conteúdo anda Animais desafiam teoria de Darwin e dão lição de generosidade

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Compartilhar é um ato que exige consciência e empatia, mas não são apenas os seres humanos que possuem essa habilidade. Há muito mais cooperação entre animais do que se imagina, e não faltam evidências científicas para essa afirmação.

Em um estudo conduzido por Phillip Jackson Darlington para National Academy of Sciences, observou-se a que ponto chega a generosidade de morcegos. Uma fêmea de morcego vampiro comum retorna de uma noite bem sucedida de alimentação, depois de consumir o suficiente de sangue para aumentar o seu peso corporal em 50%. Ao chegar à árvore que compartilha com sua família, ela acha que uma das suas companheiras não teve a mesma sorte. Pela segunda noite consecutiva, a outra fêmea não conseguiu se alimentar, e ela está perto de morrer de fome. Eis que a fêmea já alimentada se aproxima dela e oferece um bocado de sangue regurgitado, sacrificando parte de sua própria refeição em nome da sobrevivência da companheira.

Do ponto de vista evolutivo, é difícil entender como os animais são capazes de sacrificar a si próprios para beneficiar outros indivíduos do grupo. Pela lei da selva, um animal que aumenta sua força sozinho deve estar mais apto a transmitir seus genes do que um animal que decide dividir seu alimento. Por essa lógica, a seleção natural deveria eliminar os benfeitores e deixar apenas egoístas.

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No entanto, o comportamento altruísta não se limita aos seres humanos, aparecendo em várias espécies sociais. Assim como a fêmea de morcego decidiu compartilhar sua refeição, marmotas também foram observadas atrasando sua própria reprodução para ajudar a criar outros filhotes no grupo, em outro estudo publicado por Daniel T. Blumstein.

Darwin considerou o altruísmo entre animais um obstáculo em sua teoria evolutiva. Ele estava especialmente preocupado com as abelhas: um exemplo da forma mais extrema de cooperação social, em que alguns indivíduos renunciam completamente à reprodução para cuidar da prole dos outros.

Demorou quase um século para outro biólogo, W.H. Hamilton, chegar a uma explicação plausível.O cientista concluiu que a partilha não era apenas sobre o partilhante, mas também sobre o destinatário. De acordo com a sua equação, agora conhecida como a Regra de Hamilton, os indivíduos são mais propensos a se comportar de forma altruísta quanto mais estreitos forem os laços genéticos.

Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Em última análise, a evolução fornece uma espécie de retorno positivo para o comportamento altruísta, aumentando a satisfação de pertencimento ao grupo e gerando relações de troca reais entre animais.

O altruísmo nos animais oferece uma perspectiva interessante para estudar a generosidade nas sociedade humanas. Se um morcego é capaz de reconhecer quando seus vizinhos estão com problemas e agem para ajudá-los a sobreviver, então a humanidade também deveria ser capaz de aprender um pouco sobre compaixão com os animais – e respeitar seus direitos, para começar.

Fonte: ANDA

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