ALERTA Pesquisadores esperam mudança dramática no Árctico como consequência da crise climática

Menos gelo marinho, derretimento de neve e aumento de gases de efeito estufa são alguns dos efeitos já observados


Morsa em pequena plataforma de gelo mostra o desastre ambiental que o planeta enfrenta.

O século XXI será marcado por catástrofes produzidas pelas pessoas. O primeiro sinal de desordem tem surgido no Árctico, que está esquentando de uma forma mais rápida que o resto do mundo. Especialistas analisaram as temperaturas da água, níveis de gelo do mar e padrões de vida selvagem da plataforma marinha de Bering e Chukchi, localizada entre o Alasca e a Rússia, e concluíram que haverá uma mudança drástica, colocando em risco espécies marinhas e terrestres.

O estudo constatou que o aquecimento do Árctico tem resultado em menos gelo marinho, derretimento precoce da neve e derretimento do “permafrost” que libera gases do efeito estufa. Essa análise, focada entre os anos de 2017 e 2019, mostra que está por vir uma “mudança repentina e dramática” com consequências irreversíveis.

Devido a essas mudanças ambientais, as focas não estão se reproduzindo nas áreas de costume e outros animais marinhos estão morrendo em grande número. Henry Huntington, principal autor do estudo, disse ao site Daily Mail: “A taxa de mudança no período do estudo foi chocante. Ter uma equipe com a experiência necessária para reunir as peças em todo o ecossistema, simplesmente mostra como as mudanças são profundas e o quanto elas importam”.

A equipe descobriu que o recuo do gelo da primavera tem ocorrido mais cedo do que o normal nos últimos anos. E a falta de gelo e temperaturas quentes começaram a afectar drasticamente a vida selvagem que vive na região. O número de aves marinhas, por exemplo, diminuiu de 2017 a 2019.

“O que acontece nos mares do norte de Bering e Chukchi pode ser uma antecipação do que pode ser esperado em outros lugares e oceanos do mundo nos próximos anos e décadas”, afirmou Huntington.

O pesquisador da Universidade do Alasca Fairbanks, Seth Danielson, que também participou do estudo, descreveu as mudanças como um alerta: “Muitas vezes, quando reorganizações ecológicas significativas acontecem, só podemos tentar juntar a história depois do facto. Nesse caso, tivemos a oportunidade incomum de conhecer as mudanças enquanto elas estavam acontecendo, para podermos documentar propositadamente o processo à medida que ele se desenrolava”.

Fonte: ANDA

À procura de petróleo. Trump abre área protegida no Árctico para perfurar

A Liga para a protecção da vida selvagem no Alasca garantiu que a notícia não é surpresa para ninguém mas que “a administração escolheu a alternativa mais agressiva de leasing, sem fingir que é para protecção ou restrição”.

A administração de Donald Trump está a finalizar planos que permitem que perfuração de petróleo e gás numa porção protegida há várias décadas no Refúgio de Vida Selvagem no Árctico, avança o jornal britânico ‘The Guardian’, esta sexta-feira.

A publicação avança que o departamento de gestão do território vai oferecer arrendamentos numa zona de planície costeira com 6.475 metros quadrados. Sabe-se que esta zona que o departamento está disposta a arrendar tem habitação de ursos polares ou as renas Porcupine Caribou vão para perder o seu pelo invernoso.

Teme-se que a decisão de Trump possa colocar o reino animal em perigo ou colocar as populações indígenas em risco de dependência, uma vez que as perfurações podem afectar a caça e pesca de subsistência que estas populações precisam para sobreviver.

A Liga para a protecção da vida selvagem no Alasca garantiu que a notícia não é surpresa para ninguém mas que “a administração escolheu a alternativa mais agressiva de leasing, sem fingir que é para protecção ou restrição”.

A área ambiental sensível do Árctico do Alasca tinha sido proibida de perfurar até uma alteração do Congresso norte-americano, numa lei tributária que data de 2017, que à qual a liga de protecção da vida selvagem chamou de “simulação de votação”.

A agência de gestão de território estima que o petróleo extraído e queimado da área do Árctico possa colocar o equivalente a entre 700 mil e cinco milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono na atmosfera a cada ano. Este valor é o equivalente a um milhão de carros a mais na estrada, por ano.

Estima-se que, desde 2017, a indústria de perfuração petrolífera detém um produto interno bruto mundial entre 75 biliões e 87,5 biliões de dólares (68 biliões e 79 biliões de euros).

Diversos cientistas globais concluíram que as acções humanas, com especial foco na queima de combustíveis fósseis, são o principal factor do aumento de um grau Celsius observados desde o início da industrialização.

Fonte: Jornal Económico