CAÇA À BALEIA NO JAPÃO: «Ó BÁRBAROS DO ANTIGO MAR!»

JAPÃO48406849_10156575927719713_57321439225331056

“Desabai sobre mim, como grandes muros pesados,

Ó bárbaros do antigo mar!

Rasgai-me e feri-me!

De leste a oeste do meu corpo

Riscai de sangue a minha carne!

Beijai com cutelos de bordo e açoites e raiva

O meu alegre terror carnal de vos pertencer.

A minha ânsia masoquista em me dar à vossa fúria,

Em ser objecto inerte e senciente da vossa omnívora crueldade,

Dominadores, senhores, imperadores, corcéis!

Ah, torturai-me,

Rasgai-me e abri-me!

Desfeito em pedaços conscientes

Entornai-me sobre os conveses,

Espalhai-me nos mares, deixai-me

Nas praias ávidas das ilhas!

Cevai sobre mim todo o meu misticismo de vós!

Cinzelai a sangue a minh’alma

Cortai, riscai!

Ó tatuadores da minha imaginação corpórea!

Esfoladores amados da minha carnal submissão!

Submetei-me como quem mata um cão a pontapés!

Fazei de mim o poço para o vosso desprezo de domínio!”

𝙊𝙙𝙚 𝙈𝙖𝙧𝙞́𝙩𝙞𝙢𝙖 de Álvaro de Campos

Fonte:

Fonte: Arco de Almedina

Anúncios