CAÇA AOS GOLFINHOS NO JAPÃO AMEAÇA AS OLIMPÍADAS

Por Elizabeth MacDonald / Tradução de Alice Wehrle Gomide

JAPAO GOLFINHOS dolphins japan

JAPAO GOLFINHOS dolphins japan
Moradores tentam salvar golfinhos encalhados na costa de Hokota, nordeste de Tóquio, nesta foto tirada por Kyodo em 10 de abril de 2015. (Foto: Reuters)

Faltam cinco anos para as Olimpíadas em Tóquio, e os jogos já estão atraindo mais patrocínio financeiro que os de Beijing em 2008.

Mas da mesma forma que a China enfrentou a desconfortável atenção sobre seu pobre histórico de direitos humanos e poluição, o Japão também está enfrentando a crescente condenação global dos pescadores que realizam a grotesca matança anual de golfinhos, conhecida como a “caça aos golfinhos de Taiji”. Esses mamíferos são cercados e mortos no que já foi considerado um banho de sangue, e foi destaque do documentário The Cove. Os golfinhos estão entre os mamíferos mais inteligentes e perceptivos no mundo além dos humanos, algo que zoologistas e especialistas repetidamente dizem.

Recentemente, o Japão foi atingido pela embaraçosa expulsão da principal organização mundial de zoológicos, a World Association of Zoos and Aquariums (WAZA), o qual influentes membros incluem o Zoo de Londres, a Sociedade Zoológica de San Diego, o Zoo de Toronto, o Zoo de Bronx e o Zoo de Melbourne. O conselho suspendeu a Associação Japonesa de Zoos e Aquários (JAZA) após voto unânime. Em uma declaração disse: “A base para a suspensão é a determinação que a JAZA violou o código de ética e bem-estar animal da WAZA. Mais importante, o conselho da WAZA reafirmou sua posição onde membros devem confirmar a não aquisição dos golfinhos da pesca de Taiji”.

Os golfinhos são conduzidos para águas rasas e então esfaqueados até a morte ou escolhidos para exibição pública em aquários (U$ 125 mil por golfinho). Especialistas dizem que a prática é uma violação das próprias leis contra crueldade animal do Japão. A guarda costeira japonesa é frequentemente designada a proteger os doze barcos que estão tipicamente envolvidos na matança anual. Os animais então são enviados para locais como o Oriente Médio, Rússia, Coréia do Norte, China e Filipinas.

Mais de 18.000 golfinhos já foram mortos na baía de Taiji desde 2000, dizem os grupos de vigilância. A maioria é esquartejada no local pela carne (U$ 500 por golfinho), apesar da alta concentração de mercúrio encontrada na carne de golfinhos, que pode causar problemas neurológicos como deficiência motora e enxaqueca. Restaurantes ao redor do mundo vendem sashimi de golfinho e baleia, além de sopa de atum e barbatana de tubarão.

O jornal The New York Times reportou que a carne de golfinho “não é uma fonte de alimento vital: somente uma minoria de japoneses come baleias, e golfinhos é ainda menos comum…”. The Times também reportou os resultados dos testes feitos em carne de golfinho, onde “os níveis de mercúrio encontrados variavam de 10 a 100 partes por milhão, muito acima do nível aconselhado pelo governo japonês de 0,4 partes por milhão”.

Oficiais japoneses argumentaram que a matança anual é similar à de outros países onde animais são mortos por comida. Mas raramente a vaca viva é vendida por U$ 125.000 a cabeça.

“Estes golfinhos não pertencem ao Japão para roubar, eles são animais inocentes e migratórios, muitas vezes milhas e milhas no oceano que tiveram a má sorte de estarem nadando perto das águas japonesas”, disse Marnie McBryde, uma incorporadora de imóveis e antiga sócia da Spencer Stuart, uma empresa corporativa de busca imobiliária. Ela recrutou executivos corporativos para grandes empresas bem estabelecidas, e morou no Japão como representante comercial por dez anos.

Em janeiro de 2014, Caroline Kennedy, a embaixadora dos EUA no Japão, escreveu no Twitter: “Profundamente preocupada com as atrocidades humanas cometidas na matança dos golfinhos. O governo americano se opõe à essa caça”. Yoko Ono Lennon já mandou uma carta aberta para os pescadores de Taiji que lhes advertiu que eles “farão com que as crianças do mundo odeiem os japoneses”.

Os ativistas de conservação marinha do Sea Shepherd aplaudiram a suspensão da JAZA pelo seu “papel no terrível massacre de cetáceos selvagens no Taiji”, ressaltando em um comunicado: “Estes mamíferos marinhos altamente inteligentes, sencientes e socialmente complexos pertencem ao oceano, onde podem viver em seu ambiente natural e dentro de seus grupos familiares – não fazendo truques por comida em banheiras de concreto enquanto são submetidos à música alta e multidões barulhentas”.

Melissa Sehgal, do Sea Shepherd, que vêm monitorando a matança de golfinhos no Japão, disse ao Reuters: “Leva cerca de 20 a 30 minutos para esses golfinhos morrerem, onde eles sangram, sufocam ou se afogam durante o processo de serem arrastados ao matadouro”.

McBryde está tão preocupada com a matança de golfinhos no Japão, que no começo deste ano ela financiou um outdoor que apareceu no metrô de Long Island, fora do Queens Midtown Tunnel, que vai para fora de New York, onde dizia: “A vergonha do Japão: Parem de matar golfinhos”. McBryde disse: “Este massacre é impulsionado pela ganância”.

Foto: Fox Business

Fonte: http://www.olharanimal.org/trafico-caca-e-pesca/5549-caca-aos-golfinhos-no-japao-ameaca-as-olimpiadas

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