BRASIL Desmatamento aumenta enquanto a Amazónia entra em época de seca e queimadas

O desmatamento na Amazónia brasileira subiu pelo décimo quinto mês, atingindo níveis não registados desde meados do ano 2000, de acordo com o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

Imagem do Rio Guaporé, na Amazônia

O sistema de alerta de desmatamento do INPE detectou 1.034 km quadrados de novas clareiras em Junho de 2020, totalizando 9.564 km quadrados de redução de matas nos últimos 12 meses, o que representa um aumento de 89% desde 2019.

A extensão do desmatamento no último ano é o maior registado desde que o INPE começou a liberar números mensais em 2007.

A taxa de desmatamento anual aumentou 96% desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, em Janeiro de 2019.

Sob pressão das grandes empresas e da União Europeia o governo decretou, na última semana, uma proibição de 120 dias das queimadas na Amazônia. Tropas do exército foram enviadas à região com o objectivo de conter o fogo. No entanto, os incêndios já estão em andamento – mesmo sendo o início da temporada de seca -, de acordo com a análise das informações de satélite do projecto de Monitoramento da Amazónia Andina (MAAP).

O MAAP descobriu que houve 14 incêndios de grandes proporções na Amazónia desde o início desse ano até o dia 2 de Julho. A análise dos dados exclui áreas de pastagens e matagais, o que nos fornece somente informações sobre queimadas em áreas de floresta.

O desmatamento vem aumentando no Brasil desde 2012, mas os índices aceleraram dramaticamente nos últimos 18 meses, enquanto o governo Bolsonaro relaxou leis de protecção, desmembrou áreas de conservação ambiental e de protecção à terras indígenas, promoveu a mineração e a conversão de áreas de floresta em áreas para indústria e tentou promulgar políticas de enfraquecimento às leis de protecção ambiental na região.

Cientistas alertaram que a floresta amazónica pode estar se aproximando de um ponto crucial de transição para um clima seco, muito similar ao ecossistema da savana africana. Tal transição poderá gerar impactos significativos e permanentes nos padrões de chuvas locais e regionais, desencadeando a liberação de uma quantidade incrível de carbono na atmosfera.

Fonte: ANDA

Entidades denunciam genocídio indígena no Brasil durante a pandemia

Especialistas e representantes de entidades de defesa dos direitos indígenas afirmaram, numa audiência virtual, na quarta-feira, realizada pela câmara baixa do Congresso brasileiro que a pandemia tem causado um genocídio indígena no país.
Entidades denunciam genocídio indígena no Brasil durante a pandemia

 

“Quando falo genocídio, não é exagero dizer que nós estamos [a ver] um genocídio em curso. O nosso povo está a morrer, e o Estado brasileiro continua a fazer de conta que está atendendo”, afirmou a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sônia Guajajara, na audiência virtual.

De acordo com o portal de notícias G1, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, que participavam na audiência, contestaram o termo “genocídio” usado pela líder indígena e por outros defensores dos direitos dos povos originários brasileiros.

“Dizer que o Governo federal não trabalhou, dizendo que não se fez nada, que o indígena está abandonado, que é genocídio, com os números que estão sendo apresentados, eu preciso discordar”, afirmou o secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde brasileiro, Robson Santos da Silva.

“Eu gostaria de refutar a palavra extermínio, genocídio. Estou aqui para promover saúde. Não sou criminoso de guerra. Não vejo isso por parte do governo”, sublinhou.

Além de avaliar que a pandemia está a causar o efeito de um genocídio, a Apib informou que já contabilizou 501 mortes de indígenas infectados pela covid-19.

Já o Governo brasileiro contabilizou 216 óbitos causados pela doença entre os indígenas do país.

Na semana passada, o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, vetou a obrigação de o Governo fornecer água, material de higiene e camas hospitalares aos indígenas e descendentes de africanos que vivem em comunidades tradicionais, chamados no país de quilombolas, ao sancionar uma lei aprovada no Congresso para proteger estas populações na pandemia.

Pontos que previam a libertação de recursos extraordinários para dar prioridade à saúde indígena e quilombola, e a facilidade de acesso a auxílios estatais de 600 reais (cerca de 100 euros) também foram vetados.

Para justificar os vetos, o Presidente brasileiro argumentou que as medidas planeadas e aprovadas pelo Congresso iam criar despesas obrigatórias sem demonstrar qual o impacto orçamental e financeiro, o que seria inconstitucional.

No mesmo dia em que Bolsonaro veto o projeto de proteção dos povos originários na pandemia, o juiz Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o país adopte cinco medidas para proteger as comunidades indígenas.

Barroso determinou a instalação de uma sala de situação para a gestão de ações de combate à pandemia entre povos indígenas em isolamento ou contacto recente, a elaboração de um plano com criação de barreiras sanitárias em terras indígenas e de um plano de resposta à covid-19 para os povos indígenas brasileiros.

O juiz também obrigou o Governo a estabelecer medidas de contenção e isolamento de invasores em relação a terras indígenas e, por fim, a garantir que indígenas em aldeias tenham acesso à saúde, independente da homologação das terras ou reservas indígenas.

A decisão respondeu a um pedido da Apib e de seis partidos de oposição ao Governo.

O Brasil é o país lusófono mais afectado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infectados e de mortos, com mais de 1,96 milhões de casos e 75.366 óbitos, depois dos Estados Unidos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 579 mil mortos e infectou mais de 13,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em Fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Fonte: SAPO24

Ontem! GOVERNO DO RETROCESSO Dia do Meio Ambiente: o que restará da natureza nas mãos de Bolsonaro?

O desmonte ambiental promovido por Bolsonaro e seus aliados é a prova de que a preservação da natureza não depende apenas de acções individuais, mas também de escolhas políticas conscientes diante da urna eleitoral

Bolsonaro prometeu e cumpriu. No período eleitoral, ao dizer, entre outras frases, que existia uma fábrica de multas ambientais no Brasil, expôs seu interesse em destruir a natureza. E durante seu governo não esqueceu um só dia do que prometeu.

Neste 5 de Junho, Dia Mundial do Meio ambiente, instituído em 1974 pela Organização das Nações Unidas (ONU), fica a reflexão sobre a responsabilidade do voto de cada eleitor e a certeza de que ações individuais no combate à destruição da natureza são essenciais, mas sozinhas não são capazes de frear crimes ambientais, especialmente quando se tem no poder um político que banaliza esses crimes e os incentiva ao defender o desenvolvimento económico a qualquer custo.

Dentre os retrocessos do governo federal, está a ação decorrente da tal “fábrica de multas imaginária” de Bolsonaro. Embora exista apenas na cabeça do presidente um esquema para multar indevidamente criminosos ambientais, acções foram tomadas pelo político de extrema-direita contra esse cenário criado por ele, começando pela implementação, em Abril de 2019, de um órgão para perdoar multas ambientais. Nunca existiram, no entanto, multas indevidas. O que existe, e Bolsonaro sabe disso, são punições acertadas contra crimes ambientais. O presidente, porém, é contrário ao combate a desmatadores porque escolheu um lado: o do agronegócio, que destrói a natureza em nome do lucro.

E o perdão a multas ambientais já surtiu efeito. Conforme denunciado pela Human Rights Watch, organização internacional de direitos humanos, as medidas adotadas pelo governo levaram, na prática, à suspensão das multas aplicadas por desmatamento ilegal na Amazónia.

De acordo com a ONG, desde outubro de 2019 os agentes do Ibama estariam aplicando as multas e notificando o infractor sobre uma audiência de conciliação para revisão dos valores – medida adoptada por iniciativa de Bolsonaro graças ao órgão criado para perdoar multas ambientais. Com isso, os autos de infracção ficariam suspensos até a audiência ser realizada. No entanto, essas audiências não estão acontecendo, pelo menos não na frequência que deveriam ocorrer. Isso porque apenas cinco audiências foram feitas de Outubro de 2019 até Abril de 2020, segundo a entidade.

As provas de que essa táctica do presidente de beneficiar a agropecuária em detrimento do meio ambiente tem funcionado são os dados oficiais sobre o desmatamento. Bolsonaro colecciona recordes. No entanto, eles não são nada positivos. Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazónia (Imazon), divulgados em maio, revelaram um aumento no desmatamento da Floresta Amazónica. Em abril deste ano, a área desmatada superou o que foi registado nos últimos 10 anos. Foram 529 quilómetros quadrados destruídos.

Estudos também expõem o desmonte ambiental deste governo. Um deles, de autoria da MapBiomas, mostra que o país perdeu cerca de 12.000 km² de floresta no último ano. A outra pesquisa, feita pela Fundação SOS Mata Atlântica, sinalizou o aumento de 27% na destruição de florestas tropicais no leste do Brasil.


Queimadas na Amazónia aumentaram durante governo Bolsonaro

Os dados mostram, inclusive, que além da Amazônia, a Mata Atlântica não ficou livre da ação desastrosa do presidente. Entre 2018 e 2019, período da ascensão do governo Bolsonaro, foram desmatados 14.502 hectares da floresta, um crescimento de 27,2% em comparação ao período anterior. Os dados são do Atlas da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicado em maio de 2020.

Não bastasse o desmatamento registrado na Mata Atlântica, o ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, publicou em Abril um ato administrativo que anistia os desmatadores da floresta. A acção do ministro levou o Ministério Público Federal (MPF) a pedir ao Ibama que desconsidere a decisão de Salles e proteja a Mata Atlântica. O MPF entende que as instituições devem manter as interdições, autos de infracção e outras sanções aplicadas aos proprietários rurais que ocuparem de maneira ilegal e degradarem o bioma.

Mas a postura destrutiva de Salles em relação à natureza – o que revela uma triste ironia, já que ele deveria proteger as riquezas naturais devido ao seu cargo – não se restringe ao ato administrativo condenado pelo MPF. Isso porque, em 14 de abril, o ministro assinou a exoneração do diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Olivaldi Azevedo, logo após o Ibama realizar uma megaoperação contra madeireiros e garimpeiros que, ilegalmente, estão avançando contra terras indígenas no Pará, devastando a natureza e colocando em risco a vida dos indígenas.

Dias depois, na madrugada de 30 de Abril, duas semanas após coordenarem a mesma operação na qual Olivaldi esteve envolvido, dois chefes do sector do Ibama responsável por executar grandes operações de repressão a crimes ambientais no Brasil foram exonerados pelo ministro do Meio Ambiente e pelo presidente do Ibama, Eduardo Bim. Elogiados pelo trabalho que realizavam em prol da natureza, os servidores concursados Renê Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização ambiental, e Hugo Ferreira Netto Loss, coordenador de operações de fiscalização, foram exonerados após executarem as ações em prol dos indígenas – povo que defende de maneira ferrenha os recursos naturais e é alvo do desprezo de Jair Bolsonaro, que afirmou repetidas vezes, durante o período eleitoral, que os indígenas não teriam, durante seu governo, direito sequer a 1 cm de terra demarcada. Os ataques renderam péssimos e esperados frutos: a morte de indígenas atacados por pecuaristas, garimpeiros e madeireiros.

Queimada na floresta amazónica na cidade de Boca do Acre

No caso do servidor Renê Luiz de Oliveira, a exoneração foi seguida da nomeação para o cargo do coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo Walter Mendes Magalhães Júnior, que já pertencia ao Ibama desde o ano passado. A prática de colocar militares em órgãos ambientais é constante no governo Bolsonaro. O aparelhamento tem razão de ser: militares são conhecidos por desprezar a preservação ambiental desde à época da Ditadura Militar e, portanto, se alinham à política anti-natureza do presidente do Brasil, que, inclusive, submeteu ações do Ibama e ICMBio na Amazônia ao comando de militares, retirando a autonomia dos órgãos.

São muitas as medidas contrárias ao meio ambiente promovidas pelo político autoritário e antidemocrático que comanda a presidência do Brasil, e também por seus ministros e aliados. Bolsonaro, que já afirmou que políticas ambientais prejudicaram o crescimento do país, revogou decreto que protegia a Amazónia e proibia a expansão da cana-de-açúcar na floresta, e apresentou projecto de lei, de sua autoria, que pretende autorizar a exploração de terras indígenas por meio da construção de hidroeléctricas, prospecção de petróleo e gás, agricultura, pecuária, mineração, extrativismo e turismo.

Além disso, em reunião ministerial realizada em 22 de Abril, o ministro de Meio Ambiente afirmou que a pandemia de coronavírus estava tomando a atenção da imprensa e que, por isso, isso seria uma “oportunidade” para “ir passando a boiada e mudando todo o regramento e simplificando normas [ambientais] (…) de baciada”. Numa declaração que deixa claro seu interesse de levar adiante sua agenda desenvolvimentista pautada na destruição da natureza, Salles afirmou que este momento vivido pelo país é uma “oportunidade que nós temos, que a imprensa (…) está nos dando um pouco de alívio nos outros temas (…) e passar as reformas infralegais de desregulamentação”.

Uma única reportagem publicada pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), no entanto, é insuficiente para citar todos os retrocessos do governo no que se refere à agenda ambiental.

Antes mesmo das eleições, ativistas, ambientalistas, políticos e instituições fizeram alertas sobre o risco que Bolsonaro representava para o meio ambiente e, por consequência, para os animais. Não foram ouvidos. Hoje, após a “tragédia anunciada” que se tornou o governo de Jair Messias Bolsonaro, não faltam críticas muito bem fundamentadas contra a agenda ambiental inexistente do governo federal. E apesar de um número maior de pessoas ter passado a considerar tais críticas, muitos ainda não entendem que não se trata apenas de Bolsonaro, mas sim de qualquer político que coloque os interesses de um pequeno grupo detentor de dinheiro e poder na sociedade acima da preservação ambiental.

Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, fica o pedido de socorro feito pela natureza, que implora por mais consciência por parte da humanidade em todos os momentos, inclusive diante da urna eleitoral.

Fonte: ANDA

Brasil DESSERVIÇO Ministro da Cidadania é autor de projecto em defesa da caça

Por meio do PL 7136/2010, Lorenzoni defende a transferência aos municípios do poder de autorização da caça


Em 2019, Onyx Lorenzoni entrou com pedido de desarquivamento do PL que completa dez anos em 2020

O actual ministro da Cidadania e deputado federal licenciado Onyx Lorenzoni é o autor de um projecto de lei que defende a transferência aos municípios do poder de autorização da caça. Vale lembrar que essa prerrogativa hoje é do governo federal, de acordo com a Lei de Protecção à Fauna (5.197/67)

O PL 7136/2010 é defendido por Lorenzoni há quase dez anos. Em 2019, ele entrou com um pedido de desarquivamento da proposta, o que pode ser conferido no site da câmara dos Deputados.

Intenção é alterar lei de protecção à fauna

A intenção de Lorenzoni é alterar a Lei nº 5.197, que dispõe sobre a protecção à fauna. Em sua justificativa, o deputado licenciado e actual ministro da Cidadania diz que se as peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, “como superpopulação de animais, danos ao meio ambiente, ataques a seres humanos, transmissão de doenças e ataques a lavouras comerciais e de subsistência, a permissão será estabelecida em ato regulamentar pelo poder público municipal”.

Onyx Lorenzoni também sustenta que a actual Lei de Protecção à Fauna “apresenta restrições que outrora eram justificáveis, contudo, com os avanços obtidos na gestão dos recursos naturais, no manejo sustentável da biodiversidade, e na consciência ecológica, a lei apresenta traços de senilidade.”

O argumento de avanços no manejo sustentável da biodiversidade não se justifica, já que em 2019 o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) publicou nova edição do Livro Vermelho da Fauna apontando que, em comparação à edição anterior, houve aumento de 716 espécies ameaçadas no Brasil.

Defesa do projecto é incompatível com a realidade

Ex-relator do PL na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), o ex-deputado federal Ricardo Trípoli já havia rejeitado o PL 7136/2010 sob a justificativa de que para os municípios decidirem, tecnicamente, sobre manejo de fauna, seria necessário, além de mudar a lei, que todas as prefeituras tivessem pessoal capacitado para lidar com essa realidade.

Trípoli declarou ainda que somente 20% dos municípios brasileiros possuem secretaria de meio ambiente e muitos contam com outras secretarias que acumulam atribuições ambientais. Nesse caso, acções mal planeadas poderiam culminar em um desequilíbrio ainda maior envolvendo espécies exóticas e fauna nativa.

“Não é de se esperar que cada uma dessas secretarias disponha de biólogos para avaliar a necessidade e as recomendações de manejo de fauna silvestre, e a partir disso, regulamentar a caça. Consideramos, portanto, que não há necessidade de alterar a Lei 5.197/1967 para permitir o controle de espécies nocivas, como propõe o autor da proposição, e que seria inviável, para a maioria dos municípios, executar a gestão de fauna”, observa.

PL motivaria caça de animais da fauna nativa

O ex-relator destaca também que a proposta traz exemplos do que seria admissível, o que gera dúvidas sobre aquilo que não se enquadra de forma explícita. “Ou, por outro lado, gera a expectativa de, numa leitura literal da lei, obrigar-se o controle de qualquer espécie que possa transmitir doenças ou consumir lavouras, a critério do município. Isso abrangeria quase toda a fauna”, conclui Trípoli.

Embora a Câmara tenha mais seis projectos em defesa da caça, o Ibama tem permitido a captura e abate das chamadas “espécies exóticas ou nocivas” desde 2013 por meio do PAN Javali. Além disso, em 25 de Março de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou uma Instrução Normativa que permite o uso de cães e armas brancas nas caçadas – medida que atraiu e ainda atrai muita polémica e oposição por sua consideração como ato de crueldade, além de expor cães a situações de violência e risco de morte.

Fonte: ANDA

RETROCESSO “A Amazónia tem que ser explorada, não abro mão disso”, diz Bolsonaro

Mais uma vez, o presidente deixou claro que a política de seu governo não está voltada à preservação da floresta


O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a exploração da Amazónia, expondo mais uma vez seu desinteresse em proteger a riqueza natural da região.

Fonte: ANDA

Em Tóquio, no Japão, para onde viajou para participar de uma cerimonia de entronização do imperador Naruhito, Bolsonaro afirmou que não abre mão de explorar a floresta amazónica.

“A Amazónia interessa ao mundo todo, está aberta. Tem que ser explorada, é nossa a Amazónia, não abro mão disso. Tem mais de 20 milhões de pessoas que não podem ser tratadas como alguns países no mundo querem”, disse o presidente.

Ao ser questionado sobre as relações entre Brasil e Tóquio, o presidente reafirmou seu interesse em optar pela exploração ao invés da preservação da floresta. As informações são do jornal Valor Económico.

“O Brasil tem grande potencial. Temos nossa Amazónia, tem que ser explorada de forma racional, o livre comércio, restabelecer a confiança. Muitos investidores japoneses perderam fortunas com o governo do PT com roubalheira, com corrupção, e o trabalho nosso é restabelecer essa confiança”, concluiu.

‘No rodeio, o público se diverte às custas da dor de animais’, diz ex-locutor de rodeio Asa Branca

Asa Branca, que foi o maior locutor de rodeios do Brasil, concedeu entrevista por meio da qual assumiu os maus-tratos aos quais submeteu animais explorados por rodeios e disse estar arrependido.

“No rodeio, o público se diverte às custas da dor de animais”, disse o ex-locutor à revista Veja.

Aos 57 anos de idade e com a saúde bastante debilitada, Asa Branca acredita que está sofrendo com um câncer terminal na garganta para pagar pelo sofrimento que impôs aos animais.

“Eu peço perdão a Deus, porque eu cheguei a machucar animal, cheguei a cortar animal”, disse Asa Branca. “Eu não queria ser um bezerro laçado e puxado pelo pescoço, eu acho que é maus-tratos”, afirmou.

O ex-locutor contou que feriu animais com esporas, que jogou pneus com arame farpado em cavalos para ensina-los a pular e que, ao se tornar locutor, incentivou práticas cruéis, como choques dados na pele dos animais.

Sem esperança de cura, Asa Branca está recebendo cuidados paliativos.

Confira, abaixo, a entrevista de Asa Branca, na companhia da activista Luísa Mell.

Fonte: Anda

CONTRA O RETROCESSO Ambientalistas e comerciantes criticam ideia de Bolsonaro de transformar área protegida em “Cancún brasileira”

Ambientalistas e comerciantes da cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, decidiram se mobilizar contra a proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, conhecida como Esec Tamoios, em uma “Cancún brasileira” para explorá-la através do turismo.


A estação é formada por ilhas, ilhotas, lajes e rochedos

Formada por 29 ilhas e um raio de 1 km de mar ao redor de cada uma, na baía de Ilha Grande, ao longo de Angra dos Reis e de Paraty, no Rio de Janeiro, a estação é considerada única devido ao mar pontilhado, com ilhas, ilhotas, lajes e rochedos. Actualmente, o local é uma unidade de conservação e, por isso, a pesca, o desembarque e o mergulho são proibidos. As informações são do portal G1.

A área preservada corresponde a apenas 5% da baía de Ilha Grande, os outros 95% podem ser aproveitados e habitados. Por essa razão, biólogos que estudam a região afirmam que a Esec Tamoios não impede o turismo. Ainda assim, o presidente tem a pretensão de transformar a estação em local turístico, o que preocupa ambientalistas, comerciantes e pessoas sensíveis à causa ambiental.

“Acabar com a Esec pra incentivar o turismo, na verdade, é você acabar com o turismo. O turismo existe na baía da Ilha Grande justamente porque existem esses paraísos ecológicos preservados. Ninguém vem aqui para ficar vendo uma área totalmente degradada”, explicou o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto-Cinza.

Apostar no turismo na estação é, também, preocupante do ponto de vista da proteção a espécies de animais. Isso porque o local é responsável pela preservação de mais de 10 espécies ameaçadas de extinção. Os botos-cinza, por exemplo, correm sério risco de desaparecer caso a proteção ambiental da estação seja retirada.

A região é chamada de santuário, porque não é permitido nenhum tipo de exploração, explicou o professor de direito ambiental da PUC-Rio, Fernando Walcacer.

“Qualquer atividade que possa prejudicar a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas nessas unidades é um atentado contra direitos de gerações futuras que a constituição brasileira protege”, disse Fernando.

Pequenos comerciantes e proprietários de pousadas da região também são contra a proposta de Bolsonaro. “A gente teria mais embarcações andando por ali, então é óleo no mar, é arrasto de fundo de baía. Isso tudo traz uma parte negativa”, justificou Cagério de Souza, dono de pousada. “Tem que ser preservado o máximo possível, porque a gente depende do turismo, né?”, disse Luis Alberto das Neve, proprietário de um restaurante.

Retirar a proteção da estação seria um grande retrocesso. Com ela, a região já sofre ameaças. Sem, estaria fadada à degradação. Em Angra dos Reis, o Ministério Público Federal ajuizou uma acção pública contra o sucateamento da estação ecológica. De acordo com o procurador da República Igor Miranda da Silva, actualmente os escritórios do Ibama e também da Esec Tamoios estão praticamente fechados no local.

Nenhum dos dois órgãos, ainda segundo o MP, tem barcos em funcionamento para realizar a fiscalização da área. Quando as fiscalizações eram frequentes, o próprio atual presidente, na época ainda deputado, foi multado por pescar numa área proibida ao redor da Ilha Samambaia, em 2012. A multa nunca foi paga e, após a eleição de Bolsonaro, foi anulada. Além disso, a pedido do presidente, o fiscal José Augusto Morelli, responsável por aplicar a multa, foi exonerado em março deste ano. A conduta das autoridades envolvidas nesse episódio é investigada pelo Ministério Público Federal.

Por duas vezes, em visitas ao Rio de Janeiro, Bolsonaro criticou a existência da estação ecológica. “A situação ecológica de Tamoios está demais. Não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica que pode trazer bilhões de reais por ano do turismo fique parada por falta de uma visão mais objectiva, mais progressista nessa questão. Ou seja, o meio ambiente e o progresso podem casar, sim, e permanecer juntos para o bem da nossa população. A Baía de Angra pode ter, com certeza, brevemente, se Deus quiser, uma Cancún aqui no Brasil”, disse o presidente. As declarações do presidente sobre a estação não preservar “absolutamente nada” são rebatidas por ambientalistas, que reforçam que espécies de animais e plantas dependem da protecção da estação para que sobrevivam.