Cancelamento de tourada leva a demissão na Liga Portuguesa Contra o Cancro

A direção do núcleo regional dos Açores (NRA) da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) demitiu-se, depois de a direção nacional da liga cancelar um evento tauromáquico na ilha Terceira que se destinava a angariar fundos para o núcleo.

“Consideramos que a autoridade da direção do NRA foi posta em causa, comprometendo a sua imagem e posição junto da sociedade açoriana e mais particularmente junto dos terceirenses, que também não merecem que uma instituição com a reputação da LPCC se pronuncie sobre aquilo que são os seus valores culturais e tradições centenárias”, frisou Gonçalo Forjaz, presidente do núcleo, em comunicado.

A tourada, promovida pela Tertúlia Tauromáquica Terceirense (TTT) e pelos Forcados Amadores da TTT, foi anunciada em conferência de imprensa, mas, dias depois, a direção nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro mostrou-se contra o espetáculo na sua página de Facebook.

“A Direção Nacional da Liga Portuguesa Contra o Cancro é absolutamente contra a realização de touradas ou de espetáculos semelhantes e, de imediato, providenciou no sentido da anulação da iniciativa programada pelo Núcleo Regional dos Açores”, adiantou a liga, pedindo desculpas pela “insólita organização”, anunciada por “descuido, desatenção e profunda remodelação” do núcleo regional.

Espetáculo serviria para comparticipar bolsa de investigação

O espetáculo tauromáquico, que inicialmente se destinaria à comparticipação de uma bolsa de investigação na área da oncologia, vai realizar-se assim mesmo e os fundos angariados serão cedidos ao Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular do Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, que também se dedica à investigação científica na área oncológica.

Gonçalo Forjaz disse que o núcleo regional da LPCC decidiu desvincular-se da organização do evento “por respeito institucional”, mas lembrou que “não existe nos estatutos da LPCC nem em documentos emanados da Direção Nacional, qualquer impedimento à organização de touradas para angariação de fundos”, acrescentando que “as touradas em Portugal têm o seu devido enquadramento legal”.

“Em nosso entender, a LPCC deve abster-se de assumir uma posição sobre matérias que nada têm a ver com o seu fim último. Organizar uma tourada para fins de angariação de fundos não é, de todo, assumir uma posição sobre seja o que for. No caso em concreto, tratou-se simplesmente de ir ao encontro daquilo que de mais genuíno existe no povo terceirense: a paixão pela festa brava”, salientou.

O agora ex-presidente do núcleo regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro disse ainda que não foi consultado pela direção nacional aquando da publicação da posição da liga sobre a tourada no Facebook e que a direção regional não se revê no que foi escrito.

“O comunicado no Facebook, como aliás a maioria dos protestos endereçados à LPCC, transmitem a ideia de se estar a angariar dinheiro de forma, dir-se-ia, quase criminosa, fazendo dos cavaleiros, dos toureiros, dos forcados e, porque não, de todos os que ao espetáculo assistem ou a ele se associam, gente que não tem escrúpulos nem olha a meios para atingir fins”, frisou.

Segundo Gonçalo Forjaz, a organização de um espetáculo tauromáquico de beneficência inseria-se nas comemorações dos 50 anos do núcleo regional dos Açores da LPCC e foi aprovada em assembleia-geral.

A tourada, que se vai realizar no dia 29 de maio, na Praça da Toiros da Ilha Terceira, conta com a participação de cavaleiros e forcados regionais, bem como de toureiros portugueses e espanhóis, sendo um deles doente oncológico.

Fonte: SAPO


A Liga Portuguesa Contra o Cancro não podia compactuar com o angariar dinheiro, com um espectáculo de dor, de sofrimento, com um espectáculo de sangue. Não poderia compactuar com o angariar dinheiro com um espectáculo que tortura, física e psicologicamente seres sensíveis. Por isso, estou totalmente de acordo com a decisão da direcção da Liga Portuguesa Contra o Cancro e fui uma das pessoas que enviou um mail de protesto para a direcção da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Como se vê em alguns dos comentários do artigo, os Pró-tourada estão furiosos com a decisão da direcção da Liga Portuguesa contra o cancro. E aproposito da decisão que a direcção da Liga Portuguesa contra o cancro, tomou e bem, lá vem o cd riscado do costume. Lá vêm eles dizer que o touro nasceu para ser toureado; que o touro é para ser toureado; que o touro gosta de ser toureado; que touro com a abolição da tauromaquia, vai extinguir-se. E mais uma ver pergunto: estas alegações foram alguma vez provadas CIENTIFICA E ETICAMENTE? – Por isso eles que deixem de virem sempre com o mesmo cd riscado. Eles que deixem de ser os COBARDES que são, e aceitem debater connosco, CIENTIFICA E ETICAMENTE, a tauromaquia num qualquer programa de televisão. Mas não é para levarem para esse programa de televisão um qualquer Joaquim Grave. É para levarem um cientifico a sério. Um cientifico que cumpre o seu código deontológico, e que provará com provas ético-cientificas, que tenham sido publicadas numa revista cientifica que o touro nasceu para ser toureado; que o touro é para ser toureado; que o touro gosta de ser toureado; que touro com a abolição da tauromaquia, vai extinguir-se. Isto, porque não basta engolir um cd riscado. É preciso provar o que se alega, com provas ético-cientificas que tenham sido publicadas numa revista cientifica!

Mário Amorim

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