PROGRAMA DA CRISTINA – ANDRÉ SILVA (PAN) VS. RUI SALVADOR (TOUREIRO) – MAIS UM PASSO EM DIRECÇÃO À ABOLIÇÃO

O programa foi muito bem conduzido pela Cristina. Nota 10.

André Silva esteve politicamente correcto. Nota 10.

O toureiro Rui Salvador apresentou as falácias habituais, em que a tauromaquia assenta, desde que foi introduzida em Portugal, pelos monarcas espanhóis, a partir de 1580. Perdeu o debate e só enterrou a tauromaquia, mais do que ela já estava enterrada. Nota ZERO.

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Origem da imagem:

Mais um passo foi dado em direcção à abolição desta prática, assente em muitas mentiras, já bastamente desmascaradas pela Ciência.

Confesso que cheguei a ter dó do toureiro que, desesperadamente, tentou defender a sua querida “dama“, mas não convenceu: cada sentença, cada machadada.

Dizer-lhe que a tauromaquia vai acabar, como acabaram outras práticas desumanas, teve um impacto tão destruidor na mente deste toureiro, como se lhe dissessem que os pais que ele conhece desde que nasceu e que ama profundamente, afinal, não são os seus pais verdadeiros. E isto custa a ouvir. E o desespero ficou bem patente no semblante de Rui Salvador.

André Silva baseou-se em factos comprovados pela Ciência, em estatísticas da IGAC, e em suportes humanísticos vistos à luz dos valores éticos do Século XXI depois de Cristo.

Os Touros – que não são mais do que mansos bovinos, torturados para serem “bravos”, ou seja, para se defenderem das sevícias provocadas pelos seus carrascos) – seres sencientes, são retirados do seu habitat para serem cruelmente massacrados, rasgados, sangrados, humilhados, o que lhes provoca um sofrimento físico e psicológico atroz, antes, durante e depois da lide, acabando por morrer lentamente, sem os mínimos cuidados paliativos.

Dizem as estatísticas da IGAC que não só o número de touradas diminuiu consideravelmente nestes últimos anos, como também o número de espectadores, cada vez menos interessados em “espectáculos” bárbaros.

Esta será uma herança cultural (se é que a tortura é algo cultural) já ultrapassada pela evolução.

Rui Salvador, que frisou já ter recebido das mãos de António Costa (actual primeiro-ministro de Portugal) uma medalha de mérito (ficámos sem saber se foi pelo mérito de serviços prestados ao país ou ao bem-estar animal) disse que toureia há 44 anos, ou seja, tortura Touros há 44 anos, criou-se numa família apaixonada pelos animais, sobretudo Cavalos (sabemos que existem paixões doentias que retiram prazer fazendo sofrer o alvo da sua paixão, neste caso os Cavalos e os Touros), e disse que é com paixão que lida um Touro, que é o mesmo que dizer que é com paixão que tortura um Touro.

E o resto foi mais do mesmo. Mentiras, mentiras e mais mentiras.

Fazem touradas para preservarem os Touros bravos, como se os Touros bravos existissem na Natureza. São um produto de uma selecção de bezerrinhos que são retirados às mães-vacas para, desde bebés, sofrerem as mais horríveis sevícias. Se as touradas acabarem, os bezerrinhos continuarão a nascer, e serão deixados em paz.

“Produzir” seres vivos, para viverem durante apenas 4 anos (quando poderiam viver de 18 a 22 anos) uma vida mais ou menos, para depois acabarem numa arena e serem torturados cruelmente, é coisa de mentes deformadas. Também está comprovado pela Ciência.

Ficou comprovado que o toureiro Rui Salvador vive numa bolha onde a ilusão tem uma dimensão de mundo. Ele acha que os aficionados são meio milhão, negando as estatísticas; ele acha que a tortura de Touros e Cavalos faz parte do Património Cultural Português, desconhecendo que tal prática não passa de um costume bárbaro herdado dos bárbaros espanhóis; ele também acha grandiosa e coisa única no mundo, a actuação dos cobardes forcados que, no final da lide, vão para a arena atacar um Touro já moribundo e a sangrar abundantemente e em grande sofrimento; ele diz que em Portugal não se matam Touros nas arenas, esquecendo-se de Barrancos (acto legal mas cruel) e de Monsaraz (acto ilegal, cruel e consentido pelas autoridades); ele diz que todos os bovinos nascem para morrer, esquecendo-se de que esse é o destino de todos os seres vivos, incluindo ele próprio, e que entre o nascer e o morrer há uma VIDA a preservar; ele também acha que as touradas não vão acabar nunca, quando já estão a acabar, nos outros sete países em processo de evolução.

Senhor Rui Salvador, obrigada pela sua intervenção desastrosa. Só contribuiu para apressar a abolição desta prática, que nada tem de meritosa, e está assente na mais descomunal ignorância.

Isabel A. Ferreira

Fonte: Arco de Almedina

Vital Moreira responde a Alegre e condena “prática violenta, cruel, sangrenta e degradante” (Corrigido para português correcto)

Constitucionalista não compreende “o que leva alguma esquerda a admirar um espectáculo tão violento e tão sangrento”

O constitucionalista Vital Moreira responde à carta aberta de Manuel Alegre em defesa das touradas e considera que “não faz nenhum sentido invocar a liberdade do gosto contra uma prática violenta, cruel, sangrenta e degradante, para satisfação sádica de protagonistas e espectadores, à maneira dos espectáculos circenses da antiga Roma”.

A polémica nasceu com a afirmação feita pela ministra da Cultura, no parlamento, de que a tauromaquia “não é uma questão de gosto, é de civilização”. Manuel Alegre insurgiu-se, desde o início, contra as palavras da ministra e condenou, num artigo publicado hoje no jornal Público, a “tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas”.

Vital Moreira garante, em resposta a Alegre, que “há muitos outros gostos e tradições que o desenvolvimento humano e cultural tornou intoleráveis”. Num texto publicado no blogue Causa Nossa, o ex-deputado do PS não se surpreende que a “direita mais tradicional” defenda as touradas, porque “elas fazem parte integrante da cultura marialva”, mas não compreende “o que leva alguma esquerda a admirar um espectáculo tão violento e tão sangrento, assente no sofrimento causado a seres vivos indefesos, para gozo público”.

O constitucionalista acredita que as touradas vão acabar e que “os intelectuais que hoje as defendem” serão olhados com “a mesma estranheza com que hoje olhamos os defensores pretéritos de outras ‘tradições’ execráveis”.

Fonte: Jornal i


No Causa Nossa:

A barbárie tauromáquica (7): Contra Manuel Alegre(Corrigido para português correcto)

1. Discordo em absoluto da “carta aberta” de Manuel Alegre, hoje no Público, em defesa das touradas e da redução do IVA nos respectivos espectáculos.
Primeiro, não faz sentido misturar as touradas com a caça, como se fosse a mesma a oposição a uma e a outra ou como se fossem as mesmas razões a motivá-la. A razão básica contra as touradas está no facto de elas serem um espectáculo e consistirem em infligir um suplício prolongado a animais para proveito pessoal dos toureiros e para gáudio público, o que se não verifica na caça.
2. Em segundo lugar, e sobretudo, a meu ver não faz nenhum sentido invocar a “liberdade do gosto” contra uma prática violenta, cruel, sangrenta e degradante, para satisfação sádica de protagonistas e espectadores, à maneira do espectáculos circenses da antiga Roma. De resto, não consta que o gosto pelas touradas integre os direitos fundamentais constitucionalmente protegidos…
Tampouco cabe invocar a “tradição”, de resto cada vez mais acantonada, desde logo porque ao longo dos tempos a história da civilização e do progresso humano foi, em grande medida, uma luta da razão contra as tradições que exploram os sentimentos e instintos menos louváveis dos homens.
Há muitos outros gostos e tradições que o desenvolvimento humano e cultural tornou intoleráveis.
3. Parece-me inteiramente descabido o argumento de que uma eventual proibição nacional das touradas – que, aliás, não está iminente – seja equivalente a uma “ditadura política do gosto” e um sinal de “totalitarismo” emergente.
Nada de mais despropositado! Que eu saiba, entre os muitos países que consideram as touradas como “barbárie” – como os países escandinavos ou anglo-saxónicos – contam-se alguns dos países mais livres e das democracias mais liberais do mundo!4. Nunca me impressionou o argumento dos escritores e artistas que manifesta(ra)m o seu apreço pelas touradas. Para além de serem uma pequena minoria, a verdade é que ao longo da história as piores práticas da humanidade sempre encontraram quem as defendesse entre a elite intelectual, desde a escravatura aos tratos cruéis, desumanos ou degradantes, até que o Iluminismo as proscreveu ou tornou insustentáveis.
Tenho para mim que dentro de poucas décadas, quando a touradas forem uma má memória na história nacional, os intelectuais que hoje as defendem sejam olhados com a mesma estranheza com que hoje olhamos os defensores pretéritos de outras “tradições” execráveis.5. Não me surpreende ver as touradas defendidas pela direita mais tradicional, porque elas fazem parte integrante da cultura “marialva” que ela privilegiada-mente encarna. Já tenho enormes dificuldades em compreender – afastado o diletantismo político ou intelectual – o que leva alguma esquerda a admirar um espectáculo tão violento e tão sangrento, assente no sofrimento causado a seres vivos indefesos, para gozo público.6. Por último, não me parece que haja motivo para tão grande alarme público dos amantes da indústria da tortura-de-animais-na-arena-para-gáudio-público e do poderoso lobby económico, político e mediático que a suporta e promove.
Afinal, trata-se somente de criar um pequena diferença de IVA em relação a outros espectáculos. Infelizmente, não se trata de um primeiro passo para abolição das touradas. Para isso, os tempos ainda estão para vir…,

CARTA ABERTA DE MANUEL ALEGRE A ANTÓNIO COSTA ENTERRA O PS, A LIBERDADE E A DEMOCRACIA

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André Silva, deputado do PAN, reage à Carta Aberta de Manuel Alegre

Hoje, Portugal pasmou com a Carta Aberta que Manuel Alegre escreveu a António Costa, pondo-se do lado da incultura e da incivilização, pedindo para os pobrezinhos da tauromaquia, para a continuidade da barbárie, algo que não combina com Liberdade, com Democracia, com Socialismo.

Manuel Alegre, não sabe, mas com a sua atitude anti-civilização, só está a favorecer o PAN e a enterrar o PS. Porque o discurso dele, de Manuel Alegre, é realmente de um conservador monarquista, não de um socialista contemporâneo.

E tal atitude antidemocrática só prejudica o PS. E ainda bem, porque os Portugueses já estão fartos das políticas retrógradas de quem está com os pés fincados no passado, e se recusa a evoluir. Pode ser que tudo isto contribua para uma mudança. PS, PSD, PCP e CDS/PP são todos farinha do mesmo saco, no que respeita ao apoio às práticas medievalescas (touradas e caça) quando o mundo grita por Evolução.

Confrontado com a Carta Aberta de Manuel Alegre, o deputado do PAN (partido Pessoas-Animais-Natureza) André Silva, referiu que a reacção de Manuel Alegre, que se manifesta contra o que diz ser o “fanatismo do politicamente correcto”, é normal num conservador. O deputado do PAN considera ainda que as reacções como as de Manuel Alegre, são normais quando se quer dar passos civilizacionais e se está preso a uma cultura do passado, mas que aos poucos se vai destruindo.

Para André Silva, não estão apenas em causa os gostos das pessoas, mas também implicações na vida de terceiros, ou seja, dos animais envolvidos nessas práticas, seres sencientes, e acrescenta que a sociedade portuguesa do século XXI não aceita mais a utilização de animais para entretenimento.

Para ouvir as declarações de André Silva, clicar neste link:

https://www.rtp.pt/noticias/politica/manuel-alegre-esta-agarrado-ao-passado-diz-deputado-do-pan_a1109841

***

Mas afinal, o que tanto traz agitado Manuel Alegre, o caçador?

«Carta aberta a António Costa

É chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto.

Antes mesmo de ele existir, já eu apoiava este Governo que tem vindo a espantar o diabo tantas vezes anunciado. Portugal, apesar das dificuldades, é hoje uma boa excepção, numa Europa e num Mundo marcados por um processo de desconsolidação da Democracia e pela emergência de várias formas de populismo. Os partidos tradicionais estão em decadência, alguns em vias de desaparecimento. E a revolta popular contra o sistema já não está do lado da esquerda, passou para a direita, estimulada e manipulada pela hegemonia do poder financeiro global.

Devíamos estar atentos. Mas às vezes a euforia conduz à distracção. Eu, por exemplo, vivo uma situação paradoxal. Apoio esta solução governativa, o PS está no poder e, no entanto, por vezes sinto a minha liberdade pessoal ameaçada. Não por causa do que se passa no Mundo. Mas porque o diabo esconde-se nos detalhes. Está no fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos e comportamentos das pessoas, no protagonismo de alguns deputados e governantes que ninguém mandatou para reordenarem ou desordenarem a nossa civilização.

(Liberdade pessoal ameaçada, a liberdade de matar animais indefesos, para passar o tempo? Fundamentalismo do politicamente correcto, na tentação de interferir nos gostos, quando o que aqui está em causa não são gostos, mas passos evolutivos, que todos os deputados da Nação deviam dar, para reordenarem a nossa civilização, corrompida por actividades bárbaras, e o que fazem? Vergam-se aos lobbies da barbárie).

O deputado do PAN foi legitimamente eleito. Com pouco votos, mas foi. Tem o direito de defender as suas opiniões. Mas não pode virar o país do avesso, com a cumplicidade dos fundamentalistas de outros partidos (com a honrosa excepção do PCP) e o calculismo dos que pensam que, em certas circunstâncias, o voto dele pode ser útil para a maioria. Uma espécie de um novo deputado “limiano”, salvo o devido respeito. O facto é que um deputado, um só, traz milhares de portugueses inquietos. Isto não é normal nem saudável numa Democracia pluralista. De modo que é chegada a hora de enfrentar cultural e civicamente o fanatismo do politicamente correcto. É uma questão de liberdade. Liberdade para não gostar de touradas. Mas liberdade para gostar. Liberdade para não gostar da caça. Mas liberdade para gostar. Algo que não se pode decidir por decreto nem por decisões impostas por maiorias tácticas e conjunturais, Não é democrático. Para mim, que sou um velho resistente, cheira a totalitarismo. E não aceito.

(Pois Manuel Alegre está redondamente enganado e vê-se que vive na sua bolha de caçador e não vê o que o rodeia. O deputado André Silva não traz milhares de Portugueses inquietos. Traz apenas alvoroçadas umas centenas de caçadores e tauricidas, porque os restantes Portugueses clamam pela abolição dessas práticas trogloditas. E na caça ou na tourada não há liberdade para gostar, porque essas práticas não são uma questão de gosto, mas de Ética Civilizacional, que é um conceito que caçadores e tauricidas desconhecem. E um socialista, que devia ser progressista, segue os valores retrógrados monarquistas e ditatoriais, que o 25 de Abril não foi capaz de banir.)

Por isso, meu caro António Costa, peço-lhe que intervenha a favor de valores essenciais do PS: o pluralismo, a tolerância, o respeito pela opinião do outro. Peço-lhe que interceda pela descida de 6% do IVA para todos os espectáculos, sem discriminar a tauromaquia, já que os prejudicados serão os mais pobres, os trabalhadores que tornam possível este espectáculo. Peço-lhe que se oponha à proposta do PAN para alterar a Lei 92/95, que vem comprometer várias actividades do mundo da caça, como provas de Santo Huberto, largadas cinegéticas e cetraria – Património Mundial da Humanidade. A alteração da referida Lei provocará danos irreversíveis em muitas associações e clubes de caçadores, clubes de tiro desportivo, campos de treino e caça. Estão em causa centenas de postos de trabalho e elevadas perdas económicas para o País, sobretudo para aquelas regiões onde a empregabilidade e a actividade económica estão quase exclusivamente ligadas à caça. Sim, meu caro António Costa, trata-se de uma tradição cultural e social que é parte integrante da nossa civilização. É, também, um problema que diz respeito ao emprego e à vida de milhares de pessoas. E é, sobretudo, uma questão de liberdade, que sempre foi a a essência e a alma do Partido Socialista. Militante histórico do PS; escritor

(Que discurso mais minguado, rogar ao caro António que mantenha o IVA para os pobrezinhos torturadores de Touros, que recebem milhares de Euros, provenientes dos impostos dos portugueses, para comprar Ferraris e Porches, e torturar seres sencientes. Este último parágrafo desta Carta Aberta, mostra a mesquinhez de espírito de um indivíduo que perdeu a noção da realidade do século XXI D.C., e do que é o verdadeiro Socialismo. Não, isto não é sobretudo uma questão de liberdade, que sempre foi a essência e a alma do Partido Socialista, porque essa essência e alma do Partido Socialista perdeu-se ao negarem o progresso, a evolução da nossa descarrilada sociedade. Além disso, ser militante histórico do PS e escritor não são habilitações suficientes para levar o diploma de Progressista. Não me vou repetir. Deixo aqui o que já escrevi sobre esta posição retrógrada de alguém que se diz socialista, mas perdeu a noção do que ser socialista requer:

O CAÇADOR MANUEL ALEGRE FICOU MELINDRADO PORQUE A MINISTRA DA CULTURA DEFENDEU A CIVILIZAÇÃO

https://arcodealmedina.blogs.sapo.pt/o-cacador-manuel-alegre-ficou-841604?utm_source=posts&utm_content=1541609491

Isabel A. Ferreira

Fonte da Carta Aberta:

https://www.publico.pt/2018/11/07/politica/opiniao/carta-aberta-antonio-costa-1850064?fbclid=IwAR1MGCydxWzqY5wsmQPU5WC7gaVG-ldrO55jG93NDcB3PlH91F_Y31-NtIM#comments

Fonte: Arco de Almedina

«TAUROMAQUIA: O GOZO ALARVE COM A FRAGILIDADE ALHEIA»

Um magnífico texto de André Silva, Deputado da Nação, pelo PAN, descomprometido, e livre das amarras do lobby tauromáquico, instalado na Assembleia da República Portuguesa.

Esperamos que aos deputados, aficionados da selvajaria tauromáquica, que ainda vivem no passado, chegue a lucidez suficiente, para que possam interpretar as palavras do Deputado André Silva, um Homem que pertence à modernidade, e os faça catapultar para o Século XXI D.C.

(Os excertos do texto a negrito são da minha responsabilidade)

Isabel A. Ferreira

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André Silva

«Conseguimos saber algo importante sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que são mais fracos do que ela. Mas conseguimos saber quase tudo sobre uma pessoa através da forma como ela trata os que não têm qualquer poder, os que são impotentes. E os candidatos mais óbvios a este estatuto são os animais. Milan Kundera diz que a verdadeira bondade humana só pode manifestar-se, em toda a sua pureza e liberdade, em relação aos que não têm poder.

O verdadeiro teste moral da humanidade, o mais básico, reside na relação que mantém com os que estão à nossa mercê. E é neste ponto que encontramos a maior derrota da tauromaquia. Sem tibieza, Fernando Araújo dá-nos a mais crua e límpida definição de uma corrida de touros, que consiste na exibição da mais abjecta cobardia de que a espécie humana é capaz, o gozo alarve com a fragilidade e com a dependência alheias.

Na falta de argumentos saudáveis e convincentes, ao estertor tauromáquico nada mais resta do que defender ad nauseam que estas manifestações são parte integrante do património cultural português e da sua identidade. Estagnados no tempo em que a maioria das pessoas não sabia ler nem escrever, tentam fazer-nos acreditar que mutilar e rasgar carne a um animal e fazê-lo cuspir sangue faz parte da nossa herança cultural.

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A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 Aceitando por um lado que devem ser banidas e condenadas as violências contra animais, tentam fazer-nos crer que infligir a morte, o sofrimento cruel e prolongado ou graves lesões a um animal é legítimo, desde que se faça num anfiteatro, que o mal-tratador use fato com lantejoulas e que seja acompanhado ao som de cornetas.

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Esta deplorável cena troglodita, em Barrancos, leva-nos a um nome: Jorge Sampaio, ex-presidente da República Portuguesa, que não soube defender a Civilização.

O país pede uma evolução civilizacional e ética em relação a este assunto, sendo que as tradições reflectem o grau de evolução de uma sociedade, pelo que não é mais aceitável que o argumento da tradição continue a servir para perpetuar a cultura da brutalidade e do sangue que se vive nas arenas. Todas as tradições devem ser colocadas em crise quando atentam contra a vida e integridade de terceiros. As pessoas têm muitas formas de satisfazer o seu direito cultural sem que tenha que passar por infligir sofrimento a animais.

Mais de 90% dos portugueses não assiste a touradas e as corridas de touros têm vindo a perder milhares de espectadores todos os anos, tendência confirmada pelos recentes referendos nas universidades de Coimbra e de Évora, onde milhares de estudantes decidiram afastar a violência tauromáquica das suas festas académicas, após várias instituições de ensino superior já o terem feito.

Assim, afirmar que a tourada faz parte da identidade nacional é pretender que uma minoria da população que assiste a corridas de touros seja considerada mais “portuguesa” do que a grande maioria que não se revê neste tipo de espectáculos, o que é, no mínimo, desconcertante.

A identidade de um povo cria-se a partir do que é pertença comum e não daquilo que nos divide, pelo que forçar a identidade tauromáquica à população portuguesa é ofensivo e contraproducente para uma desejada unidade nacional.

 Tenha a classe política a coragem para acompanhar o desejo de não-violência da esmagadora maioria dos portugueses.

André Silva»

***

Comentário, na página, ao texto de André silva, o qual subscrevo:

Acontece que a “classe política” é tão cobarde como um toureiro, e a população de certos locais e adepta deste primitivismo é particularmente agressiva. Viu-se na palhaçada de Barrancos onde a população se manifestou mais para ter touradas ilegais do que para ter um centro de saúde decente. E em vez de impor a lei, o Estado rebaixou-se e cedeu perante alguns burgessos ululantes. Uma pena e uma vergonha nacional que se continuem a praticar touradas. (Gustavo Garcia)

Fonte:

https://www.publico.pt/2018/07/03/p3/cronica/tauromaquia-o-gozo-alarve-com-a-fragilidade-alheia-1836711

Fonte: Arco de Almedina

INFELIZMENTE, FOI ASSIM! ADIADA DECISÃO DE PORTUGAL ENTRAR PARA O ROL DOS PAÍSES LIVRES DE CIRCOS COM ANIMAIS NÃO-HUMANOS

A iniciativa legislativa do PAN não foi votada no passado dia 21 de Dezembro, como seria de esperar, num País evoluído. Baixou sem votação para ser trabalhada durante um período de (mais) 60 dias por todos os partidos na 12ª Comissão (de que Cultura? De que Comunicação? De que Juventude? De que Desporto?).

Só num país terceiro-mundista uma tal iniciativa legislativa BAIXA sem votação para ser (mais) trabalhada…

 

Diz André Silva:

 

«No circo, os animais passam a maior parte do seu dia encarcerados e os actos de performance na presença de espectadores causam stress severo aos animais.

Os espectáculos de circo têm um impacto contraproducente na percepção das crianças. Ao invés de conhecerem os animais de uma forma natural, são doutrinadas para a repressão da espécie humana sobre as outras.

Privar animais selvagens da liberdade é cruel. Jaulas maiores, melhor regulamentação e mais fiscalização não são solução. É manifestamente impossível aos circos assegurarem requisitos fisiológicos, mentais e sociais adequados para animais, prejudicando gravemente seu bem-estar.

Não desistiremos. Até todas as jaulas estarem vazias!»

É que não é preciso ser-se uma inteligência rara para saber que o habitat natural de qualquer animal não é uma jaula de circo.

O facto de estarmos a discutir tal matéria em pleno século XXI d. C. já é um sinal de atraso civilizacional.

Ninguém entendeu, à primeira, o que André Silva explicou com tanta clareza?

A iliteracia impera na Assembleia da República Portuguesa.

O facto de estarmos a discutir tal matéria em pleno século XXI d. C. já é um sinal de atraso civilizacional.

Ninguém entendeu, à primeira, o que André Silva explicou com tanta clareza?

A iliteracia impera na Assembleia da República Portuguesa.

Fonte: Arco de Almedina

Simplesmente vergonhoso para o PCP e para os Verdes. Fica-lhes tão mal!!! Animais deixam de ser “coisas”. Lei entra amanhã em vigor

O partido de André Silva propõe também seis alterações ao Regime Jurídico da Caça.

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O novo estatuto jurídico dos animais, que os reconhece como seres vivos dotados de sensibilidade e os autonomiza face a pessoas e coisas, entra em vigor a 1 de maio. A legislação que altera o Código Civil, segundo o qual os animais eram “coisas”, resultou de projetos de lei do PS, PAN, PSD e BE, que foram aprovados por unanimidade na Assembleia da República no passado dia 22 de dezembro.

Há novas obrigações para os proprietários e, se encontrar um animal na rua, perdido ou ferido, tem obrigações para com ele também. Os animais de estimação passam agora a ser “seres sencientes”. A Lei n.º 8/2017 faz referência aos deveres dos proprietários. Quem não os respeitar pode pagar multas pesadas ou ir preso.

O proprietário de um animal deve assegurar o seu bem-estar, nomeadamente garantir o acesso a água e alimentação de acordo com as necessidades de cada raça e garantir o acesso a cuidados médico-veterinários. Quem não o fizer pode sofrer sanções, nomeadamente pena de prisão até um ano ou multa até 120 dias. O mesmo acontece se infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos que resultem em sofrimento injustificado, abandono ou morte. Também agora já é possível deduzir 15% do IVA das faturas com despesas veterinárias.

O estatuto jurídico dos animais define ainda uma pena de prisão até três anos ou com pena de multa para quem roube um animal alheio e para quem ilegitimamente se aproprie de um animal que “lhe tenha sido entregue por título não translativo da propriedade”.

“Nós não temos tratado os animais como coisas, nós temo-los qualificado como coisas para os podermos tratar mal, mas isso mudou hoje, e esta mudança vai também permitir que a aplicação da lei de maus tratos a animais de companhia tenha outra robustez. Se já tivesse acontecido esta alteração, por exemplo, o Simba, o mediático Leão da Rodésia abatido a tiro, não poderia ter sido julgado como um dano”, explicou André Silva.

Alterações ao regime jurídico da caça

Este mês, o PAN também definiu o primeiro de três agendamentos potestativos, debatendo seis iniciativas legislativas que pretendem alterar o Regime Jurídico da Caça. Três Projetos de Lei e três Projetos de Resolução dão corpo a um conjunto alargado de alterações que visam salvaguardar a preservação da biodiversidade, garantir a saúde pública e reforçar a proteção animal, que têm sido postas em causa por várias práticas associadas à atividade cinegética.

A primeira proposta de alteração visa sancionar na lei a utilização de venenos no âmbito da atividade da caça. A segunda pretende o reforço de medidas de saúde pública ao combater a proliferação de enfermidades presentes em várias espécies de caça e passíveis de transmissão aos seres humanos. Três outras alterações surgem no âmbito da proteção das espécies cinegéticas. Por último, e numa iniciativa conjunta trabalhada desde há vários meses com o Bloco de Esquerda, o PAN pretende proibir a utilização de matilhas de cães como meio de caça, estabelecendo que apenas as matilhas já existentes e devidamente legalizadas podem continuar a participar nesta atividade.

“O legislador considerou censurável a promoção de luta entre animais, designadamente entre cães, por concluir que a mesma é degradante para o ser humano e pode potenciar o carácter agressivo de determinados animais. Então, tratando-se da luta entre um cão e um javali já é menos censurável? E se forem trinta ou quarenta cães contra um javali? Não cremos”, acrescentou o deputado André Silva.

Fonte: Jornal Económico

***

PCP E VERDES, simplesmente uma vergonha!!!

CÃES E GATOS DEIXAM DE SER COISAS…

E OS OUTROS ANIMAIS?

A Lei que foi aprovada só abrange Gatos e Cães (que não pertençam a circos ou sejam utilizados em lutas, ou os das aldeias que, apesar da lei, continuam a viver acorrentados, bem debaixo das barbas das autoridades).

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FOTO Paulo Pimenta

Fonte: https://www.publico.pt/2016/12/21/sociedade/noticia/animais-deixam-de-ser-coisas-mas-lei-dos-maus-tratos-vai-continuar-com-buracos-1755686

Fico feliz por estes meus queridos amigos. Mas temos de continuar a lutar por todos os outros nossos outros amigos de quatro patas.

É que para os políticos portugueses, todos os animais são iguais, mas uns continuam a ser mais animais do que outros. E esses outros nem sequer estatuto de animais têm, em Portugal.

Esta lei, apesar de ser um passinho em frente, não resolve o problema grave dos maus tratos a que estão sujeitos TODOS os outros animais portugueses.

A Assembleia da República está dividida, aliás, como em tudo o que diz respeito à Evolução e outras matérias do interesse nacional.

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD acusou o PAN (autor do projecto), o PS e o BE de terem apresentado propostas radicais. E o que são propostas radicais para este deputado?

Este deputado entendeu que as alterações que estes três partidos pretendiam introduzir no Código Penal transformavam cada criador num potencial criminoso
(como se já não o fossem) e acrescentou: «Se uma vaca magoasse uma pata durante o transporte, o dono podia ter de responder por isso em tribunal» (pois podia e devia, porque o modo como os animais são transportados em Portugal, é um autêntico atentado ao bem-estar deles. Eles são transportados como sacos de cimento, amontoados, sem que tenham sequer lugar para ficarem de pé); «São soluções citadinas que nada têm a ver com o modo de vida do país rural» (o modo de vida do país rural é bárbaro, tratam os animais como se fossem pedras, não tendo em conta a VIDA que eles são, uma vida tão vida como a de qualquer um que se diz “humano”, não tendo em conta a sensibilidade e a racionalidade (esta racionalidade está provada) dos animais não humanos);
«As associações do sector pecuário ficaram “aterradas” com estas intenções» (e era para ficarem aterradas, porque sabem perfeitamente o modo cruel como tratam os animais de quinta, e mereciam ser penalizados).

OS DEFENSORES DOS MAUS-TRATOS A ANIMAIS

No mundo já civilizado, mas que ainda não evoluiu o suficiente para deixar de ser carnívoro, os animais são tratados mais humanamente, do que em Portugal, que ainda deve milhões de Euros à Evolução.

O Partido Comunista (será de esquerda?) aliou-se aos partidos da direita, defensores dos maus tratos aos animais que eles não consideram animais (animais para eles são apenas os Cães e os Gatos) para chumbar os projectos que catapultariam Portugal para um nível evolutivo mais elevado.

António Filipe, deputado comunista, chegou mesmo a dizer que qualquer dia as penas dos crimes contra animais ainda se tornavam superiores às dos crimes contra as pessoas.

Penas superiores não direi, mas cito Leonardo da Vinci, o maior génio dos séculos XV/XVI, que futurou esta coisa espantosa: «Chegará o dia em que todos os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, nesse dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a própria humanidade.»

Este dia já esteve mais longe.

Em pleno século XXI d. C., já existem milhares de Seres Humanos que conhecem o íntimo dos animais, e lutam pela sua libertação.

Mas em Portugal, ainda com tantas mentes tacanhas a proliferar por aí, a evolução far-se-á mais lentamente.

O PAN fala em lobbies.

E é óbvia a existência de lobbies.

André Silva, deputado do PAN, refere: «O Parlamento não está preparado para avançar mais um passo. Continua vigente uma teimosia ideológica ligada a profundos interesses e lobbies corporativos no sector da pecuária. Vivemos ainda o tempo em que os agentes económicos são quem mais ordena… As agressões e os maus tratos a animais são uma realidade unanimemente aceite no quotidiano da produção pecuária portuguesa.»

Não, o Parlamento Português não está preparado para a Evolução.

Quem manda ali são os lobbies, que lá colocam deputados escolhidos a dedo. Aliás, os partidos que defendem os maus-tratos aos animais, já estão a “trabalhar” listas para as eleições autárquicas, onde os tauricidas têm, lugar desatacado.

E também é óbvio que o meio rural ficou parado na alta Idade Média, e trata com a maior brutalidade seres sencientes e muito mais racionais e humanos do que todos eles.

Fonte: Arco de Almedina

 

«PAN APELA À CÂMARA MUNICIPAL PARA RETIRAR APOIO INSTITUCIONAL A EVENTO TAUROMÁQUICO COM CRIANÇAS»

VERGONHA!

Lisboa, uma capital que se diz europeia, e que pretende viver do Turismo Culto, acolhe e promove um evento (BullFest) que não dignifica a Humanidade, ao esmagar a dignidade das crianças. (IAF)

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«No seguimento do anúncio público sobre o apoio institucional que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) está a atribuir à primeira edição do festival tauromáquico BullFest, já no próximo fim-de-semana, através do Turismo de Lisboa, entidade presidida pelo Presidente Fernando Medina, o PAN contactou hoje a CML para manifestar a sua enorme surpresa e preocupação em relação a esta decisão do executivo municipal.

Muitos lisboetas têm contactado o PAN por não entenderem o porquê deste apoio institucional à indústria tauromáquica que tem comprovadamente um peso cada vez mais insignificante no panorama dos espectáculos ao vivo em Portugal, sendo já superada pelos eventos de Folclore, segundo o Instituto Nacional de Estatística. De acordo com o parecer da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) sobre a discussão das consequências da exposição e participação das crianças em eventos e actividades tauromáquicas, “Quando as crianças assistem a uma tourada podem interpretá-la como uma forma de violência (e uma violência real, embora limitada à arena) que ocorre numa relação explicável como desigual (uma vez que é perpetrada pelos homens em animais coagidos a estarem presentes) e que tendencialmente serve apenas o prazer de uma das partes. O comportamento lido como agressivo que observam nas touradas recebe um aval social forte, podendo ser visto como apropriado e tolerável (e portanto, repetível ou perpetrável noutras circunstâncias).”

Também o Comité dos Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), órgão máximo a nível internacional para esta matéria, recomendou ao Governo Português a proibição de participação de crianças em touradas e a adopção das medidas legais e administrativas necessárias para proteger as crianças envolvidas neste tipo de actividades, tanto como participantes como enquanto espectadoras.

Para além disso este não será um apoio às tradições portuguesas, à ruralidade e à cultura realizando-se o designado BullFest, num shopping repleto de boutiques e de cadeias de fast food.

Num email escrito dirigido ao Presidente da CML, o Deputado André Silva explicou que no programa deste evento se pode ler que “este é um momento perfeito para os mais pequenos terem uma introdução à tauromaquia em família.” Esta frase diz tudo sobre as intenções de doutrinamento dos mais jovens pela indústria tauromáquica.

Na mesma comunicação, o PAN pede uma nova atitude política e apela a um posicionamento que vá ao encontro da vontade e sentimento geral da maioria dos cidadãos portugueses e dos lisboetas. A longa exposição termina com um pedido de André Silva: “Não posso deixar de lhe pedir que ouse ser diferente e que pondere tomar a única atitude consentânea com os mais altos valores éticos e civilizacionais através dos quais a cidade de Lisboa se deve reger, retirando o seu apoio institucional a esta iniciativa baseada na cultura da violência.”

Fonte:

http://pan.com.pt/comunicacao/noticias/item/1166-pan-apela-cml-retirar-apoio-evento-tauromaquico.html

(AVISO: uma vez que a aplicação do AO/90 é ilegal, não estando oficialmente em vigor em Portugal, e atenta contra a legítima Língua (Oficial) Portuguesa, este texto foi reproduzido para Língua Portuguesa, via corrector automático).

Fonte: Arco de Almedina