RETROCESSO “A Amazónia tem que ser explorada, não abro mão disso”, diz Bolsonaro

Mais uma vez, o presidente deixou claro que a política de seu governo não está voltada à preservação da floresta


O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a exploração da Amazónia, expondo mais uma vez seu desinteresse em proteger a riqueza natural da região.

Fonte: ANDA

Em Tóquio, no Japão, para onde viajou para participar de uma cerimonia de entronização do imperador Naruhito, Bolsonaro afirmou que não abre mão de explorar a floresta amazónica.

“A Amazónia interessa ao mundo todo, está aberta. Tem que ser explorada, é nossa a Amazónia, não abro mão disso. Tem mais de 20 milhões de pessoas que não podem ser tratadas como alguns países no mundo querem”, disse o presidente.

Ao ser questionado sobre as relações entre Brasil e Tóquio, o presidente reafirmou seu interesse em optar pela exploração ao invés da preservação da floresta. As informações são do jornal Valor Económico.

“O Brasil tem grande potencial. Temos nossa Amazónia, tem que ser explorada de forma racional, o livre comércio, restabelecer a confiança. Muitos investidores japoneses perderam fortunas com o governo do PT com roubalheira, com corrupção, e o trabalho nosso é restabelecer essa confiança”, concluiu.

‘No rodeio, o público se diverte às custas da dor de animais’, diz ex-locutor de rodeio Asa Branca

Asa Branca, que foi o maior locutor de rodeios do Brasil, concedeu entrevista por meio da qual assumiu os maus-tratos aos quais submeteu animais explorados por rodeios e disse estar arrependido.

“No rodeio, o público se diverte às custas da dor de animais”, disse o ex-locutor à revista Veja.

Aos 57 anos de idade e com a saúde bastante debilitada, Asa Branca acredita que está sofrendo com um câncer terminal na garganta para pagar pelo sofrimento que impôs aos animais.

“Eu peço perdão a Deus, porque eu cheguei a machucar animal, cheguei a cortar animal”, disse Asa Branca. “Eu não queria ser um bezerro laçado e puxado pelo pescoço, eu acho que é maus-tratos”, afirmou.

O ex-locutor contou que feriu animais com esporas, que jogou pneus com arame farpado em cavalos para ensina-los a pular e que, ao se tornar locutor, incentivou práticas cruéis, como choques dados na pele dos animais.

Sem esperança de cura, Asa Branca está recebendo cuidados paliativos.

Confira, abaixo, a entrevista de Asa Branca, na companhia da activista Luísa Mell.

Fonte: Anda

CONTRA O RETROCESSO Ambientalistas e comerciantes criticam ideia de Bolsonaro de transformar área protegida em “Cancún brasileira”

Ambientalistas e comerciantes da cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, decidiram se mobilizar contra a proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, conhecida como Esec Tamoios, em uma “Cancún brasileira” para explorá-la através do turismo.


A estação é formada por ilhas, ilhotas, lajes e rochedos

Formada por 29 ilhas e um raio de 1 km de mar ao redor de cada uma, na baía de Ilha Grande, ao longo de Angra dos Reis e de Paraty, no Rio de Janeiro, a estação é considerada única devido ao mar pontilhado, com ilhas, ilhotas, lajes e rochedos. Actualmente, o local é uma unidade de conservação e, por isso, a pesca, o desembarque e o mergulho são proibidos. As informações são do portal G1.

A área preservada corresponde a apenas 5% da baía de Ilha Grande, os outros 95% podem ser aproveitados e habitados. Por essa razão, biólogos que estudam a região afirmam que a Esec Tamoios não impede o turismo. Ainda assim, o presidente tem a pretensão de transformar a estação em local turístico, o que preocupa ambientalistas, comerciantes e pessoas sensíveis à causa ambiental.

“Acabar com a Esec pra incentivar o turismo, na verdade, é você acabar com o turismo. O turismo existe na baía da Ilha Grande justamente porque existem esses paraísos ecológicos preservados. Ninguém vem aqui para ficar vendo uma área totalmente degradada”, explicou o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto-Cinza.

Apostar no turismo na estação é, também, preocupante do ponto de vista da proteção a espécies de animais. Isso porque o local é responsável pela preservação de mais de 10 espécies ameaçadas de extinção. Os botos-cinza, por exemplo, correm sério risco de desaparecer caso a proteção ambiental da estação seja retirada.

A região é chamada de santuário, porque não é permitido nenhum tipo de exploração, explicou o professor de direito ambiental da PUC-Rio, Fernando Walcacer.

“Qualquer atividade que possa prejudicar a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas nessas unidades é um atentado contra direitos de gerações futuras que a constituição brasileira protege”, disse Fernando.

Pequenos comerciantes e proprietários de pousadas da região também são contra a proposta de Bolsonaro. “A gente teria mais embarcações andando por ali, então é óleo no mar, é arrasto de fundo de baía. Isso tudo traz uma parte negativa”, justificou Cagério de Souza, dono de pousada. “Tem que ser preservado o máximo possível, porque a gente depende do turismo, né?”, disse Luis Alberto das Neve, proprietário de um restaurante.

Retirar a proteção da estação seria um grande retrocesso. Com ela, a região já sofre ameaças. Sem, estaria fadada à degradação. Em Angra dos Reis, o Ministério Público Federal ajuizou uma acção pública contra o sucateamento da estação ecológica. De acordo com o procurador da República Igor Miranda da Silva, actualmente os escritórios do Ibama e também da Esec Tamoios estão praticamente fechados no local.

Nenhum dos dois órgãos, ainda segundo o MP, tem barcos em funcionamento para realizar a fiscalização da área. Quando as fiscalizações eram frequentes, o próprio atual presidente, na época ainda deputado, foi multado por pescar numa área proibida ao redor da Ilha Samambaia, em 2012. A multa nunca foi paga e, após a eleição de Bolsonaro, foi anulada. Além disso, a pedido do presidente, o fiscal José Augusto Morelli, responsável por aplicar a multa, foi exonerado em março deste ano. A conduta das autoridades envolvidas nesse episódio é investigada pelo Ministério Público Federal.

Por duas vezes, em visitas ao Rio de Janeiro, Bolsonaro criticou a existência da estação ecológica. “A situação ecológica de Tamoios está demais. Não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica que pode trazer bilhões de reais por ano do turismo fique parada por falta de uma visão mais objectiva, mais progressista nessa questão. Ou seja, o meio ambiente e o progresso podem casar, sim, e permanecer juntos para o bem da nossa população. A Baía de Angra pode ter, com certeza, brevemente, se Deus quiser, uma Cancún aqui no Brasil”, disse o presidente. As declarações do presidente sobre a estação não preservar “absolutamente nada” são rebatidas por ambientalistas, que reforçam que espécies de animais e plantas dependem da protecção da estação para que sobrevivam.