegar em pequenas quantidades nas costas dos animais, mas agora o combustível é transportado por caminhões, as fogueiras são muito maiores e a fumaça mais grossa.

Algumas pessoas também pressionam pelo fim dos saltos dos animais sobre as fogueiras, já que a tradição original dizia purificar os animais apenas andando e não sobre chamas, informou o International Business Times.

Fonte: ANDA

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“Não há lógica em forçar estes animais a uma situação estressante contra a sua própria natureza. No meio do século XXI, isto é algo de uma época passada. Nenhuma superstição ou crença justifica um ato de tamanha crueldade “, diz Juan Ignacio Codina, do Observatório de Justiça e Defesa Animal.” – Ora nem mais

A “PESTE NEGRA” DO TERCEIRO MILÉNIO PURIFICADA PELO FOGO EM ESPANHA

E mais um santo cristão a ser celebrado num macabro ritual pagão onde os Cavalos são as vítimas

Na província espanhola de San Bartolomé de Pinares ainda se sofre de uma peste negra que é purificada pelo fogo, tal como era na época dos romanos, na qual superstições, geradas pela mais profunda ignorância, alienava um povo ainda muito pouco evoluído.

E isto é uma coisa de doidos completamente varridos… Quando pensamos que já vimos tudo, ainda há algo que nos surpreende. Na verdade, a crueldade do animal pré-humano não tem limites…

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A isto chama-se Festival Luminárias, e celebra-se anualmente em São Bartolomeu de Pinares em honra de Santo Antão, que dizem ser o padroeiro dos animais (imaginemos o que não fariam aos animais se não fosse padroeiro) …

O ritual celebra-se anualmente, e os Cavalos (seres extremamente sensíveis) são conduzidos por montadores endoidecidos, através do fogo, em mais uma tradição bárbara, com cinco séculos de existência, isto é, vem desde a época em que os romanos acreditavam que o fumo purificava os que sofriam da peste negra, nome pela qual ficou conhecida, a pandemia de peste bubónica que assolou a Europa durante o século XIV e dizimou cerca de 75 milhões de pessoas.

Estava-se então na Baixa Idade Média. E foi nessa época que a mentalidade do povo de São Bartolomeu de Pinares ficou cristalizada.

Hoje, já no século XXI, essa peste negra tem outro nome: chama-se ignorância, da mais pura e crua e infinita…

Este é um ritual absolutamente arcaico, assente no mais profundo obscurantismo, ainda bastante enraizado na população local, muito atrasada civilizacionalmente, que vagueia num passado remoto, já morto e enterrado há séculos, mas pior do que isso, uma população que se recusa veementemente a dar o salto para o século XXI, e diz orgulhar-se deste ritual medieval. E a igreja católica é cúmplice e as autoridades locais promovem.

Durante o festival, montadores a cavalo saltam sobre o fogo para limpar os animais e receber a graça do santo para o ano seguinte.

Algo completamente medieval, e que já foi deixado para trás pelos povos que foram evoluindo, mais ainda não em Espanha. Não em São Bartolomeu de Pinares.

Algo que deveria envergonhar o reino de suas majestades os Reis de Espanha: Filipe VI e Letízia.

Mas nós por cá, em Portugal, não lhes ficamos atrás. As nossas majestades republicanas ainda promovem e apoiam rituais tauromáquicos, equestres, suínos, felinos, caninos,  columbófilos entre outros, que remontam aos tempos das majestades monárquicas.

Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

 

O mundo da tauromaquia, é um mundo hipócrita!

Imagem Forcados 4º

A hipocrisia do mundo da tauromaquia, começa nas ganadarias. Começa nos ganadeiros. Criam os touros. Dizem que os amam, mas retiram-nos do seu habitat natural, para os enviarem para o sofrimento, para a tortura, para a morte. Mas a final que amor pelos touros é esse? – Hipocrisia!

Os toureiros a cavalo, começam por afirmar que amam os seus cavalos. Amam-nos tanto, que os montam, que colocam um freio de castigo serrilhado, na boca dos seus cavalos. Amam-nos tanto que usam botas com esporas. Mas a afinal, que amor é esse pelos seus cavalos? – Hipocrisia!

Os toureiros a cavalo, também afirmam que amam os touros. Amam-nos tanto, que lhes provocam dor, sofrimento e morte, espetando-lhes farpas no lombo. Mas a final que amor pelos touros é esse? – Hipocrisia!

Os toureiros a pé, também afirmam que amam os touros. No entanto também lhes provocam dor, sofrimento e morte, espetando-lhes farpas, e no caso de uma localidade portuguesa, Espanha, França e em países da América latina, também uma espada. Mas a final, que amor pelos touros é esse? – Hipocrisia!

Os forcados também afirmam que amam os touros, mas não os enfrentam quando eles têm as suas faculdades físicas e psicológicas intactas. Isto é; não os enfrentam no seu habitat natural, em campo aberto. Enfrentam-nos, depois de eles terem sido brutalmente torturados física e psicologicamente, antes de entrarem na arena, e depois, na arena pelos toureiros a cavalo e pelos toureiros a pé. Mas a final que amor pelos touros é esse? – Hipocrisia!

Portugal, permanecerá um país mal visto pelos quatro cantos do mundo, enquanto continuar a permitir, que toda esta hipocrisia exista!

Mário Amorim

PONTE DE LIMA QUER HIPÓDROMO PARA MASSACRAR CAVALOS

Não basta a vaca das cordas para colocar o nome de Ponte de Lima no rol das localidades com um relevante atraso civilizacional?

Ao cuidado do PAN…

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Os Cavalos são seres magníficos, extremamente sensíveis, não nasceram para ser montados, e sofrem horrores quando os usam para tal

É inacreditável que ainda haja criaturas que acham (pois pensar não sabem) que os Cavalos nasceram para servir o “homem”!

O presidente da câmara de Ponte de Lima quer que o actual governo, liderado pelo PS, dê luz verde a um projecto iniciado pela anterior legislatura, que incluiu a legalização de apostas e a abertura de concursos para a construção de hipódromos pelo país.

Quando o resto do mundo se bate para acabar com as terríveis corridas de Cavalos, onde estes são sacrificados, maltratados barbaramente, por vezes até à morte, Ponte de Lima quer juntar à parvoíce da vaca das cordas a exploração de Cavalos para corridas, com apostas. Uma prática absolutamente selvática, como irei demonstrar.

Para todos aqueles que não sabem o que os cavalos SOFREM, aqui deixo um texto científico da autoria de Sônia T. Felipe ***, e se depois de o lerem continuarem a ignorar, é porque realmente têm o sadismo no seu ADN, e optam pela ignorância.

SE AMAM OS CAVALOS NÃO OS MONTEM

«Não existe montaria sem sofrimento para os Cavalos, quer o montador tenha consciência da agonia e tormento do Cavalo, seja bondoso, ou um psicopata que “ama” tanto o seu Cavalo a ponto de odiá-lo e chicoteá-lo quando não consegue fazê-lo entender o que quer.

O que importa é o que o corpo e o espírito do Cavalo sentem, quando há qualquer “disciplina”, “domar”, “quebra” e “castigo”. O Cavalo sempre sofre. A única forma de ele não sofrer é não ser montado nem encilhado. E, não sendo montado nem encilhado, não há desporto de qualquer tipo: bigas, troikas, corridas em plano raso, vaquejadas, rodeios, olimpíadas, polo, cavalhadas e tudo o que hoje existe, porque o Cavalo paga, com a sua dor e não raro com a sua vida, o gozo de quem o monta.

Quando leio e escrevo sobre a agonia dos Cavalos, concentro-me nos Cavalos. E faço-o, exactamente, porque quem os monta e lhes passa o freio (o ferro) sobre a língua nunca pensou nem entendeu nada de anatomia e fisiologia de Cavalos. Pode até ter tido muita aula prática de equitação, mas não teve luz alguma sobre o que se passa debaixo do seu traseiro, bem acomodado sobre o lombo de outro animal, tão ou mais sensível do que aquele que o monta.

Se eu escrever uma linha dizendo que há pessoas boazinhas com os Cavalos, todas, leia-se, todas as pessoas vão se concentrar nessa linha.

Mas só existe um tipo de pessoa boa para os Cavalos: a que não os monta. A que cuida deles e os deixa viver a seu modo, em paz, sem a agonia dos ferimentos invisíveis aos olhos dela e também de quem os monta.

E os Cavalos, na manhã seguinte, continuarão a ser montados, e a terem o ferro cruzando a sua língua, e a receberem chicotadas, a terem uma sela amarrada sobre o seu lombo para carregarem uma sedentária ou um sedentário, por horas a fio, sobre a sua coluna, sofrendo, no galope, cada golpe do peso de quem os monta e da sela que nunca é desenhada para respeitar a singularidade do corpo dos animais.

O Cavalo sofrerá tudo isso às mãos de quem se classificou como pertencendo ao grupo das que “amam” Cavalos.

Quem os ama não os monta.

Escrevo para o animal. É o meu dever. Quem não coloca freio nem cabresto, não coloca sela, não usa esporas, não usa chicote, quem controla o animal apenas se comunicando com ele, sem qualquer meio repressivo e doloroso (só os Nevzorov sabem fazer isso!), não precisa de se magoar com o que escrevo.

E quem faz tudo de mal ao Cavalo, em nome do “amor” que tem por ele, deve ir para um analista. Os Cavalos não são seres masoquistas. Se estão com um sádico montado no seu lombo, é porque o sádico é um psicopata, quer tenha consciência de si, quer não. Usou freio, rédeas, esporas e chicote, é sessão de sadismo puro. Mesmo que a pessoa não veja toda a dor que causa.

Há muita gente que “ama” o seu cão de estimação. Ama tanto que o condena à prisão perpétua e à solidão. Tranca-o no apartamento sozinho a semana toda, de manhã até à noite, para ter algo vivo à sua espera quando chega exausto do trabalho ou das noitadas. Isso não é amor. É escravização. É privação. É condenação.

E quem está sentado atrás da cabeça do Cavalo não vê a dor dele. E a dor que ele sente dentro da boca é indescritível. E a dor de uma úlcera também é indescritível. E a de uma pata lesada, idem. E a dor do pulmão, pelo esforço extraordinário de puxar uma carga morta ou levá-la sobre a coluna, idem.

E exactamente por serem indescritíveis todas as dores do Cavalo é que ele obedece. Porque o seu instinto evoluiu para não gritar de dor, pois, na natureza, o Cavalo, assim como a Vaca, não recebem ajuda de ninguém quando estão feridos. Pelo contrário, se gritarem de dor os predadores os elegem como alvo.

Então, o Cavalo estrebucha, mastiga o freio nervosamente, balança a cabeça de um lado para o outro, anda para trás, recusa-se a prosseguir, tudo isso porque está a sofrer de dores terríveis e ele não tem como avisar o peso morto que carrega sobre as suas costas. O peso morto que provoca toda essa dor ao Cavalo, sem a “sentir” no seu próprio corpo, porque o que o corpo do peso morto sente mesmo é prazer em estar lá em cima, fazendo o seu passeio ou praticando o seu “desporto” preferido.

O Cavalo prossegue, não porque tenha gostado da experiência ou do peso dos gordos ou dos magros, sentados sobre a sua coluna. Não. Ele obedece porque é um animal fisiológico. A sua existência é o seu sentir. E ele sente dores horríveis com tudo o que lhe fazem para que ele faça o que não tem interesse ou motivação natural alguma para fazer.

E, quando o Cavalo obedece, é porque tem memória viva de que uma dor ainda maior virá, caso não siga em frente: um puxão firme das rédeas, que lhe produz um choque no sistema dos nervos cranianos, ou uma chibatada sobre as carnes já inflamadas pelas chibatadas do dia anterior.

E, muitas vezes, não é somente na boca que a lesão se manifesta. É nas patas que estão inflamadas. É no lombo, pelo atrito do corpo da montaria raspando com a sela as partes da carne do animal, a cada passo, a cada galope. É no estômago. É no pulmão.

Até ao ano de 2008, Alexander Nevzorov, da Nevzorov Haute École, ainda montava cinco minutos por dia, podendo chegar aos quinze, excepcionalmente. Porém, desde 2008, montar a cavalo foi definitivamente abolido das suas práticas.

E Alexander explica porquê:

«O ano de 2008 foi um ponto de viragem na história da Escola. Este foi o ano em que nós rejeitámos totalmente montar a cavalo. O Cavalo não se destina para montar, nem sequer ao menor grau. Não fisiologicamente, não anatomicamente, não psicologicamente. Eu precisei de muito tempo para chegar a esta compreensão, que se baseia não só nos meus sentimentos, mas em primeiro lugar a partir dos resultados de umas longa investigação. Entendo que seja difícil aceitar este facto. Mas a capacidade de abandonar as cavalgadas é a garantia de um verdadeiro e sublime relacionamento com o Cavalo. Hoje a equitação é um ponto de viragem na nossa história. Agora compreendemos e trazemos ao mundo uma outra beleza – a beleza de um diálogo com o Cavalo visto como um igual» – in «The Horse Crucified and Risen» («O Cavalo Crucificado e Ressuscitado»), 2011, p. 223.

Porquê? Porque as entranhas dos Cavalos ficam inflamados. Lydia Nevzorova é fisiologista. Ela faz exames de termografia computadorizada nos Cavalos e, pelas imagens coloridas, detecta cada área do corpo inflamada e o grau dessa inflamação. Esse exame é muito caro. Só os Cavalos com donos ricos são examinados para a detecção das áreas de inflamação. E o são apenas quando começam os fracassos nas competições, quando eles não têm mais forças psicológicas para obedecer, apesar da dor dos puxões das rédeas na sua face e boca, ou das chicotadas e esporadas. Quando, apesar de toda essa dor, ainda assim o animal não mais obedece, e se o “dono” é rico, então leva-o para fazer o exame termográfico computadorizado. E o que Lydia Nevzorova encontra é um corpo inflamado da boca às patas, quando não ao ânus (no caso de choques eléctricos).

As fotos são chocantes. Na foto de um Cavalo sem inflamação alguma, a de um não usado para montaria, a imagem do corpo todo aparece em azul, sem manchas luminosas. Os animais montados e lesados nas patas, nos tendões, na nuca, no dorso, nos flancos, aparecem com as lesões todas em cores de ondas longas, mais vivas, evidenciando as lesões invisíveis a olho nu. E esses ferimentos internos estão presentes todos os dias em que o animal é montado, e quem o monta não vê. Todos os dias. E cego pela sua obsessão à equitação, o equitador nada vê.

É um tormento ter o corpo todo inflamado. E ser usado todos os dias para dar a um “humano” prazeres que só existem à custa dessa dor. E a maldade não é minha, nem do Cavalo. E tudo isso sempre foi guardado como segredo, a sete chaves, para que ninguém pudesse abrir os olhos e ver o mal que está a fazer, quando monta um Cavalo. Não está só a montar o animal. Está, literalmente, a levá-lo para uma sessão de tortura.

Sônia Teresinha Felipe

 

(Texto adaptado para Língua Portuguesa)

*** Sônia Teresinha Felipe é doutora em Filosofia Moral e Teoria Política, pela Universidade de Konstanz, Alemanha; professora da graduação e pós-graduação em Filosofia, e do doutorado interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil); orienta dissertações e teses nas áreas de Teorias da Justiça, Ética Animal e Ética Ambiental; é pesquisadora permanente do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, Membro do Bioethics Institute, da Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento, e é autora de «Ética e Experimentação Animal: Fundamentos Abolicionistas», Edufsc, 2007, e, «Por uma Questão de Princípios», Boiteux, 2003.

Fonte:

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Fonte: Arco de Almedina