AQUECIMENTO GLOBAL Estudo revela o impacto das mudanças climáticas nos pinguins da Antárctica

Uma nova pesquisa revela como os pinguins estão lidando com mais de um século de impactos humanos na Antártica e porque algumas espécies são vencedoras ou perdedoras neste ecossistema em rápida mudança

Pinguim da espécie gentoo salta de um bloco de gelo no porto de Mikkelsen, na Península Antártica. | Foto: Kelton McMahon

Os pinguins antárcticos estão entre os animais mais atingidos pelas mudanças climáticas, sofrendo grandes transformações em seu habitat natural à medida que as temperaturas e a actividade humana na região aumentam. Uma nova pesquisa revela como os pinguins estão lidando com mais de um século de impactos humanos na Antárctica e porque algumas espécies são vencedoras ou perdedoras neste ecossistema em rápida mudança.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade Estadual da Louisiana, Universidade de Rhode Island, Universidade da Califórnia de Santa Cruz e Universidade de Saskatchewan estudaram populações de pinguins com o objectivo de entender como a interferência humana nos ecossistemas antárctico, durante o último século, levou a explosões e interrupções na disponibilidade de uma importante fonte de alimento para os pinguins: o krill antárctico.

“O krill antárctico é um crustáceo semelhante ao camarão, que é uma importante fonte de alimento para pinguins, focas e baleias. Quando as populações de focas e baleias diminuíram devido à caça, acredita-se que isso tenha causado um excedente de krill durante o início até meados de 1900. Em tempos mais recentes, acredita-se que os efeitos combinados da pesca comercial de krill, mudança climática antropogênica e recuperação de populações de focas e baleias tenham diminuído drasticamente a abundância de krill”, diz Michael Polito, coautor principal do estudo e professor assistente no Departamento de Oceanografia e Ciências Costeiras da Universidade Estadual da Louisiana.

Neste estudo, a equipe se concentrou nas dietas dos pingüins das espécies chinstrap (Pygoscelis antarcticus) e gentoo (Pygoscelis papua), analisando os valores isotópicos estáveis de nitrogênio dos aminoácidos, que atuam como um sinal químico do que o pinguim comeu, nas penas de pinguim coletadas durante explorações da Península Antártica durante o século passado. Os resultados foram publicados em 4 de dezembro no periódico Anais da Academia Nacional de Ciências.

“Dado que os pingüins gentoo são comumente vistos como vencedores da mudança climática e pinguins chinstrap como perdedores sob o mesmo ponto de vista, queríamos investigar como as diferenças em suas dietas podem permitir que uma espécie lide com uma mudança na oferta de alimentos enquanto a outra não”, disse Tom. Hart, coautor e penguinologista do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford. “Queríamos entender por que os pinguins chinstrap tiveram um declínio populacional grave, enquanto as populações de pinguins gentoo aumentaram na Península Antártica no último meio século”.

A equipe descobriu que ambas as espécies de pinguins se alimentavam principalmente de krill durante o excedente de krill no início e meados de 1900, causado pela caça de focas e baleias. Por outro lado, durante a segunda metade do século passado, os pinguins gentoo mostraram cada vez mais uma mudança adaptativa no ato de comer estritamente krill passando a incluir peixes e lulas em suas dietas, ao contrário dos pinguins chinstrap que continuavam a se alimentar exclusivamente de krill.

 

“Nossos resultados indicam que a caça de mamíferos marinhos e as mudanças climáticas recentes alteraram a rede alimentar marinha antártica ao longo do século passado. Além disso, as diferentes dietas e respostas populacionais observadas nos pinguins indicam que espécies como os pinguins chinstrap, com dietas especializadas e a forte dependência do krill provavelmente continuarão em declínio à medida que as mudanças climáticas e outros impactos humanos se intensificarem”, diz Kelton McMahon, coautor principal e professor assistente da Universidade de Rhode Island.

Os autores preveem que a região da Península Antárctica continuará sendo um ponto importante para as mudanças climáticas e os impactos humanos durante o próximo século, e acreditam que suas pesquisas serão benéficas na previsão de quais espécies provavelmente se sairão mal e quais irão resistir – ou até se beneficiar – com as mudanças futuras.

McMahon diz: “Ao entender como os ecossistemas do passado respondem às mudanças ambientais, podemos prever melhor as respostas futuras para gerenciar as interacções homem-ambiente na Antárctica”. As informações são do Science Daily.

Fonte: ANDA

CÚPULA CLIMÁTICA Secretário geral da ONU avisa que a mudança climática se aproxima de um “ponto sem retorno”

António Guterres disse na abertura da conferência da ONU em Madrid, na Espanha, que “a inacção continuada seria traição de toda a nossa família humana e de todas as gerações futuras”

Foto: Independent

O secretário-geral da ONU alertou que o planeta está próximo de um “ponto sem volta” e classificou os esforços globais para combater as mudanças climáticas de “totalmente inadequados”, enquanto os líderes mundiais se reúnem para uma conferência vital sobre o Acordo de Paris.

António Guterres deu o aviso contundente antes da conferência da ONU sobre mudança climática (COP25), que se iniciou segunda-feira (02) e vai durar duas semanas, em Madri, na Espanha.

Governantes e delegados de quase 200 países tentarão firmar os compromissos assumidos em 2015, estabelecer novas regras internacionais para o comércio de emissões de gases e intermediar sistemas de compensação para os países mais pobres já afetados pelo aquecimento global.

A Aliança dos Pequenos Estados Insulares, representando as nações em maior risco com a subida do mar, vê as negociações como a última chance de evitar uma potencial catástrofe, enquanto a organização Save the Children (Salve as Crianças) adverte que 33 milhões de crianças africanas estão enfrentando a fome como resultado de ciclones e secas mais provável pelas mudanças climáticas.

“O ponto sem retorno das mudanças climáticas não está mais no horizonte”, disse Guterres a repórteres em Madri. “Ele já está à vista e avançando em nossa direção”.

“Observando que o mundo tem conhecimento científico e os meios técnicos para limitar o aquecimento global, o secretário da ONU denunciou a falta de acção dos formuladores de políticas diante de uma “emergência climática global”.

Guterres disse: “Os sinais de esperança estão se multiplicando. A opinião pública está despertando em todos os lugares, os jovens estão mostrando liderança e mobilização notáveis”.

“Mais e mais cidades, instituições financeiras e empresas estão se comprometendo com um caminho de 1,5°C (nível de aumento temperatura que não deve ser ultrapassado), o que ainda falta é vontade política”.

“Vontade política de colocar um preço no carbono. Vontade política de interromper os subsídios aos combustíveis fósseis. Vontade política de parar de construir usinas a carvão a partir de 2020. Vontade política de mudar a tributação da renda para o carbono. Tributando a poluição em vez das pessoas”.

Ele disse que, o fato dos líderes de todos os países, mostrarem “algo menos” que prestação de contas e responsabilidade, além de disposição para se comprometer com metas ambiciosas, “seria uma traição a toda a nossa família humana e a todas as gerações vindouras”.

Mas ele insistiu que sua mensagem era “uma fala de esperança, não de desespero. Nossa guerra contra a natureza deve parar e sabemos que isso é possível”.

Cerca de 70 países – muitos deles entre os mais vulneráveis às mudanças climáticas – se comprometeram a parar de emitir mais gases de efeito estufa até 2050. Mas alguns dos maiores emissores do mundo ainda o fazem.

O chefe da ONU disse esperar que a reunião de Madri leve os governos a almejarem emissões líquidas zero até 2050, antes do prazo para fazê-lo na COP26 em Glasgow no próximo ano.

Na semana passada, a Organização Meteorológica Mundial das Nações Unidas alertou que o nível de gases de efeito estufa havia atingido outra máxima histórica, “sem sinais de desaceleração e muito menos de declínio”.

Quatro anos após o Acordo de Paris, os negociadores ainda devem abordar a questão controversa da criação de um mercado mundial de emissões – um elemento-chave do sexto artigo do acordo de 2015.

“Estamos aqui para encontrar respostas para o artigo seis, não para encontrar desculpas”, disse Guterres.

Embora essas conversas representem a última chance dos países manterem o Acordo de Paris vivo, firmando suas metas para 2050 após um período de carência de cinco anos, a conferência também marca a primeira desde o anúncio de Mike Pompeo de que os EUA recusariam o acordo, como Donald Trump havia ameaçado há muito tempo.

Os EUA serão representados por Marcia Bernicat, a secretária de Estado assistente para assuntos ambientais internacionais, enquanto a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, também liderará uma delegação de legisladores democratas.

Os organizadores esperam cerca de 29 mil visitantes no total, incluindo 50 chefes de estado e de governo para a abertura na segunda-feira (02), além de cientistas, negociadores experientes e activistas durante a reunião de duas semanas.

As conversações seriam inicialmente organizadas no Chile, mas protestos violentos contra o governo em Santiago fizeram a conferência ser transferida para a Espanha.

Greta Thunberg está atravessando o Atlântico em um catamarã (barco) para participar das negociações e deve chegar em Lisboa na terça-feira (03) de manhã. As informações são do Indepedent.

Fonte: ANDA

MUDANÇAS CLIMÁTICAS Quais animais sobreviverão em uma Antártica cada vez mais quente?

Com as mudanças climáticas, alguns organismos sairão perdedores, enquanto outros triunfarão no novo ambiente antártico


O pinguim-imperador é um exemplo de animal que, de acordo com os pesquisadores, enfrentará grandes dificuldades para sobreviver em uma Antártica mais quente.

O aquecimento global tem produzido efeitos em todo o mundo, e a Antártica não é exceção. No entanto, possuidor de um ecossistema único, o continente pode sofrer de forma ímpar com as recentes mudanças climáticas.

Um estudo publicado no periódico científico Frontiers in Marine Science buscou compreender como as alterações na temperatura do mundo podem afetar a vida animal na Antártica. Os cientistas tomaram como base os possíveis impactos de um clima mais quente, da redução do nível do mar e das mudanças na disponibilidade de comida, para entender quem seriam os vencedores e perdedores da transformação climática no território.

O resultado encontrado foi de que predadores do assoalho marinho, como estrelas-do-mar, e animais como a água-viva se beneficiarão com a transformação do seu habitat. Também serão positivamente influenciados os seres que se alimentam de restos orgânicos, a exemplo do ouriço-do-mar.

Por outro lado, o pequenino crustáceo chamado krill será muito prejudicado pelo aquecimento global. Uma das principais consequências do aumento da temperatura na Antártica é a quebra e o desaparecimento de geleiras e blocos de gelo. Embaixo desse gelo, no entanto, vivem muitas algas, das quais esses organismos se alimentam quando jovens. Assim, essa alteração causará uma redução do número de krill. Em consequência, pinguins-de-barbicha e baleias-jubarte, os quais costumam se alimentar desse crustáceo, sofrerão com a mudança.

Já o icônico pinguim-imperador será negativamente afetado porque usa esses blocos de gelo como local para se reproduzir. Quando essas estruturas forem destruídas, o animal encontrará muitas dificuldades nesse sentido.

De acordo com os cientistas responsáveis pela pesquisa, os próximos passos incluem coletar mais dados e pesquisar outros fatores que podem impactar a vida dos organismos que vivem na Antártica.

Fonte: ANDA

 

“Onde está a acontecer o aquecimento global? Olhem para os oceanos”. Temperaturas sobem mais que o previsto

O aquecimento dos oceanos é um marcador crítico das alterações climáticas porque se estima que 93% do excesso de energia solar retida pelos gases com efeito de estufa se acumula nos oceanos.

A temperatura dos oceanos no mundo continua a aquecer, e segundo os cientistas, mais rapidamente do que estava previsto. No mais recente relatório publicado pela revista ”Science” é possível concluir que os oceanos continuam a aquecer em média 40% mais rápido do que havia sido estipulado no painel das Nações Unidas há cinco anos. Os investigadores também concluíram que as temperaturas do oceano quebraram recordes durante vários anos consecutivos.

“Se se quiser saber onde está a acontecer o aquecimento global, há que olhar para os oceanos”, disse Zeke Hausfather, da Universidade da Califórnia, co-autor da análise.

“Enquanto 2018 será o quatro ano mais quente registado à superfície, deverá ser também o mais quente já registado nos oceanos, como foram 2017 e 2016”, disse Hausfather.

À medida que o planeta foi aquecendo, os oceanos tiveram um papel de amortecedor, absorvendo 93% do calor aprisionado pelos gases estufa que continuamente bombardeiam a atmosfera.

“Se o oceano não absorvesse tanto calor, a superfície da terra já teria aquecido muito mais rapidamente”, disse Malin L. Pinsky, professor associado do departamento de ecologia, evolução e recursos naturais da Universidade Rutgers, na Nova Jérsia. “Na verdade, o oceano está a salvar-nos do atual aquecimento na Terra”, esclareceu.

Mas as altas temperaturas da água estão, na verdade, a matar os ecossistemas marinhos e a aumentar os níveis do mar, o que faz com que as catástrofes naturais marinhas sejam cada vez mais fatais.

Enquanto os oceanos continuam a aquecer, esses efeitos tornam-se cada vez mais catastróficos, dizem os cientistas. Tempestades como o furacão Harvey em 2017 e o furacão Florence em 2018 vão-se tornar mais comuns, e os litorais irão sofrer inundações com maior frequência.

Os recifes corais, cujas populações de peixes são fontes de alimento para centenas de milhões de pessoas, ficarão sob pressão. Atualmente, mais de metade dos recifes corais já foram destruídos.

Além da análise de estudos anteriores, a análise tem em conta os dados do programa Argo, uma frota de quase 4.000 robots flutuantes que vagueia nos oceanos e que ciclicamente vai mergulhando a dois mil metros e mede as temperaturas, o ph, ou a salinidade, transmitindo depois esses dados para estações em terra. O Argo fornece dados desde a década passada.

Fonte: Jornal de Económico

AQUECIMENTO GLOBAL União Europeia quer acabar com venda de carros até 2030 para alcançar meta do Acordo de Paris

Chegou a fatura para os europeus. Com a proximidade da vigésima quarta Conferência das Partes sobre o Clima (COP), convocada pelas Nações Unidas, que vai acontecer no início de dezembro…

Chegou a fatura para os europeus. Com a proximidade da vigésima quarta Conferência das Partes sobre o Clima (COP), convocada pelas Nações Unidas, que vai acontecer no início de dezembro na Polônia, a União Europeia (mais Suíça e Noruega) começou a ficar verdadeiramente preocupada em tomar atitudes para levar na bagagem e mostrar aos demais países que está agindo pelo clima. O foco de preocupação é a enorme circulação de carros em suas ruas.

Afinal, esta imagem nada tem a ver com as promessas feitas no Acordo de Paris, conseguido a duras penas em 2015 entre todos os países membros da ONU. Lá ficou decidido que todo mundo ia fazer seu papel para que o planeta não chegue ao fim do século aquecido mais 2 graus. No Acordo, a meta estabelecida é 1.5 grau.

No entanto, os carros continuaram a ser vendidos e os europeus continuaram a utilizá-los da mesma forma que antes. Vejam bem: estou falando sobre os europeus porque foi publicado ontem, no jornal “The Guardian”, um estudo feito por cientistas, mostrando que as vendas de carros lá devem ser eliminadas até 2030 se forem levar a sério as propostas do Acordo. Mas aqui no Brasil, como em outros países, tudo também continua como dantes, ou quase.

O relatório europeu foi feito pelo Centro Aeroespacial Alemão a pedido da organização Greenpeace e concluiu que “As emissões de veículos pouco mudaram na última década e a indústria esgotará seu orçamento de carbono dentro de cinco a dez anos, a menos que haja uma mudança radical”. Uma das mudanças radicais sugeridas pela análise é começar a empurrar para o mercado os carros de baixa emissão, chamados híbridos, o mais rápido possível. É claro que quem produz tais veículos deve estar, neste momento, muito feliz com o resultado da análise. Mas é assim que a roda gira no sistema econômico que nos rege: a tal da oportunidade encontrada no risco.

Sob este cenário novo imaginado pelos cientistas que fizeram o estudo, a hipótese é de que daqui a dez anos o último veículo de combustão interna seria vendido, e “carros movidos a diesel e gasolina seriam banidos das estradas em meados da década de 2040”.

Antes deste estudo, o que está na mesa de negociações é a proposta de um corte de 30% nas emissões de veículos até 2030 na União Europeia, embora os deputados do Partido Verde estejam pressionando para que este corte seja de 45%. O governo do Reino Unido anunciara que as vendas de todos os novos veículos a gasolina e diesel estariam proibidas até 2040 , enquanto alguns países, incluindo Alemanha, Irlanda, Índia e Holanda, já haviam definido este prazo mais ambicioso proposto pelos cientistas do estudo, para 2030.

A questão é que houve já um decréscimo nas emissões de gases poluentes com a redução do uso dos automóveis de passeio, mas não foi suficiente. Diz o relatório que “medidas severas” seriam necessárias para fazer isso com uma chance de 66% de atingir a meta de 1,5C – incluindo uma queda nas vendas de carros convencionais de cerca de 15 milhões este ano para 5 milhões em 2022.

Vai ser preciso uma mudança radical de hábitos e, sobretudo, será necessário que o tema meio ambiente esteja, de fato, na agenda para fazer políticas públicas que ajudem a implementar esta nova era. De outra forma, o aquecimento global chegaria a 2 graus. E o que isto significa, na prática?

O jornalista Mark Lynas, também um ativista ambiental, fez um minucioso trabalho publicado no livro editado aqui no Brasil pela Zahar, chamado “Seis Graus”. O estudo de Lynas percorre todas as mudanças que podem ocorrer caso a temperatura do planeta suba um, dois, três, quatro, cinco e seis graus. É interessante e assustador, ao mesmo tempo. Até porque o livro foi escrito há dez anos e muito do que ele descreve já está acontecendo, como no caso dos verões extremos e incêndios florestais que se espalham pela Europa a cada ano.

“No estudo feito no Reino Unido, os cientistas usaram o modelo de computador Met Office, do Hadley Centre, para projetar futuras mudanças climáticas com maiores emissões de gases-estufa, concluindo que até os anos 2040 – quando as temperaturas globais, segundo seu modelo, ainda estarão abaixo de dois graus acima dos atuais – mais da metade dos verões serão mais quentes que em 2003 (quando uma onda de calor no continente europeu provocou centenas de mortes e danos irreversíveis a colheitas) . Isso quer dizer que os verões extremos em 2040 serão muito mais quentes que o de 2003, e a taxa de mortalidade, por consequência, também irá subir”, escreve Lynas.

Ele acrescenta, com base em dados que colheu durante sua pesquisa, que os incêndios incontáveis se tornarão uma imagem cada vez mais comum no Sul da Europa e no Mediterrâneo.

“Simulações de mudanças climáticas mostram aquela região ficando cada vez mais e mais seca e quente… no mundo com mais dois graus, o risco de duas a seis semanas de novos incêndios pode ser esperado para todos os países ao longo do litoral do Mediterrâneo, dos quais as piores regiões serão as do interior, a partir da costa, onde as temperaturas são mais elevadas. Na África Setentrional e no Oriente Médio, praticamente o ano inteiro será classificado como risco de incêndios, que serão causados por temperaturas cada vez mais abrasadoras”, escreveu ele.

Houve uma época, felizmente que já vai longe, quando os céticos do clima eram em número maior do que são hoje. Viviam por aí a fazer piadas e provocar reações galhofeiras a cada advertência que os ambientalistas faziam sobre o aquecimento global. Uma dessas investidas pouco humoradas (a meu ver, claro) era de que antes de se pensar em salvar baleias e micos leões dourados era preciso salvar a própria pele humana. Pois os estudos mostram que, se não mudarmos de fato nossos hábitos, se não abrirmos mão de certos confortos conseguidos pós Revolução Industrial, nossa pele correrá mais riscos do que já está correndo hoje.

Enquanto a União Europeia se posiciona mais seriamente ante a possibilidade de abolir cada vez mais os carros das ruas, na China as pessoas estão sendo obrigadas a passar mais frio. É que lá a queima de carvão para o aquecimento doméstico polui tanto o ar que mais de um milhão de pessoas já morreram por causa desta poluição. No ano passado o governo lançou um pacote para mudar isto e, aparentemente, tem dado resultado.

É disso que se trata. Os estudos são feitos, as conclusões são tiradas. Mas as mudanças, de fato, vão depender de políticas públicas e da boa disposição dos cidadãos comuns em ajudar.

Fonte: ANDA

CONTEÚDO ANDA ONU divulga vídeos com previsões dos impactos do aquecimento global

Em um ano já marcado por ondas de calor e novas temperaturas diárias, a agência meteorológica da ONU e âncoras de televisão uniram forças para criar previsões em vídeos que exploram como as mudanças climáticas tornarão os verões futuros ainda mais quentes nas principais cidades do mundo

A Organização Meteorológica Mundial (WMO) e o Climate Central, uma organização de pesquisa e comunicação sediada nos EUA, convidaram comentaristas do clima de uma dúzia de países a trabalhar com serviços meteorológicos e outros especialistas nacionais para explorar as consequências desse fenômeno.

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“O que os apresentadores do tempo criaram são apenas cenários possíveis e não previsões verdadeiras. Porém, elas se baseiam na ciência climática mais atualizada e eles oferecem uma imagem convincente de como as mudanças climáticas podem impactar o cotidiano nas cidades onde a maioria da população mundial vive”, disse o secretário-geral da WMO, Petteri Taalas, em um comunicado de imprensa.

As cidades apresentadas nos vídeos “Verão na Cidade” incluem Barcelona, ​​Berlim, Bruxelas, Buenos Aires, Cidade do Cabo, Frankfurt, Hanói, Havana, Kampala, Madri, Montreal, Nairóbi, Paris, Sofia e Tóquio.

Se as emissões de gases de efeito estufa continuarem subindo, a temperatura média da superfície da Terra poderá subir mais de 4 graus Celsius ou 7,2 graus Fahrenheit até o final deste século, de acordo com a WMO.

Segundo a ONU, os apresentadores de TV usaram dois cenários diferentes de mudança climática – altas emissões e emissões moderadas – e combinaram cada cidade selecionada com uma cidade que já experimenta tais temperaturas.

Por exemplo, em 2100, os cidadãos de Paris, onde as altas temperaturas diárias do verão agora possuem uma média de 22,7 graus Celsius, podem vê-las alcançar 29,2 graus Celsius, como ocorre atualmente no Marrocos.

O Climate Central publicou um mapa interativo para visualizar essas informações. Muitas cidades avaliadas podem observar as temperaturas diárias máximas no verão aumentarem de seis a nove graus Celsius.

“O aquecimento urbano poderia ser o dobro das áreas nos arredores por causa da presença de materiais de pedra e estradas pavimentadas. Isso resultaria em temperaturas mais altas durante a noite”, disse Taalas.

“O aumento do calor – e um aumento esperado no tempo extremo associado como tempestades de verão – terá grandes implicações no abastecimento de energia e água, saúde pública e transporte. As ondas de calor mais intensas também resultam regularmente na menor qualidade do ar, que pode até ser letal”, acrescentou.

Os vídeos são publicados no canal da OMM no YouTube.

Em um exercício similar, a OMM trabalhou anteriormente com cerca de 60 apresentadores do tempo no “Relatórios do tempo do ano 2050”.

Fonte: ANDA

conteúdo anda O aquecimento global ameaça a sobrevivência dos ursos polares

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Ursos polares correm risco de extinção

Os ursos polares são animais inspiradores e simbólicos das regiões congeladas do Pólo Norte. Mesmo assim, nos últimos anos, este estado tem diminuído significativamente, impulsionada pelos gases de efeito estufa e as mudanças climáticas. Devido à perda de gelo, os ursos polares são incapazes de caçar ou subsistir em seu ambiente e, por este motivo, o US Geological Survey prevê que dois terços dos ursos polares desaparecerão até 2050.

Os tempos se tornaram tão terríveis para esta espécie que eles foram observados viajando até territórios humanos em busca de alimento. O fato é que esta espécie está em grave perigo de extinção.

Enquanto sua casa nativa está derretendo, os ursos polares estão sendo colocados em cativeiro e, embora o urso polar selvagem esteja correndo riscos, só aumenta o número de ursos polares explorados em zoológicos espalhados pelo mundo. Alguns argumentam que manter esses animais em ambientes cativos é a única maneira de garantir que serão preservados – dado que seu próprio habitat não é um mais “seguro”. Eles alegam também que levar as pessoas a ver esses animais de perto irá inspirá-las a defender a espécie.

A realidade, entretanto, é que o cativeiro não beneficia o urso polar – ou qualquer outra espécie animal. Um crescente corpo de evidências sugere que o ato de assistir um animal aprisionado em um pequeno recinto não tem qualquer apelo educativo para crianças ou adultos. Em vez disso, os jardins zoológicos existem para o entretenimento e fins lucrativos, a custa da liberdade dos animais.

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O aquecimento global ameaça a sobrevivência dos ursos polares

A foto acima, interpretada como um momento doce entre uma mãe e seu bebê, trai a realidade profunda de sua situação triste. Em cativeiro, esses animais só poderão experimentar uma pequena fração do que suas vidas poderiam ter sido. Na natureza, teriam milhas e milhas de gelo para percorrer e desfrutar da emoção de caçar e interagir em grupos familiares e sociais. Suas vidas teriam tido um significado e um propósito muito distintos por sua própria vontade. Em vez disso, eles são confinados a uma célula de prisão que é artificialmente resfriada e embalada com gelo para mantê-los “confortáveis”. O tédio extremo e a frustração os leva a exibir comportamentos incomuns, como balançar a cabeça repetidas vezes. Essas ações inúteis são pensadas como manifestações físicas de angústia mental extrema. Segundo a Polar Bears International, “Cerca de 85% dos ursos polares norte-americanos [nos zoológicos] o fazem, dedicando quase um quarto de seu dia ativo à atividade”

O aquecimento global e a preservação das espécies

A única maneira real de proteger esses animais é salvando seu habitat, minimizando a emissão de gases e mudando nossos hábitos e adotando o veganismo. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) estima que a produção pecuária seja responsável por 14,5% das emissões globais de gases de efeito estufa, enquanto outras organizações, como o Worldwatch Institute, estimaram que poderiam chegar a 51%. Além disso, esta indústria destrutiva e cruel ocupa atualmente mais da metade dos recursos de terra arável do mundo e utiliza a maioria das nossas reservas de água doce. O sistema provoca a poluição do ar e da água desenfreada, a degradação da terra, o desmatamento e está empurrando inúmeras espécies à extinção. No entanto, uma em cada oito pessoas ainda sofre de escassez de alimentos.

“A verdadeira guerra contra as mudanças climáticas está sendo travada em nossos pratos, várias vezes por dia, com todas as escolhas alimentares que fazemos”, disse Nil Zacharias, co-fundador e editor-chefe da One Green Planet, “Um dos maiores desafios enfrentando em nosso planeta é a nossa espécie. Estamos conscientementes da extinção e fazendo muito pouco sobre isso”.

Como a organização líder na vanguarda do movimento de consumismo consciente, a One Green Planet defende que nossas escolhas alimentares têm o poder de curar nosso sistema de alimentos, dando às espécies uma chance de sobrevivência e abrindo caminho para um futuro verdadeiramente sustentável. Ao escolher uma dieta vegana, podemos reduzir drasticamente nossa pegada de carbono, economizar água preciosa e ajudar a garantir que os recursos vitais cheguem até pessoas, ao invés de serem destinados a animais explorados pela indústria da carne.

Fonte: ANDA